Uma verdadeira tragédia, abandono e descaso com o dinheiro público. O empréstimo do BID não foi quase nada usado e o planejamento anterior foi paralisado e abandonado. A prefeitura teve que pagar multa para o BID, prevista no contrato, POR NÃO TER UTILIZADO OS RECURSOS POSTOS A SUA DISPOSIÇÃO. Todo o esforço foi dilapidado e o nefasto abandono voltou a se apossar do coração da cidade.
sexta-feira, julho 08, 2011
quinta-feira, julho 07, 2011
45 minutos de terror
Acabo de ver "45 minutos", com o Caco Ciocler, com direção de Roberto Alvim. (Eu respiro fundo, tento ser racional, abalado pelo pouco - ou muito - que vi). A peça tem muito a dizer (mas eu não estou em condições de filosofar agora), mesmo se declarando a arte da enrolação: será que interessa ainda o ator com sua "empatia", seu enredo, sua "dramaticidade"? É maravilho o trecho sobre "opções" brilhantes de entreter...
Caco usa um espectro incrível de formas de não dizer nada, modula seu tempo em ódio, agilidade, pausa... É um dos melhores atores que tenho visto. (E o cabelão ajuda a esquecer o rosto da TV...)
A direção sabe usar com precisão o mínimo, recortes e direções de luz, cores, baixa luminosidade.
Mas o que mais me marcou foi o público!
Há muito se comenta da falta de classe nas sessões, é verdade. Só que eu nunca ficara tão perturbado. Parecia que a peça toda ia naufragar. Sem perceber a diferença entre um texto construído e um stand-up, ELE, sua majestade, dizia: "tá sem graça!", "ô loko", "dança de sunga!" e respondia a cada palavra com palavras - "simpatia?", "compaixão?"... ) O ator faz um gesto de repelir, com as mãos próximas ao rosto, alguém grita: "uí!!!"
Sem falar no momento em que propõe 30 segundos de risada e o público ri de forma histérica, parecendo um programa de auditório. A própria comicidade do texto (entremeada de neurose e dor) pressupõe momentos de concentração - lembra aquilo que as pessoas tinham quando abriam um livro? (Será que a educação pública decaiu, será?)
Caco ainda interage bastante, fugindo numa boa da forma proposta. Quando o ator aponta um revólver para a platéia, comoção geral, "Não faz isso!" Quando ele aponta para a própria cabeça, outros debates, acabou o medo. Parecia que Caco estava ali para realmente ser engraçado, e agora. Será que a culpa é da Rede Globo?
Lembrei de uma amiga comentando (deve ser exagero, amanhã) que a nova geração não sabe a diferença entre um enterro, um motel e um jogo de futebol (ou seja...) Chocado é pouco: quero a polícia!
Uns três celulares tocaram, depois de DOIS avisos, mensagens recebidas, uma moça comentou tanto a peça que praticamente foi um diálogo com o ator. Será que o público também é de atores, para me assustar ou provar a tese de que todo mundo virou hamburger? Parece um show infantil. Talvez agora só seja possível mesmo divertir.
Pode ser que amanhã seja outro dia. Mas eu não estou em condições de filosofar agora. Fica-se com a impressão de que era uma vez o teatro como o conhecemos, voltamos à época de Shakespeare, com seus tomates; só que nossa estrutura é ainda de uma "presença", "foco nessa nova realidade". Mais incrível porque o estilo "noir" de Alvim pressupõe já um público e uma etiqueta, de ouvir... ("Sei lá eu quem é Alvim?")
Talvez seja o ingresso popular, necessário, o que seria para educar, mas eu não vejo essas pessoas melhorando. Mesmo com o inevitável: "Ssss!" que veio lá depois do meio, a agitação não foi de forma alguma educada... É como se estivessem interagindo o tempo todo sem limites. Posso pensar que sem espaço público, a vida fica mais tensa, ficamos mais enjaulados, lutamos pelos poucos recursos, e, portanto, ficamos mais selvagens...
Por que motivo chamamos "comunidade" geralmente pessoas excluídas dos processos da modernidade? Ficamos só um "eu" frente a um "impessoal" (a peça usa essa palavra). O pequeno grupo - afetado nas duas pontas pelo capitalismo-sangrento, a produção infinita e o vício, a prisão a quem nada mais sabe vender - que regula, limita, inspira, sumiu, ficaram relações de troca rápida (aprendemos paralelamente, almoçamos juntos no domingo, trocamos bits, dormimos em quartos próximos...).
Que saudade do poder religioso que só queria reprimir! Será o Facebook, o fim da família ou a publicidade? Sei lá, quero meu ingresso de volta!
Afonso
segunda-feira, julho 04, 2011
terça-feira, junho 28, 2011
sexta-feira, junho 24, 2011
Absurdo: onde estão os órgãos do patrimônio?Folha- São Paulo, sábado, 11 de junho de 2011
| Av. Paulista perde casarão e ganha mais um prédio Imóvel branco arredondado fica ao lado da Casa das Rosas, que é tombada Construtora Even pretende erguer no local docasarão um prédio de escritórios com 11 andares e 5 subsolos VANESSA CORREA DE SÃO PAULO Em breve, mais um casarão cederá espaço a outro prédio de escritórios na avenida Paulista. Ao lado da Casa das Rosas, a casa branca de fachada arredondada é hoje alugada pela seguradora Porto Seguro, que tem escritório ali. No lugar dela, a construtora Even pretende erguer um prédio de escritórios com 11 andares e cinco subsolos. Como a Casa das Rosas é um bem tombado pelo município, intervenções em imóveis próximos devem ser aprovadas pelo Condephaat e Conpresp, os órgãos do patrimônio histórico estadual e municipal, respectivamente. Ontem, o Condephaat publicou no "Diário Oficial" do Estado o aval para a demolição da casa. Segundo a Even, a autorização do Conpresp também já foi obtida. "Quase todos os exemplos de ocupação da Paulista se foram. Os que existem deveriam ser preservados, mesmo que não tenham um valor arquitetônico muito grande", diz a arquiteta urbanista Lucila Lacreta, do movimento Defenda São Paulo. Para Benedito Lima de Toledo, professor-titular da FAU-USP, o prédio pode prejudicar a visibilidade da Casa das Rosas. De acordo com o Condephaat, como o prédio terá 18 metros de recuo da calçada, a visibilidade da Casa das Rosas não será afetada. Não se sabe ao certo quando o casarão foi construído. A certidão de dados cadastrais do imóvel na prefeitura diz que a obra é de 1994. Mas uma imagem antiga, obtida por Gabriel Rostey, da associação Preserva SP, mostra o imóvel em 1952, quando as casas dos antigos barões de café ainda dominavam. |
quinta-feira, junho 23, 2011
Não o frio do Inferno, por medo
nem a alma que lê, por paixão
um Deus mais duro, o Progresso
(apressar o passo, o homem mole, o futuro pelo sangue)
textos são imagens, economia da alma,
inveja, do não saber feio, a pedra de fora
o novo homem, mil potros liquidificados,
e a terra aberta em novos anseios
*
Outra educação, a da miséria
50 pedras no cansar danado
um professor apanha da polícia
João nunca sonhou com o sertão da gente.
Afonso Lima
quarta-feira, junho 22, 2011
Senhores (as),
Boa tarde !
Estamos a um passo para sermos desapropriados.
Talvez a última chance para vetar este projeto PL25 que desapropria mais 1400 casas e envolve mais de 28 000 pessoas (entre casas formais e comunidades).
Segue abaixo a lista dos 39 vereadores irresponsáveis que votaram a favor da desapropriação, para dar as nossas casas para emprendimentos do Kassab. Construirão prédios e parques em cima das nossas casas.
Lembrem deles na próxima eleição, faça campanha contra estes malignos, mandem e-mails para todos que conhecem e guardem a lista para as próximas eleições. Eles atrasaram a construção do projeto antigo da Lei 13.260 e querem superfaturar a obra do projeto da PL25.
A Prefeitura iria gastar 1 bilhão com projeto antigo e agora vão gastar mais de 5 bilhões e prejudicar a todos nós. A cidade não precisa deste dinheiro para transporte, saúde, educação, segurança obras contra enchentes, etc. ???
Segue a lista dos malignos que devem ser banidos da política da nossa cidade e do país :
Abou Anni , Adolfo Quintas, Agnaldo Timóteo, Aníbal de Freitas, Atílio Francisco, Aurélio Nomura, Carlos Apolinario, Claudinho, Claudio Fonseca, Claudio Prado, Dalton Silvano, David Soares, Domingos Dissei, Edir Sales, Gilson Barreto, Goulart, Jamil Murad, José Police Neto, José Rolim, Juscelino Gadelha, Marco Aurélio Cunha, Marta Costa, Milton Ferreira, Milton Leite, Natalini, Netinho de Paula, Noemi Nonato, Paulo Frange, Quito Formiga, Ricardo Teixeira, Roberto Tripoli, Russomano, Salomão, Sandra Tadeu, Senival Moura, Souza Santos, Tião Farias, Toninho Paiva, Ushitaro Kamia , Wadih Mutran
terça-feira, junho 21, 2011
A Samorcc aguardava a desapropriação como PARQUE AUGUSTA, prometido dias antes da eleição pelo DD. Sr. Prefeito, que emitiu um DUP - UTILIDADE ÚBLICA. (mudou de idéia uma vez eleito!)
