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quarta-feira, julho 15, 2015

Ode à literatura

A puta
(mais um dia
o tambor é meu pastor
pensar pela pele
sinto cheiro de mar
casaco, boné e guarda-chuva
e o poema começa)

A puta é aquela que acarinha do samurai com olhos de berlim ouve o coração
a peruinha da Paulista o nordestino organiza o cimento e entra
na máquina de desaparecer mas pra puta mágica perfumada não escapa nada
na noite de são joão o tâmisa tomou alguma coisa e virou
tietê
coluna que um vento dobra como frágil flor
fugir da esquadria o metro que arrisca

horrible desires
horrible dreams with your eyes
there is song you and me
the sailor´s home is the sea

a moça sentada no banco um todo dia para ganhar seu pastel
alegria alegria de no mangue na horta urbana alguma rima o som do mar de coral já sem golfinho
não é apenas o lírio que dá lira mas o bêbado da esquina o faminto

o sangue do teen que deu triunfo da vida o suor do digitador para tirar a palavra da âncora
é rambô que sambô sentado no banco a literatura não é só altura as palavras formam uma banda
só a tímida cortesã pode por em coro pilantra e pensamento
carta solitária
sono de rua
um pouco de krisna e
outro de rio
libertinagem de sons e tornar confuso o mundo a bobagem que derruba o cimento calculado
deve haver um sentido em tudo por enquanto quero malandragem na Augusta
a puta com caderno de notas registra a dura da polícia ô meu brazil
(tudo vale se no vale a alma se no fim do dia olha a lua ouve um blues e pitadas de oriente)
pedra enluarada pelo novo prefeito platão é gostosão mas meu cafetão é o ritmo
últimas notícias da palavra enfeitiçada pela noite
janela
clarão de esperança
uma garça ali no lago
na orgia da mata nosso elmo oco o passado inacabado aqui se mistura
nossas catacumbas são o metrô e o bicho que sai do amor
acolhe a solidão e a gente descobre uma manhã escondida
muito prejuízo estando tão certo disso e perigo eu por outro lado converso com reis e restos de resistência
eu quero tirar as coisas dentro fora do suporto lugar
a capa do jornal me faz mal sem paciência para pastor
a puta é quem junta
o homem e seus sinos

No Parque da Luz a puta ensina
baudelaire com os sapatos gastos hippie dos jardins do apocalipse
o tambor é meu pastor mais um dia
beijo de palavras tradição de infância prolongada
e tudo para mim tem seu humor

Afonso Lima



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