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domingo, janeiro 30, 2011

Homem que vive na esquina

Homem que vive na esquina

Como você passou hoje?

Qual o seu nome?

Amanhã você estará vivo

Como eu?

Tua roupa rasgada, olhos feridos

um saco de urina, no cimento

Você não sorri há muito tempo

Eu queria saber o que já aconteceu

Sol, multidão, ônibus

Nunca te vi falar

Talvez eu seja lembrança amanhã

E você lembre de minha moeda

Esses metais sem nome

Porque o mundo é cinzento

Se ninguém lhe dá seu eu

Ninguém cura a ferida

Todos nós sairemos daqui

A verdadeira morte é o esquecimento

Tudo que brota da noite é vida.


Afonso Jr. Lima
Eike Batista

"Eu não tiro meu chapéu para as elites brasileiras..." Quando perguntado -que surpresa!- sobre a Bolívia, ele apoia as mudanças! Sempre elogiando o governo Lula!
Empresário precisa ser cafageste?


sábado, janeiro 29, 2011

Nossa! José Dirceu nocauteia e mostra o que é monopólio de ideias! Quem são nossos entrevistadores, meu Deus! Todos da Veja! Com certeza existem entrevistas mais constrangedoras para o jornalismo do Brasil, mas devo conhecê-las.

Esse Augusto Nunes - lembra da entrevista com Contardo Calligaris, "O brasileiro é grosseiro... uma figura vulgar", esse estadosunidoscentrismo entreguista! -vem pra bater no convidado sem vergonha! Será que a Fox não tá precisando de alguém? "Eu gostei mais das perguntas do que das respostas!"

A cara de nojo para Dirceu é demais... E teve ainda Guilherme Fiuza dizendo: "Vocês vão invadir o Sítio do Pica-pau Amarelo?" Que bonitinho é ser simplista!
Isso não é entrevista, é uma conspiração! Assume-se fortemente que é um lobbysta (mas isso NÃO é negativo!), que usa poderes ocultos e ninguém sabe de onde vem seu dinheiro e então... vamos perguntar. Toda pergunta vêm com um sorriso irônico de "consenso".
Não é descobrir alguém! E quanta falta de informação!

Nossa! Mais uma vez a Record arrasou com sua série sobre o caos do transporte! Parece que - no mundo do toma-lá-dá-cá - alguém resolveu falar da vida como ela é... Incrível!

Foto da Semana - vem cá, te conheço?





sexta-feira, janeiro 28, 2011

PAGUE O GRATUÍTO

O provedor Terra está fazendo o pior tipo de plano de expansão! Quando você coloca o Speedy da Telefônica (ela mesmo não é modelo de atendimento, eu fiquei um mês esperando meu modem e , depois de gastar meu latim com o atendente, ligo dois dias depois e... não há nenhum cadastro!)

você é obrigado a ter uma senha (!!!) então você tem de ligar para o (en)Terra (que te atende- aproveite) e não te dá opção de não aceitar os 30 dias de "teste" dos produtos! Vocês já viram tudo, né?

(Próxima vez vou usar minha dança de macaco com gritos - NÃO! NÃO! SOU UM PSICOPATA PERIGOSO!)

Sim, era para acabar dia tal, eu pensei, mas antes chegou uma fatura, 69 Reais!
Ligo para lá, 30 minutos no telefone! Ninguém te atende! (Tem ainda o "atendemos até às 17h...)
"O Procom não pode fazer nada porque o senhor aceitou..."
Um dia: "Mas qual o motivo?"
"O Senhor recebeu uma fatura? Podemos fazer uma fatura de 25 por mês se o senhor aceitar...."

Era uma vez o capitalismo onde ou você era útil, ou acabava (né, GM)...

***

FORNO ALEGRE

Será a depressão? A central? Eu acho que é o Guaíba, se ele fosse uma cachoeira....
A verdade é que, falando com um taxista, ele contou que ano passado seu painel marcava 46º, e ele passou por um termômetro na Avenida Beira-Rio, ao sol, e marcava 48º.
Como diz meu irmão - não se pode sair da frente do ventilador...

Minha aposta é que, caso não haja um reflorestamento, seja colocado um umidificador gigante ou criado um ventilador gigante num lago com quedas, o que hoje é regime de praia (nunca sair das 10h às 16), vai evoluir para um deserto. De gente.