Para nossa surpresa, a CONVOCAÇÃO é para a apresentação de um empreendimento no local, composto por torres residenciais, comerciais e empreendimento comercial.
Permita-nos o desabafo, mas a MUNICIPALIDADE CAMINHA NA CONTRA MÃO e a Secretaria do Verde que deveria dar o exemplo lutando por áreas verdes e permeáveis tem a ousadia de convidar a população para mostrar uma mega construção dentro do sonhado e prometido PARQUE AUGUSTA. Última área verde e permeável da região.
Lembramos que a área é tombada e que tem restrições e nem se cogita em nos enganar que seria uma construção deixando um parque ao fundo. É CONSTRUÇÃO PURA MESMO, que liquidará dezenas de árvores e deixará um matinho sufocado ao fundo.
A população de São Paulo está pasma diante da liquidação das florestas, áreas verdes e permeáveis da cidade, que vem perdendo a vegetação por conta de interesses indiv iduais.
SÃO PAULO PRATICA O "Greenwashing" OU SEJA, FAZ UM DISCURSO verde E PRATICA a devastação e a imperemeabilização!
A população do entorno promete lutar com todas as forças. Que Deus tenha piedade e poupe esta última área verde e permeável da região central da cidade!
Lembremos: Todo o poder emana do povo e em seu nome há que ser exercido!
SAMORCC -
"Para o Ministério Público Estadual, o projeto Nova Luz precisa ser refeito e não pode mais separar a questão urbanística da situação dos dependentes. A exigência foi feita ontem pelo promotor de Habitação Maurício Antonio Ribeiro Lopes, logo após o governo municipal fazer a primeira apresentação pública do projeto de desapropriações, no plenário da Câmara Municipal. O governo prometeu reunir-se com o MPE"
De fato, a Prefeitura usou os 300 drogados da região para justificar o projeto em sua comunicação publicitária, mas não se dignou a considera-los no projeto ou lhes dar qualquer assistencia. Portanto, a intervençao do MP é muito oportuna em matéria de direitos humanos (mas não resolve a legislação ilegal e inconstitucional da concessão urbanística).
Suely Mandelbaum
Arquiteta Urbanista
segunda-feira, junho 20, 2011
(a doida da escada, segundo o Mix - cadê o chapéu Rainha Amidala do American Idol???)
1. invasão marciana
2. patrocínio das Casas NY
3. cansou de ser Madonna-na-ópera
4. quer provar que é "gente como a gente"
5. a peruca com mecha loira
6. não é Lady Gaga, é a CIA
7. está poupando forças
8. está falida
9. é a melhor música do álbum e podíamos enlouquecer se fosse o melhor clip
10. depois de gravar o primeiro minuto, foi chamada no telefone e usaram as sobras.
É o primeiro caso na história onde a TV quase-sim-acho-que-superou o clipe...
(o que eu mais gosto nela é uma certa atrapalhação humana, por exemplo, na saída do ovo no SNL ou na banheira no Bad Romance... é carão com humor)
E justo nessa que precisa tanto de corpo de gentes dançando!!!
(O melhor de Born this Way é a dancinha um lado-outro e de Judas salva-se o coraçãozinho...)
Cadê a chuva de água, purpurina, os sapos dançantes, as chamas???
Devolvam a Lady!
(para quem não cansou... uma performance glory...)
domingo, junho 19, 2011

Audiência pelo Belas Artes na Assembleia Estadual levanta o tema da utilidade pública
Em Audiência na Assembleia Estadual nesta quinta feira (16), o deputado Carlos Giannazi enfatizou a utilidade pública do cinema como espaço de memória afetiva e ponto de referência na vida cultural da cidade e do país, comprometendo-se a acompanhar as ações que estão tramitando na Casa, a levar à Comissão de Educação e Cultura da Assembleia o caso, assim como a iniciar busca de parcerias com empresas públicas e privadas no sentido da compra do espaço (assim como ocorreu com o cinema Odeon, marco da cidade do Rio de Janeiro, que foi comprado pela Petrobras).
A audiência se manifestou citando o caso do Teatro Oficina, tombado recentemente, o caso do terreiro Ilê Axé Obá, tombado há 20 anos e a desapropiração da Casa de Sérgio Buarque de Holanda. Foram lidos depoimentos emocionados de frequentadores do cinema e apresentado um video de Marina Puech com personalidades como Lúcio Mauro Filho e Gorete Milagres em defesa do cinema. 88.760 pessoas já apoiam a causa no facebook e as listas contam de mais de 30 mil assinaturas.
Em março o vereador Eliseu Gabriel reuniu-se com o prefeito levantando a necessidade de reconhecimento da utilidade pública do espaço e este preferiu não se pronunciar. A lei 14. 604/2007 do vereador Chico Macena (PT) precisa ser regulamentada pelo prefeito para dar poderes ao CONPRESP no sentido de registrar patrimônios imateriais, o que prevê medidas de salvaguarda.
O Movimento pretende agora sensiblizar as autoridades para que vejam o caso como exemplar da utilidade pública dos cinemas, em especial do cinema de rua de fácil acesso e com preços populares (com opções como o Cine Clube e o Noitão), da necessidade de se valorizar a identidade coletiva dos paulistanos (o cinema tem 68 anos) e de se planejar o lazer, a qualidade de vida e a diversidade cultural na capital como determina o Estatuto das Cidades de 2001.
http://www.causes.com/causes/561939?m=970080e7
querobelasartes.blogspot.com/
Deputado apresenta projeto de desapropriação
do prédio do cinema Belas Artes
publicado em 23/02/2011 às 20h37
Carlos Giannazi fez o anúncio durante encontro com representantes de entidades culturais
João Varella, do R7 -
O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) afirmou, nesta quarta-feira (23), que apresentou um projeto de lei para desapropriar o prédio do cinema Belas Artes, no centro de São Paulo. Segundo o parlamentar, o projeto começou a tramitar na terça-feira (22). Ele disse que vai pedir regime de urgência na proposta, o que deve acelerar o processo.
Giannazi fez o anúncio durante uma mesa-redonda com representantes de entidades culturais no próprio Belas Artes, cinema de rua tradicional da capital que corre risco de ser despejado. Os donos têm planos de ceder o espaço para outras atividades econômicas.
O pedido de Giannazi faria com que o prédio ficasse público. O deputado afirmou que seu projeto não anula o pedido de tombamento do Belas Artes.
Vereador quer pedir a Kassab que Belas Artes
vire área de utilidade pública
Luciana Sarmento, do R7
O vereador Eliseu Gabriel (PSB) afirmou na noite desta quarta-feira (16) que pretende pedir uma reunião com o prefeito Gilberto Kassab (DEM) na quinta-feira (17) para discutir a situação do Belas Artes e pedir que o cinema que fica na rua da Consolação, em São Paulo, seja declarado uma área de utilidade pública.
- É mais uma forma de pressão para que o Belas Artes continue como está porque na hora que é declarado área de utilidade pública, ele não pode ser vendido.
De acordo com o vereador, o processo de transformação do Belas Artes em uma área de utilidade pública pode durar “dez minutos”. Ou seja, basta que o prefeito concorde com a medida e assine o termo.
Alguns depoimentos de paulistanos enviados ao CONPRESP.
"Vi a sala 4, Aleijadinho, vazia, sem as poltronas, sem caixas de som, sem luz. A tela ainda resistia lá na frente. Até fazia eco.
Uma tristeza de apertar o coração. Mas vamos lá, vamos tombar esse prédio e trazer o Belas de volta".
Hirao
"Apresentei-a a muitos dos meus amores e a revisitei com tantos outros, mentiria se dissesse que houvera trazido todas as mulheres da minha vida. Minha mãe nunca a conheceu e, infelizmente, tão pouco vai conhecer.
Meu segredo é: não tenho receio em dizer que atesoro cada um dos bons momentos ali vividos. Sobre aquele terraço de mármore negro limitado por uma grande vitrine de vidro assistindo ao corredor de ônibus sempre congestionado naquele ponto, terminando a Rebouças, eu iniciei muitos dos meus romances.
É triste, mas a vida não é como nos filmes de finais felizes e encantadores, as vezes penso: vivemos no real teatro da tragédia".
