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domingo, julho 02, 2017

Da utilidade

Eu o encontrei num bar em Nova Iorque. Era um homem bem vestido, discreto, cabelos brancos. Só depois de um tempo percebi seu sotaque. Ele me pareceu misterioso. Logo notei que estava me observando com certo desprezo. Ele me contava sobre suas funções. Narrativas. Sua infância. Jesus nunca havia estado na cruz. Cristianismo dos guerreiros. A ciência sobre os inferiores. O padre falando sobre o espírito controlando o corpo, o comunismo como força materialista. A desordem estava destruindo o mundo. Eu pergunto se algo mudou. Eu recebi meus documentos novos no navio, ele diz. O mundo precisa acabar com a rebelião. O senhor tem seu sangue e sua terra, mas com um telefone eu posso prendê-lo. Acabamos nosso drink. Eu saí com o coração apertado. Um judeu perigoso ou um criminoso anticomunista?

Afonso Junior Ferreira de Lima

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