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domingo, junho 04, 2017

O amanhã

chega disso
o moinho tem que parar
muitos solitários
calçadas levam o país
é a luz azul da aurora
o novo não desiste
é geração e geração sufocada
é plano projeto notícia o punho
não aceito não respeito
a planilha sofrimento fabricação do fracasso
não aceito seus
cálculos brutais cortesia cruel
lixo lâmpada quebrada memória de menino morto
na quebrada
chega de sair quatro da manhã
resistir e chegar à uma
não aceito
o povo em movimento dança de fora
meu samba tem história
o tempo é luxo acúmulo
pátria sem nome
velocidade dentro do ferro
eu centauro dançarino
reconstruído voltando ao vivo
cada ovo novo no seu quadrado porta fechada
todos os homens velhos me embalaram no colo
o moinho vai parar tem um barulho
a máquina pele como destino
minhas palavras-flecha contra o desamor
dois braços dois olhos crescendo no chão
esperança nada e não se sabe
fluxo abre braços não dominados
eu respeito aqueles que tijolo com tijolo sua vida
não aceito chega disso que não vai
respeito cimento dentro depois da queda
parede favelado metalúrgico preto parado
abortado depois de grande e poeta ainda
mas todo labirinto tem de ter uma saída
é desenho de mão o tempo quebra
meu samba tem história
não é de agora
o tempo é luxo
chega disso

Afonso Junior Ferreira de Lima

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