sábado, outubro 30, 2010
Teu nome era criança
Não podes passar aqui
As boas coisas da vida
Nao são para ti
Mas e se houvesse cavernas
e a verdade estivesse no mapa
se houvesse camadas
nessa tal realidade
o segurança te expulsa
menino com caixa suja
o pensamento de Fausto
em que lhe ajuda?
Teu nome era criança
mas foges do perigo
da lógica enlatada
e um poeta sabe que nada
Acaba com o infinito
Afonso Jr. Lima
sexta-feira, outubro 29, 2010
Como eu fiquei nessa situação?
Onde está o inferno, o veneno, a chama?
Olha, eu vim do interior, que lá a coisa tá feia.
Não existe o inferno e por isso também não há a paz
Passar fome na capital é outra coisa!
A alucinação é o pão nosso, eu derramei-me
Eu tenho dormido embaixo da entrada da Assembléia, não dizem que é a casa do povo?
O inverno o conforto
O guardinha sempre deixa eu ficar ali.
O barco bêbado
Devo dormir antes do último jornal
É um vão de verde onde canta o riacho
Descia rios impossíveis
Dormir não que o que a gente faz é ficar abraçando as coisinhas da gente
Não me sentia mais guiado
Daí de dia a gente fica nas Bibliotecas dormindo em cima de Machado
Muita gente diz que dá sono mesmo os peles-vermelhas
Lhes tomaram por alvo
Ah, quando eu vim pra cá eu tinha emprego sim
Pregando-os nus aos postes coloridos.
Eu era auxiliar de serviços gerais numa escola. Eu dormia lá.
Eu era inconsciente de todas as cargas levando
Ai a diretora me chamou disse: “temos de cortar custossss”.
“Custossssss!” Era eu!
O trigo flamengo ou o algodão inglês
Quando meus guias acabaram seu tumulto
Os rios me deixaram ir aonde eu queria
Que fosse gente, eu pensei, descobri que era
No burburinho furioso das marés
Nada
Aí comecei a viver nas ruas, eu e minha mochila. Eu corria!
Eu, o outro inverno, mais surdo que os cérebros de crianças,
Ah, de noite vem aquelas vans, e dão massa em copinho de caixa de leite.
E as penínsulas sem amarras outro inverno
Ou é massa ou é sopa! Argh! Será que aquilo é limpo?
Não tiveram clamores um dia
Eu levei a mão - e uma dona disse
Você? Mas você tem olho azul!
Aí eu: olho azul não enche barriga dona
Verde de fome gente rica é burra?
É um vão de verde onde canta o riacho
Como a gente toma banho?
Perdido, um buraco onde os raios caem
Ah, tem uma fábrica que domingo fica só com o segurança
Como sorri no sono um menino
Ele deixa a gente encher três baldes de água e a gente toma banho de calção na calçada
Dorme na relva a mão no peito
De calçããããão! Que nem no Big Brother
No lado direito
Sexo? É difícil... é mais companheirismo, a gente se dá a mão, essas coisas.
Dois furos no peito.
Afonso Jr. Lima/ Rambô
quinta-feira, outubro 28, 2010
Nova York e Leipizig são exploradas em romance juvenil
Rosana Rios e Regina Drummond autografam lançamento no dia 28
Aqueles que adoram conhecer outras cidades, ouvir novos sons e apreciar belas artes têm encontro marcado no lançamento de dois títulos que acabam de chegar às livrarias pela Editora FTD. Marcelo descobre a Alemanha, de Regina Drummond e Uma canção em Nova York, de Rosana Rios estreiam a coleção Intercâmbio que remete a uma verdadeira troca de culturas e novas experiências.
No dia 28 de outubro, as autoras que já tem diversos livros publicados, autografam seus lançamentos na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista. A proposta da coleção é trazer para o leitor a grande diversidade que as experiências de intercâmbio proporcionam.
Em Marcelo descobre a Alemanha, Regina Drummond revela através do olhar do protagonista que viaja ao país para ficar durante um ano, aspectos históricos e culturais da Alemanha, em especial da cidade de Leipizig. O Muro de Berlim, a Segunda Guerra Mundial, a Baviera, a vida e a obra de Goethe formam cenários deste livro.
Os sons das ruas de Nova York são o pano de fundo de Uma canção em Nova York de Rosana Rios. Marcada pelo suspense – característico da obra da autora –, a narração traz a multiplicidade da vida numa das maiores cidades do mundo, habitada por personagens vindos de diferentes partes do planeta.
O lançamento acontece às 18h30 da próxima quinta-feira, dia 28 na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, nº 509.
sábado, outubro 23, 2010
O título pode ser perigoso: seria uma brincadeira de meninos ricos sobre Alice, pop inside joke, vamos ser loucos, vamos ser velhos?
A coisa mais difícil, hoje, é ser surpreendido. Arte é ousadia, mas como ousar se vivemos uma tirania das normas: sexo, beleza, O Sucesso? Idéias, marcas, política global. Para sermos aceitos temos de ser corretos: gestos, livros, excesso.
Somos a sociedade exausta de novidades, e carente, enquanto a outra parte está suja e têm o estômago em coro. Já vi tanta coisa que é chata, não tem rebeldia, é só rebelde de novo. Não: cenário vintage, figurino lindo, Broadway, italianos burlescos, no momento da Itália suvenir.
O gesto, que estabelece, divide, sonha, nasce de uma postura, de um tema fundamental, jogo de atores ancestrais e externos, um interesse ético-(sim)político. Um nada-sei, que desperta o desejar, que alimenta de imagens o fio que sustenta tudo invisível.
Então, como os dadaístas eram birutas, parece fácil ser artista. Acabaram os critérios.
Contestação segundo o manual, inovação para inovar, atualidade européia, a favela de Pixinguinha, favela enlatada.
Viciados em adrenalina, vítimas, gozadores profissionais. Tudo o que poderia causar choque foi ocultado: pobre rico, pensar junto, pessoas gordas, distribuição, vida cotidiana. O contexto. Por isso somos chatos, não estamos em lugar nenhum, tudo é igual a tudo. A exploração foi excluída, nosso discurso morre. Bairros, países, massas inteiras sumiram do mundo.
Se meu filho atrapalha meu trabalho, perco o filho: existo quando me respondem. O processo é mais ou menos esse, como na família onde um filho morto cria uma sombra: se é selva, cada um por si, se temos de fazer parte à força da minoria dos privilegiados, se não podemos ver o todo, prever, participar e ter esperança, essa sombra gera angústia que nos aprisiona no mesmo, na incomunicação, no julgamento, o que mata a renovação. A vingança do morto.
E o coelho? Nonsense sem perder a cabeça. Porque Lewis Carroll (calma, ele não aparece!) só existe se tudo for lógico.
Sim, a sociedade do entretenimento da informação, zorra total (o mal é ser exclusivo), onde New York é mais próxima que M´boi, estereótipos, onde a clínica psicanalítica fala de sombras, espectros, todos são de outro planeta, sem chão, sem “raiz e fibra”, um Orlando rolando por aí.
Fernanda Camargo e sua trupe de inova-tores (Tomás Decina, Pedro Cameron e Carolina Bianchi, um gênio da comédia-dark), consegue rir de si mesma, falar da vida de plástico, colocar a arma na boca da personagem, levantar a plaquinha de aplauso, pensar.
Não é fácil.
Afonso Jr.quinta-feira, outubro 21, 2010
Pode? - do Conversa Afiada...
Governo Kassab tenta expulsar mendigos jogando água fria nos colchões
“Brasília Confidencial” via Azenha:
Na contramão das políticas de inclusão lançadas pelo presidente Lula em todo o país, em São Paulo os governos de José Serra (PSDB) e de Gilberto Kassab (DEM) se tornam, a cada dia, mais excludentes.
Além de frequentes cortes de gastos com programas sociais, particularmente na capital paulista a Prefeitura tornou rotineiro um tratamento cruel aos miseráveis, inclusive com o uso de jatos de água fria sobre colchões e papelões que homens, mulheres e crianças juntam para para vender e usam para dormir.
Um levantamento de Brasília Confidencial mostra que até marcas da propaganda nacional do Governo Serra, como os programas Renda Cidadã e Ação Jovem, foram reduzidos em todo o estado.
Na contramão das políticas de inclusão lançadas pelo presidente Lula em todo o país, em São Paulo os governos de José Serra (PSDB) e de Gilberto Kassab (DEM) se tornam, a cada dia, mais excludentes.
Além de frequentes cortes de gastos com programas sociais, particularmente na capital paulista a Prefeitura tornou rotineiro um tratamento cruel aos miseráveis, inclusive com o uso de jatos de água fria sobre colchões e papelões que homens, mulheres e crianças juntam para para vender e usam para dormir.
Um levantamento de Brasília Confidencial mostra que até marcas da propaganda nacional do Governo Serra, como os programas Renda Cidadã e Ação Jovem, foram reduzidos em todo o estado.
O Movimento Nacional da População de Rua estima que o número de moradores nas ruas da cidade de São Paulo aumentou de 12.000, em 2005, para 20.000, em 2010. Quase dobrou, portanto, em cinco anos. Ao mesmo tempo, o número de vagas nos albergues diminuiu.
De 2008 para cá o Governo Kassab desativou dois albergues que tinham 700 vagas mas chegavam a reunir mil moradores de rua. Outras 485 vagas serão canceladas neste ano. Nos três anos anteriores, incluído o governo municipal de José Serra, 350 vagas foram eliminadas.
EXPULSÃO
Os mendigos superlotam os viadutos do Centro da capital, de onde Serra tentou primeiro e o Governo Kassab tenta agora expulsá-los à força de jatos de água jogados pelos caminhões da Prefeitura nos colchões e nas caixas de papelão que recolhem para vender e onde dormem.
A intenção de Kassab é afastar os mendigos para a periferia, longe das vistas dos eleitores das classes média e alta. Nos últimos dias, no entanto, os mendigos têm se espalhado por áreas nobres da capital irritando os moradores desses tradicionais redutos de votos tucanos.
A Prefeitura de São Paulo informa que ainda pretende encerrar, neste ano, os serviços de mais dois albergues, com quase 500 vagas, porque estariam em condições inadequadas. E garante que procura outros imóveis para instalar albergues.
Não há, no entanto, nenhuma previsão de instalações nem previsões orçamentárias para os sem teto paulistanos. O que o Governo Kassab tem feito, além de aplicar o método cruel de afastar os mendigos, é instalar algumas tendas com banheiros químicos que não funcionam à noite.
http://www.conversaafiada.com.br/antigo/?p=27340
quarta-feira, outubro 20, 2010
segunda-feira, setembro 20, 2010
Pois é, eu saio da minha casa, ando pelo centro à noite, espero uns 30 minutos e vou ao teatro ver “Roberto Zucco”. Vocês já ouviram falar daquele texto que em 10 min te entediou?
("Não se trata somente do dramaturgo francês contemporâneo mais encenado no mundo: trata-se de um escritor completamente singular. (...)Passados mais de dez anos de sua morte, ele aparece como um clássico contemporâneo." Fica difícil saber se é a filosofia ou a montagem...
http://www.opalco.com.br/foco.cfm?persona=autores&controle=7 )
Salvam duas grandes atrizes, a irmã e a madame francesa robótica e um irmão brabo bom. E a movimentação da arquibancada, bom. Faz algum sentido incesto e virgindade hoje? Bordel com boá, menina com laço, cara branca, bobs no cabelo... Tem cadeira de interrogatório, momento Lady Macbeth louca, videozinho, briguinha, monólogo sobre a vida...
Ontem assisti a uma entrevista do Boni e ele falou da falta de “conteúdo” na TV brasileira, que era preciso trazer “gente de fora” (como ele fez com Dias Gomes, etc.), que estejam perto do comum e do cotidiano. Grande verdade: em um Brasil cheio de moradores de rua (vi um caído com sangue e moscas na esquina hoje), 1 milhão de dependentes de crack, uma classe média zumbizada que não vê sentido na vida, vestir roupa de Nelson Rodrigues cansa.
E levanta a pergunta: por quê? Para ser “artista”? (A Boa Companhia, em contrapartida, arrasa mesmo quando o enredo não é tão bom, como em “Portela, patrão; Mário motorista”. “Tão bom”, mas bom, com começo meio e fim e um trabalho de corpo e interpretação que o valoriza. Uma reflexão sobre a exploração e a violência da vítima que “denuncia” sem chatear).
O mero acúmulo de palavras e cenas aleatórias lembra o jornalismo de “agenda” de que fala Boni, que repete o mesmo e não investiga nada. No fundo reflete uma falta de critérios, um “vale tudo” moral, onde a arte é neutra como um canal que não pode ofender ninguém.
(Duas cenas exemplares: no Fala Brasil, da Record, logo após noticiar que uma mulher foi baleada na cabeça, a repórter aparece rindo para a próxima notícia; hoje, novamente, após falar sobre um pedófilo que vivia com uma menina de 11 anos, aparece toda contente para falar de um periquito). Esterilização mesmo da violência nossa, interna, pois o ser humano já seria um perigo suficiente se algo nos alojasse no corpo. Pinter e Sarah Kane aí, dando sopa...
Sorte que uma irmã incestuosa (que dá o texto com toda a sutileza possível neste texto) e uma dondoca parisiense cômica, histérica e sorridente, uma cena legal ou outra (o banco da praça, um musical melodramático, movimentos de uma multidão solitária, etc.), mas já no fim e que não levam a um crescendo de inquietação, salvam o que poderia ser uma didática geral do “oh, o mundo sem amor.” Para que?
Roberto Zucco - Espaço dos Satyros Um. Praça Franklin Roosevelt, 214, telefone 3258-6345. 6ª e sáb., 21h30; dom., 18h30. R$ 30. Até dezembro.
Quando nossa mãe nos teve, sabe, foi há muito tempo, muito tempo, nós passávamos o dia todo com fome esperando papai chegar com a caça, havia mato na época, e a gente comia aquela comida e mamãe lambia a panela, ela ficava sem. E minha avó, ela nos contava, ela colocava uma pedra na panela e ficava brincando de roda com eles, pra distrair da fome. Bebiam a água e iam dormir para não lembrar.
O sono é o melhor amigo dos que sofrem. Daí meu pai veio da Bahia, pro interior, sabia ler e sabia escrever, teve poucas aulas de letras, e os irmãos foram ajudando, o resto fez por conta própria. Quando começou a trabalhar aqui, fez um curso e formou-se na quarta série, pode pagar o aluguel. Minha mãe teve cinco filhos: um morreu dois dias depois de nascido. O terceiro filho morreu com 12 meses com alguma coisa parecida com catapora. O quinto, o médico deu medicação errada, também morreu. Minha mãe sofreu muito. Aí eu tive meus filhos. Com eles grandes a empresa disse que ia dispensar os funcionários. Meu marido desempregado. Um tio disse para nós irmos para São Paulo. Minha irmã disse que pagava quando chegássemos lá, mas o homem do caminhão não aceitou. Meu sogro deu um cheque sem fundo. Viemos eu na frente com o motorista e eles sentados atrás, com uma lona preta, só paramos duas vezes para tomarmos água.
Chegamos na casa, só tínhamos café, não tínhamos nem açúcar. Lembrei de minha avó, sopa de pedra. Minha mãe, sofrida, enterrando os filhos. Lembrei de uma mulher que vi no hospital, quando meu marido adoeceu: ela pegou um lanche sujo debaixo de uma maca que um menino jogara fora.
Pensei que eu tinha sorte. A vida não é apenas o que deveria ser é como nós somos mais do que fomos. Por sorte meu marido achou umas moedas no armário. Passamos assim até que minha irmã chegou. Meu marido estava muito nervoso, eu disse: vamos vencer. No outro dia fui procurar emprego. Hoje meus filhos estão formados, sempre ensinei não pegar nada dos outros, e compramos uma casinha, somos felizes.
