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domingo, julho 24, 2011

São Paulo na UTI

JOSÉ RENATO NALINI


Não é só o poder público o responsável: a cidade é de todos, e nenhum cidadão está liberado de se empenhar no processo de sua recuperação


A cada manhã, o paulistano acorda com notícias terríveis.
Mortes no trânsito, explosões de caixas eletrônicos, tão fácil obter material explosivo! Arrastões em restaurantes, sequestros, furtos e roubos de carro. Chacinas de jovens recrutados pelo tráfico, homicídios a esclarecer e vinculados a "queimas de arquivo".

Vive-se um clima de insegurança, a gerar difusa sensação de desamparo. Adicione-se a deturpação do esforço da Justiça Criminal com os "mutirões carcerários".
Explora-se a desconfiança no retorno do egresso ao convívio social e reforça-se a convicção de que aumenta a impunidade.

Não são os únicos dados em desfavor da vida paulistana. Há também o exagerado aumento dos moradores de rua. São milhares, a ocupar todas as regiões da cidade. Acena-se com o seu cadastramento, paliativo insuficiente. A legião é heterogênea: há os desempregados, os portadores de anomalia mental, os drogados. Não há como sustentar o direito a "morar na rua". Via pública se destina à circulação.

Outro indício de cidade enferma é a sujeira. Se a produção de lixo é maior do que a de outras urbes de análoga dimensão mórbida, como deixar de concluir que o paulistano está em deficit de consciência ambiental? Fealdade transparece ainda na pichação, sintoma de metrópole mal amada. Não é reconhecida qual instância de acolhimento.
O vilipêndio com agressões estéticas é próprio a quem não nutre o sentimento de pertença.
Esgarçados os laços de solidariedade, prolifera a violência. O trânsito é o fenômeno mais típico. Além dos acidentes, o estresse de caótica paralisação e congestionamento, algo provável a qualquer hora.

Tudo sinaliza a situação agônica do convívio na megacidade. O otimista dirá não ser assim. Muita coisa ainda funciona, a despeito das disfunções. Todos os dias, milhões acordam longe do trabalho, servem-se de péssimo transporte público, perdem horas no trânsito, ganham mal e, a despeito disso, se comportam com civilidade.
A capital bandeirante paga por seus erros. Fez escolha equivocada ao mutilar sua paisagem, ao sepultar seus rios, canalizar seus córregos, impermeabilizar seu solo, arrancar suas árvores, secar suas várzeas. Nada poderia resultar de bom dessa política de arrasa-terra.

Persiste na vocação ecocida e dendroclasta, desrespeita sua história. Elimina marcos arquitetônicos. Desestimula a preservação, demole parâmetros e torna a população carente de referenciais.
A opção preferencial pelo automóvel desprezou o pedestre, ser miserável, posto a respirar gás carbônico e partículas cancerígenas. O ciclista é também insultado, ameaçado, atropelado e morto.
Tudo vai desaguar em apatia e resignação. Fraturados os laços simbólicos, descrê-se da política e das instituições. Presságio de uma sociedade enferma. Tribos distintas disputam o exotismo do insólito.
Algumas perseguem e espancam minorias. E pensar que São Paulo já foi uma cidade civilizada.

Quem a conheceu há poucas décadas o testemunha.
Hoje está na UTI e precisa de cuidados urgentes. Não é só o poder público o responsável. A cidade é de todos, e ninguém está liberado de se empenhar no processo urgente de sua recuperação.

JOSÉ RENATO NALINI, mestre e doutor em direito constitucional pela USP, é desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de "A Rebelião da Toga", 2ª ed., editora Millennium
MENSAGENS DE CONTEÚDO EXCLUSIVO RELATIVO AO PLANO DIRETOR ESTRATÉGICO E SEU PROCESSO DE REVISÃO. GRUPO DE DISCUSSÃO E ARTICULAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL.

sábado, julho 23, 2011

Adeus, Amy

Esses tempos eu li uma crônica, quando da visita da cantora ao Brasil. Elas ironizavam sua maquiagem ruim, seus cabelos, sua pinga. O que mais me chocou foi que tratavam a cantora apenas pelo aspecto cômico, a maluca, a sem-noção.
Essa, para mim, é a essência do provincianismo.
Eu levei um susto o dia que ouvi sua voz: uma linguagem própria, um swing, um vozeirão...
Agora que não haverá mais manchetes, ela brilhará como o gênio que é.




sexta-feira, julho 22, 2011

Suspeita paralisa compra de megaterreno pela prefeitura

Área declarada de utilidade pública foi comprada em maio por R$ 15 milhões

Administração Kassab planejava desapropriar o mesmo terreno pelo valor de R$ 62 milhões; Promotoria apura caso

ANDRÉ CARAMANTE
DE SÃO PAULO

A Prefeitura de São Paulo interrompeu ontem o processo de desapropriação de um terreno de 175 mil m2 na zona leste que pretendia ceder para a construção de uma unidade da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
A paralisação ocorreu após o Ministério Público Estadual descobrir que o imóvel, declarado de utilidade pública pelo prefeito Gilberto Kassab em julho de 2010, foi arrematado por uma empresa privada num leilão público em maio deste ano por R$ 15,4 milhões, e a prefeitura planejava pagar R$ 62,1 milhões pela desapropriação.
O que se tenta descobrir agora é: A) Por quais motivos a Prefeitura de São Paulo não disputou o leilão público e pagou os R$ 15,4 milhões?; B) Qual o interesse da Mon Fort Administração de Bens Próprios Ltda. em comprar uma área tão grande se já era de conhecimento geral que o terreno seria desapropriado?
O terreno fica na avenida Jacu-Pêssego, em Itaquera, e já foi sede da falida Gazarra S.A. Indústrias Metalúrgicas.

PARTICIPAÇÕES
A Mon Fort Administração de Bens Próprios Ltda. está registrada na Junta Comercial de São Paulo em nome de Eric Cesar Briquet de Sylos, José Luiz Alves de Abreu e da Sampa Holding, empresa com sede em Amstelvenn, Holanda. Sylos aparece como procurador da Sampa Holding.
O capital da Mont Fort é de apenas R$ 10 mil. No auto de arrematação do terreno durante o leilão realizado em maio, na 32ª Vara Cível de São Paulo, a Mont Fort foi representada por Abreu, que tem participação de R$ 1 na sociedade da empresa.

OUTRO LADO
Na noite de ontem, a Folha procurou a assessoria de imprensa de Kassab para entrevistá-lo, mas a coordenação de imprensa da prefeitura informou que "ele já devia estar em sua casa" e, por isso, o único esclarecimento a ser prestado sobre sua determinação de suspender a ação de desapropriação da área era uma nota oficial.
Na nota, a Prefeitura de São Paulo informou que "a decisão foi tomada depois de o Ministério Público Estadual enviar ofício para a prefeitura questionando o processo de avaliação da área".
"Kassab determinou a suspensão do processo de desapropriação. A declaração de utilidade pública do terreno, no entanto, está mantida. Assim que a desapropriação for concluída, a área será cedida à Unifesp", continua a nota.
A reportagem não conseguiu localizar os representantes da empresa Mon Fort.
Caso queira sair do grupo, mande uma mensagem para fundador-plano-diretor@grupos.com.br ou para o moderador (moderadores-plano-diretor@grupos.com.br) 

quarta-feira, julho 20, 2011

ESTADÃO - 19/07

EM DEFESA DAS ÁREAS MUNICIPAIS

Mais uma vez o Estadão abriu espaço neste domingo para a luta dos paulistanos mais conscientes em defesa das áreas municipais e que o prefeito Kassab colocou à venda, com a desculpa de precisar do numerário para construir creches, uma balela que não se sustenta, pois o problema é de escolha de prioridades, em um verdadeiro crime de lesa município.

São moradores do Itaim-bibi, da Mooca, da Granja Julieta, além dos moradores da Zona Norte contra a derrubada de árvores da Serra da Cantareira. Eu ainda acrescentaria o imóvel da Rua Afonso Pena no Bom Retiro, que abriga a Defesa Civil da cidade e o da Rua Bresser com a Rua Itajaí, que abriga um importante depósito municipal.

As verbas utilizadas na ampliação das marginais do Tietê, ou na isenção de impostos ao Corinthians pra o seu estádio, a verba para a propaganda oficial entre outras tantas. Como bem disse o Sr. Pedro Felice Perduca, da associação de moradores da Mooca: "O sistema de captação de chuva é o mesmo, o de esgoto é o mesmo, as vias são as mesmas.

Só diminui o que precisamos, que são áreas que tragam qualidade de vida" A verdade é que o prefeito vem priorizando o transporte terrestre, principalmente o individual e o adensamento dos bairros, notadamente no entorno das estações do Metrô, que já anda trafegando com excesso de passageiros, perdendo muito da qualidade que lhe era peculiar.

O adensamento da população seria justificável se acompanhada de transportes públicos decentes, o que infelizmente não vem ocorrendo. Então faz-se necessário que essas associações de bairros se unam em uma cruzada única, inclusive com a participação de todos os paulistanos esclarecidos, saindo em passeata pelas avenidas, contra essas vendas prejudiciais à cidade.

As áreas que estão à venda são importantes não só no presente com o no futuro, pois se são desnecessárias para as unidades municipais, o que bastante discutível, deveriam ser transformadas em parques e não em mais espigões para aumentar os lucros das construtoras e diminuir nossa qualidade de vida.

Gilberto Pacini

São Paulo

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110719/not_imp746770,0.php

terça-feira, julho 19, 2011

Vitória da população: sem mais um espigão

Foi cancelada audiência pública do terreno da Rua Augusta x Caio Prado. Depois de repercussão...
Ou seja, o Parque, pelo qual lutam há 20 anos, ainda respira...

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http://www.samorcc.org.br/281_parque_augusta2.html

PREZADOS,
CONFORME COMUNICADO QUE SEGUE FOI CANCELADA A AUDIÊNCIA PÚBLICA PARA APRESENTAÇÃO DO PROJETO DE CONTRUÇÃO NO PARQUE AUGUSTA, segundo informações, a pedido da pp. Empresa, que ao nosso ver foi sensata, diante da negativa repercussão que o caso traria.
Acreditamos que o País está vivendo um importante momento e descobrindo o verdadeiro significado das palavras SUSTENTABILIDADE E GREENWAHING  e que a população é consciente e está alerta. 

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COMUNICADO DE SUSPENSÃO DE APRESENTAÇÃO PÚBLICA SOBRE EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO LOCALIZADO ENTRE AS RUAS CAIO PRADO, AUGUSTA E MARQUÊS DE PARANAGUÁ.

A pedido da própria empresa proprietária do terreno, que havia solicitado apresentação pública para dialogar com os moradores interessados, está suspensa a apresentação pública prevista para - hoje - 13/07/2011, às 18h.

Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente

sexta-feira, julho 08, 2011

TENDÊNCIAS/DEBATES

Imobiliária Prefeitura S.A.

JORGE EDUARDO RUBIES


Com a venda do "quarteirão da cultura", os políticos de nosso município perderam mais uma chance de mostrar que estão realmente a serviço do cidadão

Em meio ao festival de leis absurdas, inconsequentes e patéticas de autoria do Executivo, aprovadas a toque de caixa pela Câmara Municipal de São Paulo às vésperas do recesso de julho, é difícil apontar qual é a mais contrária ao interesse público, mas a venda do "quarteirão da cultura" do Itaim Bibi desponta como uma das favoritas.
Votada na calada da noite (às 23h30!), essa lei oferece de repasto à farra imobiliária -que dá sinais de iminente colapso- um oásis de beleza e paz num dos bairros mais áridos e congestionados da cidade.
Concebido nos anos 50 de acordo com o conceito de escola-parque, revolucionário até hoje, o "quarteirão da cultura" é um terreno municipal de 20 mil m2 com a maior densidade arbórea do Itaim.

Ele congrega quase todos os serviços públicos da região -duas escolas, teatro, biblioteca, creche, unidade da Apae, posto de saúde e Centro de Atenção Psicossocial-, reconhecidos por sua excelência e que atendem diariamente a milhares de usuários, sendo que alguns dos prédios foram recentemente reformados e reinaugurados com fanfarra pelo próprio prefeito.
O pretexto para sua venda e consequente destruição é a construção de 200 creches, o que não passa de uma farsa pessimamente encenada, pois dinheiro é o que não falta para tanto, a começar por verbas federais e estaduais disponibilizadas para a prefeitura e não utilizadas.

Sem falar no fabuloso Orçamento municipal de R$ 35 bilhões, suficiente para cumprir essa e todas as outras promessas de campanha do prefeito, desde que utilizado com um mínimo de eficiência.
De fato, é inacreditável que a prioridade da prefeitura seja a venda do quarteirão, e não o corte de parte das cerca de 30 secretarias municipais, das centenas de cargos em comissão, da verba para propaganda oficial (superior a R$ 100 milhões em 2010) ou dos R$ 191 milhões gastos em consultorias (que a Folha noticiou nesta semana)...
A pá de cal na farsa foi dada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, que esclareceu que a eventual venda desse e de outros nove terrenos municipais só pode servir ao pagamento de precatórios.

E apesar disso, da abertura de processo de tombamento do quarteirão pelo Condephaat -que reconheceu o relevante valor histórico, urbanístico, paisagístico, ambiental e social do local-, do repúdio de grande parte da população do bairro e da sociedade à iniciativa, expresso em abaixo-assinado com 12 mil assinaturas, de um abraço no quarteirão que reuniu mais de mil pessoas e de diversos atos e manifestações, a prefeitura e a Câmara insistem na ideia.
Enfim, estamos sempre prontos a debater com as autoridades municipais acerca de nossa convicção da lesividade da venda do quarteirão, convite por elas declinado nas duas audiências públicas convocadas para discutir o assunto.

Não entrarei nos detalhes sórdidos, como a pressão a funcionários municipais que aderiram ao Movimento SOS Quarteirão do Itaim, mas vale sempre lembrar que o prefeito e mais de 20 vereadores da cidade chegaram a ser cassados em primeira instância pelo recebimento de doações ilegais provenientes de uma entidade de fachada do setor imobiliário.

Com a aprovação desse e dos outros projetos, os políticos do município perderam mais uma oportunidade de mostrar que estão realmente a serviço do cidadão, e não dos doadores de campanha.
Isso num momento em que, no mundo inteiro, a paciência do povo com seus supostos representantes começa a se esgotar. Afinal, a Grécia, a Espanha e o Egito também são, ou haverão de ser, aqui.

JORGE EDUARDO RUBIES é presidente da Associação Preserva São Paulo, coordenador do Movimento SOS Quarteirão do Itaim e coordenador-geral da União de Movimentos contra a Especulação Imobiliária e pela Ética na Política.


Rondó zero grau

Noite fria, brilho azul
Os cavalões podendo...
Nós, cavalinhos, comendo...

Eu uso duas meias 
(pretas)
Arrumas tua cama
Os cavalinhos correndo...
Meus pés de márrmore, o vento
O que é uma cidade?
Saia azul, meias feias
Zero grau
e tua casa de papel

Os cavalões correndo...
Os cavalinhos morrendo...
Você estará viva amanhã?
Poesia das formigas
Minhalma — anoitecendo!

Afonso Lima
CENTRO SP
Dá pra acreditar?


Uma verdadeira tragédia, abandono e descaso com o dinheiro público. O empréstimo do BID não foi quase nada usado e o planejamento anterior foi paralisado e abandonado. A prefeitura teve que pagar multa para o BID, prevista no contrato, POR NÃO TER UTILIZADO OS RECURSOS POSTOS A SUA DISPOSIÇÃO. Todo o esforço foi dilapidado e o nefasto abandono voltou a se apossar do coração da cidade.


quinta-feira, julho 07, 2011

45 minutos de terror




Acabo de ver "45 minutos", com o Caco Ciocler, com direção de Roberto Alvim. (Eu respiro fundo, tento ser racional, abalado pelo pouco - ou muito - que vi). A peça tem muito a dizer (mas eu não estou em condições de filosofar agora), mesmo se declarando a arte da enrolação: será que interessa ainda o ator com sua "empatia", seu enredo, sua "dramaticidade"? É maravilho o trecho sobre "opções" brilhantes de entreter...

Caco usa um espectro incrível de formas de não dizer nada, modula seu tempo em ódio, agilidade, pausa... É um dos melhores atores que tenho visto. (E o cabelão ajuda a esquecer o rosto da TV...)

A direção sabe usar com precisão o mínimo, recortes e direções de luz, cores, baixa luminosidade.

Mas o que mais me marcou foi o público!

Há muito se comenta da falta de classe nas sessões, é verdade. Só que eu nunca ficara tão perturbado. Parecia que a peça toda ia naufragar. Sem perceber a diferença entre um texto construído e um stand-up, ELE, sua majestade, dizia: "tá sem graça!", "ô loko", "dança de sunga!" e respondia a cada palavra com palavras - "simpatia?", "compaixão?"... ) O ator faz um gesto de repelir, com as mãos próximas ao rosto, alguém grita: "uí!!!"

