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sexta-feira, junho 30, 2006

Sabão em pó, eu te amo

Uma coisa que sempre me impressionou foi a facilidade com que os cantores ex-sertajenos, os pop-sertanejos e os românticos-pop-sertanejos, trocam o palco pelas propagandas “cantadas”. O que é chocante é que o ritmo, a entonação, tudo é igual, às vezes até a letra.

Tanto faz se você está cantando, “compre essa pílula para resfriado” ou “o luar é o momento que mais te quero”, tudo soa como o mesmo ar de dramalhão. Isso deve ter algo a dizer sobre nossa música.
Isso não tem nada a ver com a poética e melancólica música sertaneja cantada no interior.

É uma pausterização que começou a explodir na década de 90, junto com o axé e o funk. É a sãopaulização chique do sertanejo apaixonado, de terno de linho e rancho fundo, trocado em miúdos para a classe D que agora é a maioria, que define as novelas e o padrão da TV.

É uma aliança perigosa entre a elite e a pobreza. Não é a democracia como ideal, que leva peças ao povo para alimentar o debate. Há o lado positivo de que é entendido pela maioria, mas não me parece um enriquecimento da vida, nem uma reflexão sobre nada. Vende-se o amor, como se vende um sabão em pó.

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