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terça-feira, julho 14, 2020

Thera na Cidade Mágica

Thera olhava as cachoeiras com nostalgia. Quando seu dom foi descoberto, e teve de mudar de gênero, viera a este lugar receber treinamento.
Ela vira o Mago Morienus transfigurado em uma batalha contra um demônio no alto de um rochedo. A lenda dizia que ele fora capaz de criar vida.
Ele lhe ensinara a reavivar o Archeus dos seres para que pudessem separar o nutritivo e o inútil.

Agora, precisava reunir um exército daquelas que tinham o dom, precisava encontrar uma forma de desfazer o encanto que colocara os camponeses do lado do Alafim. Andren corria perigo.
Thera nascera como menino, mas agora celebrava os ritos como mulher. O povo a reverenciava, mas os seguidores do Alafim se referiam a elas, de modo pejorativo, como "hermafroditas".

O encantamento fizera com que muitas pessoas se deixassem seduzir por uma falsa rebelião e passassem a atacar suas irmãs.
Os seres humanos erram, ela pensava, mas era importante fortalecer a Obra interna, o Mithan, a capacidade de se indignar pelas coisas certas. Ela pensou que também tinha fraquezas.
Diz a lenda que Morienus havia recebido um livro misterioso numa peregrinação a um antigo templo depois que sua primeira esposa morrera. Durante anos tentara traduzir os símbolos inutilmente.
Um dia, teve uma visão com Dân, o deus dos mar bravio, e este lhe ensinou a decifrar os símbolos.
Thera caminhou em direção à Cidade Mágica e comunicou-se com as sacerdotisas.

Afonso Lima

quinta-feira, maio 16, 2019

AS TRÊS ÖBIS - romance (trecho) 2


(...) 
Chegaram a uma alta porta feita de cristal. Ao redor da porta, duas colunas de água giravam subindo até o céu. 


A porta se abriu. Após um lindo piso de mármore branco, abrira-se uma espécie de vale verdejante, com imensas árvores arredondadas de folhas tripartidas, amarelas, e altos ‘pinheiros de sangue” com o tronco torcido e rubro. Lagos, cascatas e riachos adornavam toda a paisagem. Mas a paisagem não era apenas de pedras, árvores e água. Flutuando no ar haviam placas de cristal e madeira, que elevadas no ar, formavam lindas casas e ambientes de trabalho. Também algumas dessas placas flutuavam no ar e montavam caminhos e escadas a medida que o povo caminhava. De repente, algumas casas mudavam suas paredes e reordenavam os cômodos de acordo com a necessidade. Além disso, algumas casas abriam suas paredes (sempre haviam muitas janelas e varandas lindas), e seus moradores dormiam olhando a natureza. 

Há medida que Andren, Perseu e Topos caminhavam, as placas iam se movendo e lhes conduzindo a um local ignorado. 

- Aqui o povo é poderoso, apesar de ser um tipo humano. Controlam quase tudo com a telepatia.

(continua...)

Afonso Junior Ferreira de Lima

Porto Alegre, 2005

domingo, abril 01, 2018

AS TRÊS ÖBIS - romance (trecho)


AS TRÊS ÖBIS

PARTE PRIMEIRA

Os ratos brancos tinham usado todo o Mithan mental que lhes restava para erguer uma muralha de pedras altas ao redor de sua cidade. Mas agora, os guardas , o Demônio e as valquírias avançavam.
Os ratos sentiam forte dor de cabeça (usavam uma rede de fios negros sobre o corpo, com uma cabeça raspada de onde saíam três tranças negras), causada pelas ondas de vibração maléfica desses seres. 
Os guardas, que costumavam pintar com sangue seus corpos com desenhos de dragões e usavam uma tira de couro negro na boca, para representar sua obediência ao Alafim, e usavam a cabeça raspada, de onde saíam, na altura da nuca, amplos cabelos vermelhos. Neles, prendiam ossos de dedos de animais, os guardas erguiam agora com sua força mental enormes árvores milenares do solo, incendiavam-nas e as arremessavam contra a muralha.
As valquírias, armadas de chicotes venenosos, esqueletos humanos da cintura para cima, que acabavam no pescoço, e asas de morcego, acabadas por uma cabeça formada por um cérebro vermelho, e vasos sanguíneos, que usavam na cintura cintos de serpentes, iam agora próximas às muralhas, montadas em seus cavalos alados, para levar terror aos seres frágeis que as podiam observar, e colhiam os seres vivos que rastejavam na terra, para os arremessarem do céu.
O demônio branco de três cabeças, abria a terra com o movimento de sua cauda, e estremecia a terra com seus gritos.


(continua...) 

https://afonsojunior.blogspot.com/2019/05/as-tres-obis-romance-trecho.html

Afonso Junior Ferreira de Lima

Porto Alegre, 2005