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quarta-feira, maio 31, 2006

Arca Russa, Rússia-Alemanha, 2002, 99 min, de Aleksandr Sokúrov

Um homem percorre os corredores do Museu Hermitage, em São Petersburgo.
Nos primeiros 30 minutos você fica olhando o cara caminhar e encontrar muitas mulheres de vestidos bonitos, soldados, etc. Alguns comentários sobre um quadro, o cara vê uma cena no Palácio e acha que é Pedro, o grande.... Fico pensando se devo sair correndo, se devo parecer “cult” e manter a linha... Quando você já desistiu e aceitou, de repente começa a tentar entender o teor da mensagem: é isso mesmo, o cara quer comentar sobre os quadros, encontrar personagens, tipo “pensando alto”...

Então aparecem comentários sobre trechos da história, por exemplo, o horror nazista.
Esses comentários são interessantes, tem-se a impressão de que salvariam o filme.
São, entretanto apenas relâmpagos de historia.

O filme parece uma tentativa meritória de fazer algo “inovador” e “cultural”, mas, sinceramente, falta-lhe um pouco de “pimenta”, ou seja, a velha idéia (velha mas que sempre funciona) de aristotelismo poético: unidade de ação, mudança, necessidade, verossimilhança, etc. etc. Claro que Tchecov já mostrou que tudo isso pode ser rabiscado, quebrado, etc, que sentido pode ser outra coisa, mas...

Hoje é preciso muita coragem para não cair no estereótipo do modernismo, palavras confusas, quebrar com a lógica comum, etc. etc - afinal a nova lógica burguesa é o caos.
É o mesmo com a arte contemporânea.

O Santander apresenta uma maravilhosa mostra “É Hoje”. Maravilhosa porque, dentro da abertura de materiais, temas e conceitos que a arte se permite realmente, tem um efeito plástico, “atinge a meta”. Ou seja, como disse nosso bom Kafka, quando um acaso se repete infinitamente, passa a ser parte do ritual.

Muito do que se faz agora tem apenas o fim de “ser moderno” e não de “satisfazer”. Quando digo satisfazer me refiro ao que Aristóteles dizia com “admiração”, não necessariamente compreensão racional. A maioria das obras realmente são muito “racionais”, seu conceito não desperta uma afetividade imediata.

O filme Arca Russa se perde numa pseudo-intelectualidade, um vagar sem nexo, longo, mas não é de todo ruim, pois lá pelo meios das andanças, acaba-se encontrando uma certa “conclusão”, os episódios se tornam mais interessantes no final. Mas fica a pergunta: por que não um documentário; por que não a “vida de Pedro, o Grande?”

4 comentários:

Anônimo disse...

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