Coisa de polícia não ter casa
Não se mora onde não há paredes
Morar no discurso, revolução do signo
Calçada canibal
A calçada é assombrada pelo corpo vivo
Pelos passados sangrentos agora revivos
No lento ir dos sem casa, os predadores
Nobres sugam os amanhã mortos
Gente faminta morrendo no frio
Gente suja morre, faz calor
Gente ferida ouvindo gritos
Morrendo lentamente entre carros
Mas é a natureza, diz a vampira
Mas são feios, diz a moderna
Mas é a economia, diz o teórico
Passados macabros
O tempo adormece o espanto
O barulho esconde o fantasma
Os genocídios podem ser silenciosos
Afonso Lima