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quinta-feira, julho 18, 2019

Para onde fugiram os sonhos

A cidade sem sonhos, as torres mortas e o céu cinzento. Ele lera no seu quarto sobre como a humanidade podia voltar atrás na evolução e conhecimentos terríveis poderiam sobreviver. Um menino morrera na rua ao lado. Ficara pálido e imóvel, não chegara vivo no hospital. Desenhara esse menino em seu caderno. Observava os céus à noite no terraço do prédio decrépito com sua luneta comprada num mercado de pulgas. Seu autor tinha uma fascinação por misticismos que eram também terríveis horrores.

*

Seu pai viajava pelos mares, vendia coisas, foi internado num hospício. Sonhava que uma sombra vinha lhe observar na sua cama. Sua mãe lhe dizia sempre que foram as prostitutas que mataram seu pai. "As putas polonesas judias". Seu avô lhe contava histórias apavorantes no seu castelo de cidade de interior. Da luta do rei medieval contra as incursões dos pagãos. De florestas com esqueletos e indivíduos organicamente inferiores que seriam criminosos inatos. "A grande cidade é cheia de parasitas judeus". Sempre ficava vermelho de raiva ao ver negros nas ruas, a quem chamava "semi-humanos". Lia nas revistas científicas sobre como o sol crescerá, engolirá a Terra e se tornará uma pequena estrela sombria. E a escuridão cairá sobre o cosmos. "Os verdadeiros monstros são invisíveis e estão no ar, desagregam os tecidos e se chamam Progresso". Ele tinha sonhos acordado nos quais via os monstros marinhos e as criaturas mais bizarras que imaginava terem levado seu pai à loucura. Caminhava pelos cemitérios e evitava falar com as pessoas na rua. O anonimato era algo assustador, já não respondiam a outro rosto, não eram humanos. 

*

A total penúria, seus anos de desejo sexual tendo passado e dado lugar a um desinteresse incomum, pequenas traduções que o alimentavam. Mal. As leis da natureza eram uma ilusão, o destino aniquilara seu lar, os deuses eram criaturas cruéis. Achou um livro que contava a história de um rapaz que lera sobre uma ordem secreta. O que vemos é resultado de dos delicados instrumentos psíquicos e mentais de cada individuo. Queria viajar no tempo, não no espaço. Um dia sentiu desprender-se de seu corpo. Nesse espaço, ficavam os sonhos abandonados. Seres mágicos e assustadores, monstros, homens perdidos que pesquisavam reinos estranhos e relações um dia familiares. Banquete no jardim do castelo de três muralhas. Cantavam nas noites lendas iraquianas, como aquela em que Alexandre, para construir sua cidade, porque destruíam à noite o que os operários faziam durante o dia monstros, teve de descer ao mar e enfrentar esses demônios com corpo humano e cabeça de feras. Carlos Magno traçava o curso das estrelas. O pensador lamentava com sua harpa a ausência de Deus. O filósofo comentou bebendo vinho que no seu tempo, a natureza tinha seus poderes, mas a nova fé a fizera triste e passiva.

*


Observa o céu, frias luzes como ilhas perdidas. E se, depois de muito tempo, o gelo brilhante e indiferente o tocasse? Ele sabia que no subsolo haviam horrores que podiam sair à superfície. Sobre a mesa, o livro com o melaficium de Conrado de Marburgo, Teosofia, e velhas edições de "Sob as luas de Marte". Pensa que as lendas antigas sobre mulheres capazes de voar haviam sido estudadas na luta contra Satanás. E se, de alguma forma, o mal se materializou, algo fosse criado da imensa ausência e do vazio? Acreditava agora que um portão se abriria, algo o acompahava há muito. Então, observando um ponto negro no espaço, entendeu que uma Outra Face o observava, e, sem palavras para dizê-lo, desenhou no seu caderno.


