Páginas

Mostrando postagens com marcador Peça curta. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Peça curta. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, abril 27, 2020

Het Achterhuis - peça 2012

Het Achterhuis -

Cenário – uma sala de interrogatório em um quartel.
Personagens –
H – um homem
General
Testemunha
A
B
Soldado
Maria (viva e como fantasma)

(maiores de 18 anos) 


quarta-feira, abril 22, 2020

Elisabeth - peça 2007

A morte se aproxima. “Quando para as sessões do doce silencioso pensamento/ concentro-me em recordações de coisas passadas”...

sexta-feira, outubro 25, 2019

Cinzas

Ela tem um olhar estranho, sem pupilas, seus gritos são os de uma besta ferida. Caminha pelo bosque atrás da casa.

Você precisa superar isso. Eu.

Então eu grito, eu acordo. Imediatamente me lembro dele.

O soldado.

Estávamos naquela casa. Fugimos. Os outros foram pegos.

Papai.

Eu ouço seus passos. Aquele dia, o sol na sala, ele lia Kant e disse: "Não sabemos nada sobre o real".

Eu fui criada assim. Poemas e livros.

Ele também tinha medo, um zumbido. A lógica da guerra não permite dúvidas.

Uma besta ferida. Fui ferida. Meus ossos você nunca verá.

Eu deixo cair o véu. Eu aprendi com você.

Não sou humana. Circulo na vasta região de pessoas sem importância. Eu sou um monstro.

Eu ouço na rádio que você, digo, que o corpo foi encontrado. Spray. Sequestro.

Você diz que eu te ensinei.

Eles se alimentam de sangue. Disseram que tinham jogado suas cinzas no mar.

Vá com elas. Siga na rua. Estamos juntas.

*
Afonso Junior Ferreira de Lima



domingo, julho 14, 2019

Sobre os dias que virão (2017)

Radiação em Fukushima; Lisboa, 1755; Tchernóbil, 1986.


"O Alto, o Meio, a Base.

A Aurora, o Meio-dia, a Escuridão.

A Imaginação, O Corpo, o Outro Mundo".
Sobre os dias que virão (2017)


quinta-feira, abril 25, 2019

GaYoos

Um corpo foi encontrado.                                                                                                                                  
Tenho de ir visitá-lo no hospital. recolhido na rua, sangrando, pata emendada, corte profundo, antibiótótico. 
No jardim da casa, gritos na noite. 
Dormindo em círculo, saudade do irmão. 
Nunca procurei o pote grande para água no jardim. Depois que fugiu pelo portão aberto. Quem abriu? 
Irmã se vai, pula, quer comida, come pouco. 
Agora aqui, lembro do outro. 
Mãos dadas, um tubo de soro na sua pata. 

Por que escolhi como trabalho olhar tudo face à face? 
               *
A -  "Ele está morto? Ele morreu?" - eu disse. Eu decido sair daquele lugar. Por que fui parar naquele lugar?
B - Um jardim com uma casa branca. Os pássaros na rua.
A - EU TRABALHO DEMAIS, EU NÃO PERCEBO QUE TENHO UM CORPO. Eu estou longe de mim.
B - Aquele animal, preso na casa. Preso dentro do vidro. Aquele animal tem sede.
A - Eu corro pela rua, as árvores estão cheias de flores. Eu esqueci algo. Eu esqueci de voltar.
B - A culpa é minha.
A - Eu estava exausto.
B - Eu devia ter procurado mais.
A - Eu pensei, amanhã resolvo isso.
B - Por que não imaginei que lá fora, quem sabe...
A - Frágil, frágil, frágil.
B - Frágil, frágil, frágil.
A - Frágil, frágil, frágil. 
B - Eu enterro o animal no jardim. Vou embora.
#
Uma maldição - ela disse. Veja essa carta. Eles iam te matar, mas eles são nossos protetores, essa é sua missão. 
#
eu penso em nós mesmos como gatos, cercados de cães, não nos ajustamos, fazemos sexo com outros gatos, somos sujos, queremos ir no churrasco da família, mas eles pensam, são sujos, esses dentes brancos que só falam de filhos no exterior, de formaturas, de carros, de bebês
eu penso que meu pai não entenderia o que eu fazia naquela casa gótica, não entenderia que eles não podiam entrar na sala
eu penso - vermelho sem respirar penso que não entendeu e quase morreu do coração - mas uma mulher, esse é seu papel
eu preciso vestir certas roupas para ser respeitado, o primo diz, eu entendo, você já viu essa série, nem sei mais o que ele está falando.

#


Escrevendo o poema


No jardim

fincando as patas...
nunca cheguei a /entender-te

luz amarela diagonal
quando inicia /novembro
algumas flores em /cachos/ e o cinza

nós dormíamos abraçados

#
Eu te perdoo. Mas isso adinta pouco, porque estou morto.
Eu lembro de como nos conhecemos - como foi mesmo? Já lembro.
Eu fazia um círculo com meus irmãos Palas e Krisna - Palas Athena, Krisna, Odin: a nega, o malhado, o loro - e nos lambíamos numa orgia de carinhos. Eu sempre fui o galã da casa, com meus pelos longos, cada irmão com uma genética. Aristogato.
Lembro quando Palas Athena chegou. Ela não era muito heroica, uma cópia mais caramelho de mim, cabia na mão.
Uma semana depois, na rua escura, os gritos de Krisna. Atropelado aos dois meses. Ele parecia ter perdido metade da coxa. Você o limpou, injeção todo dia, e não é que os ossos se uniram e a coxa se regenerou? Krisna, gato-lagartixa.

E Palas esperou uma semana e depois entrou (coisinha miúda) entre você e o computador. Lutando pelo seu espaço de bebê.
Dentro do apartamento, eu sempre usava uma coleira, porque quando a janela se abria eu ficava à duas patas da verdaderia vista. Eu fazia bico.
Até que um alemão veio e acabou a escravidão. Era um ativista.
Eu te olhei com muito ódio naquela noite em que fiquei dentro da caixa de vidro. Você não entendeu.
Apesar disso passamos bons momentos juntos. Talvez, se existe isso de que nossa missão é morrer pelo nosso líder, eu seja o verdadeiro heroi.
Odin. #

metrô lotado
metrô lotado
metrô lotado
metrô lotado
metrô lotado
academia
sexo
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
dormir
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
dormir
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
dormir
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
aniversário/
casamento
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
aniversário/
casamento
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
roupas
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
casa
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
TV
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
trabalho
TV
mercado

mercado
mercado
mercado
mercado
mercado
livro
banho/cama
banho/cama
banho/
cama
banho/
cama
banho/cama
banho/cama
banho/
cama

                                                                                                                                                                                           
랴벼댜 2 ㅡㅑㅜㅕ샌 ㅡㅐㄱ새
Eu morri por 2 minutos.
Eu tive um ataque cardíaco. Estava no festival coreano, pintando seda.
Onde iriam meus livros? Meus gatos?
Não quero morrer de novo.

#

Agora aqui, lembro do outro. Foi bem na cirurgia.
                                                                                                                                                                                            Afonso Jr Lima

quinta-feira, outubro 11, 2018

Quem foi Paul Aussaresses?

Eu era recém formada em advocacia. Eu tive um caso com um político, ele se candidatou novamente, ele me dispensou, resolvi ameaçar, fui presa, resolveram me assustar. Me puseram nua, me ameaçaram com estupro, colocaram baratas no meu corpo, me afogaram.

Eu fugi do país.
Dez anos depois, comecei na França uma série de entrevistas para um livro.
Eles torturavam por informação.

[De lá, podíamos ouvir nitidamente os gritos, primeiro do interrogador e, depois, de Vladimir e ouvimos quando o interrogador pediu que lhe trouxessem a “pimentinha” e solicitou ajuda de uma equipe de torturadores. Alguém ligou o rádio, e os gritos de Vladimir se confundiam com o som do rádio…]
Comecei a ver casos de suicídio simulado, parecidos com o do Herzog.

[A segurança interna, integrada na segurança nacional, diz respeito às ameaças ou pressões antagônicas, de qualquer origem, forma ou natureza, que se manifestem ou produzam efeito no âmbito interno do país.]

Um general francês me conta de um Congresso em Buenos Aires, em 1961, sobre Guerra Contrarrevolucionária, com 15 países.

Manuais, instruções, treinamentos. Entrevistei um homem que se dizia "guerreiro da selva".
Eu fui até a selva.

[A guerra psicológica adversa é o emprego da propaganda, da contrapropaganda e de ações nos campos político, econômico, psicossocial e militar, com a finalidade de influenciar ou provocar opiniões, emoções, atitudes e comportamentos de grupos estrangeiros, inimigos, neutros ou amigos, contra a consecução dos objetivos nacionais.]

Eu falei com um sobrevivente.

"Eu vi um saco de cabeças. De subversivos".

[Sua morte ocorre no contexto da crescente atividade desenvolvida pelo comunismo no Brasil, com sua ação de infiltração e de proselitismo.

As chamadas “prisões em massa” constituem parte da técnica desenvolvida pelas organizações comunistas para neutralizar ou impedir a ação dos órgãos de segurança. Não há “prisões em massa”, e sim prisões legais, para identificar e aprofundar os dados disponíveis sobre a ação comunista.]
Me falaram de cursos. O coronel Paul - nascido no sul da França - tinha um cargo oficial.

Aussaresses deu formação aos militares nos EUA, entre 1961 a 1963, ensinava as técnicas de Argel.

[A sentença, proferida pelo juiz Márcio de Moraes, em 27 de outubro de 1978, em circunstâncias adversas, pois ainda não havia sido revogado o AI-5, concluiu que

-  a prisão de Vladimir foi ilegal, reconhecendo, então, que a União prende arbitrariamente;
-  Vladimir foi torturado e que, no do DOI/CODI, a tortura é método de investigação;
-  não tem qualquer valor o laudo pericial que atribuiu a morte de Vladimir a suicídio voluntário;
-  declarou a responsabilidade da União Federal, ao julgar inteiramente procedente a ação dos autores.]

Falaram sobre Eva. Paul havia dado um cartão a ela. Foi levado por Figueiredo a um porão. “Eva estava no chão, havia sido torturada. Depois de alguns dias, lhe disseram que ela não resistiu às torturas”.

[A guerra revolucionária é o conflito interno, geralmente inspirado em uma ideologia ou auxiliado do exterior, que visa à conquista subversiva do poder pelo controle progressivo da Nação.]

"Tudo que sabemos, aprendemos dos franceses. Paul treinou os brasileiros. Vários chilenos foram a Manaus aprender tortura com ele" - disse um general chileno. Uma matriz de pensamento para o planejamento: inimigo interno.

Eu mudei minha pesquisa.

Afonso Lima

domingo, setembro 09, 2018

Apagam-se as velas - peça curta - 2015

Apagam-se as velas - Afonso Junior Ferreira de Lima

Livremente inspirado na novela de Sándor Márai


Imaginação - peça curta - 2015

Imaginação - Afonso Junior Ferreira de Lima

do ensaio de Michel de Montaigne.


Chuva - peça curta - 2015

Chuva - Afonso Junior Ferreira de Lima

Oficina Oswald de Andrade - Jorge Palinhos, Pedro Marques e Sandra Pinheiro

Alcebíades - peça curta - 2015

Alcebíades - Afonso Junior Ferreira de Lima

Oficina com Marici Salomão, 2015

Cosmos - peça curta - 2014

Cosmos – Afonso Junior Ferreira de Lima 
Exercício da oficina Alberto Villareal, 2013.

 "Disse o presidente: Os fanáticos maconheiros reclamam da fumaça: 'A cidade está escura, é o progresso, ódio ao verde, ódio ao negro'. Morrerão 6 bilhões de pessoas, mas nossos descendentes herdarão a terra. Eles são pesados, nós somos pesados. Em tempos de guerra, é algo indestrutível. Salvem o planeta dos comunistas. Dentro das mentes, repetir o mantra. Muito importante. Propaganda, propaganda".
Ajr