Sem falar no momento em que propõe 30 segundos de risada e o público ri de forma histérica, parecendo um programa de auditório. A própria comicidade do texto (entremeada de neurose e dor) pressupõe momentos de concentração - lembra aquilo que as pessoas tinham quando abriam um livro? (Será que a educação pública decaiu, será?)

Caco ainda interage bastante, fugindo numa boa da forma proposta. Quando o ator aponta um revólver para a platéia, comoção geral, "Não faz isso!" Quando ele aponta para a própria cabeça, outros debates, acabou o medo. Parecia que Caco estava ali para realmente ser engraçado, e agora. Será que a culpa é da Rede Globo?


Lembrei de uma amiga comentando (deve ser exagero, amanhã) que a nova geração não sabe a diferença entre um enterro, um motel e um jogo de futebol (ou seja...) Chocado é pouco: quero a polícia!

Uns três celulares tocaram, depois de DOIS avisos, mensagens recebidas, uma moça comentou tanto a peça que praticamente foi um diálogo com o ator. Será que o público também é de atores, para me assustar ou provar a tese de que todo mundo virou hamburger? Parece um show infantil. Talvez agora só seja possível mesmo divertir.

Pode ser que amanhã seja outro dia. Mas eu não estou em condições de filosofar agora. Fica-se com a impressão de que era uma vez o teatro como o conhecemos, voltamos à época de Shakespeare, com seus tomates; só que nossa estrutura é ainda de uma "presença", "foco nessa nova realidade". Mais incrível porque o estilo "noir" de Alvim pressupõe já um público e uma etiqueta, de ouvir... ("Sei lá eu quem é Alvim?")


Talvez seja o ingresso popular, necessário, o que seria para educar, mas eu não vejo essas pessoas melhorando. Mesmo com o inevitável: "Ssss!" que veio lá depois do meio, a agitação não foi de forma alguma educada... É como se estivessem interagindo o tempo todo sem limites. Posso pensar que sem espaço público, a vida fica mais tensa, ficamos mais enjaulados, lutamos pelos poucos recursos, e, portanto, ficamos mais selvagens...

Por que motivo chamamos "comunidade" geralmente pessoas excluídas dos processos da modernidade? Ficamos só um "eu" frente a um "impessoal" (a peça usa essa palavra). O pequeno grupo - afetado nas duas pontas pelo capitalismo-sangrento, a produção infinita e o vício, a prisão a quem nada mais sabe vender - que regula, limita, inspira, sumiu, ficaram relações de troca rápida (aprendemos paralelamente, almoçamos juntos no domingo, trocamos bits, dormimos em quartos próximos...).

Que saudade do poder religioso que só queria reprimir! Será o Facebook, o fim da família ou a publicidade? Sei lá, quero meu ingresso de volta!

Afonso

A série que mostra sangue de verdade - vai ser vampiro no Estado mínimo... -
promete trazer de volta o Vampiro Bill - meio pálido na última vez - e fazer a protagonista (a ótima) ser mais que a Suckie. Quem sabe até fazer a Tara reviver (não vale o trucão do Egg, que parece história de última hora...)
Promete...

segunda-feira, julho 04, 2011

La máfia russa

Tudo começou há duas semanas - os começos tendem a ser lentos - quando minha professora deu um texto de Daniel Link, autor argentino, chamado "Fui um garoto de 8 anos" do livro "A máfia russa". Depois fui em uma palestra e ouvi de um inglês sobre "Mestre e Margarida", que comecei a ler. O tempo se acelerou: (fora o fato de eu estar num curso e conhecer uma pessoa que estuda Cortázar; na manhã seguinte uma amiga mostra o livro que está lendo -adivinha!- e outra quer que vejamos uma peça que acabou de ver baseada nesse livro! Eu leio um conto de Allan Poe e começo a ver o filme "Um bonde chamado desejo", quando a protagonista afirma nas primeiras falas: "Isto parece um conto de Poe"!) um professor conta sobre suas experiências na Rússia (adorou, principalmente as modelos disfarçadas de moças da limpeza), uma colega complementa (também adorou), na manhã seguinte, outra aula e uma amiga começa a contar as viagens para.... São Petersburgo! Então uma amiga, dois dias depois, manda um sms: "tem um programa bacana hj na bibl. s cult russa vc pode ir conosco?" Fui. Saí de lá com o frio da Sibéria.
Então, quando eu creio em bruxas, é empirismo.


terça-feira, junho 28, 2011

Prezado Vereador:
É com muito pesar - e porque não dizer revolta - que recebemos a notícia da aprovação em primeira votação do PL 25/11.
Tendo tomado conhecimento da lista dos votos dos Vereadores presentes naquela seção, constatamos que o Sr. se absteve.
Porém isto não basta!
Confesso que ficamos estarrecidos com a constatação de que o Srs. Vereadores, inclusive o Presidente desta Casa das Leis, com quem estivemos na reunião do dia 20/06/11, às 19hs30, desconhecem os impactos extrememente danosos do projeto do túnel que ligaria a Av. Jornalista Roberto Marinho à Rodovia dos Imigrantes tanto em relação ao seu real custo, quanto ao número absurdo de aproximadamente 1400 imóveis a serem desapropriados.
Outro aspecto que nos causou indiganação foi a declaração do Sr. Presidente Police Neto de que "este PL é de interesse do governo". Perguntamos: onde fica o interesse dos cidadãos neste caso?
Lembro que na mesma ocasião mencionamos que este PL altera significativamente a Lei 13.260/2001 da OUC Água Espraiada e, portanto deveria ser submetido a EIA-RIMA, não sendo apenas mais uma lei de melhoramentos públicos.
A propósito, a obra do túnel recebeu licenciamento ambiental, como reza a lei?
Entendemos que cabe ao Legislativo inquirir o Executivo sobre aspectos ainda não esclarecidos em relação aos PLs que este envia para apreciação do Legislativo.
Como há inúmeros aspectos de projeto, sua implementação, custos da obra e das desapropriações dela decorrentes e impactos de toda ordem ainda não determinados, entre outras questões relevantes, solicitamo-lhe que VOTE PELA REJEIÇÃO DESTE NEFASTO PL 25/11!
A Câmara Municipal existe para representar seus eleitores que são os cidadãos paulistanos. Por favor, exerçam com dignidade o mandato que lhes foi delegado.
Obrigada,
Lucila Lacreta
M. Defenda SP - Diretora Executiva

sexta-feira, junho 24, 2011

Absurdo: onde estão os órgãos do patrimônio?


Folha- São Paulo, sábado, 11 de junho de 2011


Av. Paulista perde casarão e ganha mais um prédio

Imóvel branco arredondado fica ao lado da Casa das Rosas, que é tombada

Construtora Even pretende erguer no local docasarão um prédio de escritórios
com 11 andares e 5 subsolos


VANESSA CORREA
DE SÃO PAULO

Em breve, mais um casarão cederá espaço a outro prédio
de escritórios na avenida Paulista.
Ao lado da Casa das Rosas, a casa branca de fachada
arredondada é hoje alugada pela seguradora Porto Seguro,
que tem escritório ali.

No lugar dela, a construtora Even pretende erguer
um prédio de escritórios com 11 andares e cinco subsolos.
Como a Casa das Rosas é um bem
tombado pelo município, intervenções em imóveis próximos
devem ser aprovadas pelo Condephaat
e Conpresp, os órgãos do patrimônio histórico
estadual e municipal, respectivamente.

Ontem, o Condephaat publicou no "Diário Oficial" do
Estado o aval para a demolição da casa. Segundo a Even,
a autorização do Conpresp também já foi obtida.
"Quase todos os exemplos de ocupação da Paulista se foram.
Os que existem deveriam ser preservados, mesmo que não
tenham um valor arquitetônico muito grande", diz a
arquiteta urbanista Lucila Lacreta, do movimento Defenda
São Paulo.

Para Benedito Lima de Toledo, professor-titular da FAU-USP,
o prédio pode prejudicar a visibilidade da Casa das Rosas.
De acordo com o Condephaat, como o prédio terá 18 metros
de recuo da calçada, a visibilidade da Casa das Rosas
não será afetada.