Fernando Fileno
"Em 2004, durante uma conversa com André Sturm, tive a ideia de levar crianças, escolas, para o Belas Artes. Entrei em contato com a ONG - Instituto Padre Mariano, na qual eu havia trabalhado como voluntária e apresentei uma proposta. Eles escolhiam o filme e agendávamos a sessão. Mesmo sem patrocínio realizamos as sessões gratuitamente.
Mas para eles este dia era muito importante...enfim, era o dia de ir ao Cinema Belas Artes, então caminhavam e caminhavam felizes!
Ao final de cada sessão todos aplaudiam de pé o filme e, ao sair do cinema todos me cumprimentavam agradecendo a oportunidade.
Nos grupos de jovens do Abrigo Municipal (meninos de Rua) e em Liberdade Assistida (ex-detentos), nenhum deles havia entrado em um Cinema antes.
Descobriram o que era um "cinema" durante esse Projeto. Aprenderam a amar, apreciar e respeitar a sétima arte. Descobriram que também podiam sonhar, imaginar e transformar as suas realidades".
Wania Malafaia
"O CINEMA BELAS ARTES É DA CIDADE DE SÃO PAULO. UM ÍCONE DA CULTURA E DA HISTÓRIA DA CIDADE.
COMO PAULISTANA VOU LUTAR POR ELE".
ESMERALDA HANNAH
Telmo Estevinho – aposentado (muitos frequentavam às tardes)
"A primeira vez que estive em SP foi em 1992 para conhecer o Belas Artes, um cinema famoso que nós, no interior de SP ouvíamos muito falar! Vi "O Marido da Cabelereira" e nunca me esqueci das pessoas na sessão lotada, das poltronas, da atmosfera charmosa que o cinema transmitia! Este cinema não pode fechar, é muito mais que um prédio, é uma atmosfera carregada de histórias da cidade de SP, dos seus visitantes"...
Exemplos de tombamentos.
http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/arvore-de-155-m-esta-em-processo-de-tombamento/
http://www.n-a-u.org/Amaral-patrimonio.html
Terreiro tombado Axé Ilê Obá
No dia 16 de agosto de 1990 surge um fato inédito na história de São Paulo. O tombamento, pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT), do Axé Ilê Obá, um terreiro de candomblé de nação ketu, localizado na Vila Facchini, na capital de São Paulo.
Este tombamento coloca em evidência a possibilidade de repensar o conceito de patrimônio histórico e cultural e seus modos de preservação, ao mesmo tempo em que dá um exemplo concreto de uma política cultural avançada, levando em consideração o conjunto dos valores culturais de um grupo, mesmo se eles não têm sido reconhecidos como tais pela história oficial.
O CONDEPHAAT mostra, com esse tombamento, que é possível dar passos efetivos para a renovação do conceito de patrimônio cultural. Aos órgãos de defesa cabe garantir as condições para que isso se dê.
Rita Amaral
pesquisadora do Núcleo de Antropologia Urbana da Universidade de São Paulo, doutora em Antropologia Social pela USP
A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL
COMO DIRETRIZ URBANÍSTICA DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA
www.mp.mg.gov.br/portal/public/interno/arquivo/id/3449
Foto: André Meloni

Aos Vereadores do Município de São Paulo
Ilustres Vereadores,
É com imenso pesar que a população do Distrito do Itaim Bibi, e distritos adjacentes, manifesta seu repúdio público ao Projeto de Lei nº 01-00271/2011, de autoria do Sr. Prefeito Gilberto Kassab, encaminhado à casa dos representantes do povo paulistano em 01/06/2011, que tem por objeto a desafetação, para posterior alienação mediante licitação, do “Quarteirão da Cultura”, localizado entre a Av. Horácio Lafer e as Ruas Salvador Cardoso, Cojuba e Lopes Neto.
Desde dezembro de 2010, quando a população do Itaim Bibi tomou conhecimento dessa pretensão, que ofende ao interesse público, tem externado sua contrariedade à decisão tomada pelo Senhor Prefeito, por meio da mobilização da sociedade civil e de associações, expressando, veementemente, sua opinião desfavorável, realizando protestos públicos, inclusive nessa casa, na qual em 28/03/2011, foi realizada uma Audiência Pública presidida pelo ilustre Vereador Eliseu Gabriel.
Referido evento foi antecedido pela Audiência Pública presidida pelo ilustre Deputado Estadual Carlos Giannazi, realizada na Assembleia Legislativa em 24/02/2011.
Adiciona-se a tais providências, o abaixo-assinado preparado pela população paulistana, que hoje conta com mais de 11.000 (onze mil) assinaturas, e uma manifestação pública realizada no dia 21/03/2011, no entorno do “Quarteirão da Cultura”, que contou com a participação de mais de mil pessoas.
Em outras cinco oportunidades, a população se reuniu em Assembleia Popular, realizadas na Paróquia Santa Teresa de Jesus em janeiro, fevereiro e março deste ano, e, em todas elas foi reafirmada sua posição e rechaçada a intenção do município por constituir um retrocesso social inestimável, ora consubstanciado no Projeto de Lei 01-00271/2011, que configura lesão aos direitos sociais, ao meio ambiente, ao patrimônio público e ao patrimônio histórico e arqueológico.
A população do Itaim Bibi pleiteia aos seus ilustres Vereadores a preservação do patrimônio público, histórico e arqueológico e a manutenção dos serviços disponibilizados a ela no “Quarteirão da Cultura”, em que encontram-se instalados oito equipamentos públicos imprescindíveis, constituídos pela Biblioteca Pública Anne Frank, pelo Teatro Décio de Almeida Prado, pela CEI – Creche de Tempo Integral Santa Teresa de Jesus, pela EMEI – Escola Infantil de Tempo Integral Tide Setubal, pela Escola Estadual de Tempo Integral Professor Ceciliano José Ennes, pela Unidade Básica de Saúde José de Barros Magaldi e CAPS III - Centro de Atenção Psicossocial 24hs e pela unidade da APAE Escola Zequinha.
Além dos equipamentos públicos de relevante valor social, no “Quarteirão da Cultura” encontram-se espécimes raros da nossa Mata Atlântica, que constitui uma das
poucas massas verdes da região, um sítio arqueológico e edifícios antigos de grande valor arquitetônico e histórico, que carecem de preservação.
Neste intuito, em 01/abril/2011, a população requereu ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo – CONDEPHAAT o pedido de tombamento do “Quarteirão da Cultura”, sendo que o procedimento foi deferido em maio de 2011.
Afora tais medidas, a população apresentou duas representações ao Ministério Público do Estado de São Paulo, que culminaram na instauração de dois inquéritos civis, um na Promotoria de Justiça do Meio Ambiente e outro na Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social.
Apesar da intensa manifestação de repúdio dos cidadãos paulistanos do Itaim Bibi e adjacências, o Senhor Prefeito, ignorando completamente aos seus apelos, apresentou o Projeto de Lei nº. 01-00271/2011 à Câmara Municipal de São Paulo.
Desta feita, os cidadãos paulistanos do Itaim Bibi recorrem, mais uma vez, aos ilustres Vereadores desse Município e clamam pela defesa do patrimônio público, histórico e arquitetônico, do meio ambiente e a manutenção de todos os serviços que hoje lhe são disponibilizados pelo Município de São Paulo para o pleno exercício dos seus direitos sociais, o que só se pode obter pela rejeição e arquivamento do Projeto de Lei 01-00271/2011, pelas razões que ora se apresentam:
1. os imóveis que constituem o “Quarteirão da Cultura” foram desapropriados pelo Município de São Paulo na década de 40 para instalação de equipamentos públicos, que visam, desde então, prestar serviços públicos de qualidade à população, fim que se concretiza dia a dia por meio da disponibilização de serviços médicos, educacionais, culturais, psicológicos e sociais. É um local destinado à valorização do ser humano em respeito a sua dignidade, a manifestação singular de autodeterminação consciente e responsável,
2. no “Quarteirão da Cultura” a população exercita seus direitos sociais, suas garantias asseguradas pelo ordenamento jurídico e destinadas à proteção de suas necessidades básicas, para que viva com um mínimo de dignidade e com amplo direito de acesso a serviços condicionantes da sua realização como ser humano,
3. no “Quarteirão da Cultura” encontra-se instalada uma escola estadual, por força do Protocolo de Intenção celebrado entre o Município de São Paulo e o Estado de São Paulo, visando à permuta de terreno estadual por terreno municipal, em função do prolongamento da Av. Faria Lima, cuja obra foi realizada na década de 90,
4. a população encontra-se em estado de total vulnerabilidade diante do Projeto de Lei nº. 01-00271/2011, que gera insegurança e instabilidade social,
5. almeja-se a preservação do “quarteirão da Cultura” mediante tombamento, que encontra-se em curso.
Pelos motivos expostos, torna-se imperativo a rejeição do Projeto de Lei 01-00271/2011 e seu arquivamento, para que o constitucionalismo social prevaleça no Distrito do Itaim Bibi, favorecendo a efetividade da prestação de ações e serviços de saúde, de educação, cultura e proteção do meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, e promovendo a Justiça Social.
MOVIMENTO EM DEFESA DO QUARTEIRÃO DA CULTURA
SOS ITAIM BIBI
Apoio
Associação Grupo Memórias do Itaim Bibi – AGMIB
Sociedade Amigos do Itaim Bibi – SAIB
Associação Preserva São Paulo – PRESERVASP
Movimento Defenda São Paulo – DEFENDA SP
Paróquia Santa Teresa de Jesus
Vereador Eliseu Gabriel
Deputado Estadual Carlos Giannazi
sexta-feira, junho 17, 2011

http://diariooficial.imprensaoficial.com.br/nav_v4/index.asp?c=12
16/06/2011 20h28
Discussão sobre cine Belas Artes continua na Assembleia
Da Redação - Joel Melo
Debate sobre o cine Belas Artes
Segundo o deputado Carlos Giannazi (PSOL), a melhor solução para que o cine Belas Artes volte a funcionar seria a compra do espaço pela prefeitura. O cinema " que funcionou durante 68 anos na esquina da av. Paulista com a Rua da Consolação e se destacou por exibir filmes de arte que não chegaram ao circuito comercial - teve suas portas fechadas em março de 2011, e ainda suscita em cinéfilos a esperança de terem, no mesmo endereço, um cinema de qualidade, com as mesmas características do anterior, quais sejam, de exibir filmes clássicos que não encontram espaço na programação dos demais cinemas.
A reunião desta quinta-feira, 16/6, no plenário José Bonifácio da Assembleia paulista, serviu basicamente para a criação de um calendário no sentido de acompanhar as ações que estão tramitando na Casa pedindo desde a desapropriação do espaço onde o cinema funcionava, até a compra do prédio pela prefeitura, opção que Giannazi aponta como a melhor.
quarta-feira, junho 01, 2011
-Floriano Pesaro Votou pela derrubada de suas residências, enquanto brincava no Facebook.
-Adolfo Quintas votou pela expulsão de todos nós do Jabaquara.
-Dalton Silvano votou para botar as comunidades carentes para correr do Jabaquara.
-Abou Anni votou com voto de cabresto para se ver livre das comunidades do Jabaquara.
-E Milton Leite Veio de escavadeira Votar pelo bolso dele e pelas lágrimas de suas mães.
http://
Comunicado:
O massacre que vem sofrendo a população do Jabaquara bairro da zona sul da capital de São Paulo, massacre esse realizado por Vereadores da Câmara municipal que vem num verdadeiro “efeito Trator “ tentando aprovar o PL 25/11 que muda a Operação urbana água Espraiada em beneficio de Empreiteiras, alguns vereadores e do Prefeito Kassab .
Tal projeto irá desapropriar (expulsar) 1400 familias de imóveis formais e expulsará também aproximadamente 10.000 familias de comunidades carentes .
O valor do projeto está em aproximadamente 5 Bilhões de reais , sendo que o projeto original custava 1 Bilhão e na verdade visa remover as comunidades carentes e no local construir diversos emprendimentos imobiliários de alto padrão deixando essas pessoas ao “Deus dará” pois a prefeitura apenas se compromete a fazer 4000 casas e deixa o resto supostamente para o CDHU.
Todos sabemos como esses governos agem, não respeitam acordo algum , passam o trator mesmo e para proprietários é um festival de precatórios.
Tal projeto é tão coberto de irregularidades que qualquer Juiz que “não estiver no Bolso “ invalidaria a lei imediatamente.
Seguem abaixo links da sessão extraordinária na CCJ que deu o parecer de legalidade ao projeto.
Confiram os absurdos.
-Vereador Milton Leite combina voto para expulsar moradores do Jabaquara antes da Sessão
http://www.youtube.com/watch?
-Vereador Roberto Tripoli Chega a sessão para articular a derrota dos moradores do Jabaquara na votação do PL 25/11 na CCJ
http://www.youtube.com/watch?
-Advogado da Associação dos Moradores é impedido de se pronunciar por vereadores
http://www.youtube.com/watch?
-Votação expulsará milhares de familias do Jabaquara
http://www.youtube.com/watch?
Divulguem , faça chegar ao exterior , mostrem a cara desses corruptos.
Segue abaixo e-mail dos "nobres" vereadores (com letra minúsula mesmo!) que querem destruir o Jabaquara mas sempre pedem voto na região:
Abou Anni: abouanni@uol.com.br
Adolfo Quintas: adolfoquintas@camara.sp.gov.br
Dalton Silvano: daltonsilvano@camara.sp.gov.br
Floriano Pesaro: contato@florianopesaro.com.br
José Police Neto: policeneto@camara.sp.gov.br
Milton Leite: miltonleite@camara.sp.gov.br
Roberto Tripoli: tripoli@camara.sp.gov.br
E para quem tiver amigos na Aclimação, divulguem o que o "nobre" vereador Dalton Silvado tem feito com a população do Jabaquara.
Este se diz religioso, cita salmos para as pessoas mas não se preocupa nenhum pouco com as pessoas doentes de nossa região e as que irão perder suas casas. Ele tem um eleitorado grande naquela região da Aclimação...
quinta-feira, maio 19, 2011
Estudante é assassinado dentro da USP- Estadão
A USP contra o Estado de Direito
quarta-feira, maio 18, 2011
Acarajé é patrimônio: e o Cine Belas Artes?"O PL 7955/10 ... declara o acarajé patrimônio cultural imaterial do Brasil; o PL 7778/10 ... declara o mesmo do SAARA, área de comércio na cidade do Rio de Janeiro".
http://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI124634,11049-Prestes+a+fechar++iconico+cinema+paulistano+pode+ser+tombado
E a cultura urbana? E o meio ambiente com gente?
(Lembro nessas horas do slogan "memória é história", no sentido de que a identidade é do campo do histórico, como vem mostrar autores como Thompson - 'histórias de vida como patrimônio" - http://pt.scribd.com/doc/9709796/Historia-Falada)
Dá vontade de fazer uma faixa: "Tomba, desapropria ou investe na cultura: quero Belas Artes Lá." Porque não estão nos recebendo para dialogar e propor algo coerente. E porque muita gente diz que deixou de ir na Cinemateca porque tem de pegar dois ônibus. E porque a rua está deserta, mais perigosa e o prédio pichado.
Ou: "Kassab: R$ 621 milhões em desapropriações na Nova Luz de luxo? E não tem dinheiro para o Belas Artes?" Parece que a população é um monte de bebês incapazes de entender melhorias, leis e métodos de urbanísmo "ecológico", como a Água Espraiada.
http://www.brasildefato.com.br/node/6055
Cada vez fica mais difícil entender e maior o medo que, para não ir os anéis, vá tudo; por exemplo, se é o caso de "patrimônio imaterial", o que é "salvaguardar" senão mantê-lo vivo?
"Rita Amaral, em artigo sobre o tombamento feito em 1990 pelo CONDEPHAAT-SP do terreiro de Candomblé Axé Ilê Obá, chamou a atenção para algo que deve ser considerado pelos projetos de proteção ao patrimônio: "levar em consideração o conjunto de valores culturais de um grupo, mesmo se eles não têm sido reconhecidos como tais pela história oficial".
Oswaldo Giovannini Júnior
http://www.aguaforte.com/antropologia/osurbanitas/revista/giovannini.html
A secretaria da cultura parece imobilizada. Mas há mais de 800 milhões a mais no caixa da prefeitura, nos disse o deputado Carlos Giannazi (PSOL).
O Nabil Bonduki (ex-vereador, atualmente em Brasília) sempre fala sobre tombamentos como o da casa de Mário de andrade, não pelo valor arquitetônico, mas pela memória.
http://www.cartacapital.com.br/cultura/cinemas-de-rua-e-a-desertificacao-do-espaco-publico-de-sao-paulo
E o estatuto das cidades? E a Convenção Internacional de Proteção ao Patrimônio Imaterial da UNESCO?
É uma sinuca de bico: o secretário da cultura diz que tem de tombar, o orçamento deve estar apertado para outras medidas pela cultura. O Walter Pires diz que mil coisas já foram tombadas, terreiro inclusive (justo). IAB acha que tombar não resolve, pois teoricamente poderia ter uma loja de 1,99 lá (mas alguém imagina uma na casa tombada do Mario de Andrade?)
O registro de patrimônio imaterial parece oferecer "salvaguardas" (na Festa do Divino de Pirenópolis foram "implementadas para evitar problemas pontuais") e a lei municipal 14. 406 fala em "apoiar e fomentar os Bens ... registrados, criando condições para a transmissão dos conhecimentos a eles relacionados no âmbito do Município".
Só sei que, no Brasil, muitas vezes usamos o que temos à mão para garantir direitos - foi o caso do direito homoafetivo, quando juízes gaúchos defenderam o direito de pessoas que viveram uma vida toda juntas - e corriam o perigo de não serem vistas como um casal para fins de herança- usando, por exemplo, a ideia de que homem e mulher são iguais perante a lei.
Como diz a desembargadora Maria Berenice "a ausência de lei não significa ausência de direito".
http://www.mariaberenice.com.br/uploads/52_-_homoafetividade_e_direito_homoafetivo.pdf
No empurra empurra, debate teórico e no "silêncio da morte", o cidadão fica desprotegido e a cultura some num deserto de cimento. A classe média, que se achava protegida das "doutrinas de choque", hoje também é excluída, somos todos gente diferenciada.
Jorge Eduardo, do Preserva SP, explica: " ...em nenhuma área os danos foram tão dramáticos como na do patrimônio histórico, onde dezenas de imóveis de interesse artístico, arquitetônico ou histórico inestimável foram irremediavelmente perdidos com a complacência das autoridades municipais e em grande parte graças às artimanhas e ameaças da Câmara de Vereadores contra os já esvaziados e paralisados órgãos municipais de preservação do patrimônio histórico..."
http://www.preservasp.org.br/forum/index.php?topic=481.0
Lemos que, quanto ao registro, o "objetivo é viabilizar projetos que ajudem a manter vivo o patrimônio cultural por meio de parcerias com instituições públicas e privadas, que irão colaborar com pesquisas e projetos que dêem suporte para sua continuidade."
E vemos reportagens como essa: "Fundo voltado ao patrimônio cultural de SP teve verba zero."
Nós estamos nessa situação de resíduos do mercado "livre" pelo menos desde o fechamento e percebemos que nosso megafone parece nada frente aos muros do castelo.
Estávamos acostumados a ser ouvidos, mas a concentração de renda levou a um desequilíbrio enorme, até o Al Gore chama de "afastamento do padrão republicano" (O ataque à razão, 2008.) Kafka puro.
Esse menino de 23 anos, provavelmente, não vai deixar de comprar um iate para salvar a cultura. Os prédios no centro subiram 60% em 3 anos, também pelo impacto do novo metrô, nenhum bar ou cinema pode resistir, e os patrocínios mudam a cada hora (o Itaú quase fechou a Casa de Cultura Mario Quintana em minha cidade, agora o HSBC sai daqui, etc...)
Há muitos termos que não sabemos (registro, salvaguarda, imaterial, etc.), mas uma coisa eu sei: minha qualidade de vida caiu porque eu não pagava nada ao ir toda a segunda no cinema e agora custa de R$ 10 à R$ 18.
É sempre o mesmo papo: para que cultura se as pessoas morrem de fome? Mas não resolvem nem uma coisa nem outra. Na verdade o que há são pessoas buscando saídas do stress que é hoje viver numa metrópole, que querem qualidade de vida e do debate se o mercado por si só pode dar isso. É cada um por si, selva total?
É o que eu chamo de pensamento feudal do "condomínio fechado", cada um vive trancado em sua casa e a rua fica deserta e perigosa.
A verdade é que São Paulo parece não ter uma política para a cidade, mas para proprietários de imóveis caros na cidade.
É todo o contexto em jogo: pouca representatividade dos eleitos, especulação imobiliária e abandono da cultura e das ruas. Se festa popular pode, o que nos difere, peixes urbanos que precisam de ração de qualidade, nessa paisagem estranha.
Quero vida na cidade!
Afonso Lima
O ESTATUTO DA CIDADE E OS NOVOS INSTRUMENTOS URBANÍSTICOS
DE PROTEÇÃO AO PATRIMÔNIO CULTURAL
O Estatuto da Cidade não deixa dúvida: proteger, preservar e recuperar o patrimônio cultural não é uma mera faculdade ou opção dos administradores das cidades e executores das políticas urbanas municipais, mas sim um dever indeclinável, uma inafastável imposição de ordem pública e interesse social em prol do bem coletivo.
Raquel Rolnik:
Marcos Paulo de Souza Miranda- Promotor de Justiça em Minas Gerais.
www.mp.mg.gov.br/portal/public/interno/arquivo/id/3449>
Perguntas & Respostas
http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/perguntas_respostas/patrimonio-historico/patrimonio-cultural-tombamento-restauracao.shtml
GUIA PARA ACOMPANHAR O PROCESSO DE TOMBAMENTO DO CINE BELAS ARTES
José Alberto Gonçalves Pereira/Movimento pelo Belas Artes – 20/04/2011
http://querobelasartes.blogspot.com/2011/04/entenda-como-esta-hoje-o-processo.html
MEMBROS DO CONPRESP
Adilson Amadeu - Conselheiro Titular CMSP
Alfredo Alves Cavalcante Conselheiro - Suplente
Beatriz Ferraz Spisso Conselheiro Titular
Halina Sonia Radecki - Suplente
Walter Pires - Conselheiro Titular DPH/SMC
Nádia Somekh- Conselheiro Titular IAB
José Geraldo Simões Junior - Suplente
Marcelo Manhães de Almeida - Conselheiro Titular OAB
Pedro Augusto Machado Cortez - Suplente
Luiz Ricardo Pereira Leite - Conselheiro Titular SEHAB
Hussain Aref Saab - Suplente
Miguel Luiz Bucalem - Conselheiro Titular SMDU
Luiz Laurent Bloch - Suplente
José Eduardo de Assis Levèfre - Conselheiro Titular SMC
Marcos Cartum - Suplente
Cláudio Salvador Lembo - Conselheiro Titular SNJ
Carlos Eduardo Garcez Marins - Suplente
Wanda Regina Placone da Costa - Secretária Executiva CONPRESP
SMDU - Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano
SMC - Secretaria Municipal de Cultura
CMSP - Câmara Municipal de São Paulo
SNJ - Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos
IAB - Instituto de Arquitetos do Brasil - seção São Paulo
SEHAB - Secretaria Municipal de Habitação
OAB - Ordem dos Advogados do Brasil - seção São Paulo
DPH - Departamento do Patrimônio Histórico
CREA-SP - Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo
CALENDÁRIO DAS REUNIÕES ORDINÁRIAS – CONPRESP- 2011
http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/conpresp/organizacao/index.php?p=3754MÊSDIAS
Maio
10 e 24
Junho
07 e 21
Julho
19
Agosto
02, 16 e 30
Setembro
13 e 27
Outubro
11 e 25
Novembro
08 e 22
Dezembro
06 e 20
domingo, maio 15, 2011
Membros do CONPRESP se mostraram indecisos sobre o tombamento no debate no IAB sexta (mesmo terreiros e até a capoeira já tendo sido tombados e ter até Carta da UNESCO sobre patrimônio imaterial). Tanto o prefeito quanto o Secretário Calil parece que só veem essa solução. O valor dos imóveis no centro subiu 60% em 3 anos. O proprietário tem 23 anos e interesses outros.
Os órgãos representativos estão tão longe da população
(exausta, atarefada, sem fóruns públicos... mesmo com 30 mil assinaturas, o cinema foi fechado e está pichado - http://besidecolors.com/?p=4056)
que muitas vezes usamos o que temos à mão para garantir direitos - foi o caso do direito homoafetivo, quando juízes gaúchos defenderam o direito de pessoas que viveram uma vida toda juntas - e corriam o perigo de não serem vistos como um casal para fins de herança- usando, por exemplo, a ideia de que homem e mulher são iguais perante a lei.
Historicamente, se sabe que o direito na sociedade escravocrata foi criado em defesa das propriedades, direito "patromonialista", principalmente em SP - pelo menos é o que os advogados gaúchos comentam. Como diz a desembargadora Maria Berenice "a ausência de lei não significa ausência de direito".
No debate alguém lembrou que com a Copa e a Olimpíada a terra do Brasil ficará muito cara para a cultura.
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A AIB representa os interesses do mercado imobiliário - entre seus associados estão algumas das maiores incorporadoras do País, como Agra, Cyrella e Coelho da Fonseca. Nas eleições de 2008, a entidade desembolsou R$ 6,1 milhões para financiar as campanhas de candidatos a prefeito e vereador em São Paulo. Os comitês eleitorais de PSDB, PT, PV e PSC também receberam repasses.
http://www.estadao.com.br/noticia_imp.php?req=nacional,aib-e-multada-em-r-30-milhoes-por-doacoes-ilegais,645319,0.htm?p=2
Pelo menos seis integrantes da Comissão de Política Urbana da Câmara Municipal da capital, onde está sendo analisada a revisão do Plano Diretor, receberam doações de campanha de empresas ou entidades ligadas ao setor imobiliário. Foi doado diretamente a esses vereadores pelo menos R$ 1,1 milhão.
O líder do governo na Câmara, José Police Neto (PSDB), foi quem mais recebeu recursos: R$ 545,4 mil. O segundo vice-presidente da Casa, Paulo Frange (PTB), aparece em segundo, com R$ 295 mil; e o presidente da comissão, Carlos Apolinário (DEM), aparece em terceiro: recebeu R$ 200 mil. A Toninho Paiva (PR) foram doados R$ 50 mil.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090622/not_imp390976,0.php
Destinado à execução de serviços e obras de conservação, restauração, reparos, aquisição e manutenção de bens tombados, o Fundo de Proteção do Patrimônio Cultural e Ambiental Paulistano (Funcap) ficou zerado em 2010.
A principal receita do Funcap provém das multas aos proprietários que descumprem as normas de proteção ao patrimônio histórico, cultural e ambiental estabelecidas na legislação vigente.
No entanto, também constituem a receita do fundo, cuja gestão é de responsabilidade do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), "dotação orçamentária; doações; legados; rendimentos provenientes da aplicação de seus recursos".
- Não faltam edificações a serem preservadas. Estátuas, fontes, várias praças. Fica difícil saber qual a prioridade da administração. É triste quando o próprio poder público não incentiva a manutenção de seu patrimônio. Lamentamos muito.
É um descaso. A questão cultural, a preservação da memória da cidade, certamente não está na lista das prioridades da prefeitura. Não preservar a memória da população, suas caraterísticas culturais é uma pena. Inclusive, denota falta de cultura dos próprios gestores - critica a arquiteta e urbanista Lucila Lacreta, diretora do Movimento Defenda São Paulo.
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quarta-feira, maio 11, 2011
domingo, maio 08, 2011
A TV é uma caixinha-de-surpresas, as mesmas.
Ana Maria Braga pergunta a um jornalista da casa por que afinal Bin Laden é tão perverso. Ele responde que é filho de uma mulher secundária! (A famosa “teoria do patinho de borracha”.) Nada mais cansativo do que não pesquisar a racionalidade (mesmo doentia) do outro.
A mesma coisa vejo em relação ao Holocausto quando, ao invés de se pesquisar a questão evolucionista distorcida, a constrangedora eugenia disseminada e o sentimento de “superioridade” de um modelo de vida (americano, alemão, sueco...), e, portanto, nossa semelhança com essa “ciência” e essa normatização, se justifica tudo por um “ele era louco” ou “era contra o ideal de justiça judaico” (Robert Wistrich – “A marca registrada da vocação singular do povo judeu no conjunto das nações da Terra”.)
No SP TV, entrevistam o presidente do metrô (depois da lavada da série de Record sobre o tema) e perguntam por que o metrô do México tem 200 km e o nosso 60, se começaram na mesma época. “Aqui não tem dinheiro federal” – reponde. E fim de papo.
Ah, tá, o Lula deu 2 bilhões pro rodoanel e não quer o metrô? Capacidade de 3 milhões para 19 milhões de habitantes tem alguma explicação? Com 63% do PIB nacional? Fora o caso de que nas creches, por exemplo, o Estado deixa de solicitar a verba federal disponível, um caos. (Não fica parecendo que quem não tem carro não merece o gasto?)
Sem contar a chamada do Jornal Nacional: “Nova forma de calcular a miséria no Brasil”. O Jornal da Band deu: “Governo cria programa para tirar 16 milhões de brasileiros da pobreza extrema”.
sábado, abril 23, 2011
Uma fonte na Prefeitura comentou que o Centro Cultural São Paulo pode ser terceirizado. Claro, como a saúde está um caos, é boa idéia. Os hospitais dizem que recebem pouco e mandam as pessoas para as AMAS (superlotadas, com dois médicos cada) e o governo diz que saúde não é mais com ele, a Globo mostrou. Justamente um lugar com cinema antes grátis (agora 1 Real), com peças a preços populares, Biblioteca de 100 mil volumes. “Sabe como é, tudo vira pago” – diz ela.
Além disso, ouvi de um amigo que trabalha com o setor, que uma terceirização desta, a famosa “Fundação”, que houve com uma biblioteca, transformou o local em templo de Dan Brown e Crepúsculo (que devem estar lá, mas ao lado de Clarice e Drummond). Essa proposta eu ouvi da boca do secretário que hoje está na TV Cultura, que já foi violentada.
Lembra-me muito uma situação que passei no CCSP. Cruzando por ali, ouvi um show que começava. É gratuito, pode entrar na fila e pegar o ingresso, disse um funcionário. Bem, eu fiquei ali e a fila foi se formando atrás. “O sistema está parado”. Havia sido terceirizado. Esperamos uns dez minutos, o show rolando.
O pessoal começou a reclamar. “Onde está o técnico?” – eu perguntei ao segurança, que, bem brabo, dizia apenas “O sistema parou”, “O sistema não funciona”, “O sistema...” Ou seja, o que antes seria resolvido com um bloquinho e uma caneta, agora com o Ingresso Difícil, computer e microfone... E reclame ao Papa. Ao invés de ampliar o “centro” para a extremidade, a “periferia” está chegando ao centro.
quarta-feira, abril 20, 2011
Audiência não responde dúvidas
A longa apresentação do projeto não tranqüilizou os representantes dos moradores, comerciantes e movimentos
http://www.brasildefato.com.br/node/6072
13/04/2011 - Patrícia Benvenuti
Questionamentos e muita tensão marcaram a audiência pública sobre o projeto Nova Luz em São Paulo nesta terça-feira (12) na Câmara Municipal.
Cerca de 200 pessoas participaram do encontro, que contou com a presença do secretário de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem, de vereadores, deputados, representantes do consórcio responsável pelo projeto e, principalmente, de moradores e comerciantes da região.
A audiência iniciou com a apresentação de Bucalem, que definiu o projeto como “uma oportunidade de transformar a cidade”. Por meio de desenhos e gráficos, o secretário mostrou as perspectivas para a região depois das reformas.
O projeto Nova Luz, feito pelo consórcio formado pelas empresas Concremat Engenharia, Cia City, Aecom e Fundação Getúlio Vargas (FGV), prevê a reurbanização da área, com reformas no trecho delimitado pelas avenidas Duque de Caxias, Rio Branco, Ipiranga e ruas Mauá e Cásper Líbero.
Bucalem fez questão de frisar que o projeto apresentado na audiência se trata apenas de uma versão “preliminar”, e que o documento final será concluído no final de maio. Já a licitação para escolher a empresa executora do projeto deve ser lançada em junho. O orçamento do plano urbanístico é estimado em mais de R$ 1,1 bilhão – metade do valor deve ser bancado pela Prefeitura.
Dúvidas persistem
A longa apresentação do projeto, no entanto, não tranqüilizou os representantes de associações de moradores, comerciantes e movimentos sociais presentes.
A principal reivindicação das organizações é a garantia de permanência na área depois das reformas. O presidente da Associação de Moradores da Santa Ifigênia, Antônio Santana, critica a indefinição sobre o destino de quem trabalha e reside na região.
“Desde 2009 a gente pede garantias, ainda antes da aprovação das leis, estamos em 2011 e a resposta [do poder público] é sempre de que o estudo é preliminar”, afirma.
O projeto de lei de concessão urbanística em áreas degradadas na capital paulista e a reurbanização do centro foi enviado originalmente à Câmara Municipal de São Paulo como um único texto. Em seguida, foi desmembrado, dando origem a duas leis aprovadas em 2009: a lei que define as regras gerais para as chamadas concessões urbanísticas (que terceiriza a desapropriação de imóveis), a lei que trata especificamente da concessão urbanística na Nova Luz.
As incertezas também fazem com que a presidente da Associação de Moradores e Amigos da Santa Ifigênia e da Luz (Amoaluz), Paula Ribas, se mostre apreensiva em relação ao futuro. “Será que todas as questões que a gente pontua há tanto tempo serão contempladas no projeto final? O debate é bom, mas e as ações? O que concretamente vai acontecer?”, questiona.
Além de falta de garantias para moradores e comerciantes, Paula Ribas frisa que o projeto apresentado não responde a outras demandas importantes da região.
“O projeto Nova Luz não apresenta alternativas sociais, como no caso dos moradores de rua e dependentes químicos. Como vai se resolver isso?”, indaga.
Por parte dos comerciantes, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas da Santa Ifigênia, Joseph Hanna Fares Riachi, criticou o projeto que, segundo ele, deve tirar o caráter comercial da região. Segundo ele, os trabalhadores serão penalizados em função de interesses da especulação imobiliária na área.
“A Santa Ifigênia cresceu por conta própria, nunca tivemos qualquer incentivo do governo. O nosso desejo é de que o projeto melhore, mas que haja a participação de todos que estão aqui”, afirmou.
Promessas
Depois de ouvir as críticas e reclamações, o secretário de Desenvolvimento Urbano afirmou que todas as questões levantadas na audiência serão contempladas no projeto final.
Ele garantiu que, em caso de desapropriações, os proprietários receberão o valor de mercado por seus imóveis e que aqueles que perderem suas casas poderão permanecer na região.
“O projeto tem obrigação de oferecer uma moradia na área para essas pessoas, isso é uma premissa”, disse.
