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domingo, julho 23, 2017

Serpente

Saio na varanda, a lua imensa

Visto minhas asas de serpente
Aqui não existe mais esse eu estreito
Observo edifícios e pântanos na mesma claridade
A doença do mundo apagada
Eu sou uma serpente de fogo e navego
a energia que liga as fronteiras entre as moléculas

Agora, o silêncio calou as conversas na feira, nas portas
O frio dominou os vales, o mundo foi alterado
Jovens com hinos de ódio para perpetuar a opressão
Exércitos de homens de ferro erguem-se pela herança suja

Esquecimento envenenou as crianças com um eu
O dragão filho do céu enfrenta o dragão da terra
Uma serpente úmida, a armadura da pretensão
Cantam hinos de sangue para perpetuar a guerra

Observo a dança e o deserto na mesma claridade
O barulho do mundo apagado
Eu sou uma serpente de fogo e navego
a energia que liga as fronteiras entre as moléculas

Afonso Junior Ferreira de Lima



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