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segunda-feira, maio 21, 2012

Educação

[dramaturgia - fragmento]


A peça se passa em três tempos: presente, onde estão a prostituta Andrômeda, a transexual Julia e Mateus, um cliente; 1970, onde estão Ariel, estudante de Engenharia, e seu pai, e Iaema, sua namorada; 1989, onde estão Andressa e Eveline, um casal de lésbicas e George e Paulo, um casal gay.


Vozes em off – Neste ano nossa peça vai falar. A nossa escola. É uma experiência.

- Filho, como eu vou te ver de mão dada com outro homem. Prefiro ver você morto.

- Você é feia, fala errado, mora no fim do mundo e é pobre. Não pode entrar nesse grupo.

- Nordestino filho da puta, volta pra tua terra.

- Gente sem educação! Eles não esperam as pessoas saírem do vagão pra entrar!

- Sou contra bolsa. Eu não vou estudar na mesma universidade que marginal da periferia.

- Tudo bem ser morena, mas alisa esse cabelo, vai. Gerente com cabelo ruim afasta o cliente.

- Professora o caramba, você é uma velha e é meu pai que paga teu salário.


Andrômeda: Então eu penso: O que é educar. Senão. Saber como lidar com os outros? Como abrir espaço. Para.

Andrômeda e uma funcionária na loja.

Funcionária - Olha moça, crediário não dá.

Andrômeda - Eu tenho residência fixa.

Funcionária - A senhora. Tá na sua cara que a senhora não trabalha.

Andrômeda - Senhorita.

Funcionária - Senhora, senhorita, o caralho.

Atuante - Vemos duas mulheres num carro, um homem aponta uma arma para uma delas. A outra reage e leva um tiro. Estamos em plena epidemia.

Vemos um jardim, um cachorro e uma mulher que passeia por ele. Agora. O cachorro desenterra um osso. Humano.

Vemos um homem em um hospício, recebendo choques. Em plena Copa.

Atuante 2 - Os dois trens bateram exatamente às 10h. O presidente do sindicato diz que foi falha mecânica. Que há vinte anos não se investe no sistema. Teve gente caindo no chão e indo pro hospital. Se fosse sem maquinista, como na linha privatizada, os trens teriam batido à 80 km por hora. Seria uma tragédia. É preciso aprender.

Se ouve apenas as vozes de Andrômeda e Júlia, esta enfaixa o pé daquela. Num telão, ou em um faicho de luz, os pés e mãos.

Andrômeda - Eu saí tão doida que nem.

Júlia - Fica quieta. Vou deixar tão apertado que amanhã. Amanhã nem vai sentir dor.

Andrômeda - Cuidado com minha circulação. O que seria de mim sem minha traveca velha.

Pai de Ariel - Com isso você vai viver com dignidade. E essa criança.

Paulo - Eu só queria viver com dignidade. Até morrer.

Júlia - Essas porcas eu não cuido. Essas aidéticas. E olha que já botei muito macho pra correr.

Andrômeda - Elas tem é inveja de você. Você lê muito.

Andressa – Eu queria um filho com minha namorada. Meu pai me ensinou a mentir.

Iraema - Você lê muito. Duas faculdades...

Andrômeda - Você lê. Às vezes, eu penso: sem cultura o ser humano vira bicho, um verme enorme e branco, com um buraco para encher de comida, um ponto saliente que dá prazer e solta gosma, outro buraco para expelir o lixo. Sem educação a gente.

Ariel - Meu sonho é a educação. Só assim esse país vai pra frente. Tantos miseráveis..

Júlia - Minha linda, você tem bom coração. Procure sempre progredir. Mantenha sua mente viva.

Andrômeda - Eu queria sumir da face da Terra.

Ariel - Gosto de ensinar. Esses caras tão aí porque as pessoas querem só isso. Querem segurança e nada mais.

Júlia - Progredir, gata. Dá logo um golpe nesse sujeito e foje com a grana dele.

Andrômeda - E meu filho, gata? Quem vai ficar com minha cria? Quero ter dignidade. Me diz como. Não é fácil.

Atuante - Passageiros aumentam, mas governo reduz investimentos no metrô.

Pai de Ariel - Com isso você vai viver com dignidade. E essa.

Iraema - Dignidade? E o pai dele? Velho escroto.

Pai - E esse. Bem ou mal.

