Páginas

domingo, março 18, 2018

A ponte

O general foi chamado ao laboratório.
Recebeu as informações do próprio doutor Alves. 
Ele lembrava da lenda contada pelo velho general. Enviou os homens para buscá-lo. 

Depois de morto, L. foi colocado num saco. 
Dentro do latão, cimento, caindo fundo no rio Tietê.

O velho general foi até a parede, abriu um cofre. 
A bola de ferro parecia inscrita com símbolos antigos. 
Ele apertou uma espécie de botão. 
O mecanismo abriu-se. 
- Precisamos de um campo magnético forte. 

O corpo no asfalto sob a chuva. 
Ele sabia que já tinha visto isso antes.
Voltou ao escritório. Procurou os arquivos. 
A bala é a mesma. 

- Nossos melhores homens já morreram - disse o general. Naquela época, Polícia e Exército tinham uma só tática. Guerra de baixa intensidade. Sabíamos como usar tortura, informantes, vigilantes em busca de informação, neutralizando, desarticulando a oposição. Agora, vamos ter essa informação de novo. Einstein-Rosen.

Os agentes franceses haviam estudado com os alemães.
Na floresta, área secreta, desenvolviam sua teoria. 
Von Rotten imaginava como transmitir informação. 

- Simular atropelamento. Jogar o corpo em frente ao caminhão. 
Tomei conta dele na última noite.
Sabia que seria morto, quatro agentes vão matá-lo. Não podemos nos arrepender. 
As pessoas que nós combatemos estão no poder. 

Von Rotten caminhava pela floresta com o jovem oficial.
Em teoria, duas partículas criadas juntas acabam tendo uma ligação que parece ignorar o realismo do espaço-tempo. Um paradoxo, ou a intuição clássica não corresponde à realidade física. E se duas singularidades fossem emaranhadas e separadas uma da outra?

Sem roupa. Indefesa. 
- Nunca houve isso. Estupro não - disse o policial ao padre. 
O bispo foi pessoalmente visitar o Batalhão. Ele estava lá. 
- Depois de dar ao lobo o gosto de sangue, ele não será civilizado. 

O navio volta de Paris. 
A Argélia era pesquisa. 
Aulas com professores estrangeiros.
- Ele é perigoso. Um fanático religioso - disse o policial sobre o empresário. 
Ele organizou grupos para combater a guerra - a estranha guerra interna. 

O antigo torturador agora é ministro.
A pesquisa com os alemães foi arquivada. 
Agora sabemos que é possível enviar um sinal do presente para o passado, alterando uma partícula emaranhada. Seria perigoso para o povo francês, disse o ministro. 

- Os argentinos são os piores. Gostam de aprender. 
No Chile as informações levam à caça. 
O empresário queria usar a tortura no seu próprio povo. 

- Eu sei onde está.  O velho general foi até a parede, abriu um cofre. 
- Von Rotten queria enviar informações pelo espaço-tempo para treinar os homens nas colônias. Ele nos dizia que no futuro saberíamos manejar o emaranhamento de partículas, fazendo com que um tubo-de-conexão se crie.

Afonso Junior Ferreira de Lima

Nenhum comentário: