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quarta-feira, setembro 30, 2026

Calçada canibal

Coisa de polícia não ter casa

Não se mora onde não há paredes

Morar no discurso, revolução do signo

Calçada canibal


A calçada é assombrada pelo corpo vivo

Pelos passados sangrentos agora revivos 

No lento ir dos sem casa, os predadores

Nobres sugam os amanhã mortos


Gente faminta morrendo no frio 

Gente suja morre, faz calor

Gente ferida ouvindo gritos

Morrendo lentamente entre carros 


Mas é a natureza, diz a vampira

Mas são feios, diz a moderna

Mas é a economia, diz o teórico

Passados macabros 


O tempo adormece o espanto

O barulho esconde o fantasma

Os genocídios podem ser silenciosos


Afonso Lima




segunda-feira, setembro 28, 2026

Live: Aspectos do gótico em Blade Runner (1982)


 

Breaking News

Vestido de ouro, o rosto do rei

Proclama: senhores sem impostos 

Pestes e fome pelas ruas 

A guerra crua, o preço da bomba


Muros contra a verdade 

Ninguém enxerga através da névoa 

A muralha cerca o fato

A negra mata é perigo certo


Desejo por ouro, o ataque mais caro

Novas palavras, súditos e nobres

Estado vassalo, expansionismo colonial 

Cruzada do saque, um rei Deus encobre


Novo decoro e poesia nasce:

"Mil vezes no chão me curvo

Para o rei meu senhor 

Nergal cerca minha cidade

Um punhal na noite veio sobre mim

Meu senhor, olhai vossos amados filhos!"

A sombra da fome pelas escuras ruas


Cai a república, a forca assombra 

Impunes criminosos, mentiras e enganos

Pediram um tirano, amaram a força

Castelo de ouro, o preço da bomba

Afonso Lima