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quinta-feira, agosto 23, 2007

Corrupção Era PSDB

Engraçado, alguém lembra de ter ouvido falar disso? Com um bandido que sabe fazer frases pra mídia e pouca informação, isso parece pouco com uma democracia...

"Sua Excelência Robert Rubin, Presidente do Brasil
Greg Palast

Quando era menino, o secretário do Tesouro dos EUA, Robert Rubin, sonhava em ser presidente do Brasil. Em 1999 o seu sonho se realizou. É claro que, como tem endereço em Washington e nacionalidade americana, Rubin conquistou o controle do Brasil da única maneira que podia: por intermédio de um golpe brilhante.

Em outubro de 1998, o presidente nominal do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, foi reeleito para o cargo por um único motivo: tinha estabilizado o valor da moeda brasileira e, portanto, contido a inflação. Na verdade, não tinha. O real brasileiro estava ridiculamente supervalorizado.
Mas, com a aproximação das eleições, sua taxa de câmbio contra o dólar simplesmente desafiava a gravidade. Esse milagre levou Cardoso à linha de chegada com 54% dos votos. (...)

Por que aquele homem estava cortando árvores? Para obter lenha para cozinha. Ele não pode comprar gás engarrafado. O preço aumentou 150% em um ano.

E por que? Porque o governo FHC. Eliminou os subsídios e controles do gás engarrafado.
Por que aumentou o preço do gás do país? Para que os que podem pagar prefiram o gás encanado ao engarrafado.

Por que o governo não promoveu o gás encanado? Para tornar a privatização da companhia estatal, Comgás, mais interessante aos investidores estrangeiros.

Por que vender a Comgás? Cardoso precisava de dez bilhões de dólares por mês só para pagar os empréstimos para salvar a moeda.

Quem a comprou? A Shell Oil e a British Gás.
Quando? Em 1997, pouco depois que Tony Blair mandou seu principal assessor em visita ao presidente Cardoso.

PALAST, AMelhor Democracia que o Dinheiro Pode Comprar, Francis.

http://www.doutrina.linear.nom.br/historia/Hist%F3ria_Sua%20Excel%EAncia%20Robert%20Rubin,%20Presidente%20do%20Brasil.htm

quarta-feira, agosto 22, 2007

Luiz Damasceno em Porto Alegre: vanguarda + mundo

O ator Luiz Damasceno esteve no SESC de Porto Alegre neste dia 20 de agosto para palestra e aula aberta com o grupo do Centro de Pesquisa Teatral do Ator (do qual participo), coordenado pelo ator Alexandre Vargas. Luiz é professor da EAD da USP e ator de larga experiência, tendo trabalhado 16 anos com Gerald Thomas em peças tão importantes como "Nowhere Man" (1997), "Carmem com Filtro" (1990) e "The Flash and Crash Days" (1991).


Na seqüência: "The Flash and Crash Days", Luiz em "Nowhere Man" e "Fim de jogo", claro

Com sua simpatia e bom humor dirigiu-se à nossa platéia de atores um tanto aflitos e receosos perguntando sobre o cenário atual da cidade, contando sobre o momento em que mudou-se para São Paulo em 1969, quando "os espetáculos duravam uma semana em cartaz e os grupos não conseguiam se unir". Ouviu que, apesar de evoluções significativas, a cidade continua com fama de "cemitério dos espetáculos", e os grupos tendem a se desfazer por brigas internas. "Mas qual a postura de vocês perante isso? Vocês se reúnem, debatem o tema?" Um silêncio constrangido mostrava que talvez ainda não.

O ator continuou falando sobre a necessidade de comunhão em um grupo (comunicação entre os membros para que isso chegue ao público), da imperativa entrega, da espontaneidade que o trabalho com criação pede. Falou da importância da abertura a outros campos, buscando experiências em todas as áreas do saber e das artes, refletindo, debatendo. Em suma, da humanização do ator. Nisto retomava a questão da ética do grupo, proposta pelo diretor Jerzy Grotowski. “Não podem ter medo de errar”- diz Damasceno. “Temos e respeitar a diversidade, e se ela é, por exemplo, mais prolixa que eu, tenho de respeitar essa diferença”.

Sabemos que um dos principais problemas hoje ao se trabalhar com atores é justamente readquirir a capacidade de errar, olhar nos olhos uns dos outros e interagir de forma cooperativa e espontânea. De certa forma a concentração de poder no mundo de hoje e a violência que disso resulta (a empresa absolutista, a publicidade criando padrões globais, as relações de micro-poder contaminadas por essa desigualdade que descambam para a “exclusão” contínua, etc.) geram esse medo e essa frieza. Damasceno indagou e comentou também sobre a “técnica que liberta”, ou seja, o momento em que a questão formal (como a questão do modo de segurar o pincel para um pintor) se torna tão natural que cede lugar à expressão de uma verdade.

Podemos ver aí uma reflexão sobre o papel da vanguarda no século e sua transformação. Em entrevista a Gerald Thomas (quase uma “conversa de comadres” como brinca o diretor) na TV Uol, o artista falava também de seu estranhamento com obras absolutamente vanguardistas, que exploram o limite da abertura do espectador, em especial um trabalho de Peter Brooke. “A vida não é igual, tem mudanças, quando um espetáculo...quando uma coisa estabelece uma tranqüilidade absoluta em todas as coisas, me dá sono...”

Este ponto é profundamente interessante, e remete ao papel da arte entre a quebra do naturalismo midiático global na inovação e o isolamento. Damasceno aponta para o mundo, mas com uma “visão pessoal”, como ele propôs. O primeiro modernismo (que podemos situar de modo arbitrário entre o fim do séc. XIX e a primeira metade do século XX) queria simplesmente romper com o naturalismo da classe média (liga perfeita entre filosofia idealista, religião medievalista e cientificismo mecanicista), mostrar que as visões de mundo estavam se esfacelando em diferentes grupos (capitalistas, operários, artistas, religiosos, filósofos, etc.) e não havia mais a unidade instável que imperara do Iluminismo até então.

Nesta fase histórica anterior, a problemática social estava totalmente acomodada a uma ética individualista e conservadora: a fórmula de acabar com a fome prevista era, não distribuir a renda, mas, segundo Malthus, ensinar a população (mas não a si mesmo, três filhos em quatro anos) a praticar o “controle” e limitar o aumento da população. (Teoria sempre atual no empresariado local.)
Para Hegel, o Estado era a realização de uma viva eticidade da comunidade (Marx, bem depois, irá propor que é apenas (e ainda) expressão de eticidade dilacerada). Os problemas sociais oriundos da rápida usurpação de privilégios dos camponeses que iam perdendo – no Séc. XVIII com mais rapidez- a terra comunal e migrando para as grandes cidades, para trabalhos miseráveis e super-explorados, ainda estavam ocultos para uma elite cuja filosofia era a de que o mundo caminhava para o progresso geral, e a de que o liberalismo (a liberdade absoluta dos agentes sociais) nascido na era pequena propriedade rural e do trabalho manual, ia salvar o mundo.

Unidade, portanto, ordem e progresso. Como coloca Terry Eagleton, “O positivismo crasso da ciência do séc. XIX ameaçara roubar o mundo de toda subjetividade, e a filosofia kantiana docilmente seguira o mesmo caminho” (Eagleton, Teoria da Literatura, Martins Fontes, p. 80)Neste mundo automatizado, os artistas se voltam para a redescoberta da subjetividade sem a unidade, entre a dor e a crueza das guerras e do industrialismo, primeiro com o último romantismo, depois com a vanguarda. Há uma ligação entre eles quando tentam destruir o “jugo das categorias mecanicistas-utilitaristas sobre nossa vida” pela “rejeição da hegemonia da razão desprendida e do mecanicismo” (Taylor, As Fontes do Self, Loyola, p. 589)

Rimbaud, que acaba com o romantismo e o realismo, irá escrever sobre os políticos opostos à Comuna de Paris que “com petróleo pintam Corots” em “Canto da Guerra Parisiense”; Beckett, no pós-guerra, escreverá sobre o próprio pensamento prisioneiro, pois "Nosso tempo é tão excitante que às pessoas só pode chocar o aborrecimento.” (http://es.wikiquote.org/wiki/Samuel_Beckett.)

Não existe “o homem” eterno romântico, mas há uma sensação de estar vivo em um mundo, talvez grande e poderoso demais, e é preciso resgatar o direito a ver esse mundo de formas novas. Quanto mais o indivíduo se torna intelectual/ou braçal pela divisão do trabalho (resgatando os sentidos no entretenimento bobo ou na academia pelo medo de ser excluído), mais o teatro busca mostrar um homem vivente, ir mais fundo em percepções inusitadas, mostrar o ser imerso em sua carne e sangue.

Máquina de guerra, homem que morre. Adorno chamou o teatro de Beckett de "estado pós-psicológico", talvez um tempo da presença física, onde as palavras em nada ajudam- "So little to say, so little to do, and the fear so great", diz Winnie em "Happy Days". A violência do mundo aparece na violência da forma, complexa e paradoxal.

No decorrer do século, o sujeito sem oportunidades de "ver arte" (cada vez mais pessoas, na crescente concentração de renda) percebe a inovação como mera fuga quando os problemas parecem crescer mais e mais.