Já em relação aos dependentes químicos e moradores em situação de rua, ele destacou que o atendimento não está previsto no projeto Nova Luz, e sim por meio da Ação Integrada Centro Legal, trabalho conjunto da Secretaria da Saúde com as Secretarias Municipais de Assistência e Desenvolvimento Social, Habitação, Gestão, Ministério Público e Guarda Civil Metropolitana no atendimento a pessoas em situação de rua.
A vereadora Juliana Cardoso (PT), no entanto, se mostrou cética em relação às promessas.
“O secretário fala em moradia, mas o que a gente mais vê é a derrubada de casas. Um exemplo é o São Vito e o Mercúrio [prédios no centro de São Paulo]. O secretário fala de assistência social, mas a secretária de Assistência Social [Alda Marco Antônio] fechou de 600 a mil vagas em albergues no centro”, afirma Juliana, que pediu mais respeito à comunidade.
Para Juliana, o projeto tem de estar de acordo com a lei, de forma a que os direitos das pessoas sejam respeitados. “Aqui está a vida dessas pessoas e elas querem ser respeitadas”, salienta.
A audiência chegou a ser interrompida em função de discussões e trocas de ofensas entre os vereadores e os comerciantes. Exaltados, os vereadores Roberto Tripoli (PV) e Claudio Fonseca (PPS) foram exigir explicações de um manifestante que, durante uma intervenção, chamou os políticos da mesa de “vendidos para o capital”.
sábado, abril 16, 2011
Ontem, estive na Biblioteca Anne Frank, no Itaim Bibi, fazendo a leitura do diário na Semana da Leitura. A biblioteca foi fundada por Monteiro Lobato. O ambiente é maravilhoso, limpo, claro, com belos jardinzinhos, uma coleção de HQs bem variada e muitos outros livros infantis. O sarau foi delicioso com bandolim, fado, poesias dos participantes, Drummond e outros... Muita gente contou que começou a ler ali quando criança.
Pois é, a Prefeitura vai vender essa área verde e uma construtora quer fazer ali espigões. Realmente o verde é maravilhoso em um dos bairros mais sofisticados da capital. Deve dar vontade de encher de concreto... Sabe como é: as construtoras “terceirizam” creches na periferia (- onde? quando? como? Ninguém sabe). Levando em conta o fiasco da saúde com as O.S.s, da Eletropaulo, das creches, da Telefônica...
Sem falar que os que utilizam os espaços (APAE, creche, CAPS, EMEI, UBS, Biblioteca, Escola...) não são realmente os mais ricos.
Meu plano é Uma Biblioteca por Bairro. Por quê? Porque as minorias não deveriam vencer sempre na democracia e, sim, está provado que os traficantes viram heróis porque dão lazer nas comunidades distantes do centro.
Isso nos leva ao próximo tema: o Diário do Comércio continua sua campanha de “eles e nós”. Uma das capas mais chocantes dos últimos tempos foi a do nosso ex-presidente, recebendo seu honoris causa em Coimbra, sendo ridicularizado com os dizeres: “O título que recebeu... assim vestido, Lula dedicou a seu vice. E, chorando, chegou ao velório...”
Lembrou-me muito o tema da eugenia que eu trabalhei nessa palestra.
Mesmo quando Dilma (ela também sai na capa com freqüência, por exemplo, com um dedo em riste na saída do teatro e uma legenda que debocha do fato de alguém ter lhe chamado de “linda”) está tentando acordo com os chineses, o que vai mudar o panorama da economia brasileira, ela ainda é criticada por falar que “todos os países têm problemas ligados aos direitos humanos”, etc.
É claro que a China se tornou um exemplo do mau-capitalismo mundial, onde trabalho semi-escravo sustenta a maior produção possível e faz girar o acúmulo infinito com custo social zero. Mas isso nos mostra também a contradição na nossa classe empresarial (ou pelo menos no que seria a sua imprensa,) a mesma que fala que nos últimos 5 anos a classe média superou a marca dos 100 milhões. Será que (todos) os empresários serão sempre “do contra”? Afinal, o que é bom para o comércio, radical ideologia ou crescimento? Será que saímos do tempo dos escravos?
Ou ainda achamos, como o eugenista Renato Kehl e os ilustres membros da Sociedade eugênica de São Paulo, que é preciso “cercear a decantada liberdade individual” para a Cura da Fealdade?
sexta-feira, abril 01, 2011
Gostei. Quase chorei. Cantei junto. O meio me empolgou. O protagonista arrasou. Dança, som, tem momentos Broadway do bem, aplaudido em cena aberta. E, como ainda estamos no começo, há tempo para menos tempo. O desafio, aqui, é desfazer todos os estereótipos que temos, atores, público, família, com relação aos travestis. Em progresso - ferida aberta.
O gráfico da peça seria uma parábola, se não acabasse com uma explosão. Entre os mandamentos da encenação estão: comece com a curiosidade, a desorientação; seja breve; acabe intenso, ou logo depois. Eu vi uma propaganda que dizia: comece no topo. Apesar do absurdo lógico, aqui se aplica.
Um “Gift” de Elton John, com ruídos. A apresentação onde os atores se colocam com seus nomes verdadeiros. Polícia, prisão, surra, glamour da biba. Um irmão pega o outro, indicações. Cenas (curtas de uma infância). Europa. Passagem com irmã em Bilbao, cinco palavras para contar uma doença, cama em luz azul com despedida, volta Elton John. Seria a peça do ano.
O dono do cachorro nos leva numa viagem interessante sobre um irmão “bicha”, “pederasta”, travesti, perseguido pela ditadura e que morre. Mas o tema em si é sempre fundo na arte. Conta o impacto. Em um vídeo no fim, mostra-se o diretor, Nelson Baskerville, no início do processo, afirmando que tem o meio, e o começo e o fim sairiam do trabalho colaborativo. Essa é a explicação, talvez, para um início que vai muito lento, biográfico. Com luz muito. Uma frase (“Já viu homem tirar leite?”) foi dita vezes demais. Poda.
Eu vi ontem Dr. Pet mostrando um cão que era muito autoconfiante e que, por isso, precisava ser colocado sobre uma plataforma solta, que era puxada com força, fazendo-o perder o equilíbrio. Parece. É algo paradoxal que na nossa sociedade de desconexão violenta (o que significam tantas imagens cruas na tela?), de preconceitos massivos e isolamento comunicativo tenhamos de começar pelo topo para prender a atenção.
Então eu acho que a peça – com seu belo uso da música, sua cenografia interessante, com as telas ótimas de Thiago Hattnher, luzes, cores e negros adequados – ganharia muito se limpasse vinte minutos e cem palavras. É a diferença entre um relato memorialístico com brilhos e uma síntese cênica perfeita. Como dizia Roberto Alvim, hoje com uma frase entendemos o que no século XIX precisava dez páginas. (Outra sacada: o espectador precisa completar...)
Por exemplo, no final, quando já chegamos lá, volta uma longa descrição de doença, com fotos caseiras que nos tiram do estado “estético” de tentar reconfigurações, de “outra sensibilidade”, com exibição de documentos que não estão em linha causal. Esse “uso” mais curto ou em outro momento, podia ser um elemento a mais, um instigador. Sutileza, sugestão. Menos madrasta. Porque de forma alguma trata-se de uma pessoa, um irmão, uma homem datado.
Os travestis no Brasil perderam seu lugar na sociedade, me dizem. É impressionante que não haja, ainda hoje, lugar para os gays pobres que se percebem em outro corpo, estranho. Ou mesmo para os que têm de assumir outro gênero, porque não cabem no papel sexual. A peça traz à tona essa realidade dura e “marginal”, tão contemporânea na nossa forma de “não ver mais” o que “já foi resolvido”. E saímos com um sorriso.
Afonso Lima
terça-feira, março 29, 2011
No dia 17 de março, acabou o contrato entre o empresário do Cine Belas Artes e o proprietário do imóvel. As pessoas estavam consternadas. Muitas pessoas. Uma moça chorou ao falar comigo: “Eu participei dos abaixo-assinados, achei que iam nos ouvir. Conheci amigos aqui no Noitão, há mais de quatro anos, isso aqui é muito importante para mim”. “Eu sou aposentado e essa é minha diversão”, outro dizia.
Uma senhora contou que vem ao cinema desde mocinha.
Quando as sessões encerraram e a porta foi fechando, as pessoas não pareciam querer sair, e muitas ficaram perdidas do lado de fora, na calçada. Uma amiga estava decidida a dormir lá. Outro parou junto à bilheteria e parecia não acreditar que teria de cruzar para um outro mundo, sem arte. Vimos muitas outras pessoas chorarem. “Eu também estou a ponto de chorar”, me disse uma jornalista. Sem dúvida a multidão que lotou a “última sessão” – os 82 mil apoiadores do Facebook e os 16 mil que assinaram a lista - é a cidade desejando ser feliz.
