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quarta-feira, julho 13, 2016

M.O.G.

Dizem que as histórias já existem e tudo que podemos fazer é oferecer o seu resumo.

Suas mãos estava muito frias. 
A cabeça doía. Haviam cavado buracos embaixo de neve.
Conseguiu comprar um chá quente do preso aristocrata. 
Pensou na sua edição chinesa antes que adormecesse. Não acordaria. 

1920. Ela estava na sua cidade natal, a bela Tallin, perna alta, perna baixa. Conseguira fugir. Haviam caminhado pelo parque no entardecer. Sua amiga havia encontrado um violinista que cantava por uma moeda. Ele contou sobre um caso de amor trágico, o amante acredita numa cartomante que lê a sorte, e ignora o ciúme do marido traído. De onde vem essa história? Do Brasil, madame. Ela vem do Brasil. 

O livro chegou através da amiga. Ela pediu que procurasse uma pessoa digna. Ela soube que Alice tinha traduzido poemas russos. Infelizmente, não havia nada sobre o autor, apenas as iniciais: M.O.G. Por coincidência estava chegando um amigo que conhecia tarô e fora membro de uma sociedade ocultista na Polônia. 

- Ele era professor de química. Ele foi o mestre. O maior. Seus livros foram proibidos assim que o sistema mudou. A elite russa já ficara sabendo de seus cursos. Uma tradição de duzentos anos. Permitiu uma publicação limitada de suas aulas. Um grupo maior ouvia suas palestras, mas somente eleitos aprendiam sobre a Verdade que refletia-se nos 22 arcanos. Ele continuou por um tempo sua atividade de modo clandestino, até ser preso. Se a verdade já fora revelada, para que continuar a busca? Alguns livros foram salvos. Apenas 100 livros foram reimpressos em Xangai. 
Alice imaginou o pobre homem comendo um pão duro e carregando pedras.

Pouco antes de adormecer, ele vê os gêmeos Castor e Pólux que observam o sol nascente. 

Afonso Lima

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