“Beckett está ligado a uma linguagem formal muito forte” diz Gerald Thomas na mesma entrevista. Ou seja, o estado existencial do sujeito europeu que sofre curvado sob o peso incompreensível do mundo na longa virada do século (até 1945) reage com uma nova forma de expressar a si mesmo e o mundo onde a individualidade desapareceu. (Esse duelo entre o significado existencial individual e o contexto social, aparece também entre as visões diversas de teologia, entre vaticanismo e teologia da libertação).

Entretanto o formalismo da vanguarda guardava um secreto medo do mundo. (Não é a toa que a Alemanha – marcada pelo idealismo, industrialismo acelerado e totalitarismo- tornou-se quase sinônimo de vanguarda.) Essa nova diversidade de perspectivas marca o século XX e torna-se tradição sobre a qual os artistas necessitam se debruçar.

Como comenta o filósofo alemão Habermas no seu clássico "Mudança estrutural da esfera pública”:

“restou a vanguarda como instituição a ela corresponde a crescente distância entre as minorias críticas e produtivas dos especialistas e dos amadores competentes, que estão atualizados com o processos de elevada abstração na arte, na literatura e na filosofia, com o envelhecimento específico no âmbito da modernidade (...) e o grande público dos meios de comunicação de massa por outro lado.” (Ed. Tempo Brasileiro, p. 207)

O medo do “referente” (medo da velha visão absolutista da burguesia), que tanto assusta o filósofo Derrida, e o eterno retorno ao significante –debate sobre a linguagem- gerou o silêncio sobre o mundo, e a concentração de renda ia isolando os artistas e intelectuais da massa miserável.

Enquanto isso o século avançava, o aquecimento global começava a nos perseguir e Collin Powell, ex- secretário de Estado de Bush ia afirmando na Cúpula de Québec:

“Talvez a conquista mais conhecida da Cúpula das Américas seja o lançamento das negociações para a Alca. Nós poderemos vender mercadorias, tecnologia e serviços americanos sem obstáculos ou restrições dentro de um mercado único de mais de 800 milhões de pessoas, com uma renda total superior a US$ 11 trilhões, abrangendo uma área que vai do Ártico ao Cabo Hornn”.

(Folha de S. Paulo, 22/04/2001, apud http://www2.fpa.org.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1631).

“Hoje a gente pode fazer unplugged, tendo vivenciado isso”- diz Gerald Thomas. O próprio Damasceno coloca um certo amadurecimento no trabalho do diretor, da preocupação com a estética como primeiro plano, para a vivência de um ser humano mais concreto em “No Where Man”, onde se podia “ver uma pessoa em conflito procurando um caminho” e ele teria “se permitido tocar no humano, contar coisas de um ser humano”. (Recentemente parece ser o caso em "Um Circo de Rins e Fígados" (2005), sucesso de público, que não assisti, mas trata-se de comédia onde se fala de 1964, imperialismo e crimes políticos)

Quando, hoje em dia, a cultura da mídia do entretenimento e a cultura da imprensa são nossos maiores formadores de opinião e reflexão, se o intelectual não se debruçar sobre essa e outras vidas cotidianas, falará de quê? Como diz o sociólogo Boaventura dos Santos hoje superestrutura é infra-estrutura e infra-estrutura é superestrutura... (Não só porque os meios culturais tomam a forma industrial e há a produção do simbólico como mercadoria, mas porque forma opinião política e cultural). A "ideologia" vem em forma de "cultura" (glamour para poucos, seja um deles) pela TV e pela revista, e se não for criticada, forma nossa visão de mundo e nossa visão de arte...

Precisamos achar nosso corpo, viver de instinto (e mais nós, os artistas, feitos para "pensar", inclusive em ser "sensório"), mas readquirir a visão coletiva e comunicação com o todo, frente ao poder que se condensa e mata (solução para a crise da Argentina, em 2001, segundo o Banco Mundial, "aumentar a flexibilidade da força de trabalho", ou seja, reduzir o valor real do trabalho e corte nos programas de emprego. Palast. Amelhor Democracia que o dinheiro pode comprar, Francis, 2004)

Luiz Damasceno tem a coragem de discutir o excluído “referente” (o mundo), horror da filosofia pós-moderna, sem cair na tolice de esquecer a tradição da vanguarda.

sexta-feira, agosto 17, 2007

CANSEI

Não adianta nada cansar dos pequenos problemas e não entender o todo; sem cansar das causas, as conseqüências continuam... Todos nós estamos cansados, mas alguns mais que outros.

Comenta Barros Filho, que da Escola de Comunicação e Artes da USP e na Escola Superior de Propaganda e Marketing ao Terra:

"Existem aí indícios muito claros de que o episódio de Congonhas está, digamos, sendo instrumentalizado. De um lado um movimento de deslegitimização do Estado, orquestrado pelo mundo corporativo, através do discurso da ineficácia, que tem como contrapartida a responsabilidade social e outras baboseiras.

