
Sim, Justiça!
Benjamin, ao que parece, achava que em qualquer ponto da superestrutura aparecia a infra. Não muda nada no Brasil, mas é catarse geral. Só sei que foram 152 milhões de votos, como se todo brasileiro tivesse estado ali! ("Votei mais de 3.000 vezes para o Dourado vencer", diz Déborah Secco. No piada.)
Diante da nossa insegurança pós-moderna por identidade, do amor dos brasileiros por pessoas, do poder de expansão da TV, etc., sim é um fato. E também (o oposto também, Aristóteles fez o princípio de não-contradição porque nunca esteve aqui) o talvez país mais "pobrefóbico" do mundo acha que ignorância é feio... depois de tanta escola e faculdade!
Na véspera se leu:
"O participante que tem uma suástica tatuada no braço e levanta da mesa quando o assunto é sexo gay está na final". (Patrícia Kogut, comentando alguns fãs doidões. Ainda a velha história da suástica, ai que sono... coisa de "teen" só para poder dizer: tem mais de 3 mil anos!)
Pois é... Dourado vendeu, ufa! O cara que era o malvado e ia sair já-já (frase besta do Mc, ele já teve a chance, ssss....)
O choro de 1 milhão de Reais, como com Bam-Bam. O protagonista, sempre nos disseram, é aquele que muda...
Apesar do ódio que despertou e de seus polêmicos e micos dizeres (tipo hétero não pega AIDS e "pessoas normais", se referindo aos (não) gays), ele mostrou carisma conquistando pelo menos a Máfia Dourada, que dizem ser mais de 100 mil seguidores dispostos a votar noite e dia...
O mais importante: não agrediu ninguém (depois da transformação), não implicou (é, acontece né Dc) com quem lhe deu a mão.
(Minha segunda favorita era a Lia, histérica, mas percebia bem o jogo. Aliás, ela salvou Dourado. O lance mais fenomenal que eu já vi no BBB foi quando ela sacou a Tss, votou nela chorando e tirou a vilão no Ato 1. Cadu conquistou o Brasil, bom, bonito e leal, mas não se expôs tanto... talvez, por isso só ganhou 11% dos votos).
Esta edição foi uma das mais chatas pelo merchan exagerado
(Folha: "A rede fez mais de 60 merchandisings durante os 78 dias de confinamento, média que supera uma ação a cada dois dias, e teve 25 anunciantes. ")
, em cada prova, em cada escolha e causou um certo incômodo quando parecia anunciar todo mundo pela profissão: o advogado, a doutora (em quê, gritaria?), a dentista...
(Nossa doutora, francamente... texte de QE pra entrar!)
Mas a seleção provou ser bem feita, pela diversidade: excluídos os excluídos, os "feios", selecionados os homens-mulheres-objeto, tudo deu certo.
Depois de tanta gente falando em processo, vamos aos símbolos.
A bruxa malvada dessa edição ficou até difícil de escolher, mas... Tss é campeã. Ela sup-er-a. Prefiro a ignorância autântica de Dourado (posso rir dele...) que o politicamente correto-falso de uma Tss. "Na fotinha" sempre. (Né? A explosão da publicidade seja-eu e a falta de igualdade apareceram na TV!)
Pareceu-me o símbolo de (muita gente de) uma geração acostumada com a aparência como essência: parece que usou mecanismos suspeitos para ter 120 mil seguidores, só pensava em jogar, fez sexo para ficar na casa... Talvez represente muito de um jovem criado com a idéia de que "tudo é poder".
Mc, o príncipe, fez papel de bobo e depois conseguiu virar o jogo quebrando o que parecia uma Liga da Justiça, o lado do "bem". Aqui, outra lição de RP: faça cara de alface, sorria e forme conspiração. (Fica até a dúvida se não teria manipulado os instintos de Rossé, para tirá-lo do Lado A).