Essa situação levanta questões bastante profundas sobre nossa sociedade fragmentada (trabalho intenso, transporte complicado, etc.) – por exemplo, de como é difícil fazer valer a representatividade. Vivemos num mundo onde há pouca comunicação. O bloqueio comunicativo é reflexo da concentração e fragmentação operada depois da Revolução Industrial. Somos solitários, assustados, nervosos – refletir é quase impossível. A arte colabora com a reconfiguração dos signos, como querem Guattari e Deleuze, e as trocas nos ajudam a nos situarmos no mundo, os significados alocados na mente nos ajudam a lançar tentáculos para as novas realidades. O oposto disso é a violência.
Por que deve acabar um espaço cheio de vida, de acesso fácil, de boa qualidade e com opções baratas? O que ele significa em termos de espaço para outros pensamentos e qual a importância da diversidade cultural? A nossa democracia nos representa? O lucro individual é o único valor numa cidade? O interesse público não consegue chegar aos nossos políticos? E, mais importante que tudo – onde estão nossos representantes? As autoridades sabem mesmo o que a população quer?
Seremos atores ou objetos desse mundo de concentração de capital?
Precisamos viver.
Afonso Lima – 18 de março de 2011
sexta-feira, março 25, 2011
Dramático que funciona, pós-dramático desfuncional
O cenário é uma beleza, aço escovado, luz do espelho, e dá muita esperança. Entra um Hamlet esfarrapado. Ok, pode ser bom. Mas logo surgem personagens fazendo Glee. Depois uma adolescente em conflito, um ator fracassado... e, claro, uma mulher de meia idade louca-desesperada-morrendo. De repente, um seu vozeirão parece que vai salvar tudo: são três ou quatro números sensacionais, incluindo Piaf, mas que podiam ser um show independente sensacional, Lady Gogó (é Rosana Stavis). Choro e lágrimas, e umas duas cenas de comédia escrachada que seriam um sucesso se o início não fosse drama puro (o travesti arranca risos sinceros). Algumas frases são involuntariamente cômicas: “Sou branca como uma nuvem”, “Eu te amo mais do que você me ama”, e por aí vai. A questão é (repetitiva, mas temos de repetir): somos tão dramáticos? Ainda falamos por sofrimentos tão profundos, ainda conseguimos expressar nossa dor com essa expressividade toda? Lembro que sempre em Malhação tem uns gritos para dar “vida” ao naturalismo boboca. A frase de Nietzsche aqui tem força total: falamos o que está morto em nossos corações. Não fazemos mais drama desde que Tchecov mostrou a banalidade do nosso mal. O que quer que se pense do conceito de pós-dramático, ele retrata o fato de filtrarmos em nossa linguagem cada coisa objetiva, de não termos um eu tão fixo, de sermos contraditórios, de nossa realidade ser tão instável que nos obriga a saltar de um eu ao outro continuamente. Sabemos que o Homem, um ser abstrato e universal, era um reflexo daquele Deus Imutável (e zangado), que até sustentava uma ciência “verdadeira” e um determinismo “já-que-é-assim-tem-de-ser-assim”. Tem uma bomba no caminho. Pelo menos em Pinter sentimos a frieza que é nosso viver macabro e banal, sem religião, sem Estado de Bem-Estar, sem utopia no horizonte. Mas mesmo assim a peça tenta ser “pós-dramática” no sentido de intercalar situações, sonhoXrealidade, etc.
Quero comparar então com Pororoca, que podia ser levada pelas águas do estereótipo: o texto é mais “dramático”, o tema é o pitoresco, há “polêmicas” como prostituição, homossexualismo etc. Só que o naturalismo aqui é muito natural e, além de assumir a ilusão mostrando uma linearidade franca, “irreal”, ou com uma evocação das lendas, por exemplo, logo ganha o público pelo humor simples (o público dá gargalhadas), que é intercalado com cenas do mais puro trágico cotidiano, sem perda para qualquer um deles. O diálogo sempre enriquece os personagens e a ação leva ao seu final previsível, mas tão bem encaminhado que tudo é frescor (ou seja, sempre é o como, porque já sabemos o enredo de Romeu e Julieta). E, no fim, ficamos sim com vontade de ver novamente (talvez por isso os 500 lugares estivessem lotados). Não nos sentimos atormentados por nenhum tratamento “folclórico” do “tipo” nortista. Eu já conhecia um pouco o autor, mas é delicioso ver que o texto ganha vida própria, também pela direção precisa e atores vivos. (Eu encurtaria apenas uma cena ou outra, o que, reduzindo o tempo total, ajudaria a amplificar o impacto. E também seria leal ver mais gente negra e parda - só um! - numa peça sobre o Maranhão, mas não se pode ter tuudo). E como comentou o ator que estava comigo, mesmo não compreendendo muitas palavras típicas da região, nos identificamos pois vemos o que somos e vemos o que suspeitávamos (por exemplo, uma menina vendida pela avó).
terça-feira, março 01, 2011
O prédio tem essa função desde 1943 e, segundo os membros do movimento, colabora com a defesa da diversidade cultural, com a formação intelectual da população, além de servir como local de sociabilização urbana em uma metrópole cada vez mais complexa.
Entidades como o Instituto de Pesquisa e Ação Via Cultural e a APACI (Associação Paulista de Cineastas), ABD - Associação Paulista de Documentaristas São Paulo e CEBEC - Conselho Brasileiro de Entidades Culturais participam do Movimento também enfatizam a função de democratização da cultura promovida pelo cinema através de seu Cine Clube, a importância da revitalização das áreas centrais e do combate à violência através da mobilidade urbanal (os famosos "Noitões", por exemplo, lotam os cinemas durante a madrugada).
Um dos abaixo-assinados em circulação já conta com 16 mil assinaturas. Blogs têm surgido na internet para tentar evitar o fechamento, entre eles querobelasartes.blogspot.com/. Mais de 70 mil jovens apoiam a causa no Facebook.
Muitas pessoas têm enviado manifestações ao prefeito pela desapropriação do local pelo site da prefeitura - gabinetedoprefeito@prefeitura.
O fechamento foi anunciado para dia 10 de março.
http://afonsojunior.blogspot.
Notícia: http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/instituto-pede-ajuda-da-populacao-para-reunir-material-historico-para-tombamento-do-belas-artes-20110302.html
quinta-feira, fevereiro 24, 2011
Olá Flávio Maluf:
Como vai? Meu nome é Afonso Jr. Ferreira de Lima, sou um escritor, o que significa, hoje, basicamente, ser louco o bastante para dizer o que não se deveria, como “todo mundo fracassa”, “eu me dei mal”, “uma moeda sempre tem dois lados”. Nesta semana falei com um amigo meu, que parecia arrasado: sua voz quase não saía. “Vão fechar o cinema”, ele disse.
Então fiquei tentando animá-lo (o que é um cinema, afinal?) e percebi: eu também estava arrasado. Porque talvez essa cidade não seja apenas um monte cimento, de carros, “salve-se quem puder” e “seja homem”! Quando eu estou exausto, quando quero lembrar que temos emoções humanas, quando quero conhecer outras pessoas e sair de minha casquinha: eu vou ao cinema!
Lá eu conheci como somos esquisitos com Medos Privados, vi o quanto estamos sozinhos e podemos nos conhecer, com Um dia muito especial, descobri que o amor é mais do que sabemos e tudo bem com Jules e Jim. Conheci Paris com Paris, tive medo de nós com Ensaio sobre a Cegueira, e chorei com Não Matarás, onde se mata um jovem que luta para viver!
Então percebi que nós, como humanos, precisamos aprender com os outros. Nada acontece como queremos, e nossos amigos nos dizem que estamos errados. Eles podem ser Shakespeare, Quixote, Ingmar Bergman.
Se a violência é nosso pão de cada dia, deve-se também ao fato de termos nos tornado pedra. Sem memória, sem uma história para contar, sem orelhas. A cidade não pode parar (especulação imobiliária é isso), mesmo fechada na garagem. Não precisamos ser nada além do que somos, precisamos sim fazer parte. Descobrir o que somos. Para que(m). Vencer o medo. Vamos falar somente através dos negócios e do sexo? Grana nenhuma pode comprar o que ser generoso gera, ligações, sorrisos.
No mundo do caos, as histórias nos lembram de que somos assim, estamos sozinhos e somos iguais. Conheci pessoas milionárias o bastante para saber que o dinheiro pode ajudar você a se destruir se não for uma pessoa feliz. Muitas coisas boas estão dentro de todos nós, mas precisamos vê-las para que elas saiam. Meu amigo triste pode conhecer novas coisas. Mas é bom ficarmos com as que conhecemos, mesmo sabendo que tudo flui. Você é um homem livre, apenas lembre que queremos você na cidade, porque só vivendo juntos seremos alguma coisa. E o cinema é parte disso.
Afonso Lima, 2011