Mas deve ter algo a ver com os 80% de umidade do ar, pois quando eu atravessei uma rua na Cidade Baixa senti algo como dois motores de carro atirando ondas de calor na minha cabeça.
Caminhar uma quadra na Azenha é pagar o pecado antes, querer esquecer tudo e ir pra casa tomar banho: quero minha burca anti-radiotiva, sombrinha branca ou ar condicionado cesta-básica!

(Ah, que delícia São Paulo com seus 34 graus e 150 Km de engarrafamento...)
Sem brincadeira: duas pessoas falaram sobre "abrir um forno". É a sensação do "sul", que os paulistanos pensam ser uma Serra nevada...

Talvez em 50 anos vamos ter uma cidade fantasma ou uma cidade só para aristocratas, capazes de viver de um ar condicionado ao outro. Eu, pelo menos, dormi como um anjo sem desligar o meu, salve CFC!

segunda-feira, janeiro 24, 2011

19/01/2011 - 08:48 | Igor Fuser | São Paulo

Surpresa: a Tunísia era uma ditadura

Quando eu ingressei como redator na editoria de assuntos internacionais da Folha de S.Paulo, um colega veterano me ensinou como se fazia para definir quais, entre as centenas de notícias que recebíamos diariamente, seriam merecedoras de destaque no jornal do dia seguinte.

"É só olhar os telegramas das agências e ver o que elas acham mais importante", sentenciou. Pragmático, ele adotava esse método como um meio seguro de evitar que o noticiário da Folha destoasse dos jornais concorrentes, os quais, por sua vez, se comportavam do mesmo modo.

Na realidade, portanto, quem pautava a cobertura internacional da imprensa brasileira era um restrito grupo de três agência noticiosas -- Reuters, Associated Press e United Press International, todas afinadíssimas com as prioridades geopolíticas dos Estados Unidos.

Passadas mais de duas décadas, a cobertura internacional da mídia brasileira ainda se orienta por diretrizes estrangeiras. A única diferença é que agora as agências enfrentam a competição de outros fornecedores de informação, como a CNN e os serviços de empresas como a BBC e o New York Times, oferecidos pela internet.

Mas o conteúdo é o mesmo. O resultado é que as informações internacionais que circulam pelo planeta, reproduzidas com mínimas variações em todos os continentes, são quase sempre aquelas que correspondem aos interesses de Washingon.

Quem confia nessa agenda está condenado uma visão parcial e distorcida, uma ignorância que só se revela quando ocorrem "surpresas" como a rebelião popular que derrubou o governo da Tunísia.

De repente, o mundo tomou conhecimento de que a Tunísia -- um país totalmente integrado à ordem neoliberal e um dos destinos favoritos dos turistas europeus -- era governada há 23 anos por um ditador corrupto, odiado pelo seu povo. Como é que ninguém sabia disso?

A mídia silenciou sobre o despotismo na Tunísia porque se tratava de um regime servil aos interesses políticos e econômicos dos EUA. O ditador Ben Ali nunca foi repreendido por violações aos direitos humanos e, mesmo quando ordenou que suas forças repressivas abrissem fogo contra manifestantes desarmados, matando dezenas de jovens, o presidente estadunidense Barack Obama e sua secretária de Estado, Hillary Clinton, permaneceram em silêncio.

Não abriram a boca nem mesmo para tentar conter o massacre. Só se manifestaram depois que Ben Ali fugiu do país, como um rato, carregando na bagagem mais de uma tonelada de ouro.
O caso da Tunísia não é o único na região.

No vizinho Egito, outro regime vassalo dos EUA, Hosni Mubarak governa ditatorialmente desde 1981. Suas prisões estão lotadas de opositores políticos e as eleições ocorrem em meio à fraude e à violência, o que garante ao governo quase todas as cadeiras parlamentares.

Mas o que importa, para o "Ocidente", é o apoio da ditadura egípcia às posições estadunidenses no Oriente Médio, em especial sua conivência com o expansionismo israelense.

Por isso, a ausência de democracia em países como a Tunísia e o Egito nunca recebe a atenção da mídia convencional, ao contrário da condenação sistemática de regimes autoritários não-alinhados com os EUA, como o Irã e o Zimbábue. É sempre assim: dois pesos, duas medidas.