Afonso Jr. Ferreira de Lima
quinta-feira, agosto 26, 2010
Anteontem, assistindo "A Liga" vi uma síntese dos problemas que a TV pode apresentar.
O "Rafinha" é aquela flor que foi capaz de falar que "macaco..." (fazendo o Hélio de la Peña se zangar) e dos 10% de tudo que o Cristian Pior ia levar, levando uma bronca pública. Não é sua culpa: nosso olhar é cego, nosso realismo bebeu do delírio modernista e ficou vendo sem ver.
Não éo caso, claro,mas eu conheço aquela (minha) classe média gaúcha capaz de ser ainda patriarcal, provinciana e modernosa (vista Nike, seja radical!) por que vê apenas um pedaço. O mais impressionante é que ele não é um zero-instrumento do capitalismo (como um Mainard) e parecia bem simpático: o que mostra mais ainda a face do "medo" e do "impacto-que-vende-torna-se verdade".
[Isolados do vale tudo da megalópole, vivendo apenas entre três etnias, sem a circulação de classe de onde todos vendem e todos compram, com ar aristocrático de “quem roubou o meu queijo”, a elite gaúcha vive no século XIX. É uma elite que ainda pode simplesmente desprezar os “pobres”, enquanto aqui é preciso dar algumas migalhas... (15 estações de metrô em 16 anos). Não é a toa que temos um símbolo de monopólio de comunicação e ser artista é estar lá.
São várias piadinhas de "veado" no CQC. Ainda tem graça... (“É um povo mais aberto”, quando a Argentina liberou o casamento gay. Quem tem meio neurônio ri culpado. Bem, que tal fazer piada de judeu?)]
A TV tem de falar rápido: saber o que já sabemos.
Bem,a reportagem reduziu o centro de São Paulo a "ambulantes, viciados, imigrantes e sexo",como sintetiza o apresentador ao final do programa! Uma imagem distante das lojas e uma mulher na parada de ônibus com a pergunta "você se sente segura aqui?" é tudo que se tem a dizer e a mostrar do lugar onde caravanas vem do Brasil todo para ver exposições de arte e comprar suas roupas de boutique! Se andasse uma quadra daria no Franz Café, meia, no Plaza Luz e duas no Bellapan, o pão de café que saiu an Ana Maria Braga, Estadão e ruma à Veja!
Onde está o Sujinho, o Teatro de Arena (onde uma viatura de polícia estava fazendo a segurança na última peça que vi), a Oficina Oswald de Andrade e A Rota, a Fatec, etc. etc?
Será que nosso artista nunca foi ver Harold Pinter na Roosevelt? Será que a feira onde circulam centenas de pessoas (um amigo estrangeiro é que me apresentou), onde já levei diversas caravanas de turistas sem ter problemas pode ser reduzida aos dois malandros que ele apresenta? A mulher responde o que qualquer um em qualquer lugar responderia: falta segurança. (Mesmo na República, à noite, há uma viatura da polícia!) Mas uma amiga foi assaltada na Paulista, né?
Em um mundo de política cínica onde a exclusão começa pela "degradação" da imagem, pois o que não produz pode ser esquecido, e onde a TV tem esse papel formador, não valeria apena mostrar as velhinhas fazendo caminhada na Luz,os universitários na rua Direita, a Ópera do Municipal e a bela nova Mario de Andrade, excelentes restaurantes, como o Nutrissom, e a UNG do Shopping Light?
O estereótipo significa mostrar o que eu penso: é assim que "a elite" foge e a distância se reafirma. Para invadirmos o Iraque, primeiro eles tem de ser "fanáticos" que tratam suas mulheres mal. Para excluir toda uma população,primeiro eles tem de ser "excluídos". Um "favelado" é incorrigível, né, diferente da gente... Quando Ele, Mr. Comunicador, chegou na cidade, alguém disse: “Hei, olha o Centro...” E o Centro se fez.
Coisa diferente seria mostrar que, apesar do esquecimento da Prefeitura, da luz insuficiente, policiamento fraco em ALGUNS PONTOS e não atendimento aos dependentes do Crack, sim, o Centro vive (muito!) e faz parte da cidade.
quinta-feira, julho 22, 2010
O Brasil está estarrecido com o crime. Nossa primeira reação é descrever os suspeitos como psicopatas, mas aonde isso vai nos levar?
Onde se aprende a tirar os obstáculos do caminho com violência? O diálogo existe para a maioria da população?
Há, apesar de tudo, muito o que pensar. Por exemplo, viu-se que o pai poderia ser um pedófilo. Muita gente do meio psi me conta que isso é muito mais comum do que se imagina, ainda mais entre as classes desfavorecidas, onde, barbaramente, serve até mesmo de “sustento” da família.
O ocultamento de corpos é prática comum entre os criminosos organizados. Até mesmo o número de óbitos acabou baixando.
“Quem nunca saiu na mão com uma mulher?” – disse Bruno. Será que as mulheres ainda são vistas como objeto, são espancadas, são submetidas a um machismo grosseiro? Um grupo de professores que visitou o nordeste voltou chocado com os abusos dos pais, abusos sexuais, espancamentos, etc. “O mesmo machismo da favela em São Paulo”, disse-me uma amiga. Isso nos lembra do “Puta!” na universidade e da própria dizendo que a aluna era culpada.
É inevitável pensar sobre o fato de que existem grupos de extermínio, alguns ligados à polícia. Muitas mortes podem simplesmente não ter atraído a mídia. Volto a relatar o que disse uma moça que trabalha com a UNESCO: a imprensa tem medo de enviar repórteres à “periferia”, o que torna a violência invisível.
Ainda há a questão das meninas que foram adormecidas pelo sonho de sucesso, representado pelas modelos e celebridades (até do futebol). “Tem jogador que liga dos Estados Unidos, sabe que você já saiu com vários, e quer negar, é complicado!”
Um dos amigos conta que ele e o goleiro passavam fome e comiam pipoca na parada de ônibus – até ganhar 200 mil Reais por mês. Será que criamos uma sociedade de excluídos, que vende a ilusão de que o luxo é o sentido da vida, e, portanto, exclui da humanidade ricos e pobres? Jovens adolescentes estupram uma menina, e seus parentes, donos de uma rede de TV, dão a lição: não serão julgados pelo público. Nada pode explicar a maldade, mas é possível olhar o campo fértil que a fez germinar.
A polícia também parece estar acusando e condenando – é sociedade do espetáculo? Uma semana depois a TV repetia infiniatamente o já sabido: notícia ou delícia (sádica)?
Como a polícia não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo, é preciso a cooperação, o consentimento, o que só se alcança com a distribuição da felicidade. A pena não basta para criar a ordem, é preciso valer a pena. A opressão e a injustiça levam os homens à idolatria da força.
Benjamin achava que um pedaço da realidade espelha o todo. É interessante se transformarmos o horror em análise. Uma sociedade onde a lei é para a minoria ensina que sempre é possível resolver “no braço”. Um governador responde a um jornalista que o questiona sobre os pedágios: “Seu discurso é apenas o discurso do PT”. Onde o diálogo? “Resolvam o problema” - é uma frase que poderia estar na boca de muitos senhores feudais econômicos e políticos.
quinta-feira, julho 15, 2010
Pedro Lima
Economista da UFRJ
FHC, o farol, o sociólogo, entende tanto de Sociologia quanto o
governador de São Paulo, José Serra, entende de economia.
Lula, que “não entende de sociologia”, levou 32 milhões de miseráveis e
pobres à condição de consumidores; e que também não entende de
economia; pagou as contas de FHC, zerou a dívida com o FMI, faz a economia crescer em ritmo chinês (2010) e ainda empresta algum aos ricos.
Lula, o analfabeto, que “não entende de educação”, criou mais
escolas e universidades que seus antecessores juntos. Foram 14
universidades públicas e estendeu mais de 40 campi (FHC não criou nenhuma em 8 anos), e ainda criou o PRÓ-UNI, que leva o filho do pobre à universidade [meio
milhão de bolsa para pobres].
Lula, que “não entende de finanças nem de contas públicas”, elevou
o salário mínimo de 64 para mais de 291 dólares [valores de
janeiro de 2010], e não quebrou a previdência como queria FHC.
Lula, que “não entende de psicologia”, levantou o moral da nação que vai sediar a Copa de 2014 e a Olimpíadas de 2016, e disse que o Brasil está melhor que o mundo. Embora o PIG (Partido da Imprensa Golpista), que entende de tudo, diga que não.
Lula, que “não entende de engenharia, nem de mecânica, nem de
nada”, reabilitou o Proálcool, acreditou no biodiesel e levou o
país à liderança mundial de combustíveis renováveis [maior
programa de energia alternativa ao petróleo do planeta].
Lula, que “não entende de política”, mudou os paradigmas mundiais
e colocou o Brasil na liderança dos países emergentes, passou a
ser respeitado e enterrou o G-8 [criou o G-20].
Lula, que “não entende de política externa nem de conciliação”,
pois foi sindicalista brucutu; mandou às favas a ALCA, olhou
para os parceiros do sul, especialmente para os vizinhos da
América Latina, onde exerce liderança absoluta sem ser
imperialista. Tem fácil trânsito junto a Chaves, Fidel, Obama,
Evo, etc.
Lula, que “não entende de mulher nem de negro”, colocou o primeiro
negro no Supremo (desmoralizado por brancos) uma mulher no cargo
de primeira ministra, e que pode, inclusive, fazê-la sua sucessora.
Lula, que “não entende de etiqueta”, sentou ao lado da rainha (a
convite dela) e afrontou nossa fidalguia branca de lentes azuis.
Lula, que “não entende de desenvolvimento”, nunca ouviu falar de
Keynes, criou o PAC; antes mesmo que o mundo inteiro dissesse
que é hora de o Estado investir; e hoje o PAC é um amortecedor
da crise.
Lula, que “não entende de crise”, mandou baixar o IPI e levou a
indústria automobilística a bater recorde no trimestre [como
também na linha branca de eletrodomésticos]. “É só uma marolinha”, disse ele. Ninguém acreditou, mas ele estava certo.
Lula, que “não entende de português nem de outra língua”, tem
fluência entre os líderes mundiais; é respeitado e citado entre
as pessoas mais poderosas e influentes no mundo atual [o melhor
do mundo para o Le Monde, Times, News Week, Financial Times, The Independent e
outros...].
Lula, que “não entende nada de sindicato”, pois era apenas um
agitador;.. é amigo do tal John Sweeny [presidente da AFL-CIO -
American Federation Labor-Central Industrial Congres - a central
de trabalhadores dos Estados Unidos, que lá sim, é única...]e
entra na Casa Branca com credencial de negociador e fala direto
com o Tio Sam lá, nos "States".
Lula, que “não entende de geografia”, é ator da [maior] mudança geopolítica das Américas [na história]. Lula, que “não entende nada de diplomacia internacional”, pois
nunca estará preparado, age com sabedoria em todas as frentes e
se torna interlocutor universal.
Lula, que “não entende nada de história”, pois é apenas um locutor
de bravatas; faz história e será lembrado por um grande legado,
dentro e fora do Brasil. (Menos pelo PIG, é claro)
Lula, que “não entende nada de conflitos armados nem de guerra”,
pois é um pacifista ingênuo, já é cotado pelos palestinos para
dialogar com Israel.
Lula, que “não entende nada de nada”... é bem melhor que todos os outros...!
quarta-feira, julho 07, 2010
Abrindo livros, voando por ai, organizando e juntando. Sempre achei que a função de um professor é despertar o desejo dos alunos, porque a intelectualidade enquanto acúmulo pode decair em arrogância sem o sopro da vida.
(Afinal, o que conta, é achar seu próprio desejo, quem sabe, diria Lacan, porque - ai de nós, que não podemos viver dentro das linhas e vivemos - tudo nos interessa e todos os livros formam uma só escrita que luta contra a indiferença e o preconceito).
Claro, ele faz parte daquele povo riquíssimo cujo tesouro ostenta como Livro (era o que os imigrantes do séc. XIX tinham na mala, porque não vieram acorrentados). Mas há ainda mais (como os 49 significados de uma palavra da Torat: há a essência da comunicação, que é a tribo, o olhar, a fratria pelo diálogo.
E ele sai por aí, distribuindo livros (foi pra ele esse refrão) e cantando as maravilhas de se ter um irmão. E é por isso que a gente tem esperança, porque ele vê o que não vemos, e sabe nos contar. (Frei Rovílio Costa, de Porto Alegre, foi outro desses chefes de tribo que erguem Templos à Palavra, criando vínculos onde, por exemplo, a cidade do meu pai, Bom Jesus, perdida no tempo, reviveu). Então, amigo, quando tivermos passado, os herdeiros herdarão a terra, uma semente planta a outra. E está feita a humanidade.
Saramago
É muito emocionante para mim ver o amor do povo português pelo seu poeta, que mudou de ilha. Na biblioteca converso com a funcionária que diz não ser grande fã de Saramago, e eu digo que também não sou um apaixonado, mas penso que ele me ensinou a pensar em termos de cores e sensações, numa nuvem vermelha que corre sem cessar.
Eu só conseguia ver um céu alaranjado e roxo enquanto um Anjo dourado convidava Maria para entrar. (Só li dois livros dele, porque só temos 100 anos, e dá um livro por minuto). Eu digo que admiro sua figura combativa, sempre ao lado dos pobres, sempre não-crente. Pergunto se ela viu o filme, ela diz que não, que os estupros do livro já foram de bom tamanho.
“Mas, infelizmente, essa foi a história da mulher” eu digo, “ele retrata um mundo primitivo onde vale tudo” e, dizendo isso, entendo: “Ou seja, ele fala de hoje”. Penso que deu um choque geral, mostrando um animal que come carne, no mundo congelado do burguês novo milênio, anestesiado com maravilhas luminosas e a velocidade irrefreável da ambição.
Onde o conhecimento se solidifica em castelos auto-referentes. Sempre achei que nas portas dos banheiros estão as verdades escondidas, onde a capa de elegância não pode segurar o fascismo reinante, e é lá que as encontro. (Na faculdade, pensei em escrever um ensaio sobre a quantidade de números de telefone entre homens, porque macho que é macho se esconde).
“Sou paulistano e paulista, mas digo que os nordestinos são mais inteligentes”, escreve alguém. “Senão não teríamos ótimos porteiros e manobristas, o proletariado que nos serve!” – responde outro mais revolucionário. “Podem ser inteligente (sic), mas são tosco (sic)”- responde outro. Ai está um mundo onde o desqualificar vem antes do dominar, porque a base do imperialismo é a incompreensão. Então, eu compreendo Saramago.
Quero meu dada particular
um anjo descendo a escada
o que eu tenho é uma canção
maluca, o mundo, complicado
é simples, sim, um arco-íris
e mil luzes de se perder
o africano em mim tem tambores
o mongol quer cavalos no infinito
um sorriso, um abraço, o limite
caminharmos nessas florestas
ou dizermos que tudo é uma fraude
Pode ser que eu corra na chuva
Pode ser que tenhamos um filho
Que aprandamos a perdorar
Que você me faça inquieto
e eu durma em seus braços
um colapso, uma rosa, os campos todos do mundo
Eu sou do coral da savana
Falo em nome de Buda
Sou a selva de ouro
com beijos e abelhas
Sou o vitoriano corpo que treme
Vejamos as estrelas antigas
Na capa do gaúcho, deitados no úmido verde
Não sei começar e nem perder
E você pode dizer: isso é seu
Agora está feito
Meu coração não sabe como
Você vai ser seu dono
Afonso Jr. Lima
quarta-feira, junho 23, 2010
Haverá mortos nas ruas
Mortos ou não
(São os dispensáveis
no mundo da informação)
E todos pensarão que é
Ainda o mais belo dia
Mal saberemos seu nome
Os pobres serão presos
A boca dos criadores
E a fala bruta da morte
Haverá alegria e risadas
E a pedra-paz do mais forte
De uma boa dose de sonho
(um sonho sem som, nem cores)
Sonhar que alguns são
Melhores
Os mortos pedem suas valas abertas
Uma dominação injusta
Não pode ser eterna
Os homens que se governam?