Iraema – Mal. Você é um velho escroto. É por isso que vou ficar com seu dinheiro. Vou te ensinar que você não sabe nada.

(...)

Afonso Lima

quarta-feira, maio 09, 2012

País novo

O novo rico não quer nada no seu caminho
Agride o que não é seu olhar
Ele sabe, ele pode, ele incendeia céus e terra
Cria eclipses para seu carro de ouro
Edmundo era novo rico - um réptil faminto
O novo rico é o meu ou o seu
É o mais inteligente -
Ele odeia o capitalismo, a novela - um pouco - e a miséria
Ele sabe que os chefes são corruptos e aprendeu o jogo
Ele nasce de decisões e exibe seu troféu
O novo rico pode tudo porque não esteve presente
quer conhecer, quer fugir, tem medo
são velhos ódios num brilho novo
O novo rico não pode envelhecer -
porque envelhecer é mudar valores
O novo rico não quer livros, mas seu efeito
O novo rico perde o parceiro, mas não o produto
Ele pensa globalmente, abstratamente - transforma
Não lhe interessa amanhã uma natureza
Explode depois de conversa e um sono doce
São as paixões da ambição, rapidez de julgamento
Odeia a senhora pobre, odeia a criança frágil
O novo rico é bom de coração
Não há certo, nem errado
- nietzscheanamente feios e belos
Matar pai e mãe - vergonha - chamando por Jesus
O sucesso não é para todos
A velha elite derruba os pomares para fazer fábricas
a nova classe média sonha em ter suas árvores
Os novos ricos odeiam o tempo e inovações
porque pensar atrapalha as normas ancestrais
Nobres e revolucionários se dão as mãos
E nada de novo nasce sobre a terra.

Afonso Lima

domingo, maio 06, 2012


Porto Alegre – cena teatral 



Um homem soterrado por uma montanha de livros, somente com a cabeça de fora. O cenário representa uma cidade alemã em miniatura, com trens e montanhas. Muitos objetos fálicos em madeira e pedra ficam no chão, onde tem terra e estão os atuantes.
Um mapa de São Petersburgo é projetado.

OFF: Algumas cidades têm uma ligação muito forte com a água.
Neva.
Homem: Eu nasci dia 27, num hospital chamado Femina. Homem. Não estava na cidade sua avó. Meu pai acabara de chegar de viagem, a gravidez de minha mãe foi um pouco solitária. Sua mãe tinha um bom emprego, vinha do interior, e perdera o pai há pouco.

OFF: Um parque famoso. Um passeio de barco. Uma Catedral. O museu orgulhoso. Jacarandás floridos. Galpões e cavalos. Filosofia. Arte contemporânea. Nudez e crueldade. Palas Athena verde na praça. Blues. O Mercado. Dois poetas no bronze.

Um homem amarrado em camisa de força grita enquanto se diz o texto.

Atuante 1 – Mario traduziu Proust. Lya traduziu Virgínia. Marcelo traduziu Marx e Kafka. Donaldo traduziu Homero, Heráclito, Joyce e Sófocles. Jesus traduziu Deus.

OFF: Um gaúcho com os pés na terra. Vento. Raízes profundas. O sol no domingo nas árvores do parque. Calor infernal. Pássaros com frio e vamos ao cinema. As casas antigas, o calçamento de pedra.

Parente: Você tem de ganhar dinheiro.
Atuante 2 - Os italianos ficaram perdidos na selva.
Professora: Falta leitura. Você não tem concentração.
Atuante 3 – Os alemães fizeram a Disneylândia da Bavária. Founde e cinema.
Ator: Você é filósofo, muito cabeção. “Foi a razão que me perdeu”.
Atuante 4 – Existem, sim, nordestinos, eles trouxeram o charque. Ninguém se lembra.
Professor: Meu amigo, você com quinze anos... Antes dos trinta, ninguém escreve literatura...
Parente: Você tem de ganhar dinheiro. Um elefante preso pela pata.
Atuante 1 – No mercado Municipal se encontra todos os artigos para rituais africanos, tem aqueles colares dos orixás que os turistas adoram.
Homem: É a única cidade brasileira onde todos são europeus.

OFF: HOMENS FAMOSOS – fotos de estátuas de cemitério em um mosaico mutante.
Homem – Eu coloquei a primeira flor no caixão do grande poeta.
Atuante 2 – A maior romancista leu seus textos e disse que “gostou imensamente”. Nunca mais falou com ele.
Homem – Andei uma quadra e meia com o Cyro, um telefonema na convalescença, ele faleceu em 1995, uma semana depois.
Atuante 3 – 17 emais e duas orelhas de livro com o imortal. Lágrimas.

Atuante: Em “Le tout Paris”, de Charles Castellani, se pode ver antes de tudo a Ópera, símbolo da cidade moderna; o boulevard des Capucines, o Café de la Paix, a avenue de l´Opéra, o Louvre, o Grand Hôtel; as carruagens, as cartolas, as barbas, as bengalas, os vestidos, as belas lâmpadas públicas; os poetas, os pintores, os escritores, os cavalos, os atores, os músicos e as celebridades que o público adora; emfim, tudo se pode ver, pesquisar e saber, como convém à nossa era científica.

Homem: Consumidores de notícias. Consumidores de cultura. Consumidores de inteligência. Consumidores de gaúchos. Nenhuma paciência para gênios.

Música ao vivo: jazz. A música não permite a compreensão plena, o texto é projetado com “delay”.
OFF: Aquela foto terrível de um soldado negro degolando prisoneiros.
Dançarino: Eu sou um personagem. Eu sou o bailarino negro que trabalha de barman na boate chamada “Doce Vício”.
Judeu: Sou um marceneiro, judeu polonês, cheguei no Bom Fim em 1934.
Oficial: Eu sou o militar de “perfil grego” que ofendo as pessoas chamando-as de comunistas!
Roqueiro: Dezoito, faço educação física, gosto de mangás e tenho uma banda de rock que canta em francês.
A música para.
Homem: Acabo de encontrar uma lata de leite condensado no armário. Foda-se o trânsito, os terroristas e o vazamento no banheiro. Orgulho.
A música volta.
Militante: Marxista. Vim para o Fórum Social, casei com uma gaúcha, trabalho na periferia numa ONG.
Estudante: Minha avó foi uma índia laçada, presa no laço, eu estudo ikeana no centro cultural japonês. Coleciono fotos de Hiroshima.
Filósofo: A relação entre Levinas e a Lebenswelt de Husserl e a Lebensform de Wittgenstein. Também coleciono objetos eróticos da antiguidade.
Psicanalista: Eu sou a psicanalista da serra gaúcha, que casou com um hindu e converteu-se ao islamismo.
Poeta: Poeta. Fico no banco da velha praça sem querer ser incomodado.

Homem: Totalmente civilizados. Totalmente educados. Totalmente objetivos. Totalmente elegantes. Totalmente belos. Totalmente trabalhando. Totalmente criativos. Totalmente globalizados. Totalmente um sucesso.

OFF: MORTES – projeção, idem.
Homem – 2000 - A mulher que me criou.
Atuante 2 – 2001 – Grande amor perdido 1.
Atuante 3 – 2003 – Grande emprego perdido.
Atuante 4 – 2004 – Grande amor perdido 2.
Homem: 2005 – Minha avó, morta.
2006 – Vazio encontrado.
OFF: 2007 - Cidade perdida.

Música. Homem sai debaixo dos livros. São projetadas fotos do mar.

Homem: A estrela mais brilhante se chama Antares. Ela guiou os navegantes. Não é a mais brilhante de todas. Mas, com ela, se poderia fazer dez sóis. Dizem que Antares é habitada por três tipos de seres: guerreiros, homens vermelhos com espadas em fogo; sábios gregos, que filosofam entre as colunas; e os rebeldes, que tem sangue e são invisíveis.

Projeções de um eclipse. 

Afonso Lima


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O trabalho Porto Alegre de Afonso Jr. Ferreira de Lima foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais ao âmbito desta licença em http://afonsojunior.blogspot.com/.

quinta-feira, maio 03, 2012


Pronunciamento na Audiência Pública pela declaração de utilidade pública do Cine Belas Artes – Assembleia Legislativa de SP – 25 de abril de 2012

Nobres deputados, representantes.
Nobres cidadãos, representados.