Tudo o que mostra a ineficácia do Estado interessa a certas políticas, a serviço de quem a mídia costuma estar".
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1803758-EI6578,00.html

Então tá, vamos cansar de tudo que merece isso:

- CANSEI da corrupção empresarial http://www.comciencia.br/200405/resenhas/resenha2.htm

- CANSEI da política anti-social do FMI http://www.bbc.co.uk/portuguese/economia/020807_donmpc.shtml

- CANSEI da educação privatizada, cara e de má qualidade
http://www.cefetsp.br/edu/eso/acordofmi98.html

- CANSEI da "abertura econômica" da desregulamentação dos capitais que leva à instabilidade global
http://blog.controversia.com.br/2007/06/30/a-mundializacao-do-capital/

- CANSEI do trabalho oprimido e inseguro
http://diplo.uol.com.br/2003-06,a656

- CANSEI do imperialismo das transferências Sul-Nortehttp://resistir.info/varios/divida_externa.html

- CANSEI da classe média alienada
http://www.nossacasa.net/recomeco/0027.htm

Como coloca Mino Carta em seu blog:

"O sátrapa da OAB paulista, Flavio Borges D’Urso, inspirado pelo promoter João Dória Jr, também conhecido como o Iconoclasta-Mor por ter destruído a pauladas um monumento em memória do jornalista Claudio Abramo, revidou (a proibição de usar a Igreja da Sé pelo bispo) com outro comunicado, em que transfere a manifestação do Cansei para a própria praça, com início marcado para o meio-dia.

Aconselha-se os organizadores a não promoverem na escadaria da catedral um desfile de cachorrinhos de madame, especialidade de João Dória Jr. Poderiam ser transformados em churrasquinho, em um piscar de olhos, pela plebe fartamente."

http://z001.ig.com.br/ig/61/51/937843/blig/blogdomino/2007_08.html

quinta-feira, agosto 16, 2007




Tá bem , Lula, não precisava:

“O governador pediu que a maioria do público que o aplaudia vaiasse os manifestantes. O presidente brincou com Cabral e pediu que ele não se importasse com o grupo, ‘que é tão jovem e desprovido de consciência política, que usa nariz de palhaço".

Quando 40 pessoas de um Movimento chamado Luto Brasil (que nem são os parentes das vítimas) saem em cadeia nacional porque vaiaram o ministro (em si um ato perfeitamente democrático, mas sem relevância para estar no Jornal Nacional) , é natural um político temer “narizes de palhaço”.

Puxa, mas, segundo a Agência Estado, que dá a notícia, a qual se vê copiada e colada em todos os sites, “eles pediam concurso para novos professores”.

A relevância não acompanha mais o destaque. A manchete não é "Grande grupo aplaude Lula, enquanto alguns vaiam", como fica claro no vídeo do You Tube. Também não interessa entrevistar com cuidado e detalhar o que queriam os manifestantes, debater qual a possibilidade de atendê-los, o que vem sendo feito na área...

Na verdade, tratava-se de inauguração, conforme comenta no seu blog o engenheiro Roberto Morais:

"Estas três escolas fazem parte fase 1 do Plano de Expansão da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, que prevê a construção de 64 unidades e investimentos de R$ 98 milhões.(...) Serão destinados, pelo governo federal, R$ 750 milhões para obras e R$ 500 milhões, por ano, para custeio e salários de professores e funcionários".
http://robertomoraes.blogspot.com/

Não eram "nem meia dúzia, nem uma multidão" e incluíam "alunos da Uenf que reivindicavam bandejão para a universidade junto com mais alguns poucos do sindicato dos servidores públicos federais".
Por que nos passam a idéia, de que o presidente teria sido vaiado por jovens que lutam por mais professores e é, portanto, anti-democrático ou, como coloca a Veja on-line, "demoniza seus adversários"?

Senão, vejamos, onde você leu?

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Educação, Fernando Haddad, assinaram hoje (20) portaria criando 1.170 vagas para professores de 1º e 2º graus e 1.363 para técnicos administrativos nas instituições federais de educação tecnológica.”

Então joga no Google ["1.170 vagas para professores" + "1º e 2º graus" + Lula ] e compara com [Lula e Cabral se irritam com vaias no RJ].

Dá 6 por 374.

