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segunda-feira, novembro 16, 2009


Sim. O Lula investiu 90 milhões em 2008 e 100 milhões em 2009/10 em bibliotecas, enquanto em 2002/30 foram investidos meros 7 milhões, sim, por aquele professor.

Este dado, fornecido por Fabiano dos Santos, da Diretoria do Livro e Leitura do Minc, foi uma das ações importantes debatidas durante o II Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias e o II Fórum Prazeres da Leitura, patrocinado pela Poiesis e pelo governo do Estado.

Justamente o secretário da cultura João Sayad gerou desconforto com suas colocações: os curadores de exposições seriam responsáveis por gastos com "mostras", enquanto o bom mesmo seria exibir o acervo dos museus.

Concordo que há alguns exageros, principalmente quando o "novo" não cabe no sentido didático para o público leigo, mas... será? Não é chato, sempre o mesmo? O curador seleciona um olhar, propõe uma narrativa.

Já, segundo o secretário, as Bibliotecas deveriam entrar na cultura "competitiva do século XX", tipo "jogo de futebol" (?), expor bem na frente Paulo Coelho e, quem sabe, a Playboy (?), e, mais atrás, Guimarães Rosa.
A platéia resmunga. Sim, deve haver alguma lógica. Tem que haver...

"Por que ler ao invés de ver um DVD"?

Sejam quais forem as vantagens de acessos múltiplos (é um absurdo, por exemplo a insistência da escola em fazer jovens de 18 anos ler apenas romances do século XIX, quando há tanta coisa leve e curta do Séc. XX!), soou maaaal.

Professora Lucia Santaella encantou o público explanando sobre as diferenças entre o leitor interiorizado do Renascimento, o leitor desatento da cidade, e o leitor implodido do Kindle. (O mestre de cerimônia, José Goldfarb, avisa que ela já foi twittada :)

Foram apresentados os lindos projetos da cidade de Medelín, do Ecofuturo, entre eles a criação de Bibliotecas Comunitárias, o ônibus Biblioteca do Município (que existe desde 1936, Mario de Andrade: vá em busca de seu público) , o Barganha Book de São Carlos, feira de trocas, (sem medo de "fazer o bom por causa do otimo") e o Instituto Pró-Livro, com sua visão ampla e o interesse que despertou pelo Brasil em sua curta existência.

O que mais me impressionou mesmo foi o trabalho do Programa Nacional do Livro e Leitura, que, como se disse, não criou praticamente nada (o que pode até ser bom nesse vai e vem de governos e ações), mas articulou, incentivou e deu resultado.

E é fácil começar obras de impacto:
a Biblioteca da Escola Municipal Maria de Lourdes Gonzaga, recebeu em 2008 os 6.000,00 que precisava para "Ter em mãos uma quantidade aproximada de 5.000 livros para a efetivação da primeira biblioteca escolar".

Como tudo no Brasil o mais incrível é o básico: um senhor nordestino contou-me que o Lula é um herói no rio São Francisco, pois colocou barcos a vapor por lá!

Moacyr Scliar fechou a noite com seu otimismo imbatível, dizendo que provavelmente ganhou o Jabuti porque souberam que ele ia falar para "pessoas tão importantes", contando de seu amor-tormento pelos livros e lembrando que o Brasil melhorou muito: "Nunca se falou tanto em livros! Não posso aceitar 1/3 dos convites que recebo para encontros sobre o livro!"

Todos nós saímos acreditando que ainda vale a pena guardar e trocar ideias.
Bonito Caetano, sua mãe ainda não é da elite,
nem quer puxar o saco...

Dona Canô vai pedir desculpas a Lula após Caetano chamá-lo de analfabeto

"
Vou me desculpar e dizer que, pelo que conheço de Caetano, sei que ele não quis ofender o presidente. Não é possível que ele chamasse Lula de analfabeto, aliás, ele nem teria o direito de falar assim. Ele é apenas um cantor", afirmou".

http://noticias.uol.com.br/politica/2009
/11/16/ult5773u2980.jhtm

quinta-feira, novembro 12, 2009

Apagar a verdade?


Em 2006, Alberto Dines escreveu sobre uma suposta "Onda antimídia" que estaria atormentando os jornalistas com mensagens críticas, certamente "enviadas por militantes petistas".

"Esta onda antimídia está ganhando proporções de verdadeiro linchamento... rancor jamais visto entre nós. Na quinta-feira (2/10), na Folha de S.Paulo, a colunista de política Eliane Cantanhêde denunciou a avalanche de e-mails ofensivos e ameaçadores que atulha a caixa postal de jornalistas e de veículos.

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=405JDB021



Bem, eu não sou militante petista, mas não é difícil pensar que D. Eliane tem algum problema com Lula. Será que é o fato de ele ser o Brasil “verdade inconveniente”?


(Vide William Waak dizendo, como bem resumiu alguém no twitter, que o Brasil "não presta"...)


http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=20834

É que a grande mídia se distanciou do cidadão comum, a ponto de uma representante da Unesco confessar em palestra que os grandes jornais não enviam mais jornalistas à periferia por medo. Ou seja, trabalham em casa, no seu bairro...

Abaixo uma notícia bem feita, de Claudia Andrade, sobre o apagão, no UOL online que, como o G1, consegue superar a versão televisiva e "oficial" do grupo: informa o motivo; não tenta usar fatos para insinuar nada; aceita dados informados.


Vale a pena ser citada, pois demonstra imparcialidade cada mais rara. Comparemos com a Folha mesma abaixo:


***

Raios e ventos na região de Itaberá (SP) causaram apagão no país, diz ministro


Claudia Andrade*

Do UOL Notícias



A reunião realizada no fim da tarde de hoje reuniu mais de 40 pessoas, integrantes de órgãos ligados ao Ministério de Minas e Energia. "Todos chegaram à conclusão que foram descargas atmosféricas, ventos e chuvas muito fortes na região de Itaberá (SP).

Houve uma concentração desses fenômenos atmosféricos ali. O que provocou um curto circuito nos 3 circuitos que levam a Itaberá, que vêm de Itaipu", disse Lobão. Nenhuma medida emergencial para evitar que o problema se repita ficou estabelecida. Ele classificou o fato de "ocorrência raríssima".

"Vejam que temos três linhas. Se caísse uma, as duas atuariam fortemente, caindo duas, a terceira sustentaria o sistema, não conseguiu sustentar, tão forte foi a incidência dos raios ali ocorridos", disse Lobão durante a entrevista no começo da noite.

De acordo com Zimmerman, nenhuma medida emergencial foi adotada porque a ocorrência foi considerada excepcional. Ele afirmou, contudo, que o encontro realizado hoje resultará em um relatório com propostas de melhorias no sistema.

Questionado se não haveria nada a ser feito para evitar um novo apagão em curto tempo, o ministro recorreu mais uma vez ao histórico de investimentos. "Há o que fazer fortalecendo o sistema. Isso nós fizemos. O sistema está fortalecido. Eu disse que temos três circuitos, não um, não dois", afirmou.

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/11/11/ult5772u6082.jhtm

***

Dito isto, voltemos à Folha, nas manchetes:

MP abre investigação sobre apagão

Governo culpa "fenômenos climáticos" por apagão

Usina de Itaipu levou oito horas para voltar a funcionar após apagão



... É que, nesse caso, as linhas que levam energia para o país vizinho são de responsabilidade da paraguaia Ande (Administración Nacional de Eletricidad) e não de Furnas.

Isso foi usado pela direção da hidrelétrica para reforçar que o apagão não teve origem em Itaipu. "Em 15 minutos [após o início do apagão], o sistema paraguaio já estava sendo suprido por Itaipu, o que reforça o fato de que a causa do defeito foi externa", disse a direção, em comunicado oficial.

***


Escuridão na luz - Sérgio Malbergier (com destaque no site)

....
A teoria do raio de Bauru, obviamente, nunca foi comprovada. Procurado, São Pedro não retornou as ligações da Redação. Nossos dirigentes não estão interessados em dar satisfação aos cidadãos-eleitores, mas em nos enrolar para que possam seguir tocando seus negócios como sempre.


