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sexta-feira, janeiro 03, 2014

Pobre Liza

O conto, de 1792, comoveu gerações. Dostoiévski disse que esse foi o primeiro grande texto russo. As pessoas faziam peregrinação ao mosteiro onde acaba a história. Hoje se sabe os detalhes do fato real que o inspirou. Liza é a filha do camponês trabalhador, que morava do outro lado do rio em Moscou, ao lado do bosque de carvalhos, empobrecida com a morte do pai, e trabalhava dia e noite fiando, tricotando e vendendo lírios na cidade. A pobre mãe só queria um bom casamento para a órfã. Um jovem nobre por ela se apaixona e provavelmente consumam seu amor entre os carvalhos centenários. Ele vai para a guerra e promete voltar para se casarem. O desejo é forte, mas as dívidas por jogo o são mais. Ela o vê na cidade andando de carruagem com outra moça. Ela o surpreende enquanto sai de casa, descobre que essa é sua esposa, ele lhe dá dinheiro e pede que desapareça. O que sabemos dos arquivos policiais é que ela não retornou para casa. Mandou o dinheiro que o jovem lhe deu para a mãe por meio de um judeu conhecido, que vendia produtos nas cabanas. Ela viveu na rua e em albergues durante um mês, até que começou a trabalhar como ajudante em uma cozinha. Fez amizade com a empregada da casa. Quando os nobres saíam, as duas jogavam, e ela ajudava a outra a limpar os quartos. Um dia a esposa ficou grávida. Era domingo e a empregada não achou ruim servir no café da manhã o bolo de ameixa. Todos foram encontrados mortos e uma mulher gritou ao ver uma moça se jogar no lago, mas quando as pessoas da aldeia se reuniram para tirá-la, já estava morta. A cruz de madeira no cemitério do mosteiro, sob um carvalho sombrio, marca seu túmulo, e as jovens vão até hoje lá depositar flores e pedir à pobre Liza um casamento feliz. 

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