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sábado, setembro 19, 2015

A fábrica

- Onde o senhor vai, você diz. E meus direitos?
- É o novo cadastro.
- Faz anos que cruzo aqui.
- As coisa mudam. Qual seu nome de registro?
- Eu já lhe disse que eu perdi.
- Como assim?
- A argola não era tão boa.
- Ah. A desculpa de sempre.
- Olha, meu pai era líder de um bando histórico chamado "Noites Brancas". Eles viraram até filme.
- E eu com isso. O senhor está cruzando uma fronteira internacional. Somente os pássaros nascidos aqui tem cidadania.
- Mas eu sou um animal cosmopolita.
- Eu espero que o senhor compreenda. Se não, terá de ser recolhido. Essas são as cabeças dos pássaros rebeldes.
- Eu não posso voltar. Está frio lá embaixo.
- São as regras.
- Mas quem é seu superior? Quem criou isso tudo?
- Eu sou um pássaro mecânico. Fui criado para responder sempre a mesma coisa.
- Ok, então. Vou ver se consigo lidar com a neve.
- Se o senhor quiser, pode ficar na fábrica abandonada radiotiva que existe aqui em baixo. Alguns ovos nascem com duas cabeças, mas fazer o quê? São os novos tempos.

Afonso Lima

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