Páginas

domingo, agosto 27, 2006

Música para ouvir


Acabo de vir do Festival Contemporâneo RS, com música elétroacústica (seja o que isso signifique), no Instituto Goethe.
Sem fazer revisão bibliográfica...

Como dizer o que é bom depois que todos os conceitos caíram?
Se nem mais os conceitos de "agradar" e "desagradar" parecem soar adequados?
Nós percebemos quando algo "funciona".

É simplesmente incrível como qualquer pessoa leiga -ou a maioria- diante de um quadro, percebe se está sendo enganado. (A menos que também queira enganar. Miró dizia que Picasso fazia muita coisa "para vender". )

Sendo Aristotélico, há construção, é uma forma que está ordenada, há um objeto um "ser", porque é independente.
Imita os ritmos da vida, cheios de imperfeições, segue caminhos improváveis, diversos, contraditórios. Pode ter ruptura, irritação, mas não pode ser artificial.

É algo "sincero", que parte de uma reflexão-percepção concreta, algo que não foi feito em função de status ou de aprovação alheia.
diz algo sobre seu tempo, claro, fala de coisas sutis demais- e cada nota ataca uma parte do cérebro, lembrando um momento- para serem ditas, ou tão presentes que só a música pode concretizar.

Eu fui recentemente a outro concerto contemporâneo. Havia coisas simplesmente chatas, coisas como ruídos sem um contexto, simplesmente descuidados. Até mesmo o que desmancha deve ter um cenário, ou vira apenas lixo. Até mesmo Warhol tinha o cuidado de explicar sua obra, ou seja explicar a si mesmo- talvez mais do que ninguém- ou seria apenas mais ruído.

Veja bem, existe o bom ruído. Existe o ruído que significa, aquele momento em que sabemos que o caos e a ordem tem um casamento tênue. Parece que é assim também nos padrões da natureza, nos fractais e tal, a ordem e a desordem equilibradas criam.
Todas as peças eram sensacionais: usavam sons inusitados em um todo em harmonioso, enquadrado, interessante, significativo. É maravilhoso ver que tem gente usando a liberdade com verdade.
Como não sou da área quero apenas citar o diretor geral Januibe Tejera; o diretor dos concertos de eletroacústica, Rafael Oliveira, os autores (claro, nem todos gaúchos), José Mannis, Igor Stravinsky, Fernando Mattos, Bruno Angelo, Rodrigo Avellar, Takemitsu, Martinez Nunes, Rafael Oliveira.
Mais uma vez o Goethe tornando a cidade melhor!
É isso que se pode dizer da inovação resultado de uma elaboração interna: foi um prazer.
Ai, ai, depois da novidade, a vida continua....
(bem que eu queria ir para uma cabana na Noruega- ou Bora-Bora, tb serve)

nem só de marketing vive o homem, vamos aos "detalhos"!


****

Fiquei chocado com o caso da prisão de Tati Quebra Barraco por fumar maconha...
Que é isso? Tá virando coisa de gringo?
(Veja bem senhor Bush, não estou fazendo apologia ao fumo, isso fez o Clinton mostrando, e o relatório do governo relatando profissionalmente, as possibilidades sexuais de um charruto...)

Dizem que ela declarou algo quando foi presa, imagino que foi (óbvio): "E com tanta gente em Brasília..."
Só faltou declararem "é rica, mas é favelada!"
Muito triste...
Essa cobertura da Ilustrada mal esconde o deboche:

"Intérprete de pérolas do funk nacional como "Cachorra Chapa Quente", "Ardendo Assopra" e "Na Pressão", ela admitiu ser usuária da droga, mas negou que faça apologia ao consumo de maconha. A cantora passou mais de cinco horas na delegacia.

No final de setembro, Tati Quebra-Barraco deve viajar aos EUA, onde fará shows (28 a 30), segundo a agenda da funqueira publicada em seu site oficial. Devido à rigidez norte-americana no combate às drogas, espera-se que a funqueira tome cuidados extras ao arrumar as malas"

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u63739.shtml



*****
Que aconteceu com o bom Bom Fim?
(Claro isso é papo velho, mas agora deu de falar...)

Apesar de eu mal ter vivido os anos 80- como meu irmão adora lembrar (provavelmente ele acha que eu me "promovo" me lançando como "vintage") - eu curti Legião, the Cure e Madonna, antes dela ser substituída pela filha mais nova. Eu vi ainda coisas legais alí...
O bairro era um local de contracultura, a geração do Moacyr Scliar e depois, lar de pensadores e punks.

Não tem mais luz no Bonfa!
Está escuro, assustador, andei por lá esses dias, nossa...
Será que todos os intelectuais "caíram na real" se venderam ao "mundo cão" e foram morar em Miami?

Ou será que o pessoal da Goethe cobrou tão caro que todo mundo veio pra Cidade Baixa, onde tem cerveja a 10 e 3 pila?
Sei lá... falta cuidado, muito!
Não tem comércio, a vida começa na Venâncio Aires... (aliás, depois das 21h, medo! escuridão total)

Se existisse alguma prefeitura em Porto Alegre deveria pensar nisso...
O bairro significou muito para se tornar lost downtown! Socorro!

***

Um capítulo de Páginas da Vida: Regina Duarte fala com ex-marido e Marta diz que não transa há 5 anos.

Sutil? Foi um dos melhores que já vi até agora.

A escrita de Manoel Carlos está sempre nesse meio termo: banal ou gostosamente familiar.

Lembro-me de "Laços de Família" onde Vera Fisher contava que "eu escovo os dentes ao acordar, tomo café da manhã numa xícara branca, dou uma caminhada no Leblon e compro espinafre" e se repetiam as velhas "manoelices" tipo "é tão bom estar em família! me passa a margarina!"

Mas esse capítulo que eu vi, foi interessante: por um lado, o texto está mais profundo, no sentido entretenimento, o personagem Greg, por exemplo, levou sermão, mas teve até relevo.

Regina Duarte e Lilian Cabral usaram toda sua experiência e história para amenizar o que ainda há de "bobo" no texto- Regina com um pouco de adolescência demais, carinhas, olho arregalado, e o que foi chamado de síndrome do cocker spaniel, o movimento insuportável da cabeça.

Uma mulher dizendo que não transa poderia ser algo mexicano: com Lilian Cabral teve um sussuro, uma lágrima pra lá de verdadeira.
Não é a toa que o personagem dela - um dos poucos realmente ambíguos e multidimensionais- agrada ao que parece até o autor: ela é verdadeira sem ser exagerada, má sem ser bruxonilda, não precisa ser pasteurizada para atrair o público.

Até o galã Mayer parecia realista.
Agora?
Acho que as coisas vão melhorar.

Mas que medo do "fantasma de Nanda"! Ai!

sexta-feira, agosto 25, 2006

NASCEU!!!!!!!!!!!!

MEU LIVRO SAIU!!!!!!!!!!!!

Pô foram anos de espera!

Tá ai!

O pessoal tá gostando : )
(claro, por enquanto, só minha mãe:)

é aquele momento mágico que você nao precisa mais falar sobre ele, ele existe, vai ser gauche na vida!

espero que seja de ajutório como eu disse pra um amigo, pois "fala de ummundo pós-sem-muro, cínico, cheio de ironia, ondecorporações como a Shell jogam óleo na àfrica e vão àTV falar de energia limpa!"

então lá vai :) já, já, já vai!

Trecho:

"O caso do vendedor de cabeças

Quando Maria Tereza fez doze anos, seu pai a levou auma loja de cabeças, olhou bem dentro de seus olhos: minha filha, lembre-se disso: a vida é feita devencedores e perdedores; vencedores são aqueles quetêm carro aos 20 anos, perdedores são todos os outros.

Esperamos de você que seja formada, arrume um homemrico e bonito, nos dê netos maravilhosos, organizebelas festas de Natal, saiba se vestir, passe algunsferiados sorrindo em churrascos e seja magra. (...)"

LIMA, Afonso Junior Ferreira de Lima. ALGUNS CONTOS.Porto Alegre: Suliani Editografia, 2006.

Release:

Globalização, crimes corporativos, novidades genéticas, educação, trabalho semi-escravo, o olhar do autor é atento e preciso. Tendo a maior parte de sua produção em teatro e poesia, Afonso Junior Ferreirade Lima voltou-se ao conto como uma forma de, segundo ele mesmo, contar as histórias que não estão sendo contadas, juntar os fios do cotidiano, retomar a identidade coletiva, o que seria uma das funções da arte.

"Senti que, em algum momento, as metáforas e monólogos interiores domodernismo precisavam ser usados para se falar de novo de algo láfora; os jogos com a linguagem permanecem interessantes, mas aspessoas têm uma sede muito grande de realidade, essa que nos foge nosnoticiários e na educação pasteurizada. Narrar é pensar; pelaatribuição de sentido e julgamentos da arte, nós vemos o que está aonosso redor" - comenta o autor

Entretanto, uma gama variada de sentimentos e narrativas sãodesenvolvidos. Contos de tom regional (Crepúsculo no campo), ficçãocientífica (Nove planetas), terror (Conto do mar), uma série de tipose modos de contar. O que liga todos eles? A urgência de um chamado atomada de posição, a partir da leitura do mundo presente.Afonso Junior Ferreira de Lima é formado em História e pós-graduado emFilosofia da Arte pela PUCRS, tendo realizado trabalhos como ator,vídeo-maker e artista plástico.

Eduardo Valls,
Jornalista,
autor de "1956: uma epopéia gaúcha no México", WS Editor, 2005.


Capa- Orelha:"De Afonso Jr. se pode dizer que ele tem a vocação do contista. Em primeiro lugar é, em matéria de narrativa, um minimalista; consegue, em uns poucos parágrafos, construir uma situação ficcional que envolve o leitor. Ao mesmo tempo, tem um seguro domínio da palavra, oque, em matéria de textos curtos, é essencial.Finalmente a sua matéria prima é aquela que todos oscontistas perseguem: a condição humana em momentoscríticos. É um trabalho promissor,o dele, e osleitores farão bem em acompanhá-lo".

Moacyr Scliar
escritor
contato/pedidos:http://mail.google.com/mail/h/1h8ysh25xxbzh/?cs=wh&v=b&to=jissobrasil@yahoo.com
Realmente, Carina Martins do Zapeatrix tem razão. Não dá pra aguentar a repetição didática de Páginas da Vida.
Eu até me surpreendi de querer assistir. Quem já leu o artigo que escrevi sobre Mulheres Apaixonadas, pode até estranhar. Mas achei o visual bonito (faço parte, de certo, daquela parte previsível da audiência, os que são atraídos por truques..), um pouco mais de enredo, e quem sabe, quem sabe mesmo!, um pouco menos de baixaria...
como diz Carina, há uma linha tênue entre sutileza cotidiana e repetição banal: e hoje foi só repetição banal!
Mil vezes Regina Duarte fez uma cara sofredora vendo os gêmeos separados brincando na pracinha por obra do destino! e as falas do avô, Alex, que dramalhaaaão! "Brincando com a amiguinha FRANCISCO!!!" (parecia Shakespeare!)

