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sexta-feira, outubro 06, 2006

Os norte-americanos nunca erram?

Passado o choque começamos a notar, nesse domingo, que:

A) se o jato foi testado antes de decolar e estava novinho e funcionando. Foi testado na base de Cachimbo e estava funcionando.
B) se o avião da Gol nunca deixou de se comunicar nem saiu da rota
C) entre a "batida" e o pouso, 30 minutos depois, o jato não reporta aos controladores de vôo o acidente.

A culpa deve ser mesmo dos pilotos norte-americanos. Um especialista comentou que os pilotos tendem a mudar a rota para gastar menos combustível, mas devem avisar os controladores.

Agora surge a notícia de que teriam voado a 37 mil pés, quando deveriam ter mudado a rota para 36 mil após Brasília. Mas eles afirmam que foi culpa da torre, que não teria respondido. Só que neste caso, deveriam ter mantido a rota original, como manda a regra. Tudo indica, ainda, que o transponder, que avisa possíveis colizões, estava desligado.

Ou seja, tudo indica que não só foram responsáveis, como podem ter mentido.

Agora o que a imprensa norte-americana está falando? O jornalista em todas as TVS, esse país das bananas que não sabe nem controlar aviões...

Sam Meyer, presidente da divisão nova-iorquina da Allied Pilots Association chega a dizer, antes de informações seguras:
"ninguém vai querer ir para um lugar onde, após sofrer um acidente, você pode ir parar na cadeia e alguém jogar a chave fora''

Apesar da Aeronáutica afirmar que não há zonas sem controle ou "de sombra"na área, o repórter preconceituoso diz:
"Não sei se os pilotos tiveram alguma culpa", acrescentou o repórter. "Talvez a culpa seja do sistema de controle de tráfego aéreo deficiente sobre a Amazônia, que é um fato bem conhecido na aviação."

E deputados americanos preoscupados se um cidadão norte-americano vai responder pelos seus atos.A discussão é antiga e diz respeito a um tribunal internacional.
Que patriotada!

O presidente da ANAC disse ser "insana" esse tipo de afirmação...

Sorte que: "a Fundação Internacional de Segurança de Vôo, com sede nos Estados Unidos, divulgou uma nota em que elogia os métodos de investigação de acidente aéreos do Brasil. Segundo o Jornal Nacional, a nota ressalta a tradição de investigações independentes, sem interferência do governo".

http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI1178707-EI7792,00.html

Ainda é cedo para qualquer coisa, mas como todos sabem, os norte-americanos nunca erram...


Crianças selvagens

Um menino, numa propaganda da Renault, pergunta para seu pai sobre os novidades do seu automóvel novo. Quer contar para seu padrasto. A criança deve ter menos de dez anos. Um novo tipo de propaganda selvagem, que tornam explícita a mensagem da propaganda "se você não comprar não será alguém", anda envolvendo crianças que falam como adultos em termos de consumismo. "Você é um zero a esquerda sem um Renault," seria horrível até para um adulto.

Há algum tempo a propaganda do Mac Donalds´s foi desagradával ao fazer uma criança olhar com piedade para seu avô que só brincava de pião, enquanto ele, dava-se a entender, podia ser divertir no parque temático do hamburguer...

Que triste isso de fazer as crianças falarem o texto que os adultos mais fúteis falam. E de colocá-las na situação de quem "mostra quem é" pelo poder do dinheiro.
"Eu vou humilhar o novo esposo de mamãe mostrando que ele não tem essa grana..."
Depois a gente não sabe por que as crianças andam esses tiraninhos...

PS:
3 nov. 06

Apesar de tudo, nada justifica o tom desdenhoso da imprensa norte-americana, estilo "brasileiros são incompetentes!"

ajr
FAB confirma que controle errou no acidente da Gol


ELIANE CANTANHÊDE
Colunista da Folha de S.Paulo

FÁBIO AMATO da Agência Folha, em São José dos Campos

A Aeronáutica confirmou ontem que o controlador da torre de controle de tráfego aéreo de São José dos Campos (SP) autorizou o jato Legacy, que veio a se chocar com o Boeing da Gol, matando 154 pessoas, a voar na altitude errada de 37 mil pés até o aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus. Segundo a Força Aérea, essa autorização está gravada nas fitas da própria torre, que dá o "clearance" (autorização) para a decolagem dos aviões, e não na caixa-preta do Legacy, que era pilotado pelos americanos Joe Lepore e Jan Paladino.(...)

Em entrevista, pela manhã, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno, não confirmou nem desmentiu a informação do erro da torre de São José dos Campos, que pode ser um dado fundamental nas investigações e foi publicada ontem pela Folha. Ele observou, porém, que, se houve erro da torre, ele não justificaria, isoladamente, o choque das aeronaves. "O piloto, quando perde a comunicação, deve seguir o plano de vôo." (...)

Para Lepore, não havia motivos para desobedecer a orientação recebida do controle de São José dos Campos. Segundo um piloto aposentado especialista em segurança de vôo, o diálogo revela que o plano de vôo original foi desconsiderado pela autoridade aérea. (...)

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