***

Vale lembrar do apagão FHC, este sim, por falta de investimentos:




"A crise ocorreu por falta de planejamento e ausência de investimentos em geração e distribuição de energia, e foi agravada pelas poucas chuvas. Com a escassez de chuva, o nível de água dos reservatórios das hidroelétricas baixou e os brasileiros foram obrigados a racionar energia [2].

Após toda uma década sem investimentos na geração e distribuição de energia elétrica no Brasil, um racionamento de energia foi elaborado às pressas, na passagem de 2000 para 2001".

http://pt.wikipedia.org/wiki/Esc%C3%A2ndalo_do_apag%C3%A3o]




Só para lembrar, FHC recentemente pretendeu comparar seu governo ao de Lula, causando constrangimento aos tucanos:


"Como destacaram, em 1997, Cid Benjamim e Ricardo Bueno, no "Dossiê da Vale do Rio Doce", "o Brasil levou 54 anos para construir e amadurecer esse gigantesco complexo produtivo. O governo FHC pretende vendê-lo, recebendo no leilão uma quantia que corresponderá, mais ou menos a um mês de juros da dívida interna". Em maio daquele ano, a Vale foi vendida pelo governo federal por R$ 3,3 bilhões. Em 2007, seu valor de mercado estava em torno de R$103 bilhões."


http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16223


Então, jornalismo de laptop: alguém se lembra da entrevista de Itamar de Souza – um dos integrantes do MST que esteve acampado em Brasília em agosto? Pois é, só na Agência Brasil.


“Somos responsáveis por 95% da produtividade [daquilo que chega à mesa do brasileiro]. No entanto o dinheiro destinado para pequenos e médios produtores é de apenas R$ 15 bilhões, enquanto o dos grandes [produtores], que plantam principalmente para o mercado externo, é de R$ 45 bilhões. É preciso reverter esse quadro”, afirmou.


Agora a Folha fala que apenas menos da metade do orçamento para a energia foi utilizado, em 2009. Mas onde está o contexto?

Lá no meio se lê, bem depois do impacto da manchete, só para assinantes:


A Eletrobrás prevê que, até o fim de ano, executará de 70% a 80% do orçamento. Segundo a estatal, a execução depende de fatores como "procedimentos legais e ambientais que necessitam ser cumpridos".


Onde estão os dados sobre o investimento do PAC? Será que mídia agora é só a defesa de um ponto de vista privado?


http://www.brasil.gov.br/pac/.arquivos/8balanco_3Aenergetica12112009.pdf


terça-feira, novembro 10, 2009

Quando o Estado compensa sua ausência com força

by Michelle Amaral da Silva — http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/entrevistas/quando-o-estado-compensa-sua-ausencia-com-forca

"Para o professor do Departamento de Economia da Puc-SP Ricardo Gaspar, aumento do 'número de favelas e ocupações precárias' em São Paulo é preocupante

Como avalia essa intensificação de confrontos em São Paulo entre forças de segurança e moradores de comunidades pobres?

Ricardo Gaspar - Esse é um problema crônico de todas as cidades mais importantes do planeta hoje, que passam por uma transformação bastante profunda na sua estrutura econômica, diminuição de empregos industriais, aumento de empregos em serviços, precarização da força de trabalho e vulnerabilidade da moradia. São três elementos que eu queria destacar, esse é o primeiro.

O segundo é o fato de que os governos locais das cidades são, por si só, incapazes de resolver esse problema se não tiverem um apoio forte, uma institucionalidade regional e um apoio do governo federal para isso. Em terceiro lugar, apesar das cidades não poderem fazer muita coisa, [elas] podem fazer, sim, ações importantes, e a cidade de São Paulo não está fazendo isso, pelo menos na direção correta.

São ações não só no sentido de propiciar maior número de moradias, condições mais adequadas de moradia, como também planos para a cidade, planos mais democráticos, que prevejam maior mistura de usos, acessos mais fáceis à