*Artigo publicado originalmente no Brasil de Fato. Igor Fuser é jornalista, doutorando em Ciência Política na USP, professor na Faculdade Cásper Líbero e membro do Conselho Editorial do Brasil de Fato.

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Conheça aquilo que não queriam que você soubesse

www.brasildefato.com.br

domingo, janeiro 16, 2011

Há muito tornou-se constrangedor pensar na vida do dia-a-dia para qualquer intelectual sério, pensar em como conduzir bem a vida, por exemplo. Como dar conselho é anacrônico, devemos esquecer que precisamos decidir, olhar para trás, prever. Se o certo é quebrar tudo, não tem sentido pensar no que é certo, mesmo se o mundo explodir. A filosofia é uma múmia.

Fico muito impressionado com essa nova aristocracia que está se criando dos "vanguardistas eruditos", capazes de educar os ignorantes com o pensamento-dinamite pós-alguma coisa.

Um deles afirmava, com a força dos revolucionários, que não havia problema algum na educação senão a tentativa de se reerguer a "autoridade". Uma, agora, afirma que os jovens sempre foram isolados -ela, por exemplo, via TV a tarde toda - que não há nada de novo.

Um professor comentava que uma orientadora desprezava as boas idéias de seu orientando, que desejava entrevistar vários atores, afirmando que ele deveria apenas "dar voz aos próprios sujeitos da pesquisa".

Claro que muito do que se fez no contexto europeu como reflexão surge aqui apenas como eugenia, eurocentrismo e elitismo e que novidade é poder. Preocupo-me quando um saber se torna tão estranho a seu contexto, tão parcial, que, para defendermos o positivo do maior diálogo entre pais e filhos, por exemplo, negamos que existe um distanciamento entre eles, documentado por qualuqer professor com quem se converse.

Ou que, mesmo que sempre tenha havido o isolamento dos jovens, não havia o hikikomori que não sai mais do quarto e a intransigência, agitação e impaciência da geração Y-now.

Estaremos tão mergulhados na especialização que defendemos uma ideologia, querendo desconstruir no contexto da hiper-exploração? O sofrimento humano e a miséria sumiram do mapa no mito de que a verdadeira revolução é a dos valores, onde se pode debater tudo, menos a injustiça dos poderosos? Revolução como venda.

A filosofia do martelo se tornou, quem sabe, a nova erudição empoeirada.

segunda-feira, dezembro 20, 2010



Tom Ford é alguém que consegue fazer até Beyoncé ficar chic-ousada :)
Seu look tem cheiro de noir, Agatha Christie e vontade de mistério...

http://thefashionlamp.wordpress.com/2010/11/14/tom-ford-new-collection/
E parecia que o brilho ia derrubar a diva!

domingo, dezembro 19, 2010

De fato, a Record está superando todas as expectativas em seu jornalismo.
Morar na Rocinha e no Alemão, na 25 de Março, mostrar notícias de Belém e de casos sobre a terceirização da saúde, criticar o "estupro" fake do Assange, são exemplos de um novo ar no jornalismo. Já perdi as contas do número de vezes que troquei de uma fria informação eixo-Rio-São Paulo para a simpática Ana Paula Padrão!

Criador do WikiLeaks está preso
por fazer sexo sem camisinha



quinta-feira, dezembro 16, 2010

Traduzindo SAILING TO BYZANTIUM - de William Butler Yeats

Apesar da bela versão de Augusto de Campos, gostei do desafio. :)

VIAJANDO PARA BIZÂNCIO
Tradução: Augusto de Campos


Aquela não é terra para velhos. Gente
jovem, de braços dados, pássaros nas ramas
— gerações de mortais — cantando alegremente,
salmão no salto, atum no mar, brilho de escamas,
peixe, ave ou carne glorificam ao sol quente
tudo o que nasce e morre, sêmen ou semente.
Ao som da música sensual, o mundo esquece
as obras do intelecto que nunca envelhece.


Navegando para Bizâncio

Não é um país para homens velhos. Os Jovens

Uns nos braços dos outros, pássaros nas árvores,

Essas gerações que morrem – em sua canção

Saltos de salmão, cavalas-pululam nos mares

Peixe, carne, ou ave- celebram por todo o verão

O que for procriado, nascido, e morre.

Pegos naquela música sensual são abandonados

Monumentos do intelecto nunca mudado.