A selva cresceu lá fora
(homem-cabeça de caixa,
500 anos para fabricar)
Voltaram os castelos
sala vermelha com escultura
Cidade em mil pedaços, vaidade
Como pode o surrealismo
Transformar a sociedade?
Franco por muito pouco
A velha miserável mija na rua
Herdeiros de Nero louco
(mas depois)
São os novos senhores da terra
Fecham as portas a seus pais
Que eram gente como essa
serão felizes os homens
Que precisam repetir
(as coisas como estão
são horrores que virão)
Não haverá Lorca ou aurora
Seremos atores
Todos os poetas serão arautos
dos tempos passados
daqueles que morreram
(mas em grega, branca glória)
Insulto será falar
dos dias que vivemos
Mas nada do que estão vendo
A dor e opressão do mundo
Alegremente esqueceram
Aqueles da torre dourada
(saberes sem contexto)
encantados no espelho
e o mundo desfeito em nada
Que ninguém pense diferente
Há nova ordem e progresso
No banquete da Serpente
(Faremos nossa opção)
A rua será silenciosa
Não haverá amores - desses doloridos
Porque não há vida sem contradição -
Todos que discordarem
Serão, assim, malfeitores
Haverá dor e noites com medo
Mas não haverá um sonho
De um dia sem segredos
sexta-feira, junho 18, 2010
sexta-feira, abril 30, 2010
O Serra rindo pode ser uma capa histórica de "maquiagem". Alguma vez algo representou tão bem a "realidade paralela" da "opinião pública" privada?
Então...
Mais um amigo conta que foi "expulso" do metrô da Linha Vermelha pela quantidade de gente que entrou, fazendo-o sair pela outra porta. No Encontro dos Grupos de Teatro Latino-Americanos, no Centro Cultural São Paulo, os grupos falam do desmanche da lei de fomento (que patrocina 30 dos 400 grupos da cidade), assim como demais medidas repressoras contra professores, periferia, a própria polícia!
Como já foi dito:
"Acompanhamos com preocupação por causa da violência da polícia, é um desrespeito com as pessoas. A periferia de São Paulo hoje está sitiada, qualquer coisa é motivo para a polícia entrar e matar as pessoas"
(Antonio Maffezoli Leite- coordenador auxiliar do Núcleo Especial de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado de São Paulo)
Temos ainda a propaganda descarada da Globo na campanha do Serra-FHC-2, sua transformação em TV do Partido. Como comentou P.H.A.:
“Deve ser uma retribuição ao agasalhamento do terreno que a Globo invadiu por 11 anos e o Serra transformou numa escola técnica para formar profissionais para a Globo. Uma mão lava a outra. E cada vez 'mais !”.
Ou seja, repressão da comunicação, de um lado e repressão da população, de outro.
Dentro desse contexto proto-fascista, vemos a Veja anunciar-criar uma Era Pós-presidente-mais-influente-do-mundo-pela-Time. (Ou seja, nem os liberais mais originais se equivalem ao nosso P.I.G)
Seria mais realista falarmos de uma Era Pós-Veja, pelo menos isso já aconteceu.
Era uma vez a Veja como informação e jornalismo (sem falar na transformação em jornalismo do "não-veja" . E, precisamos ficar atentos para evitar que a visão seja perdida por completo, retornando ao fascismo: pós-veja, seria então o tempo sombrio do consenso!)
Como coloca Nassif (agora processado!):
foi o que ocorreu com a revista Veja.
Gradativamente,
o maior semanário brasileiro foi se transformando em
um pasquim sem compromisso com o jornalismo,
recorrendo a ataques desqualificadores
contra quem atravessasse seu caminho,
envolvendo-se em guerras comerciais
e aceitando que suas páginas e sites abrigassem
matérias e colunas do mais puro esgoto jornalístico".
Assim fica como clássico o testemunho de um filho admirando o pai indignado, que cancelou sua assinatura:
Antes, havia criticado fortemente um artigo de Reinaldo Azevedo publicado na Revista, em que Azevedo falava atrocidades sobre Paulo Freire: “meu filho, veja que besteira esse homem está dizendo sobre Paulo Freire”.
Hoje, ele operou uma mudança nesta realidade tão acostumada à perpetuação do estabelecido. Hoje, para o mundo, como em todos os dias da minha vida para mim, meu pai é um herói".
quinta-feira, abril 01, 2010
O pastor pelo menos não nasceu na elite. Enquanto Serra beija a esposa em outro jornal...
terça-feira, março 30, 2010

Sim, Justiça!
Benjamin, ao que parece, achava que em qualquer ponto da superestrutura aparecia a infra. Não muda nada no Brasil, mas é catarse geral. Só sei que foram 152 milhões de votos, como se todo brasileiro tivesse estado ali! ("Votei mais de 3.000 vezes para o Dourado vencer", diz Déborah Secco. No piada.)
Diante da nossa insegurança pós-moderna por identidade, do amor dos brasileiros por pessoas, do poder de expansão da TV, etc., sim é um fato. E também (o oposto também, Aristóteles fez o princípio de não-contradição porque nunca esteve aqui) o talvez país mais "pobrefóbico" do mundo acha que ignorância é feio... depois de tanta escola e faculdade!
Na véspera se leu:
"O participante que tem uma suástica tatuada no braço e levanta da mesa quando o assunto é sexo gay está na final". (Patrícia Kogut, comentando alguns fãs doidões. Ainda a velha história da suástica, ai que sono... coisa de "teen" só para poder dizer: tem mais de 3 mil anos!)
Pois é... Dourado vendeu, ufa! O cara que era o malvado e ia sair já-já (frase besta do Mc, ele já teve a chance, ssss....)
O choro de 1 milhão de Reais, como com Bam-Bam. O protagonista, sempre nos disseram, é aquele que muda...
Apesar do ódio que despertou e de seus polêmicos e micos dizeres (tipo hétero não pega AIDS e "pessoas normais", se referindo aos (não) gays), ele mostrou carisma conquistando pelo menos a Máfia Dourada, que dizem ser mais de 100 mil seguidores dispostos a votar noite e dia...
O mais importante: não agrediu ninguém (depois da transformação), não implicou (é, acontece né Dc) com quem lhe deu a mão.
(Minha segunda favorita era a Lia, histérica, mas percebia bem o jogo. Aliás, ela salvou Dourado. O lance mais fenomenal que eu já vi no BBB foi quando ela sacou a Tss, votou nela chorando e tirou a vilão no Ato 1. Cadu conquistou o Brasil, bom, bonito e leal, mas não se expôs tanto... talvez, por isso só ganhou 11% dos votos).
Esta edição foi uma das mais chatas pelo merchan exagerado
(Folha: "A rede fez mais de 60 merchandisings durante os 78 dias de confinamento, média que supera uma ação a cada dois dias, e teve 25 anunciantes. ")
, em cada prova, em cada escolha e causou um certo incômodo quando parecia anunciar todo mundo pela profissão: o advogado, a doutora (em quê, gritaria?), a dentista...
(Nossa doutora, francamente... texte de QE pra entrar!)
Mas a seleção provou ser bem feita, pela diversidade: excluídos os excluídos, os "feios", selecionados os homens-mulheres-objeto, tudo deu certo.
Depois de tanta gente falando em processo, vamos aos símbolos.
A bruxa malvada dessa edição ficou até difícil de escolher, mas... Tss é campeã. Ela sup-er-a. Prefiro a ignorância autântica de Dourado (posso rir dele...) que o politicamente correto-falso de uma Tss. "Na fotinha" sempre. (Né? A explosão da publicidade seja-eu e a falta de igualdade apareceram na TV!)
