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quarta-feira, outubro 14, 2015

poesia calculada

Acordem as estrelas, acordem
Que os homens têm muito chão, tudo cão
É preciso ingenuidade calculada, olhar de fora
No país que falta poesia a poeira cobre o direito
de existir de cada coisa
Ajustar o orçamento para o invisível, sufoca o coração de
fazer dinheiro, ganhar a vida, e marketing e indústria cultural
Que a imaginação cria e nada está concluído
Acordem as zombarias, os cantos, as inutilidades
Acordem as cores do divino e os sonhos dos mares
Tudo que amplia que estremece que desmente o já dito
O que parece é apenas pensar acostumado, ao sol bocejando
Que seja a tristeza, que seja a injustiça, que seja o melancólico amor
Acordem as estrelas, acordem sim as almas dos objetos tão concretos
Que a cidade não duvida a cidade vive longe longe tão longe de si mesma

Afonso Lima

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