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segunda-feira, julho 06, 2015

Verde reaça

Ele nasceu na grande classe média paulistana, porque até sair do bairro Higienópolis você anda (de carro) pra caramba. Os homens de negócio só falam com homens de negócio. Leitor de uma imprensa privada patrocinada por Deus sabe quem. O verde reaça tem ótimo coração, mas nasceu num meio ambiente tóxico e perdeu a ligação com o solo. Lembrar do que aconteceu com o PV da Europa.

O homem verde é um alienado cheio de fúria idealista e revolta iconoclasta.
O verde se tornou uma desculpa para plataformas políticas que, no todo, são conservadoras?
O Eduardo Jorge fez 80 km de ciclovias. O Haddad fez 300km. Tudo bem que o Eduardo convenceu um Serra, da turma do senador que criticou as ciclovias, "delírio autoritário". Até os gatos usam armas químicas para enganar os ratos. 

O Kassab ia fazer um lindo túnel e parque linear de 3 bilhões de Reais, com a bela roupagem de dar casas para quem mora no rio e proteger a várzea... Mas e as 10 mil pessoas, estavam satisfeitas de ir morar no fim do mundo? E quando as casas estariam prontas?

Ainda: com 3 bilhões se faria 25% do metrô que tem hoje. Com 7 bilhões do Rodoanel, o dobro. Ou seja, uma revolução nos transportes. Ao invés disso, acomoda-se o sistema carro-obra-condomínio com um parque de compensação que o Eduardo Jorge lutou muito pra ter.

Esse é outro perigo de São Paulo. Como a direita é cobrada, dá esmola, resolve-se o caso específico, o puxadinho.

E o verde reaça pode ser apoiado por um banco, pode apoiar o conservadorismo UDN, porque verde é verde. A Dilma tem ministérios demais, a Dilma gastou demais, a Dilma deu ministério para o Kassab. Leia-se: "Eu pago o Bolsa Família". É o mesmo discurso do mais superficial leitor da Veja.
Como se o caso verde estivesse fora do velho e bom modo de produzir e de gerir: é algo que não tem a ver com ideologia, capitalismo, neoliberalismo ou FMI. É uma ilha verde.

Como muito bem diz Naomi Klein, a crise ecológica mostra com perfeição os limites da atuação individual e a urgência de uma esfera pública que, antes de tudo, contenha a fome da iniciativa privada e seja independente de seus interesses. Sem essa reflexão, vira feira de variedades.

Afonso Lima

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