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quarta-feira, março 21, 2012

Currículo

Ele brincou com o pai apostando corrida no corredor do prédio.
Ele subiu em brinquedos vestido de Super-Homem.
Ele ouviu a história de uma senhora que trabalhara na Embaixada Francesa num asilo.
Ele leu a República em um hotel e depois subiu um caminho de terra com a avó.
Ele gostou de ouvir o amigo falar coisas que ele não sabia enquanto o sol caía sobre ramos verdes.
Ele desejou criar algo que desse prazer às pessoas.
Ele disse como vai e olhou com olhar generoso seus irmãos.
Ele olhou dentro de si e tentou ser melhor.
Ele sentou com seu pai à beira da piscina.
Ele comprou o livro que o professor sugeriu.
Ele consolou sua mãe.
Ele disse o mesmo mas na hora certa.
Ele andou com sua tia, até loira de olhos azuis, observando a praia e buscaram comunicação.
Ele ouviu Raul Seixas e acreditou que era possível mudar os mundos.

Afonso Jr.

Licença Creative Commons
O trabalho Currículo de Afonso Jr. Ferreira de Lima foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais ao âmbito desta licença em http://afonsojunior.blogspot.com/.

quarta-feira, março 14, 2012

ATO PÚBLICO E PEDALADA PELA REABERTURA
DO CINE BELAS ARTES

Dia: 17 de março de 2012 (sábado)
Horário: 16h (ato)
Local: em frente ao CINE BELAS ARTES
-18h Pedalada saindo da praça do Ciclista

Realização: Movimento pelo Cine Belas Artes (MBA)

A maior mobilização já ocorrida no Brasil por um patrimônio cultural e histórico conseguiu impedir a demolição do prédio do cinema, proibida desde dezembro por decisão da Justiça.


Compareça e ajude a divulgar a manifestação!

Contato do MBA: vivabelasartes@yahoo.com.br

Compareça e ajude a divulgar a manifestação!


http://www.facebook.com/events/278506855553565/#!/events/278506855553565/

CARTA ABERTA ÀS AUTORIDADES
Sr. Governador/Sr. Prefeito:

Há um ano, a população paulistana perdeu um dos seus grandes centros de irradiação cultural, um patrimônio de 68 anos, que ajudou a tornar São Paulo uma Cinecittà: o cine Belas Artes.

Obras clássicas, cinema de arte, filmes brasileiros, tudo isso era acessível ao público e não foi substituído por nenhuma alternativa (seja pela dificuldade de acesso, pelo valor ou pela menor variedade da programação).

Mais de 1800 pessoas frequentavam esse cinema em cada dia do fim-de-semana. Sua programação variada e de qualidade, e seus preços acessíveis, assim com suas promoções, colaboravam enormemente para a formação da população e para a qualidade de vida em uma metrópole cada vez mais desumanizada (falta de transporte público, violência, escolas em péssimo estado, etc.)

Um patrimônio desse porte, submetido unicamente às leis de mercado, está condenado. Não pode resistir a preço do aluguel - também devido, em parte, ao impacto de valorização da nova estação Paulista do metrô (o que o Estatuto da Cidade obriga avaliar). O efeito disso é restringir o acesso à obras de arte nacionais e internacionais.

Solicitamos ao governo urgente intervenção na questão, seja comprando o imóvel, seja atuando como mediador em parcerias, negociações e possíveis patricínios de empresas estatais. O que é inadmissível é a ausência do poder público em uma questão vital para a cidade e que conta com o apoio de milhares de pessoas, que foram grandemente prejudicadas.

São muitos os exemplos que mostram o sucesso de políticas públicas no setor cultural. O investimento do município de Paulínea em cinema (com editais públicos e incentivos fiscais), a Feira Literária de Paraty, que tem nasce dentro de um plano para a revitalização urbana da cidade e a preservação do patrimônio.

É importante notarmos que o mercado da arte na capital movimenta 40 bilhões por ano, e, portanto qualquer investimento no fomento da circulação e distribuição da arte não é apenas "assistência". Trata-se, sim, de cumprir o papel do governo de prover a educação e dar ao cidadão meios de produzir conhecimento. O que está em jogo é um estilo de vida - a cidade será entregue à especulação imobiliária ou teremos formas de proteger nossos interesses, nossa história e nossa liberdade de escolha?

Queremos ruas vivas, repletas de saudável diversidade, e não uma fileira de altos prédios com pessoas trancadas em suas casas. É dever do estado proteger o seu cidadão: esperamos que o Estado cumpra esse papel.