Não se sabe ao certo quando o casarão foi construído.
A certidão de dados cadastrais do imóvel na prefeitura diz
que a obra é de 1994. Mas uma imagem antiga, obtida por
Gabriel Rostey, da associação Preserva SP, mostra o
imóvel em 1952, quando as casas dos antigos barões
de café ainda dominavam.

quinta-feira, junho 23, 2011

Educação, impessoal

Para J.C.M. Neto

Não o frio do Inferno, por medo
nem a alma que lê, por paixão
um Deus mais duro, o Progresso
(apressar o passo, o homem mole, o futuro pelo sangue)
textos são imagens, economia da alma,
inveja, do não saber feio, a pedra de fora
o novo homem, mil potros liquidificados,
e a terra aberta em novos anseios
*
Outra educação, a da miséria
50 pedras no cansar danado
um professor apanha da polícia
João nunca sonhou com o sertão da gente.

Afonso Lima


Marias

Tu não amavas os livros e eu te amava
Tua poesia era outra
Branca, repete o dia
A água nova do teu rosário

Nada do que sou te fascina
E existe um segredo, só nosso
O poema sem fim, em caos e faxina
A memória e o calor da tua obra.

Afonso Lima

quarta-feira, junho 22, 2011

Email dos moradores (se Deus quiser!) do Jabaquara:

Senhores (as),


Boa tarde !

Estamos a um passo para sermos desapropriados.

Talvez a última chance para vetar este projeto PL25 que desapropria mais 1400 casas e envolve mais de 28 000 pessoas (entre casas formais e comunidades).

Segue abaixo a lista dos 39 vereadores irresponsáveis que votaram a favor da desapropriação, para dar as nossas casas para emprendimentos do Kassab. Construirão prédios e parques em cima das nossas casas.

Lembrem deles na próxima eleição, faça campanha contra estes malignos, mandem e-mails para todos que conhecem e guardem a lista para as próximas eleições. Eles atrasaram a construção do projeto antigo da Lei 13.260 e querem superfaturar a obra do projeto da PL25.

A Prefeitura iria gastar 1 bilhão com projeto antigo e agora vão gastar mais de 5 bilhões e prejudicar a todos nós. A cidade não precisa deste dinheiro para transporte, saúde, educação, segurança obras contra enchentes, etc. ???



Segue a lista dos malignos que devem ser banidos da política da nossa cidade e do país :



Abou Anni , Adolfo Quintas, Agnaldo Timóteo, Aníbal de Freitas, Atílio Francisco, Aurélio Nomura, Carlos Apolinario, Claudinho, Claudio Fonseca, Claudio Prado, Dalton Silvano, David Soares, Domingos Dissei, Edir Sales, Gilson Barreto, Goulart, Jamil Murad, José Police Neto, José Rolim, Juscelino Gadelha, Marco Aurélio Cunha, Marta Costa, Milton Ferreira, Milton Leite, Natalini, Netinho de Paula, Noemi Nonato, Paulo Frange, Quito Formiga, Ricardo Teixeira, Roberto Tripoli, Russomano, Salomão, Sandra Tadeu, Senival Moura, Souza Santos, Tião Farias, Toninho Paiva, Ushitaro Kamia , Wadih Mutran

terça-feira, junho 21, 2011

Email da SOCIEDADE DOS AMIGOS E MORADORES DO BAIRRO CERQUEIRA CÉSAR

A Samorcc aguardava a desapropriação como PARQUE AUGUSTA, prometido dias antes da eleição pelo DD. Sr. Prefeito, que emitiu um DUP - UTILIDADE ÚBLICA. (mudou de idéia uma vez eleito!)

Para nossa surpresa, a CONVOCAÇÃO é para a apresentação de um empreendimento no local, composto por torres residenciais, comerciais e empreendimento comercial.

Permita-nos o desabafo, mas a MUNICIPALIDADE CAMINHA NA CONTRA MÃO e a Secretaria do Verde que deveria dar o exemplo lutando por áreas verdes e permeáveis tem a ousadia de convidar a população para mostrar uma mega construção dentro do sonhado e prometido PARQUE AUGUSTA. Última área verde e permeável da região.

Lembramos que a área é tombada e que tem restrições e nem se cogita em nos enganar que seria uma construção deixando um parque ao fundo. É CONSTRUÇÃO PURA MESMO, que liquidará dezenas de árvores e deixará um matinho sufocado ao fundo.

A população de São Paulo está pasma diante da liquidação das florestas, áreas verdes e permeáveis da cidade, que vem perdendo a vegetação por conta de interesses indiv iduais.

SÃO PAULO PRATICA O "Greenwashing" OU SEJA, FAZ UM DISCURSO verde E PRATICA a devastação e a imperemeabilização!


A população do entorno promete lutar com todas as forças. Que Deus tenha piedade e poupe esta última área verde e permeável da região central da cidade!


Lembremos: Todo o poder emana do povo e em seu nome há que ser exercido!

SAMORCC -
MPE quer refazer o projeto Nova Luz:

"Para o Ministério Público Estadual, o projeto Nova Luz precisa ser refeito e não pode mais separar a questão urbanística da situação dos dependentes. A exigência foi feita ontem pelo promotor de Habitação Maurício Antonio Ribeiro Lopes, logo após o governo municipal fazer a primeira apresentação pública do projeto de desapropriações, no plenário da Câmara Municipal. O governo prometeu reunir-se com o MPE"


De fato, a Prefeitura usou os 300 drogados da região para justificar o projeto em sua comunicação publicitária, mas não se dignou a considera-los no projeto ou lhes dar qualquer assistencia. Portanto, a intervençao do MP é muito oportuna em matéria de direitos humanos (mas não resolve a legislação ilegal e inconstitucional da concessão urbanística).

Suely Mandelbaum
Arquiteta Urbanista

segunda-feira, junho 20, 2011

Possíveis explicações para o novo clipe de Lady Gaga
(a doida da escada, segundo o Mix - cadê o chapéu Rainha Amidala do American Idol???)



1. invasão marciana
2. patrocínio das Casas NY
3. cansou de ser Madonna-na-ópera
4. quer provar que é "gente como a gente"
5. a peruca com mecha loira
6. não é Lady Gaga, é a CIA
7. está poupando forças
8. está falida
9. é a melhor música do álbum e podíamos enlouquecer se fosse o melhor clip
10. depois de gravar o primeiro minuto, foi chamada no telefone e usaram as sobras.


É o primeiro caso na história onde a TV quase-sim-acho-que-superou o clipe...

(o que eu mais gosto nela é uma certa atrapalhação humana, por exemplo, na saída do ovo no SNL ou na banheira no Bad Romance... é carão com humor)



E justo nessa que precisa tanto de corpo de gentes dançando!!!
(O melhor de Born this Way é a dancinha um lado-outro e de Judas salva-se o coraçãozinho...)
Cadê a chuva de água, purpurina, os sapos dançantes, as chamas???
Devolvam a Lady!
(para quem não cansou... uma performance glory...)

domingo, junho 19, 2011


Audiência pelo Belas Artes na Assembleia Estadual levanta o tema da utilidade pública


Em Audiência na Assembleia Estadual nesta quinta feira (16), o deputado Carlos Giannazi enfatizou a utilidade pública do cinema como espaço de memória afetiva e ponto de referência na vida cultural da cidade e do país, comprometendo-se a acompanhar as ações que estão tramitando na Casa, a levar à Comissão de Educação e Cultura da Assembleia o caso, assim como a iniciar busca de parcerias com empresas públicas e privadas no sentido da compra do espaço (assim como ocorreu com o cinema Odeon, marco da cidade do Rio de Janeiro, que foi comprado pela Petrobras).

A audiência se manifestou citando o caso do Teatro Oficina, tombado recentemente, o caso do terreiro Ilê Axé Obá, tombado há 20 anos e a desapropiração da Casa de Sérgio Buarque de Holanda. Foram lidos depoimentos emocionados de frequentadores do cinema e apresentado um video de Marina Puech com personalidades como Lúcio Mauro Filho e Gorete Milagres em defesa do cinema. 88.760 pessoas já apoiam a causa no facebook e as listas contam de mais de 30 mil assinaturas.

Em março o vereador Eliseu Gabriel reuniu-se com o prefeito levantando a necessidade de reconhecimento da utilidade pública do espaço e este preferiu não se pronunciar. A lei 14. 604/2007 do vereador Chico Macena (PT) precisa ser regulamentada pelo prefeito para dar poderes ao CONPRESP no sentido de registrar patrimônios imateriais, o que prevê medidas de salvaguarda.