Pareceu-me o símbolo de (muita gente de) uma geração acostumada com a aparência como essência: parece que usou mecanismos suspeitos para ter 120 mil seguidores, só pensava em jogar, fez sexo para ficar na casa... Talvez represente muito de um jovem criado com a idéia de que "tudo é poder".
Mc, o príncipe, fez papel de bobo e depois conseguiu virar o jogo quebrando o que parecia uma Liga da Justiça, o lado do "bem". Aqui, outra lição de RP: faça cara de alface, sorria e forme conspiração. (Fica até a dúvida se não teria manipulado os instintos de Rossé, para tirá-lo do Lado A).
Sg era mesmo bobo, Dc era fofoqueiro (que decepção! por que logo o gay nóis- na- fita, já-ganhou foi fazer o estereótipo da tia-velha - segundo foi chamado- o maldoso?), Ag era sim jogadora braba e quem explica?
E a sem-sal loira Fn era mesmo uma princesa que viraria sapo. Parece-me incrível que a "turma do bem" tenha ficado sem perceber sua "diferença": Sg se deixando levar pela sedução de Mc foi deprimente. Lia, Cadu e Dourado foram os únicos que mantiveram sua posição, vendo com clareza.
O que mais emocionou nesse BBB foi a inconstância das pessoas, seus dois lados. Aprendemos um monte sobre explosões emocionais e gente que não pensa em outra coisa. Cd pareceu que iria pegar o Sg a qualquer momento, até mesmo noticiaram outro gay na casa, e nada... nem com ninguém. Estranho.
(Ainda mais ele falando "que não se sentiu atraído por mulher alguma na casa, embora eleja a amiga Lia e a vice-campeã Fernanda como as mais belas do programa"- segundo a Folha).
Muitos gays saíram-se mal nesse jogo: achei desnecessária a coisa "nós perdemos" quando Dicesar saiu (merecidamente) e briga pelo twitter chamando El Douradon de homofóbico:
homofóbico é quem tem uma causa, não quem desconhece. (Leda Nagle, noTwitter: "Isto é ignorância não é homofobia")
Esse debate todo - com gente dizendo que ele é "lixo", gente prometendo sortear 50 mil para quem votasse contra, sites do exterior pedindo votação contra homofóbico, Gilberto Braga super-poli.cor falando "paraibazinho chinfrim" (sic) -
me deixou pensando que, na contemporaneidade, desfocamos as coisas com nossa pouca-muita-informação ("os nordestinos são pobres porque não querem trabalhar", ouvi esses dias...), vivemos tão fechados em blocos, guetos, apartamentos, que temos a ilusão de que os problemas sumiram (veja, na Paulista, tá tudo bem...) e não temos paciência/vontade com a ignorância, educar o diferente, com ampliar a ilustração. (Sim, Iluminismo, por favor!!!)
Afinal, educar pressupõe trabalho, busca... e, claro, criar um bode expiatório não vai ajudar.
(O gay elite assumido-faz-tempo pode mesmo levar um susto com o Brasil: vide -)
O Brasil amanhecerá igual: empresas superfaturam obras para financiar políticos, déficit de moradias em SP de 1, 5 milhão, aquela homofobia cultural que pretende tirar a Parada da Paulista porque "Jesus está no Campo de Marte"...
Mas eu sinto um sentimento de justiça. (Onde a injustiça, a certeza da própria superioridade da classe média, é nossa carne há 500 anos. São Paulo é o mega-show disso: muita diversão para a classe média, erudição transbordante, velhos famintos e crianças sujas pelas ruas...)
Um sujeito que não falou mal, não trocou de time, não ficou na moita, soube ver o jogo, ganhou. A leitora do Big Blog Anna acertou: "Eu aprovo a vitória! Ele é um homem com seus defeitos e qualidades como qualquer outro ser humano, a diferença é que ele não tentou ser o 'perfeitinho' para a sociedade..."
Semana passada vi tantas pessoas gritando "Justiça!", quando da condenação dos assasinos de Isabela. (UFA!!!!) Há no ar essa sede.
Quem sabe um dia...
segunda-feira, março 15, 2010
Pois é... Tái uma herança da mentalidade portuguesa colonial, a idéia "rico é rico, pobre é pobre", no local onde primeiro se firmou... Passando pelo Wikipédia, dou de cara com o surpreendente conteúdo:
"Apesar de ter a sexta maior economia do Brasil, com o PIB superior a 90 bilhões de reais, são quase sete mil reais de PIB per capita.
Isso gera o quadro em que a renda é mal distribuída, e se reflete no IDH: 0,742 em 2005, o nono pior do Brasil, equivalente ao IDH de 2005 do Sri Lanka, que é o 99º do mundo com 0,743.
Além do IDH, reflete também:
- na esperança de vida de 71,4 anos, 12º em 2005 no Brasil,
- na mortalidade infantil de 34,5 mortes em 2007-2008 a cada mil nascidos, 7º pior do Brasil, e
- no analfabetismo de 15% da população baiana, 8º pior do Brasil em 2006".
Pode?
sexta-feira, março 12, 2010
sábado, março 06, 2010
sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Ok... Sir Eljohn exagerou dizendo que Jesus era um gay caridoso... (Sabemos tão pouco dele...)
Mas quem explica isso, de um porta-voz da Igreja Anglicana:
"As reflexões de Elton John, de que Jesus nos convoca a amar e perdoar, são compartilhadas por todos os cristãos. Mas as reflexões a respeito de aspectos de Jesus como personagem histórico talvez devam ficar restritas aos acadêmicos".
http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL1497734-7084,00-JESUS+ERA+GAY+SUPERINTELIGENTE+DIZ+ELTON+JOHN+EM+ENTREVISTA.html
???
quarta-feira, fevereiro 17, 2010

McKing
Que trágico início de ano para a moda...
Um dos mais contextadores ícones (sim, com "x", no contexto) se foi...
Herói do cenário, gênio da referência (Plato´s Atlantis!) e libertador da forma de sua prisão de comércio...
Existiria Lady Gaga sem o ar London-crash criado por ele?
Não se trata apenas da inovação, mas de um olhar certeiro. Existe Prada e Armany, mas ninguém tem 40 anos e essa liberdade tão grande para ser punk.
(Galliano também inovou,

mas nem sempre achei que estava correto, nem sempre soube se era fausto necessário, close puro, arte surreal total sem compromisso... Não entrei no seu jogo sempre, que me parecia bizarro, bobo ou sem ca(b)imento.
Bocas gigantes, pulseras hard com laços de plástico preto, tranças Star-Wars, vestidos bordados tão vitorianos como um sonho, o sapato com duas solas (uma delas grossa criando uma plataforma-monstro), o sapato Badromance vindo direto do espaço...
O desfile cambaleante, meia-luz, de modelos zumbis e carregadas da P/V-2004 reflete um clima angustiado da "Guerra do Iraque" onde toda a razão parece duvidar-se (onde as armas? o motivo?).
Ou seja, sua vanguarda tinha conteúdo, pesquisa, recriação (nascido e criado em Savile Row; essa precisão que aparece em tudo, em respeitar o clássico, principalmente).
Assim como Oasis e (a eterna) Viviane Westwood, fica claro que os Brit estão na vanguarda nos anos 90/00 por saber olhar para o passado. Há algo de aristocrático da Velha Inglaterra no que ele faz. E é isso que estamos buscando: um pouco de externalidade da pasteurização universal.

É a arte quando alguém interpreta seu mundo: todas essas estampas de cobra levam-nos direto para a natureza (seus homens com cabeça de cobra são futuristas e uma espécie de homem-bicho, afinal).