Ainda um outro desliza "manoelino": duas personagens conversam, ai, eu fiz cursos em nova york, eu estou indo pra amesterdã... que mundo é esse Manoel Carlos? depois o Fantástico dá que meninas se vendem por uma lata de sardinha (ah, claro, mas é o novo filme...)

****
É sempre assim, só porque fiz História, toda vez que começa A Casa das Sete Mulheres todo mundo me questiona... mas cor da barba do Garibalde era essa?
Por que não assisto A Casa?
Sei lá, nunca tive vontade...

esses dias, zappeando, vi um personagem atraente, a boa sempre boa Morgado.
Acho que há romance na trama, fiquei cotnente de saber que é uma obra de ficção bem amarrada, parece...
Também não tenho nada contra o livro: não acho que tudo tem de ser como foi na vida real...

Mas simplesmente não consigo ler que Jack o Stripador era sorridente e amava Giovana Antoneli, sei lá, não faz sentido... é como falar da vida passada dos sete anões, simplemsente não precisa.
e como, graças a Deus, para romance tenho em minha mesa Orgulho e Preconceito...

segunda-feira, agosto 21, 2006

UMA MULHER PARA SER AMADA...
Danielle Miterrand escreveu estas linhas ao povo francês, após ter recebido críticas impiedosas por ter permitido a presença da amante do marido e de sua filha, Mazarine, na cerimônia fúnebre.

"Antes de mais nada devo deixar claro que não é um pedido de desculpas. Muito menos um enunciado de justificativas vãs, comum aos covardes ou àqueles que vivem preocupados em excesso com a opinião dos outros.

Aos 71 anos, vivendo a hora do balanço de uma existência que é um sulco bem traçado e profundo, já não mais preciso, e nem devo, correr atrás de possíveis enganos.
Vivo o momento em que as sombras já esclarecem e que as ausências são lindas expressões de perenidade e criação.

Sombras e ausências podem ser tudo, ao passo que luzes e presenças confundem os mais precipitados, os mais jovens.

Vivi com François 51 anos; estive com ele em muito desse tempo e me coloquei sempre. Há mulheres que não se colocam, embora estejam; que não se situam embora componham o cenário da situação presumível.

Uma vida de altos e baixos. Na época da Resistência nunca sabíamos onde iríamos passar a noite - se na cama, na prisão, nos bosques ou estendidos por toda a eternidade.
Quando se vive assim em comum, cria-se uma solda e a consciência de que é preciso viver depressa.

Concentrar talvez seja a palavra.Por isso tentei entendê-lo, relacionar-me com sua complexidade, com as variações de sua pessoa e não de seu caráter... Quem entende ou pelo menos luta para compreender as variações do outro, o ama realmente. E nunca poderá dizer que foi enganada ou que jamais enganou. Não nos enganamos, nos confundimos quando nos perdemos da identidade vital do parceiro, familiar ou irmão. Ou jamais os conhecemos, o eu também, não é um engano. Quem não conhece, não tem enganos.

Nas variações do outro, não cabe o apaziguador que destrói tudo antes do tempo em forma de tranqüilidade.

Uma relação a dois não deve ser apaziguada, mas vibrante, apaixonada, e não, enfastiada. Nessa complexidade vi que meu marido era tão meu amante quanto da política.
Vi, também, que como um homem sensível poderia se enamorar, se encantar com outras pessoas, sem deixar de me amar.

Achar que somos feitos para um único e fiel amor é hipocrisia, conformismo. É preciso admitir docemente que um ser humano é capaz de amar apaixonadamente alguém e depois, com o passar dos anos, amar de forma diferente. Não somos o centro amorável do mundo do outro. É preciso aceitar, também, outros amores que passam a fazer parte desse amor como mais uma gota d'água que se incorpora ao nosso lago.

Simone de Beauvoir dizia bem, que temos amores necessários e amores contingentes ao longo da vida.

Aceitei a filha de meu marido e hoje recebo mensagens do mundo inteiro de filhos angustiados que me dizem:"Obrigado por ter aberto um caminho. Meu pai vai morrer, mas eu não poderia ir ao enterro porque a mulher dele não aceitava".

É preciso viver sem mesquinhez, sem um sentido pequeno, lamacento, comum aos moralistas, aos caluniadores e aos paranóicos azedos que teimam em sujar tudo. Espero que as pessoas sejam generosas e amplas para compreender e amar seus parceiros em suas dúvidas, fragilidades, divisões e pequenas paixões. Isso é amar por inteiro e ter confiança em si mesmo.
Deus não prometeu Dias sem Dor; Risos sem Sofrimentos; Sol sem Chuva. Ele prometeu Força para o Dia; Conforto para as Lágrimas e Luz para o Caminho..."

http://ofuxico.uol.com.br/Materias/Colunas/coluna_3904.htm
Saudades de Mitterand

Le dernier Mitterand, Georges-Marc Benamou, 1997

Deixei passar um tempo para escrever essa crônica. Isso porque gostei do filme, o personagem de Mit realmente é forte, inteligente e passa por maus bocados. Há um roteiro bem construído, o jornalista- biógrafo questiona, o protagonista sofre...E porque a moça da bilheteria disse: “Adorei, um dos melhores filmes que já vi...”

Quando se vê um filme corajoso que á capaz de debater política num mundo de “besteirol”, que trata de temas contemporâneos e além do mais de uma biografia e de uma figura tão insondável como Mit, fica até impossível não se gostar. Entretanto...

Mas existe algo que coloca um filme além da discussão, e isso é a vida em imagens, a vida que transcende o mero argumentar. A articulação do sujeito humano tem uma carga maior que a mera defesa de qualquer política, porque defende a beleza do único além deste ou daquele contexto, partido, problema. E, no entanto, essa identificação se dá não apenas quando se pode ver algo relevante, mas quando a presença é marcada pelo particular e enraizada no “mundo da vida”. Quando consegue-se passar de modo claro o efeito do contexto sobre o personagem, e vice-versa, quando “pensamos junto” e compreendemos como possível a síntese que a arte faz da vida. Saí do cinema com a mesma pergunta que entrei: quem foi Mit?

Antes de tudo, busquei na Internet algo sobre o presidente. Nada se sabe. Todos repetem que foi um dos mais longos da França, o máximo que se diz é que brigou com os socialistas, que em algum momento chegou perto da direita. É como se os anos 80 fosse um período de congelamento, um “esperem para ver depois...”

Mit se defende, da acusação de nazismo, profetiza que depois dele será a globalização implacável. Por outro lado, o filme aponta, os anos 80 parecem agora o mundo das fadas. A França tem saudade de Mit.

O filme já parte como se o contexto francês fosse evidente. O começo, complexo, pode até ter como desculpa que o diretor não quer fazer concessões, pretende nos inquietar sobre quem afinal foi isso ou aquilo no distante 1942. Mas o mistério permanece... Tirando uma cena rápida com um personagem secundário, o pai da namorada do co-protagonista, pouco sabemos do contexto “atual”.

Não se lança nenhuma luz sobre o agir político de Mit a não ser em seu passado anti-(ou quase hesitante) –Vichy.
Há um roteiro, um belo ator, uma história de vida, e simpatizamos com o próprio personagem central.
Mas o filme não consegue, no fundo, nos mergulhar num drama humano, nos prender a uma figura de carne e osso. Algumas cenas da doença podem ser duras e patéticas. Mit acaba sendo um mistério tão insondável como o branco retrô do cenário, nem belo, nem feio, imponente, vazio.

Lênin em Que Fazer? coloca: “Se a democracia significa, no fundo, a supressão da dominação de classe, por que um ministro socialista não seduziria o mundo burguês com discursos sobre a colaboração das classes”?

As perguntas fundamentais ainda ficam no ar: era M. um direitista, ou um homem acossado pela direita?

ajr
Quem tem medo de Bush mau?

Aconteceu o que deve acontecer. Os planos foram barrados pela polícia. Mas...o terrorismo não pode ser visto como um problema capaz de ser enfrentado pela inteligência, um plano de um grupo extremista tem de parecer a Guerra-fria.

Bush disse: “If these terrorists had succeeded, they could have caused death on a massive scale,” B. said “the plot appears to have been carefully planned and well-advanced”.

Chega um momento em que existe uma Guerra abstrata, todos são inimigos, e qualquer um de nós pode, a princípio ser parte disso, seja os brasileiros de Foz do Iguaçu ou alguém trabalhando em Londres. Todos os inimigos estão juntos, como comunistas perigosos, e todos são o mesmo:
"They kill civilians and American servicemen in Iraq and Afghanistan, and they deliberately hide behind civilians in Lebanon”. O Hizbollah ia derrubar aviões em Londres?
Ainda: “We can have legitimate disagreements about the best way to fight the terrorists, yet there should be no disagreement about the danger we face”.

Quando os democratas vão parar de jogar no campo do inimigo e de defender essa guerra fantasia contra o terror? Falta coragem para falar do que importa, a destruição da infra-estrutura do país, a corrupção corporativa, a destruição do setor médio. Ah, esses publicitários!
Que horror esses filminhos que a Globo está passando!
Bem que leão Lobo disse, a Globo está com filmes de 5ª!
Hoje está passando Steve Martin.

Toda a graça da história é o encontro de uma negra cheia de “atitude” com o mundo “coreto’ dos advogados. Quanto estereótipo, quanta separação!
Fica patente em cada cena que o negro é visto como um “radical” por um lado, com uma rebeldia moderna;pos outro, um “malandro”. Tem até um personagem que vê a mulher como um objeto sexual, para tentar compensar: "o taradão".

Os negros dos estados Unidos deviam protestar na frente de um filme assim: na cena inicial o cara descobre que preparou o jantar para uma loira da internet, mas a chegada da “morena” faz ele apagar as velas. Ela se comporta como uma criminosa, mostra uma foto de si mesma sendo presa, fala em atacar com uma faca. Depois faz um escândalo na frente da casa.
“Até parece que ele ia contratar uma presidiária”- diz um personagem.

“Pus a minha boca na tua teta” – ela faz uma criança ler. É mal educada, fala errado e é brigona. Deveria ser engraçado ver Steve Martin dançando como “negro”. Parece-me de mau gosto, simplesmente, um deboche, “olha como eles dançam esquisito!”. Até porque os personagens “rappers” vivem em um submundo decadente e são marginais. “Malandros” para atrair os jovens, crítica ao submundo para atrair os pais.

