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terça-feira, outubro 06, 2026

Eu conheci a Democracia

Eu conheci a Democracia. Era uma  senhora de meia-idade, cheia de problemas.

Naquela época, os juízes não perseguiam os críticos.

A polícia não era dos negócios, nem cuidava (só) de distinções de classe. 

A classe média não estava tirando as notas velhas debaixo do colchão. 

Na velha democracia, nossos líderes pareciam distantes; agora, temos medo deles, todo delírio tem brechas. 

Na época da democracia, era possível sair da bolha. 

Parece, agora, que a realidade contraria a verdade oficial. 

Nos ensinaram a não aprender com a experiência. 

Nos ensinaram a quem odiar com piadas. 

Não entendíamos a democracia, parecia que podíamos ser descartados, ficamos com medo, mas não sabíamos de quê - souberam nos explicar com um meme. 

A política não nos seduzia, tínhamos muitos problemas, foram 20 anos de silêncio.

Somos incapazes de aprender depois da revolução.

O filme se repete, mas o segundo ato é a invasão. 

A classe média, que achava que a democracia não a ajudava a subir, percebeu que está em queda livre. 

Os pobres radicais tiveram uma sensação de poder, sendo "um deles", mas logo caíram no desespero. 

O dono de bar que xinga o pedinte, o taxista que chama o morador de rua de vagabundo, a bicicleta de entrega que voa na calçada, o motorista prateado que dobra sem sinal. 

O incômodo com a desordem, o imposto e a ameaça com a mobilidade social deram lugar ao medo do crime na política.

Temíamos o desconhecido. 

As igrejas-partido assustam com seus cantos de ordem - quem será o próximo?

Na democracia, as leis pareciam não dialogar com a vida. O Senado não respondia minha pergunta.

Agora, os senadores são gladiadores na arena, sua violência nos cansou.  

Na democracia, não entendíamos os contratos, eram suspeitos, estávamos perdidos. 

Eles chegaram com um plano de leis e mudanças em cada regra e contrato, a guerra nos deixa exaustos.

Na democracia frágil, poucas vozes. 

Agora, o ataque aos jornalistas e a censura nas redes gerou uma sensação de controle de comportamento distópico. 

As riquezas da terra foram para fora, os novos senhores nos tratam como lixo. 

Todos aqueles que achavam que a política não importava, dormem mal e temem por seus filhos. 

Pensando que as hierarquias de classe seriam mantidas, o homem branco filho de imigrantes, que queria esquecer a violência colonial, se viu um cliente de joelhos, servo da aristocracia.

Todos são descartáveis nas ditaduras. 

É por isso que se ganha pouco e se trabalha mais. 

As noites são longas, os dias não descansam. 

A peste ajuda a criar muros. 

É preciso lembrar de estar sendo observado. 

As mulheres são agredidas, o Velho Oeste chegou nas famílias.  

A corrupção tomou conta de todos os sistemas, e as árvores não resistiram ao fogo. 

Eu conheci a Democracia. Agora, que ela acabou, penso que seus problemas não eram os piores. 

AL

quarta-feira, setembro 30, 2026

Calçada canibal

Coisa de polícia não ter casa

Não se mora onde não há paredes

Morar no discurso, revolução do signo

Calçada canibal


A calçada é assombrada pelo corpo vivo

Pelos passados sangrentos agora revivos 

No lento ir dos sem casa, os predadores

Nobres sugam os amanhã mortos


Gente faminta morrendo no frio 

Gente suja morre, faz calor

Gente ferida ouvindo gritos

Morrendo lentamente entre carros 


Mas é a natureza, diz a vampira

Mas são feios, diz a moderna

Mas é a economia, diz o teórico

Passados macabros 


O tempo adormece o espanto

O barulho esconde o fantasma

Os genocídios podem ser silenciosos


Afonso Lima




segunda-feira, setembro 28, 2026

Live: Aspectos do gótico em Blade Runner (1982)