[Encontro agora uma entrevista legal:
"Não há melhor designer no mundo do que (a natureza) - [ele diz, no Rio de Janeiro]. A natureza sempre me fascinou. Como hoje quando cheguei ao Rio e vi uma borboleta de asas transparentes como o vidro, nas quais as linhas pareciam ter sido pintadas. É por isso que viajo: para ver o novo".]
http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL1486887-7084,00-EM+VISITA+AO+RIO+ALEXANDER+MCQUEEN+SO+QUERIA+SABER+DE+PENAS+E+DE+CAIR+NA+NO.html
Num mundo onde perdemos tanto o contato com nosso corpo a ponto de se ler que 64% dos britânicos adultos com filhos admitiram estar sempre "muito cansados" para brincar com as crianças e 52% não tem energia para levar o cachorro para passear.
Para Sarah Dauncey, diretora da Nutfield Health:
"Comida pronta, controles remotos e até compras pela internet estão contribuindo para uma Grã-Bretanha preguiçosa e ociosa. A nação caiu em um ciclo vicioso de preguiça que precisamos interromper."
http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/2009/08/090810_lazyness_britain_mv.shtml
A cara feia na saída do enterro de sua descobridora Isabella Blow mostra mais raiva que tristeza, talvez seja apenas um gesto a mais de defesa-agressão contra a injusta -porque certa- perda de quem nos ama.
McQueen soube traçar o belo com um olhar dark. São poucos os criadores que sempre acertam.
Quando o passado e o futuro não dizem nada
Ainda há Alexander McQueen
Um pobre garoto, um menino violento
E nós o amamaos com todo o mal de nosso coração
Há algo de gótico no mundo
Há algo tech, escuro
Uma mulher nua, com penas, metalizada
Ainda há gente por ai
Há uma guerra no céu
Alexander vestirá Miguel.
PS: MJ
Não dá a impressão, no "We are the World" Again, que estava no ar reviver o mito e aproveitar o tsunami MJ? Tanta gente nova e boa para cantar que não ficou na história? Sei lá...
sexta-feira, janeiro 29, 2010
A história nossa, tem outras coisas mais: esse mesmo ex-operário foi constrangido pelo dono de um jornal com a pergunta: "o que vem estudando nos últimos 20 anos?" Poderia ser apenas uma pergunta, o que se espera de alguém que comanda um jornal plural, crítico, etc...
Flashback:
"Tempos da campanha de 2002, a direção da Folha convida Lula para um almoço nas belas dependências da empresa. Anfitrião, Octavio Frias de Oliveira. O filho, Otavinho, diretor da redação, chega atrasado. E mal toma assento, pergunta ao hóspede algo em torno da sua falta de diploma. Cabe ser primeiro mandatário do Brasil a quem carece de estudo? Não será exagerada, descabida, ousada além da conta, a sua pretensão?
A implicância fermenta, o convidado ergue-se e se retira, com passadas de metalúrgico. Pai Octavio, que conhece as regras de cortesia, segue apressadamente, constrangido, tenta levar o candidato ofendido de volta à mesa. É tarde, Lula está no elevador, e se vai."
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=361ASP008
Diz o jornalista:
"- Até lembrei que o ex-presidente americano Abraham Lincoln também foi um autodidata e que isso funcionou com ele. Na primeira vez em que fiz a pergunta, Lula disse que não iria responder porque achava a pergunta preconceituosa. Achei estranho ele não responder, porque, afinal, eu queria saber como o candidato que pode vir a governar 170 milhões de brasileiros está se preparando, o que vem estudando nos últimos 20 anos."
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/asp310720021.htm
Interessante como diploma vale menos que ouvido...
segunda-feira, janeiro 25, 2010
Apesar da chuva, do trânsito e das pessoas na rua, essa ainda é uma linda, criativa e muderna cidade!
E a chuva que não para? Dizem que o aquecimento global (vulgo: Apocalipse) fez as chuvas irem para a Amazônia beber vapor antes de cair aqui!
Limitem os carros e melhorem os coletivos! Socuerro!
***
Lady Gaga realmente... Em geral eu sou resistente às novidades pop e pensei mesmo que seria uma nova Briney Produzida Spears... Não! Ela fez em Bad Romance uma síntese que engloba mãos de monstro do MJ, cultura pop de vampiros, o glamour do tech, a lição mude-o-tempo-todo de Madonna, o deboche das drags... Ela é uma drag hétero, afinal.
(Claro que Video Phone foi um erro: Lady B vestindo um quadro de Picasso P&B e Lady Gaga magrela com maiô branco não são propriamente contribuições ao repertório das duas... E que ideia foi aquela de efeito-Pokemon no treme-treme das cenas? Arminha de plástico colorida não é sempre uma boa. Eu, pessoalmente, sempre penso se a gostosona da Beyoncé precisaria tanta bund-ance.)
Reflexo de um mundo rude, suas crueldades irônicas refletem sim nossa refeição diária de meninos na rua, tiros e sangue.
E, além disso tudo, ela canta!
Nossa :
Salve a inovação!
***
BBB chega à 10 edição. É a prova de que os seres humanos precisam de modelos e perscrutar as camadas estranhas da nossa coisa-ser. (Por outro lado, tendo de ver um artigo bem chocante, percebo que a IC pode nos comer inteiros, nos chupar para a realidade paralela. Exclusivo é lixo).
Bem, dito isso: um dos personagenagens mais dramáticos me parece Marcelo Dourado. Ele entreou agressivo (em parte explica-se nossa herança cultural gaúcha: falamos na lata, somos mais quietos, desconfiados, etc.)
O que me chocou foi a edição feita pela Globo da sua cena de choro. Na web ele pareceu o Bam-Bam e talvez não queiram dar a ele já o troféu. Na tela era um bobo.
Mais um exemplo de que vivemos o "realismo editado"...
(Só o Casoy não edita...)
PS: A tal Lena (Elenita, eu acho) é a prova científica que doutores podem ter 15 anos.
PS2: Essas provas de resistência, como ficar levantando e sentando em uma casa de madeira, deveriam ser consideradas tortura.
segunda-feira, novembro 16, 2009

Sim. O Lula investiu 90 milhões em 2008 e 100 milhões em 2009/10 em bibliotecas, enquanto em 2002/30 foram investidos meros 7 milhões, sim, por aquele professor.
Este dado, fornecido por Fabiano dos Santos, da Diretoria do Livro e Leitura do Minc, foi uma das ações importantes debatidas durante o II Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias e o II Fórum Prazeres da Leitura, patrocinado pela Poiesis e pelo governo do Estado.
Justamente o secretário da cultura João Sayad gerou desconforto com suas colocações: os curadores de exposições seriam responsáveis por gastos com "mostras", enquanto o bom mesmo seria exibir o acervo dos museus.
Concordo que há alguns exageros, principalmente quando o "novo" não cabe no sentido didático para o público leigo, mas... será? Não é chato, sempre o mesmo? O curador seleciona um olhar, propõe uma narrativa.
Já, segundo o secretário, as Bibliotecas deveriam entrar na cultura "competitiva do século XX", tipo "jogo de futebol" (?), expor bem na frente Paulo Coelho e, quem sabe, a Playboy (?), e, mais atrás, Guimarães Rosa.
A platéia resmunga. Sim, deve haver alguma lógica. Tem que haver...
"Por que ler ao invés de ver um DVD"?
Sejam quais forem as vantagens de acessos múltiplos (é um absurdo, por exemplo a insistência da escola em fazer jovens de 18 anos ler apenas romances do século XIX, quando há tanta coisa leve e curta do Séc. XX!), soou maaaal.
Professora Lucia Santaella encantou o público explanando sobre as diferenças entre o leitor interiorizado do Renascimento, o leitor desatento da cidade, e o leitor implodido do Kindle. (O mestre de cerimônia, José Goldfarb, avisa que ela já foi twittada :)
Foram apresentados os lindos projetos da cidade de Medelín, do Ecofuturo, entre eles a criação de Bibliotecas Comunitárias, o ônibus Biblioteca do Município (que existe desde 1936, Mario de Andrade: vá em busca de seu público) , o Barganha Book de São Carlos, feira de trocas, (sem medo de "fazer o bom por causa do otimo") e o Instituto Pró-Livro, com sua visão ampla e o interesse que despertou pelo Brasil em sua curta existência.
