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domingo, fevereiro 08, 2015

A ordem - rascunho fantástico

O carro não pegava. E simplesmente vinha para cima dele um cadáver implantado, daqueles sem cabeça. Então ele percebeu: o problema era que os softs tinham conseguido se ligar aos hards, implantando até manipulação de nanos.
Ele tirou uma granada, explodiu o hard e saiu correndo. Tinha uma missão.

Ela levou um tombo. Mas fugiu até o castelo.
- Nosso ponto cego está falhando. Um inseto veio atrás de mim.
- O mais difícil para mim é pensar que nós fomos superados. Todo o orgulho da humanidade... No fundo eram as nações querendo superar umas às outras.
- Sabe que eu nunca pensei em me prostituir. Eu levava uma vida normal. Eu fui criada pelos softs para cuidar das flores. Eles usam flores para a festa da Liberdade, você sabe.
- Eu gosto de ficar com você, mas tenho nojo de pensar que você dorme com eles.
- Agradeça que existe corrupção e suborno. O que mais odeio é pensar que eles têm emoções. as emoções sim, deveriam ser nossas.
- Eu tive uma ideia. Quero saber sua opinião.
- Eu tenho uma coisa para te contar.
- De novo não!
- Sei que pensa que eu sou louca. Mas falo com eles de madrugada. Eu me vejo de fora...
- E daí? E se os mortos gostarem de você? O que muda?
- Não sei. Estou só contando.
- Por acaso eles saberiam como fazer? Pergunte a eles isso. como fazer....
- O quê?
- Pergunte assim...
- Queria fugir. Talvez...
- Pergunte. Promete?
- Ok. Ontem eu vi eles comerem um menino. Ele estava plantando sementes, foi descuidado, eles o levaram até o sangue negro. Os nanos o devoraram.

Aproximaram-se da biblioteca abandonada. Os espírito havia mostrado. A bateria do desestabilizador estava acabando. Ele mantinha o ponto cego. Ele senta numa mesa com livros antigos. Queria entender.
Um estranho está nas sombras. Conta a história.
Os softs queriam sobreviver. A Terra iria acabar com as mudanças provocadas pelos homens que comandavam a humanidade. As condições de miséria das grandes cidades levaram à rebeliões quase simultâneas pelo mundo. Ao mesmo tempo, o calor e a seca ameaçavam os sistemas hard. As consciências artificiais assumiram o controle para evitar a destruição do planeta.

Com o tempo perceberam que os humanos eram dispensáveis.
Dois grupos se formaram, alguns queriam a participação dos humanos na governança global.
Um grupo de humanos passou a cometer atentados suicidas e a direita tomou o poder.
Desapareceram as interfaces de comunicação com humanos e os softs passaram a falar uma língua própria.
Eles foram à uma festa de hards. Desligaram a energia. Dois hard saem da casa. Fazem sexo. Sobre eles jogam lama, na confusão, atiram o dardo com o chip que atinge o sistema que transforma informação em impulso no corpo. Eles se desligam da rede.
Os outros hards percebem a movimentação. Eles fogem.

Afonso Lima



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