Afonso Junio Ferreira de Lima

domingo, março 17, 2019

Ficção na cabeça

Aquele bairro distante duas horas do centro, cercado pelo deserto.
Era o lugar perfeito para se escrever ficção científica, compraram um apartamento confortável.
Não percebiam.
Juan discutiu com a filha da dona do mercadinho, seu marido, Alan, ficou aborrecido.
- A eleição passa, nosso patrimônio fica.
Depois do resultado, ficaram deprimidos.
Mas Juan não esperava que a dona do mercado não quisesse vender para ele. "Não é bem-vindo aqui".
Seu instinto o avisou, mas estava pensando em eras futuras. A nave entrara pelo "olho cósmico", só para saber que amanhecera mil anos à frente.
Depois achou que o vizinho estava correndo para não lhe cumprimentar.
- Você está paranoico - disse Alan. Está com ficção científica na cabeça.
No supermercado, as pessoas pareciam não responder a ele.
A máquina quebrou por tanto tempo, que teve de desistir das compras.
- Tente comprar alguma coisa no bar da esquina, disse a Alan.
O dono disse que havia tido um problema e sua comida estava contaminada.
Começaram a fazer compras no centro, para descobrir que seu carro havia perdido gasolina por causa de um tanque furado.
Juan estava insone.
Todos pareciam observá-lo do alto dos prédios.
Ele nem podia acreditar no que estava acontecendo.
Aquele capítulo estava na sua cabeça, quando a policia lhe parou e o revistou. Pensou que seria preso.
- Vamos embora. Se você não for, eu vou.
Colocaram tudo no carro.
No outro dia, o carro foi encontrado abandonado ao lado da estrada.

Afonso Lima

quinta-feira, novembro 03, 2016

O outro Pascal

Pascal andava à cavalo perto do castelo. Haviam sido convidados pelo conde para a caça, mas ficava rapidamente entediado com o latido dos cães e os tiros contra as lebres. O sol se pondo perto do rio parecia muito mais promissor.
Mas ele se distraiu e o sol já estava vermelho e baixo demais quando percebeu que tinha de voltar.
Na penumbra, tentava lembrar o caminho. Logo notou que estava perdido e a lua já brilhava no céu.
Viu uma casa com fumaça saindo da chaminé e resolveu bater para perguntar o caminho.
Quando a porta se abriu, ele por pouco não deu um grito. O homem parecia muito consigo mesmo. Apenas tinha o cabelo mais loiro. Seria um parente distante? Perguntou pela estrada, o homem sorriu e disse que era comum os viajantes se perderem ali. .
- O senhor não é o matemático Pascal?
Ele teve de dizer que sim.
- Eu tenho lido sobre seu trabalho. Mas gostaria de lhe dar uma opinião, se não se importar. Sente-se, tome comigo um copo de vinho e depois eu mesmo o levo até a entrada do castelo.
O cientista não teve escolha e sentou-se ao lado da fogueira. Logo estava sentindo-se confortável numa poltrona fofa e com vinho nas veias. O outro trouxe uma caixa de metal de cima de um móvel.
- Eu criei uma máquina para calcular.
- Uma máquina?
- Sim. Ajuda nos cálculos mais avançados. Queria fazer as quatro operações, mas ainda não consegui construir. Quero que o senhor a leve e a mostre na corte. No futuro, os seres mecânicos podem vir a trabalhar pelos homens, e espero que isso prove o quanto somos diferentes deles.
- Uma máquina de calcular... É um autômato? Acho que desenhei algo assim quando era criança. Ouvi falar que os gregos tinham algo parecido.
- Com algumas engrenagens se consegue fazer a adição e subtração.
- Como funciona?
- São dois conjuntos de discos: um com introdução dos dados, outro que armazena os resultados.
Eles ficaram examinando o aparelho. O estranho disse:
- O senhor sabe, acho que nossa ciência caminha para o abismo. Tudo é razão e especulação. Mas o que significa a existência? Um homem que alucina, não vê como real o que ele acredita ser real? O ser é ser percebido.
- O senhor se refere à filosofia do senhor Descartes? - disse o cientista.
- Sim. Ele bem queria um mundo em que tudo fosse máquinas, inclusive o homem. Ele acha que os princípios são claros e distintos, mas na realidade são uma aposta, são confusos e obscuros. Ele criou uma seita de racionalistas. Não considera as limitações, a impossibilidade de percepção total.
Sentiu alguém observá-lo pelas costas.
Ao virar-se, viu a si próprio como cadáver azulado, com um verme caminhando pelo rosto.
Pascal sentiu-se tonto, sua visão escureceu e percebeu que ia desmaiar.
Quando acordou, estava ao lado de seu cavalo e a casa havia desaparecido.
Pouco depois, abandonou tudo e decidiu viver recluso no mosteiro de Port-Royal no qual tentou-se reviver a vida dos monges do deserto.