O que mais me impressionou mesmo foi o trabalho do Programa Nacional do Livro e Leitura, que, como se disse, não criou praticamente nada (o que pode até ser bom nesse vai e vem de governos e ações), mas articulou, incentivou e deu resultado.
E é fácil começar obras de impacto:
a Biblioteca da Escola Municipal Maria de Lourdes Gonzaga, recebeu em 2008 os 6.000,00 que precisava para "Ter em mãos uma quantidade aproximada de 5.000 livros para a efetivação da primeira biblioteca escolar".
Como tudo no Brasil o mais incrível é o básico: um senhor nordestino contou-me que o Lula é um herói no rio São Francisco, pois colocou barcos a vapor por lá!
Moacyr Scliar fechou a noite com seu otimismo imbatível, dizendo que provavelmente ganhou o Jabuti porque souberam que ele ia falar para "pessoas tão importantes", contando de seu amor-tormento pelos livros e lembrando que o Brasil melhorou muito: "Nunca se falou tanto em livros! Não posso aceitar 1/3 dos convites que recebo para encontros sobre o livro!"
Todos nós saímos acreditando que ainda vale a pena guardar e trocar ideias.
nem quer puxar o saco...
Dona Canô vai pedir desculpas a Lula após Caetano chamá-lo de analfabeto
"Vou me desculpar e dizer que, pelo que conheço de Caetano, sei que ele não quis ofender o presidente. Não é possível que ele chamasse Lula de analfabeto, aliás, ele nem teria o direito de falar assim. Ele é apenas um cantor", afirmou".
http://noticias.uol.com.br/politica/2009/11/16/ult5773u2980.jhtm
quinta-feira, novembro 12, 2009
Apagar a verdade?
Em 2006, Alberto Dines escreveu sobre uma suposta "Onda antimídia" que estaria atormentando os jornalistas com mensagens críticas, certamente "enviadas por militantes petistas".
"Esta onda antimídia está ganhando proporções de verdadeiro linchamento... rancor jamais visto entre nós. Na quinta-feira (2/10), na Folha de S.Paulo, a colunista de política Eliane Cantanhêde denunciou a avalanche de e-mails ofensivos e ameaçadores que atulha a caixa postal de jornalistas e de veículos.
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=405JDB021
Bem, eu não sou militante petista, mas não é difícil pensar que D. Eliane tem algum problema com Lula. Será que é o fato de ele ser o Brasil “verdade inconveniente”?
(Vide William Waak dizendo, como bem resumiu alguém no twitter, que o Brasil "não presta"...)
http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=20834
É que a grande mídia se distanciou do cidadão comum, a ponto de uma representante da Unesco confessar em palestra que os grandes jornais não enviam mais jornalistas à periferia por medo. Ou seja, trabalham em casa, no seu bairro...
Abaixo uma notícia bem feita, de Claudia Andrade, sobre o apagão, no UOL online que, como o G1, consegue superar a versão televisiva e "oficial" do grupo: informa o motivo; não tenta usar fatos para insinuar nada; aceita dados informados.
Vale a pena ser citada, pois demonstra imparcialidade cada mais rara. Comparemos com a Folha mesma abaixo:
***
Raios e ventos na região de Itaberá (SP) causaram apagão no país, diz ministro
Claudia Andrade*
Do UOL Notícias
A reunião realizada no fim da tarde de hoje reuniu mais de 40 pessoas, integrantes de órgãos ligados ao Ministério de Minas e Energia. "Todos chegaram à conclusão que foram descargas atmosféricas, ventos e chuvas muito fortes na região de Itaberá (SP).
Houve uma concentração desses fenômenos atmosféricos ali. O que provocou um curto circuito nos 3 circuitos que levam a Itaberá, que vêm de Itaipu", disse Lobão. Nenhuma medida emergencial para evitar que o problema se repita ficou estabelecida. Ele classificou o fato de "ocorrência raríssima".
"Vejam que temos três linhas. Se caísse uma, as duas atuariam fortemente, caindo duas, a terceira sustentaria o sistema, não conseguiu sustentar, tão forte foi a incidência dos raios ali ocorridos", disse Lobão durante a entrevista no começo da noite.
De acordo com Zimmerman, nenhuma medida emergencial foi adotada porque a ocorrência foi considerada excepcional. Ele afirmou, contudo, que o encontro realizado hoje resultará em um relatório com propostas de melhorias no sistema.
Questionado se não haveria nada a ser feito para evitar um novo apagão em curto tempo, o ministro recorreu mais uma vez ao histórico de investimentos. "Há o que fazer fortalecendo o sistema. Isso nós fizemos. O sistema está fortalecido. Eu disse que temos três circuitos, não um, não dois", afirmou.
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/11/11/ult5772u6082.jhtm
***
Dito isto, voltemos à Folha, nas manchetes:
MP abre investigação sobre apagão
Governo culpa "fenômenos climáticos" por apagão
Usina de Itaipu levou oito horas para voltar a funcionar após apagão
... É que, nesse caso, as linhas que levam energia para o país vizinho são de responsabilidade da paraguaia Ande (Administración Nacional de Eletricidad) e não de Furnas.
Isso foi usado pela direção da hidrelétrica para reforçar que o apagão não teve origem em Itaipu. "Em 15 minutos [após o início do apagão], o sistema paraguaio já estava sendo suprido por Itaipu, o que reforça o fato de que a causa do defeito foi externa", disse a direção, em comunicado oficial.
***
Escuridão na luz - Sérgio Malbergier (com destaque no site)
....
A teoria do raio de Bauru, obviamente, nunca foi comprovada. Procurado, São Pedro não retornou as ligações da Redação. Nossos dirigentes não estão interessados em dar satisfação aos cidadãos-eleitores, mas em nos enrolar para que possam seguir tocando seus negócios como sempre.
***
Vale lembrar do apagão FHC, este sim, por falta de investimentos:
"A crise ocorreu por falta de planejamento e ausência de investimentos em geração e distribuição de energia, e foi agravada pelas poucas chuvas. Com a escassez de chuva, o nível de água dos reservatórios das hidroelétricas baixou e os brasileiros foram obrigados a racionar energia [2].
Após toda uma década sem investimentos na geração e distribuição de energia elétrica no Brasil, um racionamento de energia foi elaborado às pressas, na passagem de 2000 para 2001".
Só para lembrar, FHC recentemente pretendeu comparar seu governo ao de Lula, causando constrangimento aos tucanos:
"Como destacaram, em 1997, Cid Benjamim e Ricardo Bueno, no "Dossiê da Vale do Rio Doce", "o Brasil levou 54 anos para construir e amadurecer esse gigantesco complexo produtivo. O governo FHC pretende vendê-lo, recebendo no leilão uma quantia que corresponderá, mais ou menos a um mês de juros da dívida interna". Em maio daquele ano, a Vale foi vendida pelo governo federal por R$ 3,3 bilhões. Em 2007, seu valor de mercado estava em torno de R$103 bilhões."
Então, jornalismo de laptop: alguém se lembra da entrevista de Itamar de Souza – um dos integrantes do MST que esteve acampado em Brasília em agosto? Pois é, só na Agência Brasil.
“Somos responsáveis por 95% da produtividade [daquilo que chega à mesa do brasileiro]. No entanto o dinheiro destinado para pequenos e médios produtores é de apenas R$ 15 bilhões, enquanto o dos grandes [produtores], que plantam principalmente para o mercado externo, é de R$ 45 bilhões. É preciso reverter esse quadro”, afirmou.
Agora a Folha fala que apenas menos da metade do orçamento para a energia foi utilizado, em 2009. Mas onde está o contexto?
Lá no meio se lê, bem depois do impacto da manchete, só para assinantes:
A Eletrobrás prevê que, até o fim de ano, executará de 70% a 80% do orçamento. Segundo a estatal, a execução depende de fatores como "procedimentos legais e ambientais que necessitam ser cumpridos".
Onde estão os dados sobre o investimento do PAC? Será que mídia agora é só a defesa de um ponto de vista privado?