O Movimento pretende agora sensiblizar as autoridades para que vejam o caso como exemplar da utilidade pública dos cinemas, em especial do cinema de rua de fácil acesso e com preços populares (com opções como o Cine Clube e o Noitão), da necessidade de se valorizar a identidade coletiva dos paulistanos (o cinema tem 68 anos) e de se planejar o lazer, a qualidade de vida e a diversidade cultural na capital como determina o Estatuto das Cidades de 2001.


http://www.causes.com/causes/561939?m=970080e7
querobelasartes.blogspot.com/


Deputado apresenta projeto de desapropriação
do prédio do cinema Belas Artes

publicado em 23/02/2011 às 20h37
Carlos Giannazi fez o anúncio durante encontro com representantes de entidades culturais
João Varella, do R7 -
O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) afirmou, nesta quarta-feira (23), que apresentou um projeto de lei para desapropriar o prédio do cinema Belas Artes, no centro de São Paulo. Segundo o parlamentar, o projeto começou a tramitar na terça-feira (22). Ele disse que vai pedir regime de urgência na proposta, o que deve acelerar o processo.

Giannazi fez o anúncio durante uma mesa-redonda com representantes de entidades culturais no próprio Belas Artes, cinema de rua tradicional da capital que corre risco de ser despejado. Os donos têm planos de ceder o espaço para outras atividades econômicas.

O pedido de Giannazi faria com que o prédio ficasse público. O deputado afirmou que seu projeto não anula o pedido de tombamento do Belas Artes.


Vereador quer pedir a Kassab que Belas Artes
vire área de utilidade pública

Luciana Sarmento, do R7

O vereador Eliseu Gabriel (PSB) afirmou na noite desta quarta-feira (16) que pretende pedir uma reunião com o prefeito Gilberto Kassab (DEM) na quinta-feira (17) para discutir a situação do Belas Artes e pedir que o cinema que fica na rua da Consolação, em São Paulo, seja declarado uma área de utilidade pública.

- É mais uma forma de pressão para que o Belas Artes continue como está porque na hora que é declarado área de utilidade pública, ele não pode ser vendido.

De acordo com o vereador, o processo de transformação do Belas Artes em uma área de utilidade pública pode durar “dez minutos”. Ou seja, basta que o prefeito concorde com a medida e assine o termo.

Alguns depoimentos de paulistanos enviados ao CONPRESP.

"Vi a sala 4, Aleijadinho, vazia, sem as poltronas, sem caixas de som, sem luz. A tela ainda resistia lá na frente. Até fazia eco.
Uma tristeza de apertar o coração. Mas vamos lá, vamos tombar esse prédio e trazer o Belas de volta".

Hirao
"Apresentei-a a muitos dos meus amores e a revisitei com tantos outros, mentiria se dissesse que houvera trazido todas as mulheres da minha vida. Minha mãe nunca a conheceu e, infelizmente, tão pouco vai conhecer.

Meu segredo é: não tenho receio em dizer que atesoro cada um dos bons momentos ali vividos. Sobre aquele terraço de mármore negro limitado por uma grande vitrine de vidro assistindo ao corredor de ônibus sempre congestionado naquele ponto, terminando a Rebouças, eu iniciei muitos dos meus romances.

É triste, mas a vida não é como nos filmes de finais felizes e encantadores, as vezes penso: vivemos no real teatro da tragédia".

Fernando Fileno

"Em 2004, durante uma conversa com André Sturm, tive a ideia de levar crianças, escolas, para o Belas Artes. Entrei em contato com a ONG - Instituto Padre Mariano, na qual eu havia trabalhado como voluntária e apresentei uma proposta. Eles escolhiam o filme e agendávamos a sessão. Mesmo sem patrocínio realizamos as sessões gratuitamente.
Mas para eles este dia era muito importante...enfim, era o dia de ir ao Cinema Belas Artes, então caminhavam e caminhavam felizes!

Ao final de cada sessão todos aplaudiam de pé o filme e, ao sair do cinema todos me cumprimentavam agradecendo a oportunidade.

Nos grupos de jovens do Abrigo Municipal (meninos de Rua) e em Liberdade Assistida (ex-detentos), nenhum deles havia entrado em um Cinema antes.

Descobriram o que era um "cinema" durante esse Projeto. Aprenderam a amar, apreciar e respeitar a sétima arte. Descobriram que também podiam sonhar, imaginar e transformar as suas realidades".
Wania Malafaia


"O CINEMA BELAS ARTES É DA CIDADE DE SÃO PAULO. UM ÍCONE DA CULTURA E DA HISTÓRIA DA CIDADE.
COMO PAULISTANA VOU LUTAR POR ELE".
ESMERALDA HANNAH

Telmo Estevinho – aposentado (muitos frequentavam às tardes)

"A primeira vez que estive em SP foi em 1992 para conhecer o Belas Artes, um cinema famoso que nós, no interior de SP ouvíamos muito falar! Vi "O Marido da Cabelereira" e nunca me esqueci das pessoas na sessão lotada, das poltronas, da atmosfera charmosa que o cinema transmitia! Este cinema não pode fechar, é muito mais que um prédio, é uma atmosfera carregada de histórias da cidade de SP, dos seus visitantes"...

Exemplos de tombamentos.
http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/arvore-de-155-m-esta-em-processo-de-tombamento/
http://www.n-a-u.org/Amaral-patrimonio.html

Terreiro tombado Axé Ilê Obá

No dia 16 de agosto de 1990 surge um fato inédito na história de São Paulo. O tombamento, pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT), do Axé Ilê Obá, um terreiro de candomblé de nação ketu, localizado na Vila Facchini, na capital de São Paulo.

Este tombamento coloca em evidência a possibilidade de repensar o conceito de patrimônio histórico e cultural e seus modos de preservação, ao mesmo tempo em que dá um exemplo concreto de uma política cultural avançada, levando em consideração o conjunto dos valores culturais de um grupo, mesmo se eles não têm sido reconhecidos como tais pela história oficial.

O CONDEPHAAT mostra, com esse tombamento, que é possível dar passos efetivos para a renovação do conceito de patrimônio cultural. Aos órgãos de defesa cabe garantir as condições para que isso se dê.

Rita Amaral

pesquisadora do Núcleo de Antropologia Urbana da Universidade de São Paulo, doutora em Antropologia Social pela USP

A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL
COMO DIRETRIZ URBANÍSTICA DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA
www.mp.mg.gov.br/portal/public/interno/arquivo/id/3449

Foto: André Meloni

Aos Vereadores do Município de São Paulo


Ilustres Vereadores,

É com imenso pesar que a população do Distrito do Itaim Bibi, e distritos adjacentes, manifesta seu repúdio público ao Projeto de Lei nº 01-00271/2011, de autoria do Sr. Prefeito Gilberto Kassab, encaminhado à casa dos representantes do povo paulistano em 01/06/2011, que tem por objeto a desafetação, para posterior alienação mediante licitação, do “Quarteirão da Cultura”, localizado entre a Av. Horácio Lafer e as Ruas Salvador Cardoso, Cojuba e Lopes Neto.

Desde dezembro de 2010, quando a população do Itaim Bibi tomou conhecimento dessa pretensão, que ofende ao interesse público, tem externado sua contrariedade à decisão tomada pelo Senhor Prefeito, por meio da mobilização da sociedade civil e de associações, expressando, veementemente, sua opinião desfavorável, realizando protestos públicos, inclusive nessa casa, na qual em 28/03/2011, foi realizada uma Audiência Pública presidida pelo ilustre Vereador Eliseu Gabriel.

Referido evento foi antecedido pela Audiência Pública presidida pelo ilustre Deputado Estadual Carlos Giannazi, realizada na Assembleia Legislativa em 24/02/2011.

Adiciona-se a tais providências, o abaixo-assinado preparado pela população paulistana, que hoje conta com mais de 11.000 (onze mil) assinaturas, e uma manifestação pública realizada no dia 21/03/2011, no entorno do “Quarteirão da Cultura”, que contou com a participação de mais de mil pessoas.

Em outras cinco oportunidades, a população se reuniu em Assembleia Popular, realizadas na Paróquia Santa Teresa de Jesus em janeiro, fevereiro e março deste ano, e, em todas elas foi reafirmada sua posição e rechaçada a intenção do município por constituir um retrocesso social inestimável, ora consubstanciado no Projeto de Lei 01-00271/2011, que configura lesão aos direitos sociais, ao meio ambiente, ao patrimônio público e ao patrimônio histórico e arqueológico.

