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terça-feira, abril 07, 2015

As três Öbis - fragmento 7 - in progress em ebook

https://www.widbook.com/ebook/as-tres-obis
[Se de fato a narração é do fim da antiguidade, refletiria seu mesmo espírito que misturava ciências egípcias e neoplatonismo, filosofia grega e judaísmo. Aqui, cita-se Apuleio, filósofo romano na África no tempo de Trajano - que copiou o livro "de ouro" de um Luciano, que teria copiado um Lucius de Patras - episódios sem a conexão que hoje esperamos de uma narrativa. Neste fragmento, imaginamos que o compilador - intercalou uma anotação do frei na qual este - talvez para justificar episódios posteriores - liga-o a ancestral tradição. N. E.]
De boca em boca, passam essas coisas por transformações. Toda história existe para caber na boca de alguém que irá advogar por ela e permitir que ressuscite. Podemos imaginar se Ovídio não se referia às próprias histórias quando deu à seu livro o título de "Metamorfoses". Qual a origem disso tudo? Tertuliano condenou e riu das mulheres cristãs de seitas hereges que batizavam e pregavam sobre "a imagem de Deus oculta em cada um e nós" (como Maximila, excomungada na Turquia) - podemos, ao menos nos comover com a forma como os milagres tocaram seus corações e lembrar que mesmo Tertuliano, defendendo como verdadeiros o Evangelho de João e o Apocalipse, disse que a Igreja não pode ser "de um punhado de bispos". Escapar é um direito humano.
Aqui lembramos do escritor do "Asno", o qual, tendo vivido por volta de um século depois do Cristo, na "Atenas da África", compunha poemas, diálogos, mimos, história, sátiras: "faço de tudo, tanto em grego como em Latim".

Apuleio visitou o Oriente, a Grécia e a Itália, estudou Filosofia, Direito, Geometria, Astronomia, Poesia e Música, conheceu todos os cultos e religiões de seu mundo, os mistérios de Ísis, os oráculos, os mistérios elêusicos, Apolônio de Tiana e as artes dos demônios intermediários. Quando casou-se com uma viúva rica, ele, belo e ela, solitária, foi acusado de magia, punida com a morte, e teve de defender-se usando toda sua Eloquência Jurídica, fugindo para Cartago, onde tornou-se autoridade.
Sabemos que Marco passou em torno de vinte anos corrigindo e emendando seu livro "O Milhão" - Descrição do Mundo", ditado numa prisão de Gênova ao famoso Rusticiano, das gestas de cavalaria. Esse conjunto de relatos díspares e contraditórios passou por toda língua cristã e cada cidade e cada época teve seu escriba amador ou profissional que cortou, emendou, reescreveu ao gosto de seu público. Qual a versão original?
Nessa época eram totalmente desconhecidos dos homens a pólvora, os fogos de artifício, e lugares como o Mar do Japão e A Terra Nova, onde existem antropófagos. Seu pai, Niccolò Polo, comerciara na capital do império mongol, depois que o Sultanato da Anatólia caiu nas mãos dos mongóis, fragmentando-se. Fora nomeado, com os irmãos, embaixador do grande Kublai-Khan junto ao papa (solicitando sete homens que conhecessem as "Sete Artes") e amigo do futuro papa Gregório X. Atravessavam desertos cheios de bandidos, a bela Turquia, chegando à China, onde a família morou por vinte anos e Polo foi administrador de uma cidade.
Marco conta que, chegando na Pérsia, os Polo encontraram um castelo cujo nome significava "castelo do fogo". Eis a história: três reis da região foram adorar um profeta que acabara de nascer. A criança deu-lhes um cofrezinho fechado. Ao chegarem em casa, abriram o cofre e encontraram uma pedra. Desprezando-a, atiraram-na dentro de um lago. "Qual não foi sua surpresa ao verem descer do céu uma labareda de fogo e afundar-se na água. Arrependidos, tomaram um pouco daquele fogo, levaram-no pra um de seus altares e o adoram como Deus. Quando ele se apaga, retornam ao lago, onde arde a chama primitiva.
(Afonso Lima)

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