Afonso Jr. Lima


That is no country for old men. The young
In one another's arms, birds in the trees —
Those dying generations — at their song,
The salmon-falls, the mackerel-crowded seas,
Fish, flesh, or fowl, commend all summer long
Whatever is begotten, born, and dies.
Caught in that sensual music all neglect
Monuments of unageing intellect.



sexta-feira, novembro 26, 2010

Pedras

Quando eu era criança, meu pai dizia: “Você quer ser uma águia ou uma pedra?” Eu sabia a diferença, as águia seguiam livres, sempre melhoravam e tudo que precisavam era de um céu. As pedras eram chutadas pelos outros.

Um dia, cansado de ver tantos corpos expostos ao frio, a chuva, gente dormindo na pedra fria, tive a ideia de ligar para algum serviço da prefeitura. Um pouco surpresos, os funcionários me davam um telefone atrás do outro, até que descobri.

A primeira vez que liguei foram gentilíssimos, inclusive me ligando no dia seguinte para informar que sim, as pessoas haviam sido recolhidas.

Mas os dias frios continuaram. Eu sabia que provavelmente eles estavam pelas ruas, provavelmente o livre arbítrio da sociedade livre deveria prevalecer, mas a cena miserável dessas pessoas degradadas, alguns rostos tão sofridos que parecem mesmo alienados, sem estarem de fato drogados, me deixava chocado. Que fazer?

É claro que isso deveria levar à questão sobre o acesso, a informação, a capacidade do sistema e até mesmo sobre a história do Brasil e dessas pessoas: quem são como chegaram até aqui? Que ambiente é esse para o qual as pessoas não desejam ir (as rápidas visões e informações que eu tivera descreviam o inferno).

Passei a ligar sempre que um dia mais frio acontecia. Dia a pós dia, mudavam alguns atores, a tragédia permanecia, ainda mais que se ouve falar de redução nas vagas e na extinção de albergues no centro, tentando "limpar" à força a cidade. Provavelmente não era lógico, mas aquelas pessoas seriam lembradas de que eram seres humanos. Legal.

A ligação de cortesia sobre o resultado sumiu na terceira vez. Aos poucos o telefone passou a não atender. Tudo bem, hora do café.

Na penúltima ligação eu perguntei: "Tenho ligado quase todo o dia, será que há outra forma de resolver isso?" Uma moça simpática disse que eles eram avisados do local do albergue. Ok, mas pelo estado das pessoas, talvez isso não fosse tão fácil.

Na noite seguinte vi outro corpo, enrolado em lençol, três prédios a frente. Chovia um pouco, a noite mais fria do ano, anunciava o jornal. Lá pelas duas da manhã, acordei com a chuva que explodiu. Tive de ligar.

Na voz mais grosseira do mundo: "O Senhor tem ligado todo dia. Eu não vou mais abrir solicitação!" Subitamente me vi no papel de criminoso.

"Desculpe, eu apenas passei ali mais cedo, vi essa pessoa, queria ajudar, mas se não é possível..."

"Não é que não se queira. As pessoas que estão ali já sabem sobre o alberge!"

A voz responde, irritadíssima: "Vou abrir solicitação" e, praticamente, desliga na minha cara.

Então, percebi, que eu era apenas uma pedra.


Ajr

Legal...

by BBC/ mixbrsil

O trio Delphic, de Manchester, ficou ficou em 3º lugar em uma lista da BBC que indica os artistas que devem despontar em 2010.

Mais de 165 formadores de opinião, entre críticos, blogueiros e jornalistas, votaram.

Avesso a definições, o grupo diz que mistura a euforia da dance music com elementos emocionais da música indie, acrescentando uma pitada da “melancolia” de Manchester para criar um estilo próprio.



quinta-feira, novembro 25, 2010

As duas piores entrevistas da história

(uma delas, muito boa...)

O que leva alguém a iniciar uma entrevista dizendo “além de velho, punk e católico, como o senhor é descrito...” (sim! descrito pelo come-tudo-Murdoch - seria tanta a ingenuidade?), principalmente em se tratando do inacreditável crítico Terry Eagleton, uma das leituras contemporâneas mais intrincadas, lúcidas e abrangentes - Harold Bloom diria, muitas vezes, depois de Shakespeare!

Por que começar com a petulância sofisticada do “centro” na moda no estilo “já que o marxismo é uma piada, vamos entrevistar esse marxista”... e continuar com “o senhor disse que o futebol era o novo ópio do povo, já que está no Brasil”...