Afonso Lima


segunda-feira, outubro 31, 2016

K. e Y.

A imprensa teve o cuidado da chamá-las apenas de K. e Y. por se tratarem de adolescentes. Uma delas está em estado de paralisia e outra está morta. As duas jovens japonesas compraram o pacote para participar de uma Noite dos Mortos em um castelo em ruínas na Escócia. 
K. e Y. nunca foram alvo de bullying na escola, nunca relataram pressão dos pais no sentido de escolher carreiras ou melhorar o rendimento, não demonstravam excessivo receio em demonstrar emoção, nem zelo desmesurado em mostrar-se competente, nunca apresentaram isolamento ou mesmo sonolência nas aulas. O único fato estranho seria a fixação delas em comerem o lanche da escola dentro do banheiro. 
A viagem era uma espécie de acampamento de Halloween, no qual iriam ouvir histórias macabras, ver vultos fabricados e tomar sustos de aparições bizarras. Um gerente, uma turismóloga e um assistente eram os encarregados da organização do castelo, contando com cozinheiros, um operador, um técnico (invisíveis), dois atores e três músicos (mais próximos dos clientes). 
Segundo foi apurado pela polícia, na sexta-feira chegaram vindas de Londres com mais 30 garotas. Passearam pelos arredores do castelo sendo levadas por um ator vestido com as roupas tradicionais. 
Ao anoitecer, por volta das 16 horas, acendeu-se a grande fogueira e todos ouviram a primeira história. 
Era sobre o terremoto que ocorreu na cidade de Alepo depois da conquista bizantina. Mais da metade da população morreu e dizem que suas almas ficaram vagando entre as ruínas, tendo sido feitos rituais antigos para afastá-los. 
Tiveram o banquete com carne, frango, pernil, saladas e uma sopa forte, que algumas meninas relataram ter um gosto estranho. Ouviram velhas canções que narravam terrores de castelos. Caminharam por corredores escuros nos quais sombras pareciam gelar o ar. Duas ou três vezes gritaram por verem seres sobrenaturais surgirem do nada. 
Depois do jantar foi-lhes contada a história do dono do castelo, um juiz que ganhou título de nobreza depois de uma batalha sangrenta contra os ingleses. Ele sempre foi um homem rude, que debatia ferozmente questões teológicas e chegava a rezar em voz alta no meio de reuniões públicas. Com a idade, passou a ter alucinações e acabou restrito a um quarto do castelo, sendo cuidado pelo filho. Mas o filho casou, sua esposa engravidou, e ele decidiu ir viajar pelo continente para a mulher dar à luz em ambiente mais saudável. Dizem que seu fantasma nunca perdoou o filho por ter morrido sem sua presença. 
Nessa noite, muitas histórias foram contadas em frente a grande lareira do castelo, histórias de todas as partes do mundo. 
Uma delas dizia respeito a uma cidade de fronteira, que havia sido fundada pelos romanos, na qual os habitantes não celebravam a lemúria, festival dos mortos criado pelo fundador de Roma para apaziguar o espírito de seu irmão, que havia assassinado. Séculos depois, mulheres da cidade começaram a apresentar uma espécie de dança, na qual faziam gestos involuntários; as autoridades, assustadas, não sabiam como agir e pensaram que deviam incentivar o fenômeno com música, até que seis dias depois centenas de pessoas haviam morrido de exaustão. 
Foi servido um lanche da madrugada com carne fria e um chá forte. (Os organizadores dizem ter proibido qualquer tipo de bebida alcoólica, mas foram encontradas latinhas de cerveja nos quartos). 
Algumas meninas começavam a dormir pelos tapetes e divãs, mas a noite continuou animada. 
Uma das últimas histórias foi sobre os seres inumanos que, nas lendas orientais, vagueiam pelos campos e vivem em escombros, matando viajantes desavisados cuja carne comem, ou, na sua ausência, visitam cemitérios para alimentar-se da carne dos mortos, que desenterram. 
K. e Y.  pareciam muito contentes com toda a festa. Foram dormir no quarto com mais duas garotas quando o sol nasceu. 
Infelizmente, quando todos se preparavam para o café da manhã, lá pelas 10 horas, as colegas perceberam que não estavam entre elas. Começaram as buscas. K. foi encontrada vagando perto do rio em estado alterado, cantava um música. 
Depois caiu num estado terrível em que mal se podia mover e nenhum som saía de sua boca. 
O corpo da outra jovem foi encontrado no rio gelado. 
Ficou-se sabendo das cartas que K. e Y. trocavam. Nelas, juravam fidelidade uma a outra e Y. conta de um sonho que tem recorrentemente sobre um ser que aparece ao seu lado na cama. E também sobre ter tido quando criança uma série de visões, que fizeram com que seus pais a levassem a psiquiatras. Os pais não confirmaram a informação e não foi encontrado o suposto psiquiatra.  
A polícia ainda não chegou a uma hipótese conclusiva. 