MBA



Manifesto em defesa do Cine Belas Artes, patrimônio cultural, artístico e afetivo de São Paulo e do Brasil

Amparados na Constituição Federal, que inclui as “edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais” entre os bens que “constituem o patrimônio cultural brasileiro” (inciso IV do Artigo 126), defendemos o imediato tombamento do prédio da Rua da Consolação, 2.423, esquina com a avenida Paulista, onde funcionava o mítico Cine Belas Artes. Também demandamos das autoridades que lancem mão de todos os instrumentos necessários para reabrir o cinema, inaugurado em 1967 pela Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC) e Companhia Serrador no mesmo prédio que antes abrigara o Cine Trianon, aberto em 1952.
Desde sua inauguração, o Cine Belas Artes manteve as características que demarcaram sua singularidade no circuito exibidor e tornaram-no fundamental para a cultura cinematográfica no Brasil. Ao longo de 44 anos, operou mais como um centro cultural formador de público do que mera sala exibidora, como atestam dois de seus aclamados projetos, o Cineclube e o Noitão, que, diferentemente das salas de shopping, promoviam uma atmosfera propícia à interação. Contou para isso com a preciosa contribuição de Ancona López, reconhecido internacionalmente como um dos melhores programadores de cinema e que teve Leon Cakoff como seu assistente. Soube, também, adaptar-se à nova tendência de complexos com salas pequenas e médias ao transformar seu espaço no mais significativo multiplex de rua do país.

O Cine Belas Artes promovia a diversidade cultural e a reflexão sobre dramas humanos, história, política e arte por meio de uma programação com filmes de alto padrão, brasileiros e estrangeiros, inclusive com elevado número de obras-primas procedentes de países pouco presentes no nosso mercado exibidor.

Desempenhava papel fundamental no circuito cultural das ruas da Consolação e Augusta e Avenida Paulista. Nos fins de semana e feriados, recebia, em média, 1.800 frequentadores por dia. As filas se repetiam e lotavam suas salas também às segundas e quartas-feiras nas tradicionais promoções com ingressos mais baratos. Esse sucesso era favorecido igualmente pela facilidade de acesso a pé e por transporte público.
Entretanto, pressões do mercado imobiliário provocaram a suspensão das atividades do cinema em março deste ano. O fato recebeu ampla divulgação na mídia. Frequentadores realizaram protestos na internet e na rua contra o fechamento e organizaram o Movimento pelo Cine Belas Artes (MBA).

Centenas de depoimentos pró-Belas Artes, um abaixo-assinado com cerca de 20 mil assinaturas e adesões de quase 90 mil pessoas no aplicativo Causes no Facebook são apenas alguns exemplos do que é visto como uma das maiores mobilizações em defesa de um patrimônio cultural no Brasil. Destacamos que este uníssono de vozes em São Paulo coincide com o movimento de resgate histórico dos cinemas de rua em curso no Rio de Janeiro, que contempla a reabertura do igualmente mítico Cine Paissandú (tombado em 2008), anunciada para julho de 2012.

Garantir o cinema de rua é valorizar um modo de vivenciar a cidade com seus bares, restaurantes, livrarias, as pipocas e as pizzas e os encontros com amores, amigos e conhecidos. É, acima de tudo, um exercício de cidadania – lugar de comunhão entre memória, cultura e afeto – que deve ser protegido e fomentado pelo Poder Público.

Movimento pelo Cine Belas Artes (MBA)

LISTA PRELIMINAR DE APOIOS AO MANIFESTO PELO CINE BELAS ARTES – atualizada até 15/12/2011, às 15h00


Alberto Bandone - cineasta
Alexandre Stockler - cineasta
André F.G. Neves - cineasta
André Fischer - jornalista
Anna Marcondes - presidente do Via Cultural – Instituto de Pesquisa e Ação pela Cultura
Antônio Moura Reis - jornalista
Antônio Souza Neto - síndico da Galeria do Rock (São Paulo capital)
Antunes Filho - diretor do Centro de Pesquisa Teatral (CPT) do Sesc
Benjamin Seroussi - curador e produtor
Caio Plessmann - cineasta
Cândido Malta Campos Filho - arquiteto e urbanista e professor da FAU/USP
Cao Hamburger - cineasta
Carlos Guilherme Mota – historiador e professor emérito da FFLCH/USP
Caru Alves de Souza - cineasta
Celso Antonio Bandeira de Mello - jurista
Celso Gonçalves - cineasta e presidente da seção paulista da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas (ABD)
Célia Marcondes - presidente da Sociedade Amigos e Moradores do Bairro
Celso Luiz Lasarim - jornalista
Cleo de Paris - atriz do grupo "Os Satyros"
Cunha Júnior - apresentador de TV
Daniela Thomas - cenógrafa e cineasta
Danilo Miranda - diretor do Sesc/SP
Debora Duboc - atriz
Denise Carreira - coordenadora de educação da Ação Educativa e Relatora Nacional para o Direito Humano à Educação
Edgard Carvalho - professor titular do departamento de antropologia da PUC/SP e representante no Brasil da cátedra itinerante Unesco Edgard Morin
Eduardo Suplicy - senador (PT/SP)
Eliseu Gabriel - vereador (PSB/São Paulo capital)
Evaldo Mocarzel - cineasta e dramaturgo
Eva Wilma - atriz
Fábio Yamaji - diretor de animação
Fernando Alves Pinto - ator
Fernando Henrique Cardoso - ex-presidente da República e professor emérito da FFLCH/USP
Fred Ghedini - ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e diretor da Associação de Proteção dos Direitos Autorais dos Jornalistas Brasileiros (Apijor)
Gerardo Fontenelle - cineasta
Gero Camilo - ator e dramaturgo
Gina Rizpah Besen - psicóloga, consultoria ambiental e doutora em saúde pública
Hélio Goldstejn - diretor de TV
Jeferson De - cineasta
João Federici - produtor
João Signorelli - ator
Jorge Rubies - presidente da Associação Preserva São Paulo
Jorge Mautner - cantor e compositor
José Osório de Azevedo - desembargador
Junia Sirqueira Soares - assistente de audio-visual
Kiko Goifman - cineasta
Laerte - cartunista
Laerte Késsimos - ator
Laís Bodanzky - cineasta
Laura Wie - apresentadora de TV
Leandro Marques - radialista e cineasta
Lee Taylor - ator
Lucia Helena Vitalli Rangel - diretora adjunta da Faculdade de Ciências Sociais da PUC/SP
Lucila Lacreta - diretora do Movimento Defenda São Paulo
Luiz Carlos Merten - jornalista
Luiz Thunderbird – VJ, apresentador de TV, radialista e vocalista da banda Devotos de Nossa Senhora
Márcio Debellian - documentarista
Maria Margarida Cavalcanti Limena - diretora da Faculdade de Ciências Sociais da PUC/SP
Mouzar Benedito - escritor e jornalista
Nabil Bonduki - arquiteto e urbanista e professor da FAU/USP
Newton Moreno - dramaturgo
Olgária Matos - professora do Departamento de Filosofia da FFLCH/USP
Paul Heritage - produtor cultural e diretor de teatro.
Paula C. Ferraz - assessora de imprensa
Paulo Cannabrava - Associação de Proteção dos Direitos Autorais dos Jornalistas Brasileiros (Apijor)
Paulo de Tarso Chamon Schmidt - publicitário e jornalista
Pedro Roberto Jacobi - sociólogo e presidente do Procam/USP
Raquel Rolnik - arquiteta e urbanista, professora da FAU/USP e relatora da ONU para o direito à moradia
Raul Teixeira - sonoplasta e coordenador do curso de Sonoplastia da SP Escola de Teatro
Regina Drummond - escritora
Regina Porto - sonoplasta, produtora e curadora de música contemporânea
Ricardo Ohtake – arquiteto
Rodrigo Faria - produtor cultural e cofundador do Movimento Ilha da Paulista (MIP)
Rubens Rewald - cineasta e vice-presidente da Associação Paulista de Cineastas (Apaci)
Sara Silveira - produtora de cinema
Sebastião Milaré - escritor
Sérgio Haddad - diretor-presidente do Fundo Brasil Direitos Humanos e socio-fundador da organização Ação Educativa
Sonia Barros - escritora infanto-juvenil
Soninha Francine, apresentadora e ex-vereadora em São Paulo capital
Tadeu Jungle – cineasta
Toni Venturi - cineasta
Vera Masagão - coordenadora geral da Ação Educativa e integrante da coordenação executiva da Abong - Associação Brasileira de ONGs
Vinícius Romanini - jornalista e professor de semiótica da ECA e FAU/USP
Zé Celso Martinez Corrêa - ator, autor, diretor e líder do Teatro Oficina
Zuenir Ventura - jornalista


http://www.causes.com/causes/561939-contra-o-fechamento-do-cine-belas-artes

Documentário

http://www.youtube.com/watch?v=OTjOD0H4LfI&feature=share

História:
http://entretenimento.r7.com/cinema/noticias/relembre-a-historia-do-belas-artes-em-nossa-galeria-20110317.html

domingo, março 04, 2012

Drag

Folha em branco, janela. Dois.
Sra. Arnoux tinha um marido infiel, uma filha mandona, um amante que tinha um amante, dois empregos estressantes, um sonho frustrado, um pé chato, muitas coisinhas para prender o cabelo, um carro com problema, um livro não lido, um vibrador quebrado, um ódio guardado, um quadro feio que sua mãe lhe dera, um cachorrinho tirano, uma pinta no seio, um cabelo ralo e lindos olhos verdes.
Sr. R. Era um jovem atraente, escritor e preocupado, preso em máquinas, teorias, contas, sistemas, esperanças e passados. Sr. R. Usava um chapéu, carregava canetas de várias cores, tinha uma venda para dormir e meias estranhas. Sonhava e não tinha RG.
Sra. Arnoux pegou uma chuva na frente de um realejo, “O amor vai chegar para você”. Tudo que lembrou foi de uma música. “O demônio é a tarde sem amor”.
Onde sua vida havia morrido? Sem tempo para pensar. Tanta coisa que escondera, se condensara, aranha na caixa.
Tentou se esconder no shopping, grades antigas, passos desesperados, o luxo do teatro, molhado, mendigos chamando Jesus. O vidro.
Ele pensava pela janela e via que havia vivido muito tempo no porão. Porque ele era sim capaz de incendiar um castelo. A razão é rebeldia. O menino em um pé só, revoltado, faz magia para derrubar o bolo batido, quebra os pés de bancos, derruba os reis. 170 bilhões de orçamento no estado. 2.600 favelas na cidade. No espelho, era preciso unir opostos.
Se eu matasse a Sra. Arnoux sairia na rua com uma peruca verde, sapatos vermelhos, um pinto de plástico pendurado, um frango embaixo do braço, um patuá de dedos, um anel e feto morto. Fora do quadrado.
Os atos desmentem as teorias. Se eu for inteligente, serei amada. O que vale é ser produtiva, o mundo é um meio.
Sra. Arnoux olhou os carros lá embaixo. Se eu matasse a Sra. Arnoux.

Licença Creative Commons
O trabalho Drag de Afonso Jr. Ferreira de Lima foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
Performáticos

O que Duchamp queria afinal?

Ele estava farto de uma arte visual, queria uma arte de ideias.

Mas, afinal, é apenas um objeto de louça, não?

Não importa o quê, mas quem e onde.

E Yoko Onno? E aquela cama branca?

Viver a diversidade e não falar sobre ela ou confrontar-se pela paz.

E o neodadaísmo?

Volta ao concreto, ao cru, à indeterminação e ao improviso. A própria vida é arte.

Artaud?

Sim, as pessoas eram basicamente reprimidas – pela Igreja, pelas normas do trabalho e do Logos. Hoje, vivemos de impulsos - compre, compre! Os reprimidos viraram os sádicos! Os impulsos orgânicos – gritos, sangue, suor - dessa santidade secular ritual podem esquecer os problemas lá fora.

Você busca uma certa transcendência secular?

A arte é religião, diz Gerhard Richter: um objeto concreto não tem valor de uso. É espantoso.

Uma de suas obras é um tomate podre. Que isso significa?

Não significa. Eu quero dar às pessoas novas sensações - as pessoas só reconhecem as emoções que já vivenciaram. Só reconhecem as emoções que já vivenciaram: vejo o roxomas como só conheço o vermelho, entendo vermelho.

Ser inteligente não é tudo, ser inteligente não é quase nada. Um computador pode ter toda a informação do mundo. É, claro, cria diversidade, ocupa o tempo.

Agora, se estiver em uma ilha cercado de pessoas inteligentes, jogue-se aos tubarões.

E a lebre dentro do aquário gigante de formol?

Uma lebre é um animal do sangue e da terra- nas lendas, auxilia os humanos com o sangue - transforma o pensamento em algo terrestre e revolucionário.

Antes era o artista copiando um modelo mental - o artista do Timeu de Platão olhando uma Ideia perfeita. Modelo mental.

Quero apenas colocar uma lebre em um líquido e ver o que ocorre. No silêncio, é fácil a harmonia.

Um manifesto contra o intelectualismo?

E o seu oposto. Se o conhecimento não servir para você entender e aceitar o novo, por quê?

Somos democráticos, mas não há tempo para mudar de ideia. Então, ficamos com a nossa. O passado.

Está falando sobre o que leva uma obra a ir parar na parede? Ou - seja onde for no museu?

Ninguém está discutindo o que é isso - trata-se de estar na linha teórica de alguém influente. Você não será ninguém se não for a coisa certa.



Catorze
Ele se sentia culpado de algo. Ou culpa é muito (buraco no estômago?) para um eu conectado o tempo todo, sem conexões. Seu pai o via como seu filho juíz, sua mãe como uma celebridade literária.
Vivia seu próprio mundo, suas próprias regras, já desmaiara na sala de aula por inalar fertilizante, isolamento é felicidade. Devia ser mau por natureza. Um erro, torpe, criminoso, livre, não queria limites, buscava a extinção, ir além. Rápido, novo, grande. Sociedade psicótica.
Um erro. Agiria assim.
Os pais em Nova Iorque, os tios no condomínio, ele andava de jetski na praia. Cansou-se.
Foi conversar com um amigo, o francês barbudo que vendia miau-miau.
“A única forma de purgar a culpa é ser realmente culpado” - ele disse.
Quando abriu o corpo, gostou de sentir o calor nas mãos.