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quinta-feira, outubro 22, 2009

1 000 000 000


Preto turbinado: o carro

O astro australiano da semana

Ouro na noite

A semiótica a robótica a logológica

Pesado medido tese de doutorado

Explode a favela


Teu rosto machucado

Velho, pedindo comida

Teu cheiro repulsivo

- tua roupa imunda

Bêbado!

por tua sorte te culpam:

Chegaste tarde no albergue?

Não querias tomar banho?

Por que essa cara de espanto e de dor?

De onde vem esse roxo e esse sangue?

Tanto dinheiro e nenhum para ti

Tuas chagas são nada

Ouro e negro, a noite

A cidade se apaga


São Paulo UK:

viver

ou não

herança antiga

– abandonados

entregues

o frio

solidão

e a esperança?


fechado

o albergue

um fio de

projeto social

0 . 1 . 1 . 0

número

sem barriga

o mal no mundo racional


10 bilhões 100 bilhões

de euros de ações de bites

a fotinha a motinha celebridades

a Bolsa caiu, a Bolsa subiu

num instante

comentário na tela, economista

cabeça americana, transplante

formada, transformada, elite pensante

São Paulo mil favelas

1 bilhão de famintos


a tela, a visão

palavra feitiço

morreram nas chuvas

ficaram sem leite

perderam a mãe

sem casa: enchente


senhor cidadão

corre entra pula

dorme dorme dorme

- no domingo

somos os primeiros

prata corre: crescemos

tetra luxo meta super

bocas

insanos urbanos


- chamem

as deusas da floresta

para trazer o que interessa

um canto do lago, uma reza –


que tudo é isso?


- me chama de índio raiz e cobra

fala da Terra Sem Males

quero um sono de dormir e ser o mundo


Quero ir ao outro da lua

pelas pedras e estar com meu povo -


A arte a língua a vaga angústia

Bresson pop um som

internacional: eletro DJ o novo

gringo de 80 reais

a cidade a balada

a guerra, terror

O Chamado: bonde

entre empurre grite

usuário aguarde: gado


o eleitorado

metropoferrado


praça anti-mendigo

o velho bicho

o Isso

animal mestiço

- Não!

criança baleada na rua!

chegamos a um bilhão


socorro

de onde veio este homem

conhece Madonna? já viu Overdrive?

um novo CD de Amy Winehouse?


fome velho perdido sujo

na avenida na porta

mão gorda vermelha pedindo

de onde essa barba branca

sem nome, pele, ossos, sem cor

entrego comida. Jesus te: corro


São Paulo UK: a ciência

viver

ou não

mundo racional

uma pergunta

– é preciso

vidro aço aço metal

robô.dernidade

vencedora

a cidade

hoje ainda não

homem hematoma velho fome

paciência: ?


Afonso Jr. Ferreira de Lima