 

Breaking News

Vestido de ouro, o rosto do rei

Proclama: senhores sem impostos 

Pestes e fome pelas ruas 

A guerra crua, o preço da bomba


Muros contra a verdade 

Ninguém enxerga através da névoa 

A muralha cerca o fato

A negra mata é perigo certo


Desejo por ouro, o ataque mais caro

Novas palavras, súditos e nobres

Estado vassalo, expansionismo colonial 

Cruzada do saque, um rei Deus encobre


Novo decoro e poesia nasce:

"Mil vezes no chão me curvo

Para o rei meu senhor 

Nergal cerca minha cidade

Um punhal na noite veio sobre mim

Meu senhor, olhai vossos amados filhos!"

A sombra da fome pelas escuras ruas


Cai a república, a forca assombra 

Impunes criminosos, mentiras e enganos

Pediram um tirano, amaram a força

Castelo de ouro, o preço da bomba

Afonso Lima

quinta-feira, julho 30, 2026

O construtor do futuro

O construtor sonha com o caçador 

de elfos, queimou o antigo contrato

ele andou por florestas e pântanos

com suas pegadas de ogro


O rei dos elfos viu o contrato

no ar como cinzas, e pelo mato 

se esparramou o seco hálito

que afugenta o cantos dos pássaros


A ave fênix guiava os elfos

o caçador percorreu o mundo

um construtor solitário 

fogo consumiu o mundo


A lua faz crescer a semente?

bela gente em paz canta?

os astros comandam a dança?

bela a ave fênix

Afonso Lima


domingo, julho 05, 2026

YouTube - Tragédias de Sêneca - Multipalco do Theatro São Pedro

Porto Alegre - 12 jun 2026 Multipalco Eva Sopher (Complexo do Theatro São Pedro) - Porto Alegre - RS



 

Live: Conto Morte no Nilo - detetive Parker Pyne (Agatha Christie)


 

terça-feira, junho 02, 2026

No Letras in.verso e re.verso - As Troianas de Sêneca

 As Troianas de Sêneca - Afonso Lima.

"Eurípides encenou As Troianas (Troades) em 415 a.C. refletindo sobre acontecimentos da Guerra do Peloponeso (431–404 a.C.), em especial do massacre ateniense da rebelde ilha de Melos (416 a.C.): todos os homens foram mortos e todas as mulheres e crianças escravizadas..." 

https://www.blogletras.com/2026/05/as-troianas-de-seneca.html

sábado, maio 09, 2026

monstros

Flores se agitam, distribuir sementes 

O inverno se aproxima, frágil vida

São ritos antigos, a natureza tem seus ciclos

A fome, por exemplo.


Uma chuva sobre os subnutridos

Algo não se encaixa no cotidiano terror 

Do lado da Padaria Pão de Ouro

Alguém vive numa caixa


A esfinge na encruzilhada pergunta

Quem é o ser que nasce, cresce e morre no chão?

Normalidade absurda, estamos com pressa

O mestre-monstro sem pix nem cartão


A deusa lua move as águas

O inverso inclemente no ciclo 

Flores brilham, distribuir sementes 

A frágil vida

terça-feira, abril 28, 2026

segunda-feira, março 23, 2026

A sociedade estamental

Ele rastejava ou voava pelos labirintos que ele mesmo criara, brilhos e silêncios de sambas estranhos, não sabiam como reagir ao seu grego ou ao seu cabelo, mal estar na casta brâmane, sonho-estrela, abriu uma porta. 

Afonso Lima. 

segunda-feira, março 16, 2026

domingo, março 15, 2026

quinta-feira, março 05, 2026

No Letras in.verso e re.verso - Medea de Séneca

La vie en rouge: a Medea de Séneca – por Gabriel Villela 

https://www.blogletras.com/2026/02/la-vie-en-rouge-medea-de-seneca-por.html 

sexta-feira, janeiro 09, 2026