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segunda-feira, agosto 21, 2006

Transferência de renda a bancos é "brutal"
da Reportagem Local

Além de ter dado "um gás" considerado limitado e até "artificial" ao consumo, o aumento do crédito no Brasil nos últimos meses produziu uma enorme transferência de recursos do setor público e da renda dos assalariados para os bancos.No Brasil, o crédito total concedido representa apenas 32,1% do PIB (Produto Interno Bruto).

A média internacional é maior do que 100%.Aqui, o principal problema para a expansão dos empréstimos são os juros e a renda.Em julho, segundo dados da Anefac, que reúne estatísticas desse mercado, o juro mensal médio subiu para 6,24% ao mês (106,7% ao ano), o maior patamar desde setembro de 2003 -apesar de o juro básico do BC ter caído de 19,75% para 14,75% nos últimos 11 meses.

Pelo total do crédito recebido em 2005, as pessoas físicas pagaram 44% a mais só por conta dos juros. Para R$ 155,2 bilhões em crédito foram pagos R$ 67,6 bilhões de juros. "É uma transferência de renda brutal para o setor financeiro", afirma o economista Marcel Solimeo, da ACSP.

Essa transferência se dá tanto do setor público, que paga os salários de seus servidores, dos aposentados e demais beneficiários da Previdência Social, quanto dos assalariados privados que tomam empréstimos. No caso do setor público, é como se o governo arrecadasse impostos para pagar salários que viram juros para os bancos.

Fôlego curtoOs juros altos também emperram o fôlego do crédito como motor econômico. No limite, o consumidor chega a pagar duas vezes por um mesmo produto -uma pelo bem, outra pelos juros.Segundo Reinaldo Pereira, gerente da Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE, o fôlego do crédito está no fim.

"As pessoas estão no limite do endividamento, e a inadimplência mostra isso", afirma. Para o IBGE, as vendas de bens duráveis (móveis e eletrodomésticos) são o melhor termômetro para avaliar o fim desse fôlego -já que esses bens são geralmente financiados.No primeiro semestre de 2006, as vendas de bens duráveis cresceram 9%. No mesmo período de 2005, o volume foi duas vezes maior (19,7%).

Antonio Carlos Borges, economista da Fecomercio SP, diz que, além dos juros, o problema é que a renda não cresce a uma velocidade compatível com a do crédito. "Sem a renda crescendo mais forte, não há novos consumidores no mercado.

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http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u110353.shtml

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