Reinaldo Azevedo, na mesma Veja, vai fundo: "Lula é dirigente sindical desde 1975. Poderia ter estudado. Mas sempre teve aversão aos livros. Acha que sabe tudo. Sua fala é um absurdo lógico." http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2007/08/lula-demoniza-os-adversrios.html

A mesma Não-Veja que financiou os tucanos:
"Dados do TSE mostram que Editora Abril, proprietária da Veja, financiou campanhas de candidatos tucanos em SP, entre elas, a de Alberto Goldman. Nada ilegal, mas não custa avisar ao leitor. Ajuda a entender a linha editorial".
Marco Aurélio Weissheimer
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=340ASP001

Lembro-me de um artigo de Marilena Chauí sobre o governo FHC e o Programa Especial de Treinamento (PET), da Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (Capes). Comentava ela:

“Assim, um programa institucional com a tradição de 20 anos (...) com a avaliação positiva de especialistas não envolvidos em suas atividades, está destinado a ser extinto com a alegação de que seus custos são muito elevados (R$ 14.504.922,47) e que sua ação é elitista!

Isso quando, em qualquer madrugada, o governo federal despeja milhões num banco qualquer para "salvá-lo" ou usa recursos públicos para financiar uma ‘privatização"...


http://www1.folha.uol.com.br/fol/brasil500/dc_1_1.htm

Mas como surge essa classe média indignada, que, de modo tipicamente falso “Liberal” acaba defendendo acaba defendendo seu direito imediato e não seu direito mais amplo, porque vê apenas um lado da situação, uma verdade parcial? Da falta de circulação de idéias e da concentração de poder e renda (vide o poder de “CTRL+C” de todos os sites com a Agência Estado).

O capitalismo selvagem atual não consegue renovar suas fontes de riqueza, conhecimento e inovação, gerando novas trocas pela distribuição de renda. Com o excessivo peso no lado lucro, a suposta "liberdade", a sociedade se deteriora, a riqueza diminui.

Quem se lembra daqueles dados do Exame Nacional de Desempenho (Enade) 2006. , segundo os quais os acadêmicos estudam e lêem pouco?



- 43,6% dos universitários brasileiros estuda entre uma e duas horas por semana além do horário de aula

- 34% lêem no máximo dois livros por ano, excetuando os escolares

- 41,3% se informam mais pela televisão.


“A justificativa para a pouca dedicação à leitura e ao estudo está na falta de tempo dos alunos.

Segundo o Enade, 68,2% dos universitários brasileiros estudam à noite e 73,2% trabalham durante o dia.

‘É importante lembrar que o ensino superior brasileiro é essencialmente noturno, privado e pago”, segundo o diretor de Estatísticas e Avaliação da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC), Dilvo Ristoff.” (Agência Brasil)


Acontece que estuda quem pode, paga (e de novo, e de novo) quem deve.


Lembremos o acordo FHC/FMI:

“No entanto, (...) a participação da União em Programas de Garantia de Renda Mínima e no Apoio ao Combate ao Trabalho Infantil, por exemplo, sofreu significativos cortes na versão final do Projeto de Lei Orçamentária.


O Programa de Renda Mínima foi reduzido em cerca de 80%, enquanto o Combate ao Trabalho Infantil sofreu cortes de 50%, impactando gravemente a Educação."”

http://www.acaoeducativa.org.br/downloads/fmirev.pdf


Sob a ação dos poderosos agentes "políticos", a democracia dos palhaços desinformados, todos nós, luta contra si mesma. Não precisava o "jovem e desprovido de consciência política", mas que existe, existe...

Castigas rindo e mordes


Foi surpreendente para mim ontem o tom das brincadeiras de Jô Soares com relação ao presidente. É o momento em que se sai de uma ironia ao excesso para uma espécie de crítica sistemática, o que dá a impressão de desmontagem da imagem, pela ridicularização quase próxima à mágoa.

Citando uma frase do presidente segundo a qual no momento que o mundo conhecer a cachaça brasileira vai abandonar o uísque, frase boba, mas parte da espontaneidade lendária do personagem, o apresentador comentou: “Ao contrário do que se diz, ele não entende nada de bebida”. Um silêncio pesado chamou a vinheta.

No debate com “as meninas”, ao elogiar o modo durão e ar de competente do ministro Jobim, aproveitou para completar “não sei se vai agradar ao presidente”.

Ainda mais algumas: “Não faz Pilates, mas fez-se de Pilatos, lavando as mãos”. E, comentando uma frase de Lula segundo a qual seus assessores não iriam ir até Washington a cada tremor no mercado, como teria feito o antigo governo, soltou o verbo sobre ser esse um comentário desnecessário e só adequado ao papel de oposição, etc, etc, etc.


O denso do comentário soou como se, mais que rir dos excessos e deslizes do presidente, estivessem escavando uma a uma das suas falas a procura de qualquer coisa que rendesse um comentário crítico.
Logo de Jô, de quem sempre aguardamos uma amplitude intelectual além de todo sectarismo. Tudo começou com o projeto de “classificação etária” na TV, pobre Austrália, país primitivo, que também usa...

terça-feira, agosto 14, 2007


"No vão da escada": Beckett com magia


A linguagem é a substituição do mundo. O formalismo modernista, pai do estruturalismo e avô do derridadismo, era talvez uma fuga do mundo complicado demais, depois que Napoleão subiu ao poder e estourou a Segunda Guerra. Os autores da guerra pareciam cercados por cinzas e ruínas. “Não vejo qualquer traço de qualquer lógica em parte alguma” – diz Beckett.