E, evidentemente, na continuação, poderia ter evitado o que soou como ironia batida sobre a "fé no marxismo", e ficado sem a merecida "o que você chama de fé... primeiro, todo mundo tem fé em alguma coisa." ("Ah, sim foi nessa fé que eu falei...")


E o que leva alguém a tratar Madonna com superioridade como alguém que "escolheu seu primeiro nome" e “concedeu ao marketing (sic)”?

Uma produção canhestra que nunca fez Vogue, claro... (ou sim!)

Bem, a eleita maior bizarrice do nosso mundo midial... Histórico...






segunda-feira, novembro 22, 2010

Yeats Unplugged

A preguiça me faz querer Yeats em pt.
Mas nada me irrita mais do que traduções empoladas, que falam mais e pior que o autor.

O pobre Whitman sofre com suas "Folhas pela refulgente Relva levadas" e a Ilíada (como já comentei) eu até transformei (bem ou mal) em teatro só pelo prazer de acabar com os "bronzelínios bronzes brilhando solincandecentes" ...
É a velha idéia de "Alta Cultura", tudo que é de fora e não pode ser apenas "bronze".

Então, aí vai, com dicionário e tudo...

THE LAKE ISLE OF INNISFREE (1892)

I will arise and go now, and go to Innisfree,
And a small cabin build there, of clay and wattles made;
Nine bean rows will I have there, a hive for the honeybee,
And live alone in the bee-loud glade.

And I shall have some peace there, for peace comes dropping slow,
Dropping from the veils of the morning to where the cricket sings;
There midnight's all a-glimmer, and noon a purple glow,
And evening full of the linnet's wings.

I will arise and go now, for always night and day
I hear the water lapping with low sounds by the shore;
While I stand on the roadway, or on the pavements gray,
I hear it in the deep heart's core.


Eu vou surgir e ir agora, e ir para LivreMundo

E uma cabana pequena lá fazer, feita de argila e vime

Nove fileiras de feijão lá terei, uma colméia de abelhas mel

E viver só na clareira som-de-abelha


Eu devo ter alguma paz lá, a paz vem em lentas gotas

Pingando dos véus da manhã para onde canta o grilo

Lá a meia-noite é toda trêmula, o meio-dia um brilho violeta

E a tarde cheia de asas de pardais.


Eu vou surgir e ir agora, para sempre noite e dia

Eu ouço a água murmurando graves sons pela margem

Enquanto eu continuo na estrada, ou nos caminhos cinza

Eu ouço no profundo fundo do coração.



Versão
Afonso Jr. Lima

domingo, novembro 21, 2010

Grandes entrevistas

Marcel Proust

Entrevista extraída da revista Espaço & Debates, v. 11, nº 33, 1991

* * *

Nos últimos anos de sua vida, Marcel Proust se isola no seu quarto de doente. É lá que ele escreve Em busca do tempo perdido, cujo primeiro volume é publicado em 1913. Um ano antes, no mesmo recinto, ele concede a entre­vista abaixo (extraída da revista Globe, nº 59, julho/agosto 1991).

No seu quarto, com as venezianas quase sempre fechadas, Marcel Proust está deitado. A luz elétrica acentua-lhe a palidez do rosto, mas dois olhos admiravelmente vivos e febrís reluzem sob a cabeleira desfeita, encobrindo a testa. Proust continua escravo da doença, mas já não o parece quando indagado sobre sua obra, se anima e fala.

http://www.tirodeletra.com.br/entrevistas/MarcelProust.htm
Ótimos documentários sobre livros...

Grandes Livros - Episódio 8: "Livro do Desassossego", Fernando Pessoa

segunda-feira, novembro 15, 2010

A ciência do comportamento e como aplicá-la nas empresas
CBN -Mundo Corporativo

Entrevista com Orlando Pavani Júnior, diretor-executivo da Gauss Consulting e especialista em Ciência do Comportamento

http://cbn.globoradio.globo.com/programas/mundo-corporativo/2010/01/23/A-CIENCIA-DO-COMPORTAMENTO-E-COMO-APLICA-LA-NAS-EMPRESAS.htm
Duo

Lá vem
sol
caminhamos sem rumo
o pensar se abre
há sempre outra porta

E o que importa
é estarmos juntos
criarmos ouro
criança

A esperança
passado é futuro
ouro quente
semente de paz
nossa dança

o sol
nossa vida
sem centro e sem selo
desespero,
pular por sobre
em direção à
o mar