Sg era mesmo bobo, Dc era fofoqueiro (que decepção! por que logo o gay nóis- na- fita, já-ganhou foi fazer o estereótipo da tia-velha - segundo foi chamado- o maldoso?), Ag era sim jogadora braba e quem explica?
E a sem-sal loira Fn era mesmo uma princesa que viraria sapo. Parece-me incrível que a "turma do bem" tenha ficado sem perceber sua "diferença": Sg se deixando levar pela sedução de Mc foi deprimente. Lia, Cadu e Dourado foram os únicos que mantiveram sua posição, vendo com clareza.
O que mais emocionou nesse BBB foi a inconstância das pessoas, seus dois lados. Aprendemos um monte sobre explosões emocionais e gente que não pensa em outra coisa. Cd pareceu que iria pegar o Sg a qualquer momento, até mesmo noticiaram outro gay na casa, e nada... nem com ninguém. Estranho.
(Ainda mais ele falando "que não se sentiu atraído por mulher alguma na casa, embora eleja a amiga Lia e a vice-campeã Fernanda como as mais belas do programa"- segundo a Folha).
Muitos gays saíram-se mal nesse jogo: achei desnecessária a coisa "nós perdemos" quando Dicesar saiu (merecidamente) e briga pelo twitter chamando El Douradon de homofóbico:
homofóbico é quem tem uma causa, não quem desconhece. (Leda Nagle, noTwitter: "Isto é ignorância não é homofobia")
Esse debate todo - com gente dizendo que ele é "lixo", gente prometendo sortear 50 mil para quem votasse contra, sites do exterior pedindo votação contra homofóbico, Gilberto Braga super-poli.cor falando "paraibazinho chinfrim" (sic) -
me deixou pensando que, na contemporaneidade, desfocamos as coisas com nossa pouca-muita-informação ("os nordestinos são pobres porque não querem trabalhar", ouvi esses dias...), vivemos tão fechados em blocos, guetos, apartamentos, que temos a ilusão de que os problemas sumiram (veja, na Paulista, tá tudo bem...) e não temos paciência/vontade com a ignorância, educar o diferente, com ampliar a ilustração. (Sim, Iluminismo, por favor!!!)
Afinal, educar pressupõe trabalho, busca... e, claro, criar um bode expiatório não vai ajudar.
(O gay elite assumido-faz-tempo pode mesmo levar um susto com o Brasil: vide -)
O Brasil amanhecerá igual: empresas superfaturam obras para financiar políticos, déficit de moradias em SP de 1, 5 milhão, aquela homofobia cultural que pretende tirar a Parada da Paulista porque "Jesus está no Campo de Marte"...
Mas eu sinto um sentimento de justiça. (Onde a injustiça, a certeza da própria superioridade da classe média, é nossa carne há 500 anos. São Paulo é o mega-show disso: muita diversão para a classe média, erudição transbordante, velhos famintos e crianças sujas pelas ruas...)
Um sujeito que não falou mal, não trocou de time, não ficou na moita, soube ver o jogo, ganhou. A leitora do Big Blog Anna acertou: "Eu aprovo a vitória! Ele é um homem com seus defeitos e qualidades como qualquer outro ser humano, a diferença é que ele não tentou ser o 'perfeitinho' para a sociedade..."
Semana passada vi tantas pessoas gritando "Justiça!", quando da condenação dos assasinos de Isabela. (UFA!!!!) Há no ar essa sede.
Quem sabe um dia...
Esse papo de homofobia foi viagem mesmo...ele nem conhece gays e adorava o Sg...Num jogo onde "ninguém mais é bobo" e todo mundo faz tipo, apareceu um cara que não queria ser outra pessoa: ele achava que ia perder mesmo...mas ganhou. Ganhou com escrotisse, grosseria, mas uma certa liderança e força (e honra!). Ganhou com uma sinceridade de ser vilão, falar mrd e poder se arrepender. Quase chorei.
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