A população do Itaim Bibi pleiteia aos seus ilustres Vereadores a preservação do patrimônio público, histórico e arqueológico e a manutenção dos serviços disponibilizados a ela no “Quarteirão da Cultura”, em que encontram-se instalados oito equipamentos públicos imprescindíveis, constituídos pela Biblioteca Pública Anne Frank, pelo Teatro Décio de Almeida Prado, pela CEI – Creche de Tempo Integral Santa Teresa de Jesus, pela EMEI – Escola Infantil de Tempo Integral Tide Setubal, pela Escola Estadual de Tempo Integral Professor Ceciliano José Ennes, pela Unidade Básica de Saúde José de Barros Magaldi e CAPS III - Centro de Atenção Psicossocial 24hs e pela unidade da APAE Escola Zequinha.

Além dos equipamentos públicos de relevante valor social, no “Quarteirão da Cultura” encontram-se espécimes raros da nossa Mata Atlântica, que constitui uma das


poucas massas verdes da região, um sítio arqueológico e edifícios antigos de grande valor arquitetônico e histórico, que carecem de preservação.

Neste intuito, em 01/abril/2011, a população requereu ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo – CONDEPHAAT o pedido de tombamento do “Quarteirão da Cultura”, sendo que o procedimento foi deferido em maio de 2011.

Afora tais medidas, a população apresentou duas representações ao Ministério Público do Estado de São Paulo, que culminaram na instauração de dois inquéritos civis, um na Promotoria de Justiça do Meio Ambiente e outro na Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social.

Apesar da intensa manifestação de repúdio dos cidadãos paulistanos do Itaim Bibi e adjacências, o Senhor Prefeito, ignorando completamente aos seus apelos, apresentou o Projeto de Lei nº. 01-00271/2011 à Câmara Municipal de São Paulo.

Desta feita, os cidadãos paulistanos do Itaim Bibi recorrem, mais uma vez, aos ilustres Vereadores desse Município e clamam pela defesa do patrimônio público, histórico e arquitetônico, do meio ambiente e a manutenção de todos os serviços que hoje lhe são disponibilizados pelo Município de São Paulo para o pleno exercício dos seus direitos sociais, o que só se pode obter pela rejeição e arquivamento do Projeto de Lei 01-00271/2011, pelas razões que ora se apresentam:

1. os imóveis que constituem o “Quarteirão da Cultura” foram desapropriados pelo Município de São Paulo na década de 40 para instalação de equipamentos públicos, que visam, desde então, prestar serviços públicos de qualidade à população, fim que se concretiza dia a dia por meio da disponibilização de serviços médicos, educacionais, culturais, psicológicos e sociais. É um local destinado à valorização do ser humano em respeito a sua dignidade, a manifestação singular de autodeterminação consciente e responsável,

2. no “Quarteirão da Cultura” a população exercita seus direitos sociais, suas garantias asseguradas pelo ordenamento jurídico e destinadas à proteção de suas necessidades básicas, para que viva com um mínimo de dignidade e com amplo direito de acesso a serviços condicionantes da sua realização como ser humano,

3. no “Quarteirão da Cultura” encontra-se instalada uma escola estadual, por força do Protocolo de Intenção celebrado entre o Município de São Paulo e o Estado de São Paulo, visando à permuta de terreno estadual por terreno municipal, em função do prolongamento da Av. Faria Lima, cuja obra foi realizada na década de 90,


4. a população encontra-se em estado de total vulnerabilidade diante do Projeto de Lei nº. 01-00271/2011, que gera insegurança e instabilidade social,

5. almeja-se a preservação do “quarteirão da Cultura” mediante tombamento, que encontra-se em curso.

Pelos motivos expostos, torna-se imperativo a rejeição do Projeto de Lei 01-00271/2011 e seu arquivamento, para que o constitucionalismo social prevaleça no Distrito do Itaim Bibi, favorecendo a efetividade da prestação de ações e serviços de saúde, de educação, cultura e proteção do meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, e promovendo a Justiça Social.


MOVIMENTO EM DEFESA DO QUARTEIRÃO DA CULTURA
SOS ITAIM BIBI


Apoio
Associação Grupo Memórias do Itaim Bibi – AGMIB
Sociedade Amigos do Itaim Bibi – SAIB
Associação Preserva São Paulo – PRESERVASP
Movimento Defenda São Paulo – DEFENDA SP
Paróquia Santa Teresa de Jesus
Vereador Eliseu Gabriel
Deputado Estadual Carlos Giannazi

sexta-feira, junho 17, 2011




http://diariooficial.imprensaoficial.com.br/nav_v4/index.asp?c=12

16/06/2011 20h28

Discussão sobre cine Belas Artes continua na Assembleia
Da Redação - Joel Melo


Debate sobre o cine Belas Artes

Segundo o deputado Carlos Giannazi (PSOL), a melhor solução para que o cine Belas Artes volte a funcionar seria a compra do espaço pela prefeitura. O cinema " que funcionou durante 68 anos na esquina da av. Paulista com a Rua da Consolação e se destacou por exibir filmes de arte que não chegaram ao circuito comercial - teve suas portas fechadas em março de 2011, e ainda suscita em cinéfilos a esperança de terem, no mesmo endereço, um cinema de qualidade, com as mesmas características do anterior, quais sejam, de exibir filmes clássicos que não encontram espaço na programação dos demais cinemas.

A reunião desta quinta-feira, 16/6, no plenário José Bonifácio da Assembleia paulista, serviu basicamente para a criação de um calendário no sentido de acompanhar as ações que estão tramitando na Casa pedindo desde a desapropriação do espaço onde o cinema funcionava, até a compra do prédio pela prefeitura, opção que Giannazi aponta como a melhor.

quarta-feira, junho 01, 2011

Do movimento que luta pelas casas do Jabaquara...

...

Vamos lembrar dos Vereadores que votaram contra a população:

-Floriano Pesaro Votou pela derrubada de suas residências, enquanto brincava no Facebook.
-Adolfo Quintas votou pela expulsão de todos nós do Jabaquara.
-Dalton Silvano votou para botar as comunidades carentes para correr do Jabaquara.
-Abou Anni votou com voto de cabresto para se ver livre das comunidades do Jabaquara.
-E Milton Leite Veio de escavadeira Votar pelo bolso dele e pelas lágrimas de suas mães.

http://tragediasocialjabaquara.blogspot.com/ Entre e de sua opinião sobre o assunto.




Comunicado:


O massacre que vem sofrendo a população do Jabaquara bairro da zona sul da capital de São Paulo, massacre esse realizado por Vereadores da Câmara municipal que vem num verdadeiro “efeito Trator “ tentando aprovar o PL 25/11 que muda a Operação urbana água Espraiada em beneficio de Empreiteiras, alguns vereadores e do Prefeito Kassab .


Tal projeto irá desapropriar (expulsar) 1400 familias de imóveis formais e expulsará também aproximadamente 10.000 familias de comunidades carentes .


O valor do projeto está em aproximadamente 5 Bilhões de reais , sendo que o projeto original custava 1 Bilhão e na verdade visa remover as comunidades carentes e no local construir diversos emprendimentos imobiliários de alto padrão deixando essas pessoas ao “Deus dará” pois a prefeitura apenas se compromete a fazer 4000 casas e deixa o resto supostamente para o CDHU.


Todos sabemos como esses governos agem, não respeitam acordo algum , passam o trator mesmo e para proprietários é um festival de precatórios.

Tal projeto é tão coberto de irregularidades que qualquer Juiz que “não estiver no Bolso “ invalidaria a lei imediatamente.

Seguem abaixo links da sessão extraordinária na CCJ que deu o parecer de legalidade ao projeto.

Confiram os absurdos.


-Vereador Milton Leite combina voto para expulsar moradores do Jabaquara antes da Sessão

http://www.youtube.com/watch?v=mt7WU-AKdZA


-Vereador Roberto Tripoli Chega a sessão para articular a derrota dos moradores do Jabaquara na votação do PL 25/11 na CCJ

http://www.youtube.com/watch?v=t4tgqaWNgmI


-Advogado da Associação dos Moradores é impedido de se pronunciar por vereadores

http://www.youtube.com/watch?v=WGyO5tB_xjk


-Votação expulsará milhares de familias do Jabaquara

http://www.youtube.com/watch?v=ZbkHbApcIWQ

Divulguem , faça chegar ao exterior , mostrem a cara desses corruptos.


