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terça-feira, janeiro 24, 2012

4.4.8
Para Raquel Rolnik, defensora da cidade viva.


Sampa você me espanta
Eu pulo aquela enxurrada
O pagode tá me enloucando
Um tiro contra o contrabando
A madrugada me chama

E tudo vibra, tudo inflama
Tem gente jogada na lama
Essa cidade se reconta
Nas barbas da ditadura
Nas dobras, muita gente ama

Nós somos daqui
Desse meio de tudo
A gente veio antes
(fugindo) da morte
A gente quer o mundo
Acreditamos na sorte

Querem te derrubar
Querem meter a mão em você
Entupir de cimento
Tem sempre uma boa conversa
Para a maldade construir
Para te esquecer

Mas que força esse canto
Do pássaro no verde e da Luz
Que deseja e nunca deixa
Esse ódio santo

Agora, ergue a cabeça
Multiplux_idade
Com noite, alegria, com passado
Derruba a tirania
Do fato acabado
Abre as asas e recria
O viver em igualdade


Afonso Lima, 2012

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