Afonso Lima 



domingo, outubro 30, 2016

O caso dos corpos sem nome

Os corpos apareciam boiando no rio, mas desfigurados. Como não se tinha notícias de desaparecidos, Oto, jovem universitário, decidiu investigar o caso. Havia lido inúmeros livros em que um detetive amador conseguia intuir os passos de criminosos.
Oto foi falar com o padre da sua paróquia. Ele era um estudioso de ocultismo. 
Agora o padre dizia que tinha certeza de que os mortos eram da parte invisível da cidade. 
"Você já reparou que não existem favelas nessa cidade? Quando as pessoas ocupam um terreno e começam a erguer casas miseráveis, logo o governo cria um parque e expulsa as pessoas para outra cidade. Tenho certeza de que alguma pesquisa científica está usando essas pessoas sem rosto como cobaias". 
Procurou o médico legista da cidade. O homem não era nada simpático, mas ele insistiu e pediu que contasse qualquer coisa estranha. Finalmente ele revelou duas coisas: os corpos pareciam ter marcas de violência e um deles pareceu ter um movimento vibratório na língua e na mão. 
Lembrou o que o padre dizia, que as execuções públicas tinham criado um gosto pelo grotesco entre os moradores da cidade. "A insensibilidade virou uma regra; vi um menino brincando com um corpo putrefato que foi deixado em exposição na praça" - contara certa vez. 
Oto resolveu ficar à noite próximo à cabeceira do rio. Era o lugar mais acessível para qualquer ato desses. Escondido entre as árvores, observava a lua e os sons estranhos dos animais. Não tinha sono. Mas também não tinha medo. 
De fato, viu na terceira noite um homem vestido com um sobretudo negro se aproximar de carro e puxar do porta malas um vulto dentro de um saco. Tentou ver com mais precisão, por sorte a noite tinha uma lua cheia. 
Teve a impressão de que o saco se mexia. Ele sentiu um frio na espinha. 
No outro dia, um tanto cansado, foi procurar o padre. O homem serviu-lhe um vinho e disse sussurrando: 
- Eu não tinha imaginado isso. Você sabe que estudo essas coisas há muito tempo. Os chineses já falavam sobre isso. Os egípcios aprenderam dos indianos as mesmas técnicas. Mas foi no século XVIII, na Alemanha, que um sábio começou a criar a teoria. Ele estudou em Newton o conceito de gravidade universal e postulou a presença de uma energia universal. Ele ficou famoso por curar dores com um ímã. Segundo o cientista, seria possível transformar a energia invisível do éter em força magnética e esta em força orgânica. Já há tempos alguns homens se perguntam qual o limite da morte se um corpo puder ser mantido vivo através do frio ou uma energia qualquer. Alguém voltou a estudar  do magnetismo animal. 
Oto partiu com uma sensação estranha que não sabia definir. Por que afinal ele queria saber sobre coisas tão sombrias? Acabou adormecendo em sua cama sobre um livro. Sonhou que os condenados mutilados eram levados a um laboratório macabro e mantidos animados por algumas horas, para depois serem devolvidos ao silêncio no rio. 