Segue abaixo e-mail dos "nobres" vereadores (com letra minúsula mesmo!) que querem destruir o Jabaquara mas sempre pedem voto na região:

Abou Anni: abouanni@uol.com.br
Adolfo Quintas: adolfoquintas@camara.sp.gov.br
Dalton Silvano: daltonsilvano@camara.sp.gov.br
Floriano Pesaro:
contato@florianopesaro.com.br
José Police Neto:
policeneto@camara.sp.gov.br
Milton Leite:
miltonleite@camara.sp.gov.br
Roberto Tripoli:
tripoli@camara.sp.gov.br

E para quem tiver amigos na Aclimação, divulguem o que o "nobre" vereador Dalton Silvado tem feito com a população do Jabaquara.
Este se diz religioso, cita salmos para as pessoas mas não se preocupa nenhum pouco com as pessoas doentes de nossa região e as que irão perder suas casas. Ele tem um eleitorado grande naquela região da Aclimação...

quinta-feira, maio 19, 2011

USP: era uma vez a liberdade...

Será que tem ligação?????

Estudante é assassinado dentro da USP- Estadão

A notícia da morte do estudante começou a circular nas redes sociais, especialmente no Twitter, por volta das 22h. Meia hora depois, alunos começaram a criticar a segurança na USP. "Cara, eu sempre brincava com esse negócio de: toma cuidado no estacionamento da FEA, pra não ser sequestrado", disse um aluno. "Precisa acontecer isso para fazerem algo", afirmou outro.




quarta-feira, maio 18, 2011

MEGA BLASTER DOUTRINA DO CHOQUE-
da rainha Naomi Klein.

Acarajé é patrimônio: e o Cine Belas Artes?

"O PL 7955/10 ... declara o acarajé patrimônio cultural imaterial do Brasil; o PL 7778/10 ... declara o mesmo do SAARA, área de comércio na cidade do Rio de Janeiro".

http://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI124634,11049-Prestes+a+fechar++iconico+cinema+paulistano+pode+ser+tombado


E a cultura urbana? E o meio ambiente com gente?

(Lembro nessas horas do slogan "memória é história", no sentido de que a identidade é do campo do histórico, como vem mostrar autores como Thompson - 'histórias de vida como patrimônio" - http://pt.scribd.com/doc/9709796/Historia-Falada)

Dá vontade de fazer uma faixa: "Tomba, desapropria ou investe na cultura: quero Belas Artes Lá." Porque não estão nos recebendo para dialogar e propor algo coerente. E porque muita gente diz que deixou de ir na Cinemateca porque tem de pegar dois ônibus. E porque a rua está deserta, mais perigosa e o prédio pichado.

Ou: "Kassab: R$ 621 milhões em desapropriações na Nova Luz de luxo? E não tem dinheiro para o Belas Artes?" Parece que a população é um monte de bebês incapazes de entender melhorias, leis e métodos de urbanísmo "ecológico", como a Água Espraiada.
http://www.brasildefato.com.br/node/6055

Cada vez fica mais difícil entender e maior o medo que, para não ir os anéis, vá tudo; por exemplo, se é o caso de "patrimônio imaterial", o que é "salvaguardar" senão mantê-lo vivo?

"Rita Amaral, em artigo sobre o tombamento feito em 1990 pelo CONDEPHAAT-SP do terreiro de Candomblé Axé Ilê Obá, chamou a atenção para algo que deve ser considerado pelos projetos de proteção ao patrimônio: "levar em consideração o conjunto de valores culturais de um grupo, mesmo se eles não têm sido reconhecidos como tais pela história oficial".

Oswaldo Giovannini Júnior
http://www.aguaforte.com/antropologia/osurbanitas/revista/giovannini.html

A secretaria da cultura parece imobilizada. Mas há mais de 800 milhões a mais no caixa da prefeitura, nos disse o deputado Carlos Giannazi (PSOL).

O Nabil Bonduki (ex-vereador, atualmente em Brasília) sempre fala sobre tombamentos como o da casa de Mário de andrade, não pelo valor arquitetônico, mas pela memória.

http://www.cartacapital.com.br/cultura/cinemas-de-rua-e-a-desertificacao-do-espaco-publico-de-sao-paulo

E o estatuto das cidades? E a Convenção Internacional de Proteção ao Patrimônio Imaterial da UNESCO?

É uma sinuca de bico: o secretário da cultura diz que tem de tombar, o orçamento deve estar apertado para outras medidas pela cultura. O Walter Pires diz que mil coisas já foram tombadas, terreiro inclusive (justo). IAB acha que tombar não resolve, pois teoricamente poderia ter uma loja de 1,99 lá (mas alguém imagina uma na casa tombada do Mario de Andrade?)

O registro de patrimônio imaterial parece oferecer "salvaguardas" (na Festa do Divino de Pirenópolis foram "implementadas para evitar problemas pontuais") e a lei municipal 14. 406 fala em "apoiar e fomentar os Bens ... registrados, criando condições para a transmissão dos conhecimentos a eles relacionados no âmbito do Município".

Só sei que, no Brasil, muitas vezes usamos o que temos à mão para garantir direitos - foi o caso do direito homoafetivo, quando juízes gaúchos defenderam o direito de pessoas que viveram uma vida toda juntas - e corriam o perigo de não serem vistas como um casal para fins de herança- usando, por exemplo, a ideia de que homem e mulher são iguais perante a lei.
Como diz a desembargadora Maria Berenice "a ausência de lei não significa ausência de direito".

http://www.mariaberenice.com.br/uploads/52_-_homoafetividade_e_direito_homoafetivo.pdf

No empurra empurra, debate teórico e no "silêncio da morte", o cidadão fica desprotegido e a cultura some num deserto de cimento. A classe média, que se achava protegida das "doutrinas de choque", hoje também é excluída, somos todos gente diferenciada.

Jorge Eduardo, do Preserva SP, explica: " ...em nenhuma área os danos foram tão dramáticos como na do patrimônio histórico, onde dezenas de imóveis de interesse artístico, arquitetônico ou histórico inestimável foram irremediavelmente perdidos com a complacência das autoridades municipais e em grande parte graças às artimanhas e ameaças da Câmara de Vereadores contra os já esvaziados e paralisados órgãos municipais de preservação do patrimônio histórico..."
http://www.preservasp.org.br/forum/index.php?topic=481.0

Lemos que, quanto ao registro, o "objetivo é viabilizar projetos que ajudem a manter vivo o patrimônio cultural por meio de parcerias com instituições públicas e privadas, que irão colaborar com pesquisas e projetos que dêem suporte para sua continuidade."

http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/perguntas_respostas/patrimonio-historico/patrimonio-cultural-tombamento-restauracao.shtml#1

E vemos reportagens como essa: "Fundo voltado ao patrimônio cultural de SP teve verba zero."


Nós estamos nessa situação de resíduos do mercado "livre" pelo menos desde o fechamento e percebemos que nosso megafone parece nada frente aos muros do castelo.

Estávamos acostumados a ser ouvidos, mas a concentração de renda levou a um desequilíbrio enorme, até o Al Gore chama de "afastamento do padrão republicano" (O ataque à razão, 2008.) Kafka puro.

Esse menino de 23 anos, provavelmente, não vai deixar de comprar um iate para salvar a cultura. Os prédios no centro subiram 60% em 3 anos, também pelo impacto do novo metrô, nenhum bar ou cinema pode resistir, e os patrocínios mudam a cada hora (o Itaú quase fechou a Casa de Cultura Mario Quintana em minha cidade, agora o HSBC sai daqui, etc...)

Há muitos termos que não sabemos (registro, salvaguarda, imaterial, etc.), mas uma coisa eu sei: minha qualidade de vida caiu porque eu não pagava nada ao ir toda a segunda no cinema e agora custa de R$ 10 à R$ 18.

É sempre o mesmo papo: para que cultura se as pessoas morrem de fome? Mas não resolvem nem uma coisa nem outra. Na verdade o que há são pessoas buscando saídas do stress que é hoje viver numa metrópole, que querem qualidade de vida e do debate se o mercado por si só pode dar isso. É cada um por si, selva total?

É o que eu chamo de pensamento feudal do "condomínio fechado", cada um vive trancado em sua casa e a rua fica deserta e perigosa.

A verdade é que São Paulo parece não ter uma política para a cidade, mas para proprietários de imóveis caros na cidade.

É todo o contexto em jogo: pouca representatividade dos eleitos, especulação imobiliária e abandono da cultura e das ruas. Se festa popular pode, o que nos difere, peixes urbanos que precisam de ração de qualidade, nessa paisagem estranha.
Quero vida na cidade!

Afonso Lima


O ESTATUTO DA CIDADE E OS NOVOS INSTRUMENTOS URBANÍSTICOS
DE PROTEÇÃO AO PATRIMÔNIO CULTURAL


O Estatuto da Cidade não deixa dúvida: proteger, preservar e recuperar o patrimônio cultural não é uma mera faculdade ou opção dos administradores das cidades e executores das políticas urbanas municipais, mas sim um dever indeclinável, uma inafastável imposição de ordem pública e interesse social em prol do bem coletivo.

Raquel Rolnik:

Marcos Paulo de Souza Miranda- Promotor de Justiça em Minas Gerais.
www.mp.mg.gov.br/portal/public/interno/arquivo/id/3449>

Perguntas & Respostas

http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/perguntas_respostas/patrimonio-historico/patrimonio-cultural-tombamento-restauracao.shtml

GUIA PARA ACOMPANHAR O PROCESSO DE TOMBAMENTO DO CINE BELAS ARTES
José Alberto Gonçalves Pereira/Movimento pelo Belas Artes – 20/04/2011
http://querobelasartes.blogspot.com/2011/04/entenda-como-esta-hoje-o-processo.html


MEMBROS DO CONPRESP

Adilson Amadeu - Conselheiro Titular CMSP
Alfredo Alves Cavalcante Conselheiro - Suplente

Beatriz Ferraz Spisso Conselheiro Titular
Halina Sonia Radecki - Suplente

Walter Pires - Conselheiro Titular DPH/SMC
Nádia Somekh- Conselheiro Titular IAB
José Geraldo Simões Junior - Suplente

Marcelo Manhães de Almeida - Conselheiro Titular OAB
Pedro Augusto Machado Cortez - Suplente

Luiz Ricardo Pereira Leite - Conselheiro Titular SEHAB
Hussain Aref Saab - Suplente

Miguel Luiz Bucalem - Conselheiro Titular SMDU
Luiz Laurent Bloch - Suplente

José Eduardo de Assis Levèfre - Conselheiro Titular SMC
Marcos Cartum - Suplente

Cláudio Salvador Lembo - Conselheiro Titular SNJ

Carlos Eduardo Garcez Marins - Suplente
Wanda Regina Placone da Costa - Secretária Executiva CONPRESP

SMDU - Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano
SMC - Secretaria Municipal de Cultura
CMSP - Câmara Municipal de São Paulo
SNJ - Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos
IAB - Instituto de Arquitetos do Brasil - seção São Paulo
SEHAB - Secretaria Municipal de Habitação
OAB - Ordem dos Advogados do Brasil - seção São Paulo
DPH - Departamento do Patrimônio Histórico
CREA-SP - Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo

CALENDÁRIO DAS REUNIÕES ORDINÁRIAS – CONPRESP- 2011

http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/conpresp/organizacao/index.php?p=3754MÊSDIAS


Maio
10 e 24
Junho
07 e 21
Julho
19
Agosto
02, 16 e 30
Setembro
13 e 27
Outubro
11 e 25
Novembro
08 e 22
Dezembro
06 e 20





domingo, maio 15, 2011

Cultura urgente

Membros do CONPRESP se mostraram indecisos sobre o tombamento no debate no IAB sexta (mesmo terreiros e até a capoeira já tendo sido tombados e ter até Carta da UNESCO sobre patrimônio imaterial). Tanto o prefeito quanto o Secretário Calil parece que só veem essa solução. O valor dos imóveis no centro subiu 60% em 3 anos. O proprietário tem 23 anos e interesses outros.

Os órgãos representativos estão tão longe da população
(exausta, atarefada, sem fóruns públicos... mesmo com 30 mil assinaturas, o cinema foi fechado e está pichado - http://besidecolors.com/?p=4056)

que muitas vezes usamos o que temos à mão para garantir direitos - foi o caso do direito homoafetivo, quando juízes gaúchos defenderam o direito de pessoas que viveram uma vida toda juntas - e corriam o perigo de não serem vistos como um casal para fins de herança- usando, por exemplo, a ideia de que homem e mulher são iguais perante a lei.

Historicamente, se sabe que o direito na sociedade escravocrata foi criado em defesa das propriedades, direito "patromonialista", principalmente em SP - pelo menos é o que os advogados gaúchos comentam. Como diz a desembargadora Maria Berenice "a ausência de lei não significa ausência de direito".

No debate alguém lembrou que com a Copa e a Olimpíada a terra do Brasil ficará muito cara para a cultura.

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A AIB representa os interesses do mercado imobiliário - entre seus associados estão algumas das maiores incorporadoras do País, como Agra, Cyrella e Coelho da Fonseca. Nas eleições de 2008, a entidade desembolsou R$ 6,1 milhões para financiar as campanhas de candidatos a prefeito e vereador em São Paulo. Os comitês eleitorais de PSDB, PT, PV e PSC também receberam repasses.

http://www.estadao.com.br/noticia_imp.php?req=nacional,aib-e-multada-em-r-30-milhoes-por-doacoes-ilegais,645319,0.htm?p=2

Pelo menos seis integrantes da Comissão de Política Urbana da Câmara Municipal da capital, onde está sendo analisada a revisão do Plano Diretor, receberam doações de campanha de empresas ou entidades ligadas ao setor imobiliário. Foi doado diretamente a esses vereadores pelo menos R$ 1,1 milhão.

O líder do governo na Câmara, José Police Neto (PSDB), foi quem mais recebeu recursos: R$ 545,4 mil. O segundo vice-presidente da Casa, Paulo Frange (PTB), aparece em segundo, com R$ 295 mil; e o presidente da comissão, Carlos Apolinário (DEM), aparece em terceiro: recebeu R$ 200 mil. A Toninho Paiva (PR) foram doados R$ 50 mil.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090622/not_imp390976,0.php
Destinado à execução de serviços e obras de conservação, restauração, reparos, aquisição e manutenção de bens tombados, o Fundo de Proteção do Patrimônio Cultural e Ambiental Paulistano (Funcap) ficou zerado em 2010.

A principal receita do Funcap provém das multas aos proprietários que descumprem as normas de proteção ao patrimônio histórico, cultural e ambiental estabelecidas na legislação vigente.

No entanto, também constituem a receita do fundo, cuja gestão é de responsabilidade do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), "dotação orçamentária; doações; legados; rendimentos provenientes da aplicação de seus recursos".

- Não faltam edificações a serem preservadas. Estátuas, fontes, várias praças. Fica difícil saber qual a prioridade da administração. É triste quando o próprio poder público não incentiva a manutenção de seu patrimônio. Lamentamos muito.

É um descaso. A questão cultural, a preservação da memória da cidade, certamente não está na lista das prioridades da prefeitura. Não preservar a memória da população, suas caraterísticas culturais é uma pena. Inclusive, denota falta de cultura dos próprios gestores - critica a arquiteta e urbanista Lucila Lacreta, diretora do Movimento Defenda São Paulo.
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quarta-feira, maio 11, 2011

domingo, maio 08, 2011

A CAIXA


A TV é uma caixinha-de-surpresas, as mesmas.
Ana Maria Braga pergunta a um jornalista da casa por que afinal Bin Laden é tão perverso. Ele responde que é filho de uma mulher secundária! (A famosa “teoria do patinho de borracha”.) Nada mais cansativo do que não pesquisar a racionalidade (mesmo doentia) do outro.

A mesma coisa vejo em relação ao Holocausto quando, ao invés de se pesquisar a questão evolucionista distorcida, a constrangedora eugenia disseminada e o sentimento de “superioridade” de um modelo de vida (americano, alemão, sueco...), e, portanto, nossa semelhança com essa “ciência” e essa normatização, se justifica tudo por um “ele era louco” ou “era contra o ideal de justiça judaico” (Robert Wistrich – “A marca registrada da vocação singular do povo judeu no conjunto das nações da Terra”.)

No SP TV, entrevistam o presidente do metrô (depois da lavada da série de Record sobre o tema) e perguntam por que o metrô do México tem 200 km e o nosso 60, se começaram na mesma época. “Aqui não tem dinheiro federal” – reponde. E fim de papo.

Ah, tá, o Lula deu 2 bilhões pro rodoanel e não quer o metrô? Capacidade de 3 milhões para 19 milhões de habitantes tem alguma explicação? Com 63% do PIB nacional? Fora o caso de que nas creches, por exemplo, o Estado deixa de solicitar a verba federal disponível, um caos. (Não fica parecendo que quem não tem carro não merece o gasto?)
Sem contar a chamada do Jornal Nacional: “Nova forma de calcular a miséria no Brasil”. O Jornal da Band deu: “Governo cria programa para tirar 16 milhões de brasileiros da pobreza extrema”.