Começo com uma citação:
Dante (Ancona Lopez- um dos sócios fundadores do Belas Artes) foi nosso melhor exibidor. Sem seu exemplo São Paulo não se teria tornado uma capital do cinema, uma Cinecittà”.
Augusto Calil – Secretário Municipal de Cultura

Meu nome é Afonso Jr. Lima, historiador, Mestre em filosofia pela PUC, escritor.
Sou gaúcho e moro em SP desde 2007, quando me tornei sócio do Cineclube Belas Artes, assistindo dezenas de clássicos praticamente de graça.
Hoje eu falo em nome de uma população inteira.
A cultura nos ajuda a criar uma sociedade mais tolerante, uma consciência coletiva e a recriar o mundo, através da imaginação. Sem cultura – a nossa tradição local e a herança universal - nós nos desumanizamos.
Poucas vezes se viu um tema com uma unanimidade semelhante: todas as classes sociais, todas as idades.
Se estamos aqui hoje é porque a cidade foi abandonada por seus representantes à nível municipal, porque a vontade da população foi ignorada.

Alguns números:

  • 90 mil apoiadores na página do Facebook criada pelo estudante de direito Thiago Albejante em janeiro de 2011, antes do fechamento.
  • 16 mil assinaturas somente no abaixo-assinado virtual criado pela jornalista Caroline Santos. Há muitos outros.
  • Uma floricultura pediu aos clientes que escrevessem uma mensagem ao Belas Artes. Mais de 450 depoimentos – inclusive de celebridades - foram então pendurados em uma àrvore, na entrada do cinema, e rosas colocadas no mezanino do prédio.
  • O Movimento colocou uma banquinha no Conjunto Nacional recentemente: colhemos em média 800 assinaturas por dia do fim de semana; quase 7 mil assinaturas em sete dias.
  • Esse fechamento foi eleito o maior erro do ano pela enquete da Folha, com quase 4 mil votos.
  • 1.800 pessoas frequentavam o BA em cada dia do fim de semana e dias de promoção. Inúmeros festivais, cursos e palestras se realizaram alí.


Apresentarei agora exemplos do poder público investindo no cidadão e defendendo a identidade cultural.

O jornal Valor Econômico de 20 de maio de 2011 noticiou:
O número de livrarias no Quartier Latin passou de 225 para 124 na última década. (...)
Para estancar esse esvaziamento e evitar a descaracterização do bairro, a prefeitura de Paris decidiu incentivar a abertura de livrarias. O método utilizado é simples: apoio financeiro aos comerciantes, com aluguéis abaixo dos níveis de mercado. 


Na Argentina, atualmente, o cinema mais importante da Aamérica Latina, tendo inclusive ganho um OSCAR, sabe-se que:
Desde os anos 1990, o Instituto de Cinema Argentino (ICAA) investia em algumas salas urbanas para criar um espaço dedicado exclusivamente ao cinema argentino. Mas, em 2003, optou-se por expandir essa prática: além da Sala Tito Merello, o Instituto alugou o Cine Gaumont e o Teatro de La Comedia.
A ideia por trás desses cinemas era a de livrar-se dos caprichos dos exibidores, que, em geral, consideram os filmes nacionais mais arriscados e menos lucrativos que os de Hollywood. Desde 2004, há uma iniciativa para abrir esses cinemas públicos em escala internacional. Em abril de 2004, um foi aberto em Madri, em seguida, foram abertos similares em Roma, Paris e Nova York.



Em 2005, José Serra- então prefeito da cidade de São Paulo, desapropirou um edifício abandonado, no número 210 da Praça Roosevelt ao lado do teatro Espaço dos Satyros 1, a atual SP Escola de Teatro.

A casa da família Buarque de Hollanda, na rua Buri, 35, no bairro do Pacaembu, foi desapropriada e tombada como patrimônio público pela Prefeitura em 2002.



O Rio tem projeto para salvar cinemas de rua. Noticia o site BOL de 9 de outubro de 2011:

Em pouco mais de um ano e meio, seis tradicionais cinemas de rua terão voltado a funcionar no Rio e em Niterói.

O governo do Rio quer reativar o cine Olaria, transformando-o em 2012 em centro cultural, assim como a prefeitura fará com o ex-cine Imperator, no Meier.

"Ali há uma relação artística e mais ampla com o cinema do que nas salas do shopping. (…)
Fazem parte da identidade cultural e memória afetiva da cidade",
diz Professor de cinema da PUC-Rio Hernani Heffner.

Diz a Constituição, no seu artigo 21, sobre o direito à propriedade privada:



 1. Toda pessoa tem direito ao uso e gozo dos seus bens. A lei pode subordinar esse uso ao interesse social.

A urbanista, professora da FAU, Raquel Rolnik, comenta:

"Estes cinemas (de rua) fazem parte do ethos cultural das cidades e bairros, são pontos de encontro, rituais de escape, divertimento, sonho e reflexão que extravasam das salas para as calçadas ao redor. Lutar pela permanência destas salas, portanto, deveria ser objeto de políticas urbanas e culturais das cidades, estados e do governo federal”.

O cinema, assim como a escrita, é uma linguagem que garante acesso à experiências enriquecedoras insubstituíveis. Isso porque acessamos outras consciências, outras lógicas, e despertamos nossas reflexões emocionais.
Atualmente os dois ou três cinemas de arte de São Paulo – como o Unibanco Augusta e o Reserva Cultural (com ingressos entre R$17,00 e R$ 24,00) não dão conta da demanda de filmes e estes ficam pouquíssimo tempo em cartaz ou não são exibidos. O Cine Sesc oferece apenas uma sala de cinema.
Regredimos.

Preço de ingresso de cinema em São Paulo é um dos mais caros do mundo em torno de R$ 25 reais.


O cineasta Nelson Pereira dos Santos afirma:

O problema é que o cinema saiu da rua foi para o shopping center, para pessoas que podem ir a esses locais”.
Ele credita ao fato o afastamento da população mais simples das salas de cinema.

No Belas Artes, o Cineclube cobrava apenas R$ 60 ao ano.
Era um projeto com sessões diárias sempre às 19h, sempre com quatro filmes ao mês (um por semana), integrando ciclos temáticos, como homenagens a grandes diretores, atores ou atrizes, por vezes realizando debates na sessão de encerramento.

Havia cinco salas – as lendárias MARIO DE ANDRADE, CARMEN MIRANDA, VILLA LOBOS, ALEIJADINHO e OSCAR NIEMEYER.

Tinha meia entrada acessível à aposentados e estudantes. No site antigo temos os valores do ingresso em março de 2011.

Às segundas-feiras, qualquer pessoa que apresentar carteira de trabalho (mesmo estando desempregado),
ou cartão de aposentado paga R$ 5,00.Quartas-feiras:O valor do ingresso é de R$ 10,00.
Com a apresentação da carteirinha de estudante, será cobrada meia-entrada.
Nos demais dias (terças, quintas, sextas, sábados e domingos)o valor do ingresso é de R$ 18,00.
Com a apresentação da carteirinha de estudante, será cobrada meia-entrada (R$ 9,00).

Além disso, o acesso fácil o diferencia da Cinemateca e MIS – na prática frequentados pelo público que possui carro.
Além de que – e talvez principalmente - o Belas Artes faz parte do charme da Avenida Paulista.
Há que se levar em conta também o impacto de valorização da nova estação Paulista do metrô contruído pelo governo estadual (o que o Estatuto da Cidade obriga avaliar).

Uma das nossas maiores preocupações é com o que eu chamo de "periferização do centro", quando a elite vai para condomínios fechados fora da cidade e os equipamentos culturais (assim como bares, restaurantes, etc.) quebram por causa da supervalorização. É o estilo de vida "prisioneiros do concreto" onde cada um fica na sua casa, sem trocas e sem diversidade. Uma cidade de “guetos”, a era do bloqueio comunicativo, sem comunicação significativa.

Propomos então a declaração de utilidade pública e criação de um Centro Cultural Belas Artes, com salas de exibição para filmes brasileiros, de arte, documentários, animação e curtas-metragens.
Que tenha uma Livraria (a lendária livraria Belas Artes funcionou por 15 anos), um café, como centro de convivência, sala de exposições, auditório para debates e cursos, como previa o projeto original de 1967 dos empresários Florentino Llorente e Dante Ancona-López (de quem Leon Cakoff, criador da Mostra Internacional de São Paulo foi assistente no BA)

Florentino Llorente diz à Folha de São Paulo em 09/04/1967:
“Mais do que um cinema será um centro de cultura inteiramente aberto ao debate, oferecendo, para isso, tudo o que a inquietação intelectual de nossos dias está exigindo”.
Por fim um investimento desse porte não se trata de doação, já que o mercado da cultura em São Paulo movimenta 40 bilhões de reais ao ano. Investir na Economia criativa, além de criar uma sociedade saudável, é lucrativo. As futuras gerações nos agradecerão.

Afonso Lima