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quinta-feira, novembro 12, 2009

Apagar a verdade?


Em 2006, Alberto Dines escreveu sobre uma suposta "Onda antimídia" que estaria atormentando os jornalistas com mensagens críticas, certamente "enviadas por militantes petistas".

"Esta onda antimídia está ganhando proporções de verdadeiro linchamento... rancor jamais visto entre nós. Na quinta-feira (2/10), na Folha de S.Paulo, a colunista de política Eliane Cantanhêde denunciou a avalanche de e-mails ofensivos e ameaçadores que atulha a caixa postal de jornalistas e de veículos.

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=405JDB021



Bem, eu não sou militante petista, mas não é difícil pensar que D. Eliane tem algum problema com Lula. Será que é o fato de ele ser o Brasil “verdade inconveniente”?


(Vide William Waak dizendo, como bem resumiu alguém no twitter, que o Brasil "não presta"...)


http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=20834

É que a grande mídia se distanciou do cidadão comum, a ponto de uma representante da Unesco confessar em palestra que os grandes jornais não enviam mais jornalistas à periferia por medo. Ou seja, trabalham em casa, no seu bairro...

Abaixo uma notícia bem feita, de Claudia Andrade, sobre o apagão, no UOL online que, como o G1, consegue superar a versão televisiva e "oficial" do grupo: informa o motivo; não tenta usar fatos para insinuar nada; aceita dados informados.


Vale a pena ser citada, pois demonstra imparcialidade cada mais rara. Comparemos com a Folha mesma abaixo:


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Raios e ventos na região de Itaberá (SP) causaram apagão no país, diz ministro


Claudia Andrade*

Do UOL Notícias



A reunião realizada no fim da tarde de hoje reuniu mais de 40 pessoas, integrantes de órgãos ligados ao Ministério de Minas e Energia. "Todos chegaram à conclusão que foram descargas atmosféricas, ventos e chuvas muito fortes na região de Itaberá (SP).

Houve uma concentração desses fenômenos atmosféricos ali. O que provocou um curto circuito nos 3 circuitos que levam a Itaberá, que vêm de Itaipu", disse Lobão. Nenhuma medida emergencial para evitar que o problema se repita ficou estabelecida. Ele classificou o fato de "ocorrência raríssima".

"Vejam que temos três linhas. Se caísse uma, as duas atuariam fortemente, caindo duas, a terceira sustentaria o sistema, não conseguiu sustentar, tão forte foi a incidência dos raios ali ocorridos", disse Lobão durante a entrevista no começo da noite.

De acordo com Zimmerman, nenhuma medida emergencial foi adotada porque a ocorrência foi considerada excepcional. Ele afirmou, contudo, que o encontro realizado hoje resultará em um relatório com propostas de melhorias no sistema.

Questionado se não haveria nada a ser feito para evitar um novo apagão em curto tempo, o ministro recorreu mais uma vez ao histórico de investimentos. "Há o que fazer fortalecendo o sistema. Isso nós fizemos. O sistema está fortalecido. Eu disse que temos três circuitos, não um, não dois", afirmou.

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/11/11/ult5772u6082.jhtm

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Dito isto, voltemos à Folha, nas manchetes:

MP abre investigação sobre apagão

Governo culpa "fenômenos climáticos" por apagão

Usina de Itaipu levou oito horas para voltar a funcionar após apagão



... É que, nesse caso, as linhas que levam energia para o país vizinho são de responsabilidade da paraguaia Ande (Administración Nacional de Eletricidad) e não de Furnas.

Isso foi usado pela direção da hidrelétrica para reforçar que o apagão não teve origem em Itaipu. "Em 15 minutos [após o início do apagão], o sistema paraguaio já estava sendo suprido por Itaipu, o que reforça o fato de que a causa do defeito foi externa", disse a direção, em comunicado oficial.

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Escuridão na luz - Sérgio Malbergier (com destaque no site)

....
A teoria do raio de Bauru, obviamente, nunca foi comprovada. Procurado, São Pedro não retornou as ligações da Redação. Nossos dirigentes não estão interessados em dar satisfação aos cidadãos-eleitores, mas em nos enrolar para que possam seguir tocando seus negócios como sempre.


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Vale lembrar do apagão FHC, este sim, por falta de investimentos:




"A crise ocorreu por falta de planejamento e ausência de investimentos em geração e distribuição de energia, e foi agravada pelas poucas chuvas. Com a escassez de chuva, o nível de água dos reservatórios das hidroelétricas baixou e os brasileiros foram obrigados a racionar energia [2].

Após toda uma década sem investimentos na geração e distribuição de energia elétrica no Brasil, um racionamento de energia foi elaborado às pressas, na passagem de 2000 para 2001".

http://pt.wikipedia.org/wiki/Esc%C3%A2ndalo_do_apag%C3%A3o]




Só para lembrar, FHC recentemente pretendeu comparar seu governo ao de Lula, causando constrangimento aos tucanos:


"Como destacaram, em 1997, Cid Benjamim e Ricardo Bueno, no "Dossiê da Vale do Rio Doce", "o Brasil levou 54 anos para construir e amadurecer esse gigantesco complexo produtivo. O governo FHC pretende vendê-lo, recebendo no leilão uma quantia que corresponderá, mais ou menos a um mês de juros da dívida interna". Em maio daquele ano, a Vale foi vendida pelo governo federal por R$ 3,3 bilhões. Em 2007, seu valor de mercado estava em torno de R$103 bilhões."


http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16223


Então, jornalismo de laptop: alguém se lembra da entrevista de Itamar de Souza – um dos integrantes do MST que esteve acampado em Brasília em agosto? Pois é, só na Agência Brasil.


“Somos responsáveis por 95% da produtividade [daquilo que chega à mesa do brasileiro]. No entanto o dinheiro destinado para pequenos e médios produtores é de apenas R$ 15 bilhões, enquanto o dos grandes [produtores], que plantam principalmente para o mercado externo, é de R$ 45 bilhões. É preciso reverter esse quadro”, afirmou.


Agora a Folha fala que apenas menos da metade do orçamento para a energia foi utilizado, em 2009. Mas onde está o contexto?

Lá no meio se lê, bem depois do impacto da manchete, só para assinantes:


A Eletrobrás prevê que, até o fim de ano, executará de 70% a 80% do orçamento. Segundo a estatal, a execução depende de fatores como "procedimentos legais e ambientais que necessitam ser cumpridos".


Onde estão os dados sobre o investimento do PAC? Será que mídia agora é só a defesa de um ponto de vista privado?


http://www.brasil.gov.br/pac/.arquivos/8balanco_3Aenergetica12112009.pdf


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