É claro que os dois protagonistas não ficam juntos no fim! Parece filme de Carmen Miranda na década de 40; ela cantava e dançava, mas era esquisita demais pra ficar com o mocinho! Agora Steve fica com uma “branca”, como eles se tratam: “brancos não se abraçam!”
É parte dessa “inclusão” que primeiro separa as pessoas por tipo e depois prega o multiculturalismo! Horroroso!

ajr
Transferência de renda a bancos é "brutal"
da Reportagem Local

Além de ter dado "um gás" considerado limitado e até "artificial" ao consumo, o aumento do crédito no Brasil nos últimos meses produziu uma enorme transferência de recursos do setor público e da renda dos assalariados para os bancos.No Brasil, o crédito total concedido representa apenas 32,1% do PIB (Produto Interno Bruto).

A média internacional é maior do que 100%.Aqui, o principal problema para a expansão dos empréstimos são os juros e a renda.Em julho, segundo dados da Anefac, que reúne estatísticas desse mercado, o juro mensal médio subiu para 6,24% ao mês (106,7% ao ano), o maior patamar desde setembro de 2003 -apesar de o juro básico do BC ter caído de 19,75% para 14,75% nos últimos 11 meses.

Pelo total do crédito recebido em 2005, as pessoas físicas pagaram 44% a mais só por conta dos juros. Para R$ 155,2 bilhões em crédito foram pagos R$ 67,6 bilhões de juros. "É uma transferência de renda brutal para o setor financeiro", afirma o economista Marcel Solimeo, da ACSP.

Essa transferência se dá tanto do setor público, que paga os salários de seus servidores, dos aposentados e demais beneficiários da Previdência Social, quanto dos assalariados privados que tomam empréstimos. No caso do setor público, é como se o governo arrecadasse impostos para pagar salários que viram juros para os bancos.

Fôlego curtoOs juros altos também emperram o fôlego do crédito como motor econômico. No limite, o consumidor chega a pagar duas vezes por um mesmo produto -uma pelo bem, outra pelos juros.Segundo Reinaldo Pereira, gerente da Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE, o fôlego do crédito está no fim.

"As pessoas estão no limite do endividamento, e a inadimplência mostra isso", afirma. Para o IBGE, as vendas de bens duráveis (móveis e eletrodomésticos) são o melhor termômetro para avaliar o fim desse fôlego -já que esses bens são geralmente financiados.No primeiro semestre de 2006, as vendas de bens duráveis cresceram 9%. No mesmo período de 2005, o volume foi duas vezes maior (19,7%).

Antonio Carlos Borges, economista da Fecomercio SP, diz que, além dos juros, o problema é que a renda não cresce a uma velocidade compatível com a do crédito. "Sem a renda crescendo mais forte, não há novos consumidores no mercado.

(...)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u110353.shtml

domingo, agosto 20, 2006

Eucalipto pode ajudar a salvar floresta
CLAUDIO ANGELOEnviado especial da Folha de S.Paulo a Brasília

A "árvore da direita", quem diria, pode ajudar o "governo de esquerda" a proteger a Amazônia. O Ministério do Meio Ambiente quer estimular o plantio de eucalipto por pequenos produtores no leste do Pará e oeste do Maranhão com o objetivo de reduzir a pressão sobre a floresta --que tomba ali a taxas vertiginosas para alimentar com carvão vegetal as siderúrgicas de Carajás.

(...)

Fornos famintosA advertência de Hummel se explica: Carajás é uma região tradicional de conflito fundiário, onde 30 mil famílias, quase todas de assentados e pequenos agricultores, sobrevivem da produção de carvão vegetal. O produto alimenta os altos-fornos de 14 siderúrgicas, indústrias que se expandem pela região da serra dos Carajás, abundante em minério de ferro.

O problema é que os fornos consomem nada menos que 12 milhões de metros cúbicos de lenha por ano, numa estimativa considerada conservadora. A área afetada por essa exploração é de até 200 mil hectares por ano. Para comparação, as 3.500 serrarias contabilizadas em toda a Amazônia consomem hoje 24 milhões de metros cúbicos de madeira.

"Ninguém pôs a suderurgia na conta" da exploração florestal até hoje, disse Azevedo. Para complicar ainda mais a situação, 85% do consumo de carvão vegetal vem de florestas nativas, e pelo menos metade das 6 milhões de toneladas de carvão vêm de fontes ilegais. (O Ibama diz que a previsão do suprimento legal, 3 milhões de toneladas, está superestimada.)

O governo só se deu conta do tamanho do buraco da siderurgia no ano passado, quando o Ibama fechou um relatório sobre a situação ambiental do setor de ferro-gusa. Na ocasião, descobriu-se que só uma empresa do Pará, a Vale do Rio Doce, produzia gusa de fontes sustentáveis (florestas plantadas) de carvão. Todo o resto estava irregular, o que resultou em uma multa de R$ 500 milhões às siderúrgicas --a maior já aplicada na história do Ibama."

Até então, nossas operações de fiscalização se resumiam a correr atrás de caminhões de carvão", diz Hummel. "No diagnóstico do setor siderúrgico nós fizemos diferente: pegamos os dados das próprias empresas e fizemos uma regra de três para saber se a conta das fontes de carvão fechava." Todas as operações feitas na região desde 2005, inclusive nas últimas semanas, acharam carvão ilegal."O problema é que órgãos ambientais estaduais fizeram o licenciamento errado de todas essas empresas", diz o diretor de Florestas do Ibama.

Só se olhou o impacto de altos-fornos na poluição do ar e contaminação por metais. A questão do carvão foi ignorada.Hoje, cinco siderúrgicas querem se instalar no Pará, mas os licenciamentos estão paralisados. O Ibama negocia um termo de ajustamento de conduta, o que é em si complicado --parar de desmatar ilegalmente comprometeria a produção de ferro-gusa e abalaria a economia local.Nesse contexto entra a implantação do distrito florestal.
Mas Azevedo reconhece que isso é apenas parte da solução do problema. "Até lá esse pessoal vai tirar lenha de onde?"

O jornalista Claudio Angelo viajou a Brasília a convite do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia e do Woods Hole Research Center

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u14624.shtml
TELESPECTADOR ATUAL OU ESPECTADOR VIRTUAL?

Sobra a campanha publicitária do Pan-Americano
Raphael Mesquita


O sempre atento mercado publicitário já esta ágil na divulgação dos jogos Pan-Americanos, que acontecerão em 2007, na cidade do Rio de Janeiro. Já se investe pesadamente em campanhas publicitárias e sobretudo na aproximação com o possível participante do evento. Mas a novidade este ano é que o espectador virou, quase que exclusivamente, telespectador, mesmo quando os jogos serão realizados no próprio país.
(...)
Esse tipo de aproveitamento educativo através do esporte não é nada novo. Num país em que o esporte é referência na criação de ídolos, tal prática se faz bastante comum. Não raro vemos personalidades esportivas deslocadas de seu papel original e exercendo essa função pedagógica que nem sempre diz respeito a seu ofício. Papel não exclusivo dos esportistas, é bem verdade. Mas pensemos que em países com os EUA, por exemplo, o jovem é realmente incentivado a praticar esportes.

Mais do que a formação de um campeão, a política norte-americana visa a prática esportiva. O adolescente que se destaca no esporte é também aquele que poderá conseguir uma bolsa nas disputadas universidades americanas. Entretanto, sabemos que o campeão de futebol americano do colégio que ganha a desejada bolsa para estudar em Harvard devido a isso, certamente não sairá de lá como ícone do esporte, mas sim como médico, engenheiro, ou qualquer outra profissão que exija a formação universitária.

Políticas públicas à parte, voltemos ao que de fato nos interessa: a nova forma de participação do espectador brasileiro (e sobretudo carioca) nos Jogos Pan-Americanos. Se pensarmos nas duas citadas propagandas, em ambas o canal de transmissão utilizado é a televisão. Nós, telespectadores, vemos a divulgação dos Jogos pela televisão. E, dentro da televisão, novos telespectadores (personagens) vêem, de fato, os acontecimentos esportivos.

Ao contrário do que se espera normalmente, exceto pelo intermédio da televisão-personagem, não vemos belas imagens, grandes feitos esportivos, nem a divulgação do Rio de Janeiro, cidade maravilhosa. Chama atenção que as duas propagandas não se dirigem à promoção do evento esportivo, como a princípio se acredita. São na verdade apenas instrumentos de divulgação da própria televisão. Não nos reconhecemos como esportistas.

Nos reconhecemos no garoto matemático ou na garota Lego. E pra esses, a televisão parece suprir suas necessidades e anseios, trazendo mais do que diversão, também "conhecimento" e "responsabilidade".Acontece que a autopromoção da televisão na transmissão dos Jogos é feita de modo mascarado.

A impressão que se têm é do interesse nos jogos. Escolher o nome do mascote, ou estar próximo de campeões esportivos são estratégias de aproximação. A televisão acaba por eliminar, ou ao menos reduzir, a magia do contato direto com o esporte. Pode-se notar uma tentativa de substituição de sensações. Todos sabemos que o clima num campo de futebol, numa quadra de basquete ou de vôlei, ou mesmo nas arquibancadas de uma piscina, é bastante diferente do clima que se constrói pela televisão.

Não que não se tenha emoção diante da televisão, mas as sensações são distintas e sobretudo a experiência vivenciada é outra. E justamente neste ponto somos enganados, pois a imagem e o ambiente que se vende são unificados. Assim podemos voltar a questão da veiculação das propagandas começarem exatamente durante a Copa do Mundo.

Quando já se tem um bilhão de pessoas em frente à televisão e existe um clima de "parar a cidade" para assistir um jogo de futebol (pela televisão), fica fácil apropriar-se dessa ambientação e defender que a televisão é grande propiciadora de emoção. Ela consegue dar conta não só da informação sobre os Jogos, mas da transmissão da atmosfera do "ao vivo".

http://www.contracampo.com.br/81/tvpan.htm
Salva-vidas de chumbo

16/08/2006
Por Eduardo Galeano

Tradução de Eric Nepomuceno
Fonte IPS

Pelo que diz a voz de comando, nossos países devem acreditar na liberdade do comércio (embora ela não exista), honrar os compromissos (embora eles sejam desonrosos), atrair investimentos (embora eles sejam indignos) e ingressar no cenário internacional (embora pela porta dos fundos). I ngressar no cenário internacional: o cenário internacional é o mercado.

O mercado mundial, onde compram-se países. Nada de novo. A América Latina nasceu para obedecê-lo, quando o mercado mundial nem era chamado assim, e de um jeito ou de outro continuamos atados ao dever de obediência.Esta triste rotina dos séculos começou com o ouro e a prata, e continuou com o açúcar, o tabaco, o guano, o salitre, o cobre, o estanho, a borracha, o cacau, a banana, o café, o petróleo... O que esses esplendores nos deixaram? Nos deixaram sem herança nem bonança. Jardins transformados em desertos, campos abandonados, montanhas esburacadas, águas apodrecidas, longas caravanas de infelizes condenados à morte antecipada, palácios vazios onde perambulam fantasmas...Agora, chegou a vez da soja transgênica e da celulose. E outra vez repete-se a história das glórias fugazes, que ao som de seus clarins nos anunciam longas tristezas.
***
Será que o passado ficou mudo?Nós nos negamos a escutar as vozes que nos alertam: os sonhos do mercado mundial são os pesadelos dos países que se submetem aos seus caprichos. Continuamos aplaudindo o seqüestro dos bens naturais que Deus, ou o Diabo, nos deu, e assim trabalhamos pela nossa própria perdição e contribuímos para o extermínio da pouca natureza que nos resta neste mundo.Argentina, Brasil e outros países latino-americanos estão vivendo a febre da soja transgênica. Preços tentadores, rendimentos multiplicados. A Argentina é, e já faz tempo, o segundo maior produtor mundial de transgênicos, depois dos Estados Unidos.

No Brasil, o governo de Lula executou uma dessas piruetas que pouco favor fazem à democracia, e disse sim à soja transgênica, embora seu partido tenha dito não durante toda a campanha eleitoral.Isso é pão hoje e fome amanhã, como denunciam alguns sindicatos rurais e organizações ecologistas. Mas já sabemos que os peões ignorantes se negam a entender as vantagens do pasto de plástico e da vaca a motor, e que os ecologistas são uns estraga-prazeres que não dizem coisa-com-coisa.
***
(...)
***
A celulose também está na moda, em vários países. Agora, o Uruguai está querendo se transformar num centro mundial de produção de celulose para abastecer de matéria prima barata as longínquas fábricas de papel. Trata-se de monocultivos para a exportação, na mais pura tradição colonial: imensas plantações artificiais que dizem ser bosques e se convertem em celulose num processo industrial que arroja detritos químicos nos rios e torna o ar irrespirável. No Uruguai, começaram por duas fábricas enormes, uma das quais já está a meio construir.

Depois surgiu outro projeto, e já se fala de outro, e outro mais, enquanto mais e mais hectares estão sendo destinados à fabricação de eucaliptos em série. As grandes empresas internacionais nos descobriram no mapa do mundo, e caíram de súbito amor por este Uruguai onde não há tecnologia capaz de controlá-las, o estado outorga subsídios e evita impostos, os salários são raquíticos e as árvores brotam num piscar de olhos.Tudo indica que nosso país, pequenino, não irá agüentar o asfixiante abraço desses grandalhões. Como costuma acontecer, as bênçãos da natureza se transformam em maldições da história.

Nossos eucaliptos crescem dez vezes mais depressa que os da Finlândia, e isso se traduz assim: as plantações industriais serão dez vezes mais devastadoras. No ritmo de produção previsto, boa parte do território nacional está sendo espremida até a última gota de água. Os gigantes sedentos vão secar nosso solo e nosso subsolo. Trágico paradoxo: este país foi o único lugar do mundo em que a propriedade da água foi submetida a plebiscito popular. Por esmagadora maioria, os uruguaios decidiram, em 2004, que a água seria propriedade pública. Não haverá maneira de evitar o seqüestro dessa vontade popular?

***
A celulose, é preciso reconhecer, transformou-se em algo assim como uma causa patriótica, e a defesa da natureza não desperta entusiasmo. Pior: em nosso país, algumas palavras que não eram palavrões, como ecologista e ambientalista, estão se transformando em insultos que crucificam os inimigos do progresso e os sabotadores do trabalho.Celebra-se a desgraça como se fosse boa notícia. Mais vale morrer de contaminação do que morrer de fome: muitos desempregados acreditam que não existe outro remédio além de escolher entre duas calamidades, e os mercadores de ilusões desembarcam oferecendo milhares e milhares de empregos. Acontece que uma coisa é a publicidade, e outra é a realidade.

O MST, movimento dos camponeses sem terra, divulgou dados eloqüentes, e que não valem apenas para o Brasil: a celulose gera um emprego a cada 185 hectares, e a agricultura familiar cria cinco empregos a cada dez hectares. As empresas prometem o melhor. Trabalho a rodo, investimentos milionários, controles rígidos, ar puro, água limpa, terra intacta. E eu me pergunto: já que é assim, por que não instalam essas maravilhas em Punta del Este, para melhorar a qualidade de vida e estimular o turismo em nosso balneário principal?

sábado, agosto 19, 2006

The New York Times
18:29 14/08
Paul Krugman, do The New York Times


Comentário: Esperando o medoAlguns dias após o 11 de setembro, eu aprendi com membros congressionais que os republicanos no Capitólio já estavam explorando a atrocidade, tentando usar o atentado para impulsionar cortes de impostos para corporações e pessoas ricas. Eu escrevi sobre o assunto no dia seguinte, alertando que “políticos que se enrolam na bandeira americana enquanto tentam cruelmente continuar com seu partidarismo não são patriotas de verdade”. 18:29 14/08Paul Krugman, do The New York Times
A reação dos leitores foi furiosa – não estavam furiosos com os políticos, mas com a minha pessoa, por eu ter sugerido que tal ultraje fosse possível. “Como posso dizer isso ao meu filho?”, reclamou uma correspondência irritada.

Eu espero que ele já saiba o que dizer ao filho atualmente.

Nós agora sabemos que desde o início, o governo Bush e seus aliados no Congresso viram a ameaça terrorista não como um problema a ser solucionado, mas como uma oportunidade política a ser explorada. A história do último enredo terrorista faz com que o cinismo e a irresponsabilidade do governo se tornem mais claros do que nunca.

Irresponsabilidade – O governo sempre usou dinheiro quando realmente é necessário defender os Estados Unidos de ataques terroristas. Agora, nós aprendemos que os especialistas em terrorismo sabiam sobre a ameaça de explosivos líquidos há muitos anos, mas que o governo Bush não fez nada sobre tal ameaça até o momento, e tentou desviar fundos de programas que poderiam ter nos protegido. “Assim como o enredo de terror britânico foi revelado”, informa a Associated Press, “o governo Bush tentou silenciosamente desviar 6 milhões de dólares que supostamente seriam gastos neste ano no desenvolvimento de novas tecnologias para a detecção de explosivos”.

Cinismo – Os republicanos consistentemente retrataram seus oponentes como fracos quanto ao terrorismo, senão estivessem solidários aos terroristas. Lembra-se da propaganda de televisão de 2002, na qual o senador Max Cleland do Estados de Geórgia foi desenhado ao lado de Osama bin Laden e Saddam Hussein? Agora nós temos Dick Cheney sugerindo que os eleitores nas eleições preliminares do partido democrata em Connecticut estivessem concedendo ajuda e conforto para “membros da Al-Qaeda”. Aí vão eles, mais uma vez.

Mais irresponsável, e talvez também mais cínico: a rede de televisão NBC relata que houve uma disputa entre os britânicos e os americanos sobre quando prender pessoas no último episódio terrorista. Dado que os conspiradores alegaram não estarem prontos para partir – eles não haviam comprado passagens aéreas, e alguns sequer tinham passaportes – os oficiais britânicos queriam observar e esperar, com a esperança de juntarem mais provas. Mas de acordo com a NBC, os americanos insistiram nas prisões imediatas.

As suspeitas de que o governo Bush possa ter tido motivos políticos ao querer as prisões realizadas prematuramente são alimentadas por memórias de eventos de dois anos atrás: o departamento de Segurança Interna declarou alerta de terrorismo logo após a Convenção Nacional Democrática, desviando os holofotes de John Kerry – e, de acordo com representantes da inteligência paquistanesa, desviando os holofotes de um espião-duplo dentro da Al-Qaeda.

Porém havendo algo suspeito ou não sobre o último anúncio de terrorismo, há questão sobre se as táticas do governo funcionarão. Caso as pesquisas de opinião sejam um indicador, os republicanos estão à beira de perder o controle de pelo menos uma parte do Congresso. E “em qualquer outra questão que não seja terrorismo ou segurança interna”, afirma a Newsweek sobre sua última pesquisa de opinião, “os democratas vencem”. Será que um esforço de última hora para conseguir destaque sobre a questão do terrorismo mantém à distância um desastre eleitoral?

Muitos analistas políticos pensam que sim. Porém mesmo em relação ao terrorismo, e mesmo após as últimas notícias, as pesquisas dão aos republicanos na melhor das hipóteses uma leve vantagem. E os democratas estão finalmente fazendo o que eles deveriam ter feito há muito tempo: acusando o governo de tirar vantagens partidárias com a ameaça terrorista.

Foi tão significativo que o presidente Bush se sentiu obrigado a se defender contra a acusação no sábado, e que sua defesa padrão – atacar um testa de ferro declarando que “não deveria haver desacordo sobre os perigos que enfrentamos” – soou bastante fraca.

Sobretudo, muitos americanos agora compreendem a extensão do abuso de Bush sobre a confiança que a nação depositou nele após o 11 de setembro. Os americanos não acreditam mais que ele é alguém que os manterá a salvo, como muitos pensavam; a patética reação ao furacão Katrina e o desastre no Iraque nos mostraram isso.

Tudo o que Bush e seu partido podem fazer nesse momento é fazer com que a oposição seja vista como o próprio demônio. E minha suposição é de que a população não acreditará nisso, e que os americanos estão cheios de lideranças que nada oferecem a não ser o medo de si próprias.

http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/nytimes/2487501-2488000/2487682/2487682_1.xml

sexta-feira, agosto 18, 2006

Blog da coluna "Toda Mídia"
Nélson

Na coluna "O poder dos bancos no Brasil" (assinantes Folha e UOL), o economista Paulo Nogueira Batista Jr. escreve que tal poder já constitui "uma agressão ao interesse público":
_ Enquanto a maior parte da economia patina na mediocridade, enquanto a maior parte dos brasileiros vegeta na pobreza ou na miséria, os conglomerados bancários expõem resultados exuberantes. Exuberantes, não. Nas circunstâncias, não é exagero usar palavra mais forte: indecentes.
PS - Vale para o outro lado também. "Alckmin se reúne com bancos antes de criticar lucro na TV", noticia a Folha (assinantes Folha e UOL).

http://todamidia.folha.blog.uol.com.br/

quinta-feira, agosto 17, 2006

Wal-Mart terá de pagar US$ 172 mi a funcionários
dez 2005

Rede varejista não dava intervalo para almoço aos empregados

A maior rede varejista do mundo, a americana Wal-Mart, terá de pagar US$ 172 milhões em indenizações a funcionários que tiveram de trabalhar sem direito a pausa para almoço.

Um tribunal da Califórnia decidiu nesta quinta-feira que a Wal-Mart violou uma lei estadual que determina que os empregadores são obrigados a dar aos funcionários um intervalo não-remunerado de 30 minutos para almoço se eles tiverem trabalhado mais de seis horas.

Mais de 100 mil empregados da rede no Estado terão direito a ser compensados.
"Nós discordamos absolutamente da decisão", disse à agência de notícias Associated Press o advogado da empresa Neal Manne.

A legislação de 2001 afirma que pessoas que trabalham em diferentes turno devem ter a pausa para comer ou receber pagamento adicional caso não façam o intervalo.
"Estamos muito satisfeitos", disse Chris Lebsock, um dos advogados que representaram os funcionários.

As lojas da Wal-Mart são famosas por seus preços baixos, mas críticos acusam a rede de supermercados de obter sucesso comercial às custas dos direitos de seus funcionários.

www.bbc.co.uk/portuguese

terça-feira, agosto 15, 2006

Uma questão de carisma verdadeiro
Leão Lobo


"Vou falar sobre o primeiro debate dos candidatos à presidência da república exibido ontem à noite , com o pioneirismo de sempre, pela Rede Bandeirantes de Televisão. Vou comentar evidentemente não sob a ótica da política que não é minha função, mas sob a ótica do próprio veículo, ou seja, como programa de televisão. E como tal foi sem graça. Decepcionou. Não empolgou. Não pegou fogo, como se esperava. Na verdade nem houve debate. Heloisa Helena estava cheia de dedos com Alckmin e este fez o seu papel de "bom moço" de sempre, mais "picolé de chuchu" do que nunca. E os outros deixaram claro que esses dois eram coadjuvantes de uma cena, eles eram apenas figurantes, de quinta.


Deixaram muito claro que o "astro principal" estava ausente. Eles mesmos entregaram o jogo, que a figura "Excelsa" desta peça não esta ali, e se colocaram aquém dela. Mostraram-se em segundo plano. Só falaram do Governo Lula, só citaram o Governo Lula como exemplo, do emprego ter melhorado no País, e falaram do Governo Fernando Henrique, do mesmo partido Alckmin, o PSDB, quando os juros começaram a subir, e o próprio Alckmin, no único momento em que ficou no foco não conseguiu explicar por que em tantos a frente do Governo de São Paulo não resolveu a questão da violência neste Estado, que, ao contrário, até aumentou, com o crime organizado.

Ou seja, Heloisa Helena, nem recebendo beijinho de artistas interessantes em close na sua chegada e tendo feito alguns discursos interessantes, conseguiu brilhar mais que o ausente presidente Lula, porque carisma não se encomenda, ou se tem, ou não.

"http://www.portaldoleaolobo.com.br/home_rugido.asp
Hoje a novidade na TV era a privatização do metrô em SP; os trabalhadores eram culpados por um transtorno no "inferno urbano" e por defender seus empregos;
mais uma - privatiza, o serviço piora, o lucro em primeiro lugar com "agências" incapazes... Como os moradores do Rio criaram, em um cartão postal depois da privatização da Light, e apagões diários: DARK...

Conseqüências da “privatização”na herança que nos entregam

Haroldo Lima

Ao avaliarmos a herança que recebemos do período FHC vemos que as privatizações provocaram resultados desastrosos sobre importantes aspectos dofuncionamento do Estado nacional

Parte básica da herança perversa que recebemos dos oito desastrosos anos do governo de FHC advém da chamada “privatização”. Esta começou antes do período de FHC à frente do Estado brasileiro, e representava um dos ícones da cartilha neoliberal do Consenso de Washington, mas se desenvolveu sobremaneira durante os dois governos de Fernando Henrique.
(...)

Sob o prisma do desenvolvimento duas conseqüências ocorreram: 1

) o crescimento avassalador das empresas estrangeiras em nosso país trouxe, em contrapartida, o crescimento avassalador das remessas de lucros e dividendos para o exterior, ameaçando cada vez mais o fechamento das nossas contas externas e retirando dinheiro de investimentos novos, vitais para o desenvolvimento; e

2) a mudança do papel do BNDES privou o empresariado nacional de um efetivo banco de fomento, que passou a usar seu capital, inclusive a parte vinda do Fundo de Amparo ao Trabalhador, para financiar multinacionais. Assim, a “privatização” no Brasil transformou-se em um inibidor do desenvolvimento do país – na prática, em um fator de estagnação. Sua contribuição foi importante para transformar o Brasil de oitava economia do mundo em décima quarta.

(...)

A “privatização” como fator de desnacionalização da economia brasileiraA Intervenção Especial apresentada no 10º Congresso do PCdoB (dezembro de 2001) “Sobre a Desnacionalização da Economia” mostrou como a “privatização” efetuada no Brasil, especialmente sob os governos de FHC, transferiu setores-chave da economia brasileira ao controle estrangeiro.

A conclusão a que ali se chegou, e que guarda toda atualidade, foi a de que a “privatização” no Brasil foi uma desnacionalização. Estudos posteriores, como o de Octávio Ianni (ver entrevista ao Jornal da Unicamp, junho 2002); o Relatório da Universidade de Campinas sobre “a privatização no setor financeiro e a política de concentração bancária” (2002); e outros, confirmam e enriquecem essa conclusão.

Característico da “privatização” no Brasil foi o capital estrangeiro ter passado a ser predominante na economia brasileira sem criar basicamente nada de novo no país, sem implantar nenhuma planta produtiva nova, apenas comprando o que já existia e, ainda mais, através de espantosas negociatas.

(...)
A “privatização” como fator de corrupção

A “privatização” ocorrida no Brasil esteve mancomunada o tempo todo com algumas das piores mazelas do mundo dos negócios, como tráfico de influência, avaliações fraudulentas, leilões manipulados, propinas milionárias, uso do aparelho de Estado para beneficiar amigos, trânsito promíscuo entre dirigentes que ora ocupavam cargos públicos, ora se instalavam em postos-chave das instituições “privatizadas”.

A “privatização” no Brasil desenvolveu-se de braços dados com a corrupção e a impunidade. Já na “privatização” da primeira das grandes empresas alienadas, a Companhia Vale do Rio Doce, ocorreram irregularidades clamorosas, ainda hoje sob investigação do Ministério Público.

O Consórcio vencedor, encabeçado por um grupo têxtil decadente e sem nenhuma experiência no ramo da mineração, foi montado nos gabinetes do governo e, não por coincidência, teve como seu principal dirigente o empresário Benjamin Steinbruch, do grupo têxtil Vicunha – à época, amigo dileto e empregador do filho do presidente da República, o senhor Paulo Henrique Cardoso.

O principal arquiteto do consórcio que terminou abocanhando a maior mineradora do mundo por ridículos R$ 3,3 bilhões foi Ricardo Sérgio de Oliveira, conhecido caixa das campanhas de José Serra e Fernando Henrique Cardoso, que manipulou os fundos de pensão como a PREVI para viabilizar o Consórcio e assegurar o controle da Vale para o grupo escolhido pelo governo.
(...)

http://www.vermelho.org.br/museu/principios/anteriores.asp?edicao=66&cod_not=74

segunda-feira, agosto 14, 2006

Em Paraty, palestra de Adélia Prado emociona a platéia
Agência Estado

A escritora mineira Adélia Prado, que recentemente lançou "Quero Minha Mãe" (Ed

itora Record), fez a palestra mais emocionante da "4ª Festa Literária Internacional de Paraty" (Flip), sendo aplaudida de pé pela platéia, na manhã deste domingo. Provocou também a maior fila de autógrafos registrada durante todo o evento, o que atesta não só sua popularidade como escritora, mas principalmente seu carisma como autora de profunda fé religiosa, capaz de converter o mais resistente ateu.

Em sua conversa com o público, a escritora falou desde seu primeiro livro "Bagagem", até homens-bombas, provocando com uma surpreendente defesa do direito desses à resistência política e cultural. “O que confere dignidade é aquilo que dá sentido à vida”, observou. “É por isso que as pessoas morrem, porque estão inteiras nisso”, completou.

Não se deve concluir que a escritora mineira, ao falar de terroristas, estivesse defendendo atos suicidas, mas sim que eles carregam algo genuíno, autêntico, que não se encontra nos discursos dos líderes mundiais que pregam democracia enquanto praticam não só um genocídio como crimes culturais contra a humanidade, ao tentar impor uma língua e um modo de pensar a outros povos, desconsiderando a alteridade.

Para a poeta, nossa vida ficou “esvaziada de realidade”. Sofremos, segundo ela, do que Baudrillard chamou de “metástase cancerosa da ausência de significado”. Não podemos sequer jogar a culpa na alienação dos jovens, “porque nem mesmo juventude transviada nós temos, no sentido de que eles não tem uma via para se desviar dela”.

Ao falar da situação atual, Adélia lamentou que os brasileiros não tenham um “consciente político coletivo” capaz de “dar um jeito” no País e, de maneira geral, que tenhamos perdido a consciência endêmica de sermos autores de um crime que exige reparação.

Precisamos, segundo ela, de um “muro” que nos dê consciência da alteridade, do reconhecimento do outro, impondo restrições de ordem moral a um mundo que virou cínico. “Liberdade absoluta é liberdade nenhuma”, justificou. “Liberdade é ter compromisso com alguma coisa”, concluiu

http://br.news.yahoo.com/060813/25/17s98.html
Fiquei sabendo esses dias que o banrisul mudou para Windows- êpa, mas não era as mil maravilhas o software livre? Fica no ar o gostinho de monopólio...

BANRISUL : Licitação, Software Livre, Preconceito e Discriminação
Publicado em: 26/09/2005


Baguete
Mario Teza

Coluna aborda os prejuízos que o Rio Grande do Sul terá em mantendo-se a nova orientação da Diretoria do BANRISUL por acabar com o uso de software livre na instituição.

"É interessante explicitar que preconceito segundo o Dicionário Houaiss é uma "atitude, sentimento ou parecer insensato, de natureza hostil, assumido em conseqüência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio, intolerância (por exemplo, contra um grupo nacional, religioso ou racial)".

Já discriminação é o "ato que quebra o princípio da igualdade, como distinção, exclusão, restrição ou preferências, motivado por raça, cor, sexo, idade, trabalho, credo religioso ou convicções políticas".

Fica claro portanto que o preconceito é uma atitude e/ou uma forma de pensar preconcebida, que pode levar ao ato de discriminar.”


1. BANRISUL : uma história de independência tecnológica.

“O BANRISUL é o maior banco do Rio Grande do Sul, com presença em 76,2% dos municípios e atendimento a 97% da população gaúcha. Sua rede de atendimento está composta por 1.002 pontos de atendimento, sendo 386 agências, 293 postos de serviços, um escritório de representação em Buenos Aires e 322 pontos do BANRISUL Eletrônico. Do total de agências, 357 estão localizadas no Rio Grande do Sul, 14 em Santa Catarina, 13 nos demais estados brasileiros - Distrito Federal, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo - e duas no exterior, em Grand Cayman e Nova Iorque.

O BANRISUL encerra o primeiro semestre de 2005 com um lucro líquido de R$ 174,4 milhões, 54,9% superior aos R$ 112,6 milhões obtidos no mesmo período de 2004. O patrimônio líquido chegou a R$ 1,1 bilhão, com evolução de 32,8% sobre o resultado registrado em junho de 2004.

O resultado do primeiro semestre de 2005 foi influenciado pelo crescimento das operações de crédito concedidas às pessoas físicas, principalmente na consignação em folha de pagamento, para aposentados e pensionistas, operações que têm reflexo positivo na economia gaúcha, movimentando o comércio e a indústria. Os números alcançados pelo Banrisul igualmente podem ser atribuídos à contribuição de novos produtos e ao aumento da base de clientes, que se refletiu na expansão das receitas de prestação de serviços.” [2]

Na década de 80 o banco investiu na sua automação, posicionando-se no início dos anos 90 na vanguarda da automação bancária. Durante o Governo Alceu Collares (PDT), o Banco preparou sua independência tecnológica. Esta foi consolidada no Governo Antonio Britto (PMDB).

No ano de 95 o Banco define que na área tecnológica a palavra de ordem era a independência de fornecedores. Para tal constroem um conjunto de definições para a compra de equipamentos, para o desenvolvimento de sistemas que tem por base padrões internacionais interoperáveis. No Governo Olívio Dutra (PT), o banco avalia tecnicamente a conveniência de adotar software livre nas agências e nos caixas eletrônicos. Depois de um minucioso estudo, a conclusão é favorável.

(...)

4. O Grande problema do Edital.

Mas o grande problema que até agora não foi questionado junto ao Banco, ao Governador ou ao DOCUMENTAÇÃO ORIGINAL DO SISTEMA OPERACIONAL TAMBÉM EM PORTUGUÊS/BRASIL.”

O Banco removerá 4.000 computadores que rodam Microsoft Windows- 95 e 3.500 computadores que funcionam GNU/Linux, sistema operacional livre, e no seu lugar utilizará 7.500 máquinas com Microsoft Windows XP Professional. Imaginava-se que o Banco aproveitaria a oportunidade para concluir a migração para software livre do restante do seu ambiente. A direção do Banco vai em outra direção.


6. O BANRISUL destacou-se no cenário bancário brasileiro e internacional pelo uso de software livre.

O coordenador de automação bancária do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (BANRISUL), Carlos Eduardo Wagner, declarou em 2004 para o jornal Gazeta Mercantil:

“Hoje, das 3,5 mil máquinas de auto-atendimento do Banrisul, 3 mil operam com o GNU/Linux. As demais estão em processo de conversão. De 2001 para 2002, iniciou-se o processo de instalação do software livre nos servidores e nas estações de trabalho. Todos os 400 servidores do banco estatal gaúcho já operam com o GNU/Linux, assim como 3 mil das 4 mil estações de trabalho - as restantes são máquinas mais antigas, que deverão ser substituídas ou ainda passarão por um processo de conversão."

Além do GNU/Linux, todas as estações de trabalho têm instaladas o OpenOffice?, software livre que congrega editor de texto, planilha de custos, software de apresentação, de desenho e outros. "De 2000 até agora, a economia com licença e memória foi de R$ 18 milhões", calcula Wagner. "Mas a questão não é só custo, mas custo e qualidade", afirma, ressaltando as vantagens de estabilidade e também de segurança. [6]

Em 2003 escrevi um pequeno trabalho sobre o uso de software livre no Rio Grande do Sul. Ele foi publicado pelo Institute for Connectivity in the Americas - ICA. [7]

O BANRISUL, primeiro banco no mundo a utilizar intensivamente software livre, economizou R$ 9 milhões.

No BANRISUL os valores são R$ 9.206.200,00 conforme comprovação abaixo:

(...)
1. Total economizado = R$ 9.206.200,00 [8]

7. A pergunta que fica no ar: Por quê?

Os dirigentes e técnicos(as) do BANRISUL envolvidos(as) na licitação são pessoas honestas. Por isso, minha tese é que estas pessoas discriminam software livre por terem preconceito a esta opção. Salta aos olhos que este preconceito leve o Banco a gastar o que não precisa.

A atual Diretoria do BANRISUL resolveu quebrar a orientação histórica de garantir a independência da instituição frente aos fornecedores de software. Sua decisão traria enormes prejuízos para o banco. De imediato, um gasto desnecessário que pode chegar a casa dos vinte milhões de reais.

A partir desta decisão o banco gastaria mais alguns milhões por ano com as renovações de softwares que são o padrão do fornecedor único que o banco está escolhendo. No longo prazo, será o fim do padrão tecnológico do banco mantido desde dos anos 90.

Preconceitos em relação ao uso de software livre fazem parte do dia-a-dia de quem defende esta opção. Em alguns casos até compreende-se, afinal, quem desta área tão concorrida gosta de arriscar o “pescoço” numa “aposta”? Sempre existe a dúvida, software livre tem suporte? Tem continuidade? Porém, este não é o caso do BANRISUL, que foi pioneiro no uso desta tecnologia. Bancos privados como o HSBC, BRADESCO, tem adotado software livre. A Caixa Econômica Federal [9] está provendo todas as lotéricas do Brasil com uma solução livre. O Banco do Brasil tem seu programa de migração em pleno andamento, com software livre.

O Banco HSBC foi destaque no jornal Valor Econômico por usar software livre:

“Quem utiliza os serviços bancários dos 16 mil terminais de qualquer uma das 1,7 mil agências e postos do HSBC no Brasil é atendido por sistemas baseados em GNU/Linux, software de código aberto - pode ser copiado, modificado e instalado sem pagamento de licenças.

No fim de 2004, o banco concluiu um projeto que reduziu os 840 servidores (computadores de grande porte) presentes na maioria das agências a apenas 92 máquinas centralizadas em Curitiba. Os programas proprietários foram substituídos pelo sistema de código aberto.

Pesquisa realizada pela Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) mostra que 60% do setor no país já utiliza GNU/Linux. Na edição anterior do levantamento, o número era de 40%."

Em junho de 2003 a INFO CORPORATE destaca:

"A grande novidade do mercado é a adesão pesada do Itaú. No ano passado, após uma conversa com a IBM, o banco resolveu testar um projeto piloto em seus mainframes para avaliar a performance de algumas aplicações de internet. O teste durou oito meses, mas o Linux acabou sendo tirado da produção. "Concluímos que ele é um sistema sério, mas, nesse instante, não pretendemos colocar mais uma plataforma", disse na época Arnaldo Pereira Pinto, diretor de sistemas de internet do Itaú.

Quando todos esperavam que o banco abandonaria de vez o software livre, uma nova empreitada foi iniciada. E de forma inusitada: nos desktops. "Resolvemos testar o Linux nos desktops com serviços fechados, ou seja, nas estações que só podem ter duas ou três aplicações de uso controlado. Temos muitos computadores com essas características no banco, máquinas que nós sabemos exatamente o que possuem, sem mais, nem menos", diz Arnaldo Pinto.

A escolha dos ambientes fechados serviu para evitar que os usuários tivessem problemas em lidar com a instalação ou o uso de aplicações no Linux. "Sabemos que o Linux ainda não está maduro para os desktops, por isso o colocamos em ambientes fechados. Ao mesmo tempo, formamos uma base de usuários que passará a conhecer o sistema", diz ele. A migração já começou, mas o Itaú deve rodar o sistema para valer no fim de junho, quando escolherá entre a Red Hat e a Conectiva. A idéia é que o piloto chegue até os caixas eletrônicos.

Antes do Linux, as estações de trabalho rodavam em Windows. "O que nos interessa, agora, não é o preço, mas sim utilizar algo estável e que as pessoas conheçam. No começo devemos até gastar mais, mas estamos conhecendo o Linux, vendo como ele se adapta. Nossa missão é se aproximar de uma tecnologia nova. Não podemos pagar um preço alto na hora de uma eventual migração no futuro. Somos um banco, temos escala. Nós não temos a necessidade de mudança de servidores agora, mas, e se tivermos? Vamos correr o risco? Eu acho que não", afirma o executivo do Itaú." [13]

Agora que o mundo [*] vira-se para o exemplo do Rio Grande do Sul, a Diretoria do Banco resolve ir na contramão!

8. Se eu fosse presidente do BANRISUL ...

O Banco vai jogar algo como R$ 20.000.000,00 pela janela. Logo no melhor resultado semestral, ele está queimando 17,60 % das operações de débito em conta-corrente aos aposentados, na modalidade INSS/Fidelidade, foram contratadas 53,8 mil operações, com alocação de R$ 88 milhões de recursos no período.

O BANRISUL também alocou R$ 5 milhões, através da linha de crédito BNDES Hospitais, destinada a garantir o saneamento e ampliar a capacidade de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Com o dinheiro das licenças de software proprietárias poderia quadruplicar o dinheiro para o SUS ou manter o valor de R$ 5 milhões até o final do mandato do Governador Rigotto e pelos três anos seguintes do próximo governo.

O Banco destinou R$ 32 milhões que foram aplicados no Programa de Financiamento para Capital de Giro (Promicro). Com o gasto desnecessário em licenças de software proprietário poderia financiar mais 64 % de micro crédito.

Na área de Desenvolvimento Agropecuário, o BANRISUL liberou, via repasses do Banco Nacional de Desenvolvimento e Social - BNDES, o montante de R$ 19,5 milhões em 753 operações, sendo R$ 4,5 milhões em 481 operações no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – PRONAF. Com o dinheiro das licenças, poderia quase quintuplicar os recurso do PRONAF.

O BANRISUL esteve presente em 53 feiras e exposições agropecuárias, financiando R$ 9,3 milhões, destinados para financiar os produtores rurais para a aquisição de animais, máquinas e equipamentos agrícolas. Com o dinheiro das licenças que a Diretoria quer gastar o Banco poderia participar de 113 feiras, dobrando o apoio aos produtores rurais. Como incentivo aos setores industrial, comércio e serviços, foram destinados R$ 20,4 milhões, voltados a investimentos de capital fixo, desenvolvimento tecnológico e capital humano em 71 operações. O Banco poderia dobrar o número de operações com o dinheiro das licenças.

O BANRISUL aplicou no primeiro semestre em crédito imobiliário o total de R$ 94,7 milhões em 1,6 mil operações, destinadas à compra de imóveis novos e usados e à construção de unidades residenciais e comerciais, inclusive com a utilização do FGTS à vista.

Os recursos alocados no segmento da construção civil possibilitaram a geração de 1007 empregos diretos e 6.588 empregos indiretos, bem como a movimentação de toda a cadeia produtiva do segmento com a construção de 289 novas unidades. Com o dinheiro das licenças poderia ter realizado mais 337 operações gerando mais 211 empregos diretos e mais 1.390 empregos indiretos, construindo mais 61 unidades.

A BANRISUL S.A Administradora de Consórcios comercializou 1,4 mil cotas no primeiro semestre de 2005, com um montante aproximado de vendas no valor de R$ 25,3 milhões. Com o dinheiro das licenças o Banco quase dobraria as vendas de consórcios.

A modernização tecnológica envolveu um montante de R$ 53,3 milhões no primeiro semestre deste ano. O BANRISUL lançou, em maio passado, um produto inédito na América Latina: o Cartão Internet BANRISUL, um “smart card” que abre uma agência virtual na tela do computador em qualquer parte do mundo onde o cliente estiver. O exclusivo cartão é o primeiro “smart card” utilizado em transações de Internet Banking. Com ele, o cliente tem a certeza de que, mesmo que sua senha seja descoberta por alguém, ninguém poderá operar no seu Office Banking. O cartão é munido de um microprocessador (“chip”) capaz de armazenar uma Certificação Digital emitida pelo BANRISUL. Ao mesmo tempo, realiza cálculos criptográficos que validam a própria senha do cartão, reconhecendo-a como válida ou não, estando preparado, inclusive, para auto bloqueio em caso de erros consecutivos.

O Banco vai jogar pela janela quase 50% de tudo o que investiu em desenvolvimento tecnológico neste ano se mantiver o gasto com licenças de software desnecessárias.

Nas ações de responsabilidade corporativa foram investidos R$ 11 milhões em projetos educacionais, culturais, esportivos e voltados à saúde. Com o dinheiro das licenças poderia dobrar esses investimentos beneficiando projetos como os Concertos BANRISUL para a Juventude que desde a sua implementação já beneficiou cerca de 30 mil alunos; o Programa Criança no Esporte, este contempla 200 crianças de 7 a 14 anos, em situação de vulnerabilidade social, matriculadas na rede de ensino regular, proporcionando atividades educativas, sociais e culturais nas escolinhas de futebol dos clubes gaúchos;

o Projeto Pescar BANRISUL, que é a primeira instituição pública do País a ter uma unidade de ensino dentro dos padrões do Projeto Pescar, teve sua segunda turma iniciada em maio de 2005, com 22 jovens. Além desses, programas voltados ao meio ambiente como: o Programa Energético BANRISUL - Progeb, que busca a adoção de medidas necessárias à conservação, redução de consumo e gastos do sistema elétrico e a minimização do impacto de medidas de racionamento de energia. Este programa proporcionou economia de 88.136 Kwh, que equivalem a R$ 212 mil, admitida uma tarifa média de R$ 0,40/ Kwh.

Já o Programa Reciclar, recuperou durante este semestre 56 toneladas de resíduos secos e orgânicos, além de direcionar de forma adequada mais de 17 mil unidades de material entre lâmpadas florescentes, pilhas, disquetes, madeiras, reatores e embalagens plásticas. Este é um projeto do BANRISUL que engloba aspectos sócio-ambientais, colaborando na geração de emprego e renda e no resgate da cidadania para promoção do desenvolvimento sustentável, beneficiando aproximadamente 3 mil pessoas no Estado e em Santa Catarina.

9. Conclusão

Normalmente minhas conclusões são longas. Mas neste caso, socorro-me somente de uma frase: "Que tempos são esses, em que é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito!" Albert Eistein. [12]

http://www.baguete.com.br/coluna.php?id=1876&nome=marioteza

terça-feira, agosto 08, 2006

The New York Times


Maureen Dowd, do The New York Times

WASHINGTON – Quem esse velho pensa que é, ficando entre Dick Cheney e sua indefesa presa?

O azarado advogado de 78 anos do Texas, Harry Whittington, está em tratamento intensivo depois de um ataque cardíaco, com até 200 projéteis perfurando seu rosto e corpo – um parou em seu coração – vindos da espingarda feita sob medida para Dick Cheney. E ainda seu amigo, o vice-presidente, está atirando nele.

(...) Não deveriam esses caras trabalhar nos fins de semana até nós descobrirmos como consertar o Iraque, Nova Orleans, Serviço de Saúde e os preços do combustível?

Esta versão de “O Jogo Mais Perigoso” organizadamente segue o ciclo de quatro passos de Bush-Cheney:

Passo 1: Sair para derrubar o que você acha ser um alvo fácil, como codornas – em 2003, ele foi atrás de faisão estocado e aprisionado – ou de um certo ditador iraquiano enjaulado em sanções.

Passo 2: Na corrupta companhia de amigos lobistas-fornecedores, danifique as coisas. Ignore o perigo perto – como, oh, Osama em Tora Bora, ou Katrina, ou a ocupação do Iraque – e com determinação de aço, conceda sua extrema incompetência. (Oops.)

Passo 3: Parede de pedra. Resista em dar informação ao Congresso sobre o 11/09 ou o Katrina; não diga ao público como você está grampeando telefones em casa, estabelecendo prisões no exterior e fazendo guerra e políticas de energia em segredo. Por que dar aos pagadores de impostos, os quais estão contribuindo para essas viagens de caça de fim de semana, a extraordinária notícia de que o Vice atirou em seu companheiro de caça no rosto e no peito?

Scott McClellan sabia antes do resumo de terça-feira da Casa Branca, ao meio dia, que Whittington estava pior, mas não disse aos repórteres. Ele deixou isso aos médicos do Corpus Christi, que falaram do ataque cardíaco como “uma resposta inflamatória a um estranho projétil metálico”.

Passo 4: Não admita erros. Expresse simpatia. Culpe a vítima sem deixar impressões digitais ao terceirizar a mancha para o setor privado.

Trent Lott brincou em um encontro, terça-feira, que Cheney era agora o “atirador em exercício”, enquanto outras sacudidas notaram que Quayle foi sempre um problema para Bushes.

Membros do gabinete presidencial e legisladores especularam, terça-feira, sobre se o Atirador renunciaria e deixaria lugar para Condi se Whittington não sobrevivesse. Sua morte engatilharia uma mais completa investigação de polícia e provavelmente um grande júri.

“Você está louco?” disse um senador Republicano a um repórter. “Ele nunca sairia”. (Aaron Burr presidiu o Senado depois de matar Alexander Hamilton em um duelo).

O atirador em exercício não pode desistir porque ele É a administração. Quem ao menos diria a ele para desistir? Se necessário, ele provavelmente faria W. levar o tombo.

Apesar de esforços de McClellan para fazer piadas e encorajar repórteres para voltarem às “urgentes prioridades do povo americano”, a caçada fracassada mostrou mais uma vez Cheney comandando o show imperial.

Ele não conversou com o xerife por 14 horas, ou mesmo ligou para o presidente para notificá-lo depois do acidente das 5 da manhã. O Vice deixou isso para Andy Card, que chamou Bush às 7:30 da manhã para dizer que houve um acidente de caça, sem mencionar que o Vice era o artilheiro. Pouco depois disso, Karl Rove retornou a Bush e contou esse pequeno detalhe.

Um repórter, surpreso, pressionou McClellan: “O vice-presidente não ligou para o presidente para dizer a ele foi o atirador?”.

Freqüentemente, quando há algo para cobrir na Casa Branca, o presidente está nele.

http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/nytimes/2275501-2276000/2275918/2275918_1.xml
Artigo de José Dirceu

personagem ambíguo, acusado de comandar corrupção no Congresso. Mas bom analista.


22/07/2006 19:00
A insegurança pública
(artigo publicado no Jornal do Brasil, em 13 de julho de 2006)

http://blogdodirceu.ig.com.br/materias/380001-380500/380299/380299_1.html

Menos de sessenta dias após a megarrebelião e os atentados promovidos pelo crime organizado em São Paulo, assistimos, novamente, à ação do PCC contra agentes do Estado e a mesma reação histérica e sem controle do governo estadual. O que chama a atenção é a incapacidade do poder público de reagir, com a adoção de medidas estruturais, nas áreas social e de segurança pública.

Depois do choque inicial, nenhuma medida de fundo foi implementada. A prioridade continua sendo a repressão pura e simples; ineficaz, porque inócua. E toda a filosofia continua sendo a do Estado penal – polícia, tribunais e sistema prisional – ou seja, justiça de classe, que discrimina pela renda e pela raça. Violência contra os pobres e negros, contra a periferia da sociedade.

Convivemos com um sistema prisional que nos lembra campos de concentração; as cenas da penitenciária de Araraquara, no interior de São Paulo, mostradas para todo o Brasil, são irrefutáveis. A polícia continua matando – mais aqui do que em qualquer parte do mundo – e atua de maneira semelhante à do crime organizado. O resultado, especialmente entre os pobres, é o medo generalizado da polícia e das organizações criminosas, o sentimento de insegurança coletivo e de injustiça.

Apesar da unanimidade, em todo país, de que o sistema prisional está deformado, de que a Justiça é ineficaz e os baixos salários dos policiais são fatores que fragilizam a instituição, nada foi feito para mudar o atual estado das coisas. Os governos continuam priorizando os gastos com viaturas e armas, ou seja, o policiamento repressivo, em detrimento de investimentos na polícia técnico-científica, ou seja, do policiamento investigativo.

O verdadeiro escândalo é a inércia e a paralisia dos governos estaduais, particularmente os de São Paulo e Rio de Janeiro, incluindo-se as prefeituras dessas capitais. Apesar do clima de conflagração social, não foram anunciados programas emergenciais na área social ou de emprego, ou medidas nas áreas de lazer, esporte e cultura, para os bairros da periferia.

O próprio governo federal que, pela primeira vez, assumiu seu papel no combate ao crime organizado e ao narcotráfico, não foi capaz de priorizar, no orçamento, os recursos necessários para o desenvolvimento de uma política nacional de segurança pública, tão necessária quanto a reconhecida política social implementada pelo governo Lula.

Em 2005, 27% das verbas do Ministério da Justiça foram cortados, prejudicando a implantação pioneira de presídios federais e o aparelhamento, treinamento e reestruturação das polícias estaduais. Entre 2003 e 2005, só foram liberados 38% das verbas para atender os jovens em conflito com a lei.

Mesmo reconhecendo avanços na área federal – construção de presídios, modernização e autonomia das perícias criminais, organização do Sistema Único de Segurança Pública (São Paulo foi o último estado a firmar o convênio) e constituição da Força Nacional de Segurança Pública – ainda há muito por fazer. Principalmente na área da vigilância de nossas fronteiras.

A constituição de uma Secretaria Nacional de Segurança Pública, vinculada à Presidência da República, ou de um ministério, tem de voltar ao debate. E o Congresso precisa votar o pacote de leis antiviolência, em boa parte já aprovado no Senado, mas cuja tramitação está parada na Câmara dos Deputados, apesar da urgência das medidas.

Porém, todas essas ações, ainda que necessárias, não serão a solução para a segurança pública, se o Brasil não continuar no caminho do crescimento do emprego e da renda e se não houver um amplo e massivo programa dirigido à nossa juventude. Nesse ponto, o Prouni e o Fundeb, recentemente aprovado, são sinais de esperança.

As mudanças evidentes na melhoria da distribuição de renda da população mais pobre e o aumento do emprego têm de ser seguidas de um vasto programa de obras sociais e urbanas nas grandes cidades do país, que mudem o atual cenário de abandono e pobreza. Só assim poderemos dar, aos brasileiros, segurança pública, com mais justiça e igualdade social.
O resto é a fuga, de sempre, de nossas elites, para o vazio do discurso de mais repressão e mais prisões, ou seja, de mais violência e mais opressão.
Tudo bem que você não concorde com o MST, mas aí já é demais... filosofia e sociologia são "ideológicas" ? Simplista, se 1 bilhão passam fome no mundo... Será desinformação ao maldade?


A REVOLUÇÃO SILENCIOSA

por Diego Casagrande, jornalista

Não espere tanques, fuzis e estado de sítio. Não espere campos de concentração e emissoras de rádio, tevê e as redações ocupadas pelos agentes da supressão das liberdades. Não espere tanques nas ruas. (...)

Não espere porque você não vai encontrar, ao menos por enquanto. A revolução comunista no Brasil já começou e não tem a face historicamente conhecida.

Ela é bem diferente. É hoje silenciosa e sorrateira. Sua meta é o subdesenvolvimento. Sua meta é que não possamos decolar. Age na degradação dos princípios e do pensar das pessoas. Corrói a valoração do trabalho honesto, da pesquisa e da ordem. (...)

Essa revolução impede as pessoas de sonharem com uma vida econômica melhor, porque quem cresce na vida, quem começa a ter mais, deixa de ser “humano” e passa a ser um capitalista safado e explorador dos outros. Ter é incompatível com o ser.Esse é o princípio que estamos presenciando. Todos têm de acreditar nesses valores deturpados que só impedem a evolução das pessoas e, por conseqüência, o despertar de um país e de um povo que deveriam estar lá na frente.

Vai ser triste ver o uso político-ideológico que as escolas brasileiras farão das disciplinas de filosofia e sociologia, tornadas obrigatórias no ensino médio a partir do ano que vem. (!!!!!!) A decisão é do ministério da Educação, onde não são poucos os adoradores do regime cubano mantidos com dinheiro público. Quando a norma entrar em vigor, será uma farra para aqueles que sonham com uma sociedade cada vez menos livre, mais estatizada e onde o moderno é circular com a camiseta de um idiota totalitário como Che Guevara.

A constatação que faço é simples. Hoje, mesmo sem essa malfadada determinação governamental (filosofia e sociologia!)- que é óbvio faz parte da revolução silenciosa - as crianças brasileiras já sofrem um bombardeio ideológico diário. (: 0 !!!!!!)

Elas vêm sendo submetidas ao lixo pedagógico do socialismo, do mofo, do atraso, que vê no coletivismo econômico a saída para todos os males. (;) !!!!!!)

E pouco importa que este modelo não tenha produzido uma única nação onde suas práticas melhoraram a vida da maioria da população. Ao contrário, ele sempre descamba para o genocídio ou a pobreza absoluta para quase todos.No Brasil, são as escolas os principais agentes do serviço sujo. São elas as donas da lavagem cerebral da revolução silenciosa. Há exceções, é claro, que se perdem na bruma dos simpatizantes vermelhos.

Perdi a conta de quantas vezes já denunciei nos espaços que ocupo no rádio, tevê e internet, escolas caras de Porto Alegre recebendo freis betos e mantendo professores que ensinam às cabecinhas em formação que o bandido não é o que invade e destrói a produção, e sim o invadido, um facínora que “tem” e é “dono” de algo, enquanto outros nada têm. Como se houvesse relação de causa e efeito.(!!!!!!)

(...) O antídoto para a revolução silenciosa? Botar a boca no trombone, alertar, denunciar, fazer pensar, incomodar os agentes da Stazi silenciosa. Não há silêncio que resista ao barulho.

http://www.blogdodiego.com.br/index.php?flavor=lerArtigo&id=419

domingo, agosto 06, 2006

THE CORPORATION,

de Joel Bakan, M. Achbar, J. Abbott
www.thecorporation.com


Muita gente pode ter visto, mas é fundamental para
esclarecer o poder das Corporações na democracia, sua
influência e sua índole.

25 prêmios internacionais!
10 prêmios de juri popular!
Ganhador melhor Documentário Genie Award!
+ de 40 críticos, empresários e especialistas!

Alguns pontos:

- empresas americanas costumam pagar de US$0,08 a
US$0,18 a hora nos países como Bangladesh e Honduras,
o que equivale a 0,3% do produto final. Quem compra um
rádio Alpine paga US$0,31 a hora ao empregado que o
fez. Isso significa moradias de 2,5 m², gente que mal
come três vezes por dia, crianças trabalhando e sendo
espancadas em fábricas, casas de chão batido.

- A empresa Bechtel está processando em US$ 20 milhões
de dólares o governo da Bolívia porque seu povo se
rebelou contra a privatização da água em pagamento às
dívidas externas, famílias que ganham US$ 2 dólares por
dia e que gstavam 1/4 de sua renda comprando água (até
a água que caía do céu era propriedade da Bechtel).

- Nos anos trinta, nos Estados Unidos, um grupo de
empresários liderados por PJ Morgan, família du Pont e
Goodyear, tentou dar um golpe de estado, para instalar
uma ditadura comercial. Mas o escolhido para
comandá-la, gen. Butler, os denunciou.

- A Monsanto ameaçou a Fox caso fosse exibido um
documentário contando que seu hormônio para aumentar
a produtividade do leite, o Posilac, deixava resíduos
de bactérias e antibióticos no leite; indo a justiça
para defender sua reportagem, os jornalistas foram
processados em US$ 20 milhões.

- O Ofice of Foreign Assets dos EUA contabilizou que
em 1 semana 87 empresas americanas realizaram
negociações com ditaduras, regimes terroristas e
inimigos declarados dos EUA. Entre os maiores
criminosos corporativos estão empresas como GE (9,5 m
por fraudar o governo), Kodac (1 m por violação
ambiental) e Roche (500 mil por violação anti-truste).
As multas sao irrisórias, o que incentiva a violação.


- O marketing direcionado para as crianças (em livros,
nas escola etc.), feito por psicólogos que conhecem as
suas vulnerabilidades, as ensina como pedir aos pais;
40% das compras em lojas de alimentação e parques são
determinadas pelas crianças; alimentos com muito
açúcar, gordura e calóricos tem criado um sério
problema de saúde nas crianças norte-americanas.

- A 14 emenda da Constituição Americana feita para
proteger os direitos dos afro-americanos libertos foi
apropriada pelas corporações, que são "pessoa
jurídica"; portanto têm direito a "livre expressão",
"livre associação" e liberdade quanto a
regulamentações estatais.

- +- 25 mil pequenos agricultores da Índia se
suicidaram desde 1997; uma média de 280 por mês; a
imposibilidade de sustentar suas famílias, o preço dos
insumos, a privatização genética das sementes, entre
outros fatores, os levam ao desespero.

- Entre muitos outros casos, o Canadá foi processado
por uma empresa que despejava MMT na água (uma gota do
produto destrói a vida de todo um arroio) por perdas
de investimento, no valor de US$ 20 milhões. Agora as
empresas processam os governos na OMC por defender o
bem público.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Sindicato compra briga com Marcelinho Carioca
Enviada por Ricardo Tavares03/08/2006 - 16:46

O jogador Marcelinho Carioca, do Corinthians, está na mira do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. O jogador disse em entrevista, cobrando os companheiros de time, que "quem não quer pressão que vá trabalhar em banco". A declaração não agradou a categoria. O sindicato mandou uma carta a Marcelinho, publicada em seu site, convidando o jogador a conhecer o dia-a-dia dos bancários.
A seguir, veja a íntegra da carta:

Veja a carta:

Prezado Marcelinho

A direção do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região vem por meio desta convidá-lo para conhecer nossa entidade, visitar nossa sede (Rua São Bento, 413, edifício Martinelli, no centro da capital) e saber um pouco mais sobre a realidade e o dia-a-dia da categoria bancária.

Sua frase, sobre "quem não quer pressão", apesar de totalmente equivocada, foi oportuna no sentido de colocar em pauta o debate sobre as condições de trabalho a que estão expostos os funcionários de bancos.Somos apreciadores de futebol, muitos entre nós, corintianos.

Independente do time para que torcem, a pressão sofrida pelos trabalhadores nas agências e departamentos dos bancos é muitas vezes maior que aquela a que estão expostas muitas outras categorias de trabalhadores. Os postos de trabalho bancário foram reduzidos pela metade nas duas últimas décadas. O trabalho, no entanto, triplicou.

Não bastasse isso, os empregados de banco sofrem em níveis epidêmicos com doenças como lesões por esforços repetitivos, depressão e síndrome do pânico,
relacionada ao grau de exposição desses trabalhadores e suas famílias a assaltos e seqüestros.

Por isso, reforçamos nosso convite para que você conheça melhor as dificuldades da nossa categoria e torne-se um parceiro na luta desses trabalhadores contra o fantástico poder econômico dos banqueiros.

Saudações Luiz Cláudio MarcolinoPresidenteSindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região
http://minhanoticia.ig.com.br/materias/382001-382500/382335/382335_1.html

quarta-feira, agosto 02, 2006

Árabes culpam Ocidente por avanço de extremistas

Paulo Cabral, Cairo, BBC Brasil

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2006/02/060224_islamismoocidenters.shtml

(...)

Muitos analistas e políticos no Oriente Médio dizem que os Estados Unidos, e também potências européias, são os grandes responsáveis pelo crescimento dos movimentos islâmicos na região.

A lógica desses críticos é que os americanos primeiro incentivaram governos ditatoriais seculares, que por sua vez sufocaram a oposição. Agora que os americanos começam a forçar essas mesmas nações a promover uma abertura política, o único movimento que sobreviveu com força para reagir foi o religioso.

"No Iraque, os americanos erraram muito ao fazer alianças com líderes tribais e com grupos religiosos e limitar a ação dos seculares. Pareceu a coisa mais fácil a fazer na hora, mas os problemas que isso criou são enormes e difíceis de ser revertidos", crítica o editor do jornal iraquiano Al-Sabah Al-Jadid, Ismail Zaier, que apoiou a derrubada de Saddam Hussein, mas diz que os Estados Unidos estão fazendo tudo errado no país.
(...)

Mas, na oposição árabe, a palavra de ordem ainda é criticar os Estados Unidos.
"As populações do Oriente Médio é que estão se revoltando contra essa situação que lhes foi imposta por tantas décadas. E, como todas as outras opções foram destruídas nesse tempo, eles acabam se voltando para os religiosos", diz o presidente do partido marxista egípcio Tagamoa, Rifat Al-Said.

"Há 20 anos eu trabalho por democracia no Egito e não aceito agora que o sr. George W. Bush venha dizer que os Estados Unidos é que estão conseguindo fazer com que as coisas mudem", reclama o esquerdista.

Al-Said diz que os americanos continuam trabalhando apenas em interesse próprio e sem levar em consideração problemas futuros que possam ser criados pelas atuais políticas.
"Na Turquia, os americanos estão apoiando um governo islâmico porque é esse o grupo que interessa a eles que esteja no poder, acusa, numa referência ao partido governista turco Justiça e Liberdade, que se auto-classifica "secular conservador", mas que a maioria dos analistas coloca no campo "islâmico moderado".