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sábado, julho 08, 2006

Ontem acabou a novela Belíssima. Inovadora sem ser desconexa (como América), baseada em idéia (e não sucessão de episódios cômicos, como Senhora do Destino).

Em 2002, Sílvio de Abreu teve uma novela encerrada por baixa audiência. Naquela época a Globo se propôs a fazer um workshop sobre “como aumentar a audiência sem apelar para a baixaria”. Silvio de Abreu disse que o público que é audiência, a classe D,não entendia nem o que era Oscar, Hollywood ou transexual.

Nesta novela ele soube fazer uma novela para cada público do Brasil: um humor mais simples para a classe D e um suspense intelectual para as classes A, B e C.

Apesar do personagem inacreditável de Tony ramos (dizem que a novela foi feita para ele contracenar com a Glória Pires), que foi sempre um personagem de sotaque insuportável e que só repetia o que já se havia dito, o elenco estava ótimo, principalmente porque não sabia, ao representar, se o personagem era bom ou mau. (Ficou apenas meio chato esse final com os dois, já que a personagem de Glória pires parecia estar se encaminhando para voltar a André).

Agora se verá o desfile das hiper-realidades, das fofoquinhas do leblon, da baixaria eu-te-amo-mas-te-espanco do Manuel carlos; ele preende o público por pura e simples apelação: no primeiro capítulo o paibate na filha, no segundo a filha bate no pai...
Não gosto das novelas de Manuel Carlos, nem mesmo dos seus títulos, “Páginas da Vida”, sempre banais.

Já as propagandas começam com: “eu não sou feliz tenho direito de ser”, “em nome dessa paixão”, etc. O que sempre me incomoda um pouco é a impressão de que o Leblon é o Brasil, todos são classe média que vão à praia de óculos Channel; o naturalismo da novela, faz parecer ainda que as coisas mais ambíguas são normais; se no folhetim de Silvio de Abreu os personagens são bons-e-maus, aparecem a ambição, o cinismo e a relatividade dos valores, mas o motor da trama é o vilão, em Manoel Carlos sempre ambos estão certos. Helena é traída pelo marido? A amante está correta, o marido está correto e Helena também.

Essa novela oferece algo novo, um passeio pela África, e um incentivo às artes, através de personagens que defendem a cultura. Espero que isso enriqueça o debate, e não seja mais uma forma de mostrar glamour e “filantropia”.
Ah, espero que um dia a maioria dos brasileiros saiba onde é Hollywood.

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