Foto de Fernando Pires.

O medo aos “sistemas” iluministas e nazi-stalinistas que propunham um cientificismo único, lógico, abria para a liberdade absoluta, o que deixou a nós, artistas, sem modos de entender o mundo político e econômico. Hoje, entre o “naturalismo” do mercado que prega bom-mocismo (no fantástico mundo TV, a vida como “posição credora” ou “posição devedora”), força de vontade individual e o totalitarismo dos modelos de ser que nos penetram, e a violência que ocupa o espaço de um Estado abandonado pelos ricos para montar a fábrica na Indonésia, lutamos para ver alguma lógica em algum lugar.


O que isso tem a ver com “No Vão da Escada”, do Grupo Teatral Falos & Stercus?


Acho que estamos, de algum modo, passando (se pudéssemos supor um certo movimento insinuado nessas contradições que somos nós) da idade modernista e pós-modernista para uma fase de realismo complexo (vide texto de Fernão Pessoa Ramos, hoje, na Folha, sobre documentários e narrativas na primeira pessoa) uma fase em que as conquistas são mantidas e se supera os excessos. (Recentemente vimos filmes sobre Berlusconi, a rainha e Lady Di, aquecimento global e a Guerra de Bush.)


Sempre gostei do trabalho do Falus (se é que me entendem), mas, assim como ocorreu com “Cassandra em Progress”, da bi-décade Terreira, acho que aqui texto, direção e atuação simplificam e ganham. Luciana Paz mostra que uma grande atriz está presente sempre. Quando falo grande quero dizer grande, pois ela humanizava as frases mais "contadas" do personagem e mantinha o olhar para cada pessoa do público. Também o trabalho com o corpo que marcou a trajetória do grupo é retomado em um movimento difícil e coeso.Marcelo Restori criou um texto beckettiano, falando do fim do mundo, um mundo sem portas, nada novo para esse grupo que luta por teatro inovador enquanto invade uma ala abandonada de um Hospital Psiquiátrico e lá se apresenta.


A geração que foi à rua no início dos anos 90 era marginal porque- diferente do que dizem os falsos liberais que tiveram o “pai” lhes dando proteção antes de “fazerem por si mesmos”- não dá para primeiro crescer e estudar para depois viver: a arte era (é?) lixo no mundo privatizado. O grupo jogou na cara do mundo (reconstruída) essa violência que é ter só FunProArte para financiar, o peso da cidade (o frio que vem do tempo em que se degolava inimigos) e nossa ultra-intelectualização, que muitas vezes vai de Derrida a Tchecov, mas tem medo do novo. (Marília Pera uma vez disse: "Sei como é o público de Porto Alegre: em um primeiro momento mais quieto, não reage tanto quanto o de outros lugares, mas no final é muito caloroso"- Zero Hora, 2ºC, 20/05/06)


Voltando à dramaturgia, achei um texto mais concreto e sensível do que, por exemplo “In Surto”, mais fragmentado e desesperançoso, e mais maior. Aqui algumas narrativas se juntam ao metafísico, suavizando a linguagem. (Gosto da comunicação "essaéminhavida", provavelmente ainda quero mais “o que eu fiz e por que”).


Nietzsche, Foucault, AIDS e Collor faziam parte de uma escuridão absoluta nos anos 90. Nada saiu de cena, mas soubemos fazer nosso espaço, afinal existe o Carnaval, João Gilberto e a Cidade Baixa (dizem que o gaúcho é bairrista, para quem é off-POA, significa Quartier Latin+Copacabana sem água). Esse grupo marcou a história de Porto Alegre por ir ao extremo, por ser puro fogo.


Agora sinto que é o momento em que as conquistas são valorizadas como poesia: sabemos nossos limites, mas sabemos o que somos e podemos. Começam a aparecer esperanças, dentro de um novo realismo.




Classe Média desesperada

Sim, eu fiquei 2hs esperando o avião em Guarulhos. Que drama! Um local limpo, amplo, envidraçado, com café, suco e cadeiras confortáveis (era só subir a escada rolante, mas teve gente, muita, que preferiu ficar sentada no chão não sei por que, vai que aparece a televisão).
Cinco dias depois do desastre, o Aeroporto de Cumbica normal, tranqüilo, vem um velhinho com uma mala, o repórter “pula” nele e pergunta: “como o senhor se sente?” (entenda-se: estressado, desesperado, a beira de um ataque de nervos). O velhinho apenas olha para os lados (tudo vazio) e pergunta “como?”

Entrevistei dois profissionais do aeroporto, um deles que há 20 anos lá trabalha. “Esse acidente não tem nada a ver com a pista. Decolam vinte aviões por hora. Qualquer um sabe que foi falha da máquina, mas isso significaria dizer que a empresa não faz manutenção.” E sobre os atrasos: “Todos sempre fizeram overbook, mas antes outra empresa arrumava esses passageiros. Agora todas fizeram ao máximo, faltou vagas.” Não seria óbvio?

Depois, no Salgado Filho, uma mulher vestida de executiva de nariz de palhaço. Lembrei de meu tio que sempre falou de atrasos em aviões, há décadas.
Na TV, um pai (compreensivelmente) confuso diz: “Meu filho foi sacrificado!” Pela ANAC? Uma senhora distinta, deitada no chão no Portão de embarque: “Nunca saí para reclamar nada, (um francês diria, mesmo, sem 68, sem auxílio desemprego) mas agora CHEGA!”

A mudança na malha aérea que o novo Ministro propôs vai “fazer o consumidor pagar mais” o segundo o JG. Os 40 integrantes do Movimento Luto Brasil (não foi fundado pelos familiares das vítimas) que "vaiaram o ministro da Defesa, Nelson Jobim, em frente ao Palácio Piratini, em Porto Alegre" (Terra) saíram em cadeia nacional, no maior Jornal do país.

Seguindo o JN hoje:

“A CPI cobrou da TAM por que não seguiu uma instrução da Anac de janeiro que recomenda o uso dos reversos no máximo, quando a pista estiver molhada no aeroporto de Congonhas. Para surpresa dos deputados, a TAM disse que nunca recebeu a instrução. (...)

Mais surpresos ficaram quando o presidente da Anac, Milton Zuanazzi, reconheceu, por telefone, que a instrução, publicada no site da agência, não tem valor porque não chegou a ser regulamentada.”

Alguém podia me esclarecer o que a ANAC pode fazer, na realidade? Ela pode bater na porta da TAM e fechá-la? O que significa “Não pode ser regulamentada”? A TV não quer esclarecer isso?

Se nosso país, é bom lembrar, está o que está é justamente porque, como um colonialista no Haiti, houve quem ajudasse grupos minoritários a tomar o poder e evitar a distribuição de renda que ocorreu em parte na Europa e EUA, e não porque a maioria votou em um barbudo operário em 2002.

***
Desesperadamente Fiel

Assistindo às primeiras cenas da mini-série que estréia amanhã, Donas de Casa Desesperadas, ficamos pensando o que a Rede TV trouxe de novo além das fofocas. O seriado se passa em um mundo de casas com jardim (Arvoredo), onde mulheres “desesperadas” cuidam das flores, dos filhos na piscina, jantam em salas enormes, etc. Muito bem, para se começar no ramo do entretenimento é preciso se valer do que já existe. (Hei, têm alguns dramaturgos brasileiros aqui!)

Claro que essa série é uma das mais inteligentes dos últimos tempos, porque a competição exigem sim qualidade nos EUA e a classe média que sai cada vez menos de casa porque alguém não pagou o imposto para investir na Bolsa e não temos segurança, precisa e adora.

Mas, convenhamos, qual a vantagem de se ter o mesmo seriado dublado? Você tem de olhar duas vezes para perceber que não é uma gringa e sim Lucélia Santos. Percebemos o quanto o modelo de família, homem, mulher norte-americanos se torna “global-normal”, quando nossos atores de 1,90 e malhados e nossas mulheres dos outros falam em português. Parece outro assunto, mas não é: é sobre alguns viverem NY-SP enquanto outros vivem favela-Tv aberta. Prefiro a Grande Família...

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PS: Depois do fato, seguem as mesmas opiniões: ruas impecáveis, com postes antigos, meninos de sete anos em camisa social para ir ao enterro, mulheres em roupões no meio da rua segurérrima à noite vendo a mansão da amiga ser salva pelos bombeiros (você já viu uma cena assim no seu bairro?)... A série acaba fazendo pensar que existe um grupo de pessoas- talvez como a própria Gimenez, que parece passar o fins de semana em Nova York- vivendo sim naquele mundo "de plástico", em condomínios fechados em qualquer lugar do mundo, sem compreender o mínimo dos "surpreendentes" momentos como um ataque terrorista ou uma crise no mercado imobiliário fantasma porque simplesmente passaram tempo demais sem a realidade.
O que mais choca é a naturalidade das "piadas": chega-se a um enterro com uma cesta de pães de mel, toma-se café em bules de porcelana, leva-se grandes buquês de lírios na mão. O exagero das regras da Disney chega ao cúmulo quando, tendo por algum motivo sido gravado em Buenos Aires (equipe mais "entrozada com os métodos de produção" hollywoodianos? mais barata? autorizada?), uma atriz é forçada a fazer uma cena com um vestido de seda num frio de 3 °C (frio que toda a equipe comenta na festa de lançamento), outra fica nua um dia inteiro na cidade cenográfica. Se foi feito na Argentina (vimos isso antes em Chiquetitas, mas aí era ridículo sem comentários), por que esse calor Californiano?
(As atrizes, maravilhosas, souberam dar um jeito brasileiro no meio de tanta estética publicitária. Isadora Ribeiro disse que não assistiu os episódios para não copiar- e está mesmo uma das melhores.)
Onde está a mulher brasileira, solteira, trabalhando três turnos, presa no trânsito e com tendinite? A naturalização do padrão americano de ser rico. A síntese desse agradável clone foram os filhos dublados. Dublados mesmo! Vozes enlatadas como os motoqueiros do Casseta e Planeta, trocando sílabas. Isso que dá tantas normas para filmar, regras em contrato: técnica perfeita, mas não é a nossa.

sexta-feira, agosto 10, 2007

CRISE AÉREA OU CRISE ÉTICA DA MÍDIA?
A invenção da crise aérea - Marilena Chauí
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"Do ponto de vista da operação midiáticapropriamente dita, é interessante observar que a mídia:

a) não dá às greves dos funcionários do INSS a mesmarelevância que recebem as ações dos controladores aéreos, embora os efeitos sobre as vidas humanas sejam muito mais graves no primeiro caso do que no segundo. Mas pobre trabalhador nasceu para sofrer e morrer, não é? Já a classe média e a elite... bem, é diferente, não? A dedicação quase religiosa da mídia com osatrasos de aviões chega a ser comovente...

b) noticiou o acidente da TAM dando explicações comose fossem favas contadas sobre as causas doacontecimento antes que qualquer informação segurapudesse ser transmitida à população. Primeiro, atribuiu o acidente à pista de Congonhas e à Infraero;
depois aos excessos da malha aérea, responsabilizandoa ANAC; em seguida, depois de haver deixado bem marcada a responsabilidade do governo, levantou suspeitas sobreo piloto (novato, desconhecia o AIRBUS, errou navelocidade de pouso, etc.);
passou como gato sobre brasas acerca da responsabilidade da TAM; fez afirmações sobre a extensão da pista principal deCongonhas como insuficiente, deixando de lado, por exemplo, que a de Santos Dumont e Pampulha são menosextensas;

c) estabeleceu ligações entre o acidente da GOL e o daTAM e de ambos com a posição dos controladores aéreos,da ANAC e da INFRAERO, levando a população aidentificar fatos diferentes e sem ligação entre si,criando o sentimento de pânico, insegurança, cólera e indignação contra o governo Lula. Esses sentimentos foram aumentados com a foto de Marco Aurélio Garcia ea repetição descontextualizada de frases de GuidoMântega, Marta Suplicy e Lula;

d) definiu uma cronologia para a crise aérea dando-lheum começo no acidente da GOL, quando se sabe que hámais de 15 anos o setor aéreo vem tendo problemas variados; em suma, produziu uma cronologia que faz coincidir os problemas do setor e o governo Lula;

e) vem deixando em silêncio a péssima atuação da TAM,que conta em seu passivo com mais de 10 acidentes,desde 1996, três deles ocorridos em Congonhas e umdeles em Paris – e não dá para dizer que as condiçõesáreas da França são inadequadas!

A supervisão dos aparelhos é feita em menos de 15minutos; defeitos são considerados sem gravidade e a decolagem autorizada, resultando em retornos quase imediatos ao ponto de partida; os pilotos voam mais tempo do que o recomendado; a rotatividade da mão de obra é intensa; a carga excede o peso permitido (consta que o AIRBUSacidentado estava com excesso de combustível por haverenchido os tanques acima do recomendado porque ocombustível é mais barato em Porto Alegre!); etc.

f) não dá (e sobretudo não deu nos primeiros dias) nenhuma atenção ao fato de que Congonhas, entre 1986 e1994, só fazia ponte-aérea e, sem mais essa nemaquela, desde 1995 passou a fazer até operações internacionais. Por que será? Que aconteceu a partirde 1995?) não dá (e sobretudo não deu nos primeiros dias) nenhuma atenção ao fato de que, desde os anos 1980, aexploração imobiliária (ou o eterno poder dasconstrutoras) verticalizou gigantesca e criminosamente Moema, Indianópolis, Campo Belo e Jabaquara.

Quando Erundina foi prefeita, lembro-me da grande quantidade de edifícios projetados para esses bairros e cuja construção foi proibida ou embargada, mas que subiram aos céus sem problema a partir de 1993. Por que? Qual a responsabilidade da Prefeitura e da Câmara Municipal? "

http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/446501-447000/446655/446655_1.html