Afonso Lima





quarta-feira, outubro 26, 2016

O desconhecido

Ele havia publicado alguns contos numa revista popular.
O padre, um leitor, havia chamado o jovem rapaz para ir na casa que os moradores diziam estar dominada por estranhos fenômenos. O clima frio e o céu cinzento não ajudavam.
O rapaz parecia ter vivido toda sua adolescência dentro de uma biblioteca e do laboratório de seu avô, um industrial curioso e erudito.
Logo depois da morte do avô, sua mãe tendo ido parar num manicômio, casou e viveu dois anos com a esposa até que ela decidiu morar com a família. Ele praticamente não saiu de casa durante muitos anos.
Quando chegou na casa, a jovem esposa contou sobre lustres que balançavam sem vento, sobre sombras que passavam pelos corredores e como ela vomitou sangue logo na primeira noite. O padre estava preocupado com as crianças - cada dia mais doentias e chorosas - e pedia que deixassem a casa. Ficou um pouco com eles e saiu antes de anoitecer.
O marido parecia cético.
- Precisávamos de mais espaço e nunca vamos achar uma casa dessas por melhor preço. tem até jardim para as crianças brincarem. Mas minha mulher está perturbada.
A mulher pediu que ele dormisse uma noite na casa.
- Estou a ponto de desistir da compra. Sabíamos do que aconteceu aqui, mas sinto-me oprimida e a ponto de perder a razão.
O marido mostrou uma revista na qual havia um conto seu sobre um monstro de outro planeta.
- Sonhei com um desenho japonês de um polvo sobre uma mulher. Viraram criaturas nunca vistas, seres que se adaptam ao meio.

Jantaram. Na frente da lareira, o marido estendeu o chá.
- Minha mulher parece mais calma só de ver o senhor aqui. É como se o universo tivesse um centro, afinal.
- Não creio.
- Como?
- Acho que o universo é absurdo, perigoso e cruel.
- O senhor não acredita em Deus?
- Eu sou um forasteiro.
- Apesar de ter sangue aristocrático... Ouvi dizer que o senhor tem sangue inglês.
- Sim. Acho que a América começou sua decadência quando deixamos o Trono Inglês. Eu costumo pesquisar a genealogia. Sou um conservador. Eu tenho tido muitos problemas.
- Problemas?
- Desde que vim para Nova Iorque. Tanta promiscuidade e ignorância.
- Entendo. São muitos imigrantes - ele ofereceu um conhaque.
- O barulho. Blasfêmias. Sujeira, cheiros terríveis. A cidade contaminada. Superstição.
- São invasores. Sombras. Ratos - disse o homem olhando o fogo.
- A lei e a ordem perturbadas. A tendência pior da humanidade. A sub-raça russa. A sub-raça asiática. São mutações. Nenhuma sociedade poderá ser estável sem homogeneidade.
Ouve-se um grito da cozinha.

Afonso Lima