Quixote no espaço
gente é pulo
outro ser
alegria da cartola
limonada, omelete
sozinho, no olhar
matar o dragão
dizer não ao não
tempero no aço
tudo cria
o tempo
não se aquiete
nada se repete
é o caminho
viver

não me diga a felicidade
a verdade
é estar vivo
atento
ter corpo lá dentro

rumo ao farol
nossa história
a calma do inverno
sem modelo
primavera da alma
vale
juntos
o agora é que pode
a dança
torta
do sol
a memória
da vitória
há sempre outra porta



Afonso Jr. Lima

sexta-feira, novembro 12, 2010

Amar

O Conhecimento mata
curiosidade vivifica

o conhecimento destrói
e também edifica

conhecer é julgar
e um modo de vida
sem contraditório
parasita

a verdade é o dia
o saber é finito
salva o riso
arte, pensar com sabedoria

conhecer não é
celeste
sabemos tanto
que tudo perdemos
o mundo não passou
no teste

Um pouco de saber
é sempre profundo
te dou todo o vazio
se me adorares

conhecimento é esperança
ser sem saber
o mistério
jogar faz o infinito

meu mel não cura ferida
não trabalho para agradar a Deus
Deus é meu vinho e renasce
uma criança da dúvida

pessoas: o novo
saber agora é mais que céu
além da razão
que glorifica o meu
toma a colher sagrada, símbolo de nosso jogo
a verdade e o mito se fecundam

uma brincadeira de circo
aqui e agora
com sentido de nada

mas que desenrola e desata
fingindo

pensar é pouco
pensar o coração
o não
Pensar para unir

que sabemos nós, nessa louca jornada
senão que estamos
e somos a tribo

e que o ouro aqui não é lá
e que dominar é pouco
saber semente
quer chão

knowledge is misunderstanding
conhecer para amar

Afonso Jr. Lima

sábado, outubro 30, 2010

Não criança

Teu nome era criança
Não podes passar aqui
As boas coisas da vida
Nao são para ti

Mas e se houvesse cavernas
e a verdade estivesse no mapa
se houvesse camadas
nessa tal realidade

o segurança te expulsa
menino com caixa suja
o pensamento de Fausto
em que lhe ajuda?

Teu nome era criança
mas foges do perigo
da lógica enlatada
e um poeta sabe que nada
Acaba com o infinito


Afonso Jr. Lima

sexta-feira, outubro 29, 2010

Verde


Como eu fiquei nessa situação?
Onde está o inferno, o veneno, a chama?
Olha, eu vim do interior, que lá a coisa tá feia.
Não existe o inferno e por isso também não há a paz
Passar fome na capital é outra coisa!
A alucinação é o pão nosso, eu derramei-me
Eu tenho dormido embaixo da entrada da Assembléia, não dizem que é a casa do povo?
O inverno o conforto
O guardinha sempre deixa eu ficar ali.
O barco bêbado
Devo dormir antes do último jornal
É um vão de verde onde canta o riacho
Descia rios impossíveis
Dormir não que o que a gente faz é ficar abraçando as coisinhas da gente
Não me sentia mais guiado
Daí de dia a gente fica nas Bibliotecas dormindo em cima de Machado
Muita gente diz que dá sono mesmo os peles-vermelhas
Lhes tomaram por alvo
Ah, quando eu vim pra cá eu tinha emprego sim
Pregando-os nus aos postes coloridos.
Eu era auxiliar de serviços gerais numa escola. Eu dormia lá.
Eu era inconsciente de todas as cargas levando
Ai a diretora me chamou disse: “temos de cortar custossss”.
“Custossssss!” Era eu!
O trigo flamengo ou o algodão inglês
Quando meus guias acabaram seu tumulto
Os rios me deixaram ir aonde eu queria
Que fosse gente, eu pensei, descobri que era
No burburinho furioso das marés
Nada
Aí comecei a viver nas ruas, eu e minha mochila. Eu corria!
Eu, o outro inverno, mais surdo que os cérebros de crianças,
Ah, de noite vem aquelas vans, e dão massa em copinho de caixa de leite.
E as penínsulas sem amarras outro inverno
Ou é massa ou é sopa! Argh! Será que aquilo é limpo?
Não tiveram clamores um dia
Eu levei a mão - e uma dona disse
Você? Mas você tem olho azul!
Aí eu: olho azul não enche barriga dona
Verde de fome gente rica é burra?
É um vão de verde onde canta o riacho
Como a gente toma banho?
Perdido, um buraco onde os raios caem
Ah, tem uma fábrica que domingo fica só com o segurança
Como sorri no sono um menino
Ele deixa a gente encher três baldes de água e a gente toma banho de calção na calçada
Dorme na relva a mão no peito
De calçããããão! Que nem no Big Brother
No lado direito
Sexo? É difícil... é mais companheirismo, a gente se dá a mão, essas coisas.
Dois furos no peito.


Afonso Jr. Lima/ Rambô

quinta-feira, outubro 28, 2010

Comprei, adoro!


Nova York e Leipizig são exploradas em romance juvenil

Rosana Rios e Regina Drummond autografam lançamento no dia 28

Aqueles que adoram conhecer outras cidades, ouvir novos sons e apreciar belas artes têm encontro marcado no lançamento de dois títulos que acabam de chegar às livrarias pela Editora FTD. Marcelo descobre a Alemanha, de Regina Drummond e Uma canção em Nova York, de Rosana Rios estreiam a coleção Intercâmbio que remete a uma verdadeira troca de culturas e novas experiências.

No dia 28 de outubro, as autoras que já tem diversos livros publicados, autografam seus lançamentos na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista. A proposta da coleção é trazer para o leitor a grande diversidade que as experiências de intercâmbio proporcionam.

Em Marcelo descobre a Alemanha, Regina Drummond revela através do olhar do protagonista que viaja ao país para ficar durante um ano, aspectos históricos e culturais da Alemanha, em especial da cidade de Leipizig. O Muro de Berlim, a Segunda Guerra Mundial, a Baviera, a vida e a obra de Goethe formam cenários deste livro.

Os sons das ruas de Nova York são o pano de fundo de Uma canção em Nova York de Rosana Rios. Marcada pelo suspense – característico da obra da autora –, a narração traz a multiplicidade da vida numa das maiores cidades do mundo, habitada por personagens vindos de diferentes partes do planeta.

O lançamento acontece às 18h30 da próxima quinta-feira, dia 28 na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, nº 509.

Lenine e sua banda arrasam!

sábado, outubro 23, 2010

Corra como um Coelho: no in-joke.



O título pode ser perigoso: seria uma brincadeira de meninos ricos sobre Alice, pop inside joke, vamos ser loucos, vamos ser velhos?

A coisa mais difícil, hoje, é ser surpreendido. Arte é ousadia, mas como ousar se vivemos uma tirania das normas: sexo, beleza, O Sucesso? Idéias, marcas, política global. Para sermos aceitos temos de ser corretos: gestos, livros, excesso.

Somos a sociedade exausta de novidades, e carente, enquanto a outra parte está suja e têm o estômago em coro. Já vi tanta coisa que é chata, não tem rebeldia, é só rebelde de novo. Não: cenário vintage, figurino lindo, Broadway, italianos burlescos, no momento da Itália suvenir.

O gesto, que estabelece, divide, sonha, nasce de uma postura, de um tema fundamental, jogo de atores ancestrais e externos, um interesse ético-(sim)político. Um nada-sei, que desperta o desejar, que alimenta de imagens o fio que sustenta tudo invisível.

Então, como os dadaístas eram birutas, parece fácil ser artista. Acabaram os critérios.

Contestação segundo o manual, inovação para inovar, atualidade européia, a favela de Pixinguinha, favela enlatada.

Viciados em adrenalina, vítimas, gozadores profissionais. Tudo o que poderia causar choque foi ocultado: pobre rico, pensar junto, pessoas gordas, distribuição, vida cotidiana. O contexto. Por isso somos chatos, não estamos em lugar nenhum, tudo é igual a tudo. A exploração foi excluída, nosso discurso morre. Bairros, países, massas inteiras sumiram do mundo.

Se meu filho atrapalha meu trabalho, perco o filho: existo quando me respondem. O processo é mais ou menos esse, como na família onde um filho morto cria uma sombra: se é selva, cada um por si, se temos de fazer parte à força da minoria dos privilegiados, se não podemos ver o todo, prever, participar e ter esperança, essa sombra gera angústia que nos aprisiona no mesmo, na incomunicação, no julgamento, o que mata a renovação. A vingança do morto.

E o coelho? Nonsense sem perder a cabeça. Porque Lewis Carroll (calma, ele não aparece!) só existe se tudo for lógico.

Sim, a sociedade do entretenimento da informação, zorra total (o mal é ser exclusivo), onde New York é mais próxima que M´boi, estereótipos, onde a clínica psicanalítica fala de sombras, espectros, todos são de outro planeta, sem chão, sem “raiz e fibra”, um Orlando rolando por aí.

Fernanda Camargo e sua trupe de inova-tores (Tomás Decina, Pedro Cameron e Carolina Bianchi, um gênio da comédia-dark), consegue rir de si mesma, falar da vida de plástico, colocar a arma na boca da personagem, levantar a plaquinha de aplauso, pensar.

Não é fácil.

Afonso Jr.

quinta-feira, outubro 21, 2010

Arrasou, bee...


Mika- Rain

Eu percebi que minha rua nunca teve "moradores", de repente...

Pode? - do Conversa Afiada...


Governo Kassab tenta expulsar mendigos jogando água fria nos colchões



“Brasília Confidencial” via Azenha:


Na contramão das políticas de inclusão lançadas pelo presidente Lula em todo o país, em São Paulo os governos de José Serra (PSDB) e de Gilberto Kassab (DEM) se tornam, a cada dia, mais excludentes.


Além de frequentes cortes de gastos com programas sociais, particularmente na capital paulista a Prefeitura tornou rotineiro um tratamento cruel aos miseráveis, inclusive com o uso de jatos de água fria sobre colchões e papelões que homens, mulheres e crianças juntam para para vender e usam para dormir.


Um levantamento de Brasília Confidencial mostra que até marcas da propaganda nacional do Governo Serra, como os programas Renda Cidadã e Ação Jovem, foram reduzidos em todo o estado.


Na contramão das políticas de inclusão lançadas pelo presidente Lula em todo o país, em São Paulo os governos de José Serra (PSDB) e de Gilberto Kassab (DEM) se tornam, a cada dia, mais excludentes.


Além de frequentes cortes de gastos com programas sociais, particularmente na capital paulista a Prefeitura tornou rotineiro um tratamento cruel aos miseráveis, inclusive com o uso de jatos de água fria sobre colchões e papelões que homens, mulheres e crianças juntam para para vender e usam para dormir.


Um levantamento de Brasília Confidencial mostra que até marcas da propaganda nacional do Governo Serra, como os programas Renda Cidadã e Ação Jovem, foram reduzidos em todo o estado.


O Movimento Nacional da População de Rua estima que o número de moradores nas ruas da cidade de São Paulo aumentou de 12.000, em 2005, para 20.000, em 2010. Quase dobrou, portanto, em cinco anos. Ao mesmo tempo, o número de vagas nos albergues diminuiu.


De 2008 para cá o Governo Kassab desativou dois albergues que tinham 700 vagas mas chegavam a reunir mil moradores de rua. Outras 485 vagas serão canceladas neste ano. Nos três anos anteriores, incluído o governo municipal de José Serra, 350 vagas foram eliminadas.


EXPULSÃO

Os mendigos superlotam os viadutos do Centro da capital, de onde Serra tentou primeiro e o Governo Kassab tenta agora expulsá-los à força de jatos de água jogados pelos caminhões da Prefeitura nos colchões e nas caixas de papelão que recolhem para vender e onde dormem.


A intenção de Kassab é afastar os mendigos para a periferia, longe das vistas dos eleitores das classes média e alta. Nos últimos dias, no entanto, os mendigos têm se espalhado por áreas nobres da capital irritando os moradores desses tradicionais redutos de votos tucanos.


A Prefeitura de São Paulo informa que ainda pretende encerrar, neste ano, os serviços de mais dois albergues, com quase 500 vagas, porque estariam em condições inadequadas. E garante que procura outros imóveis para instalar albergues.


Não há, no entanto, nenhuma previsão de instalações nem previsões orçamentárias para os sem teto paulistanos. O que o Governo Kassab tem feito, além de aplicar o método cruel de afastar os mendigos, é instalar algumas tendas com banheiros químicos que não funcionam à noite.



http://www.conversaafiada.com.br/antigo/?p=27340

quarta-feira, outubro 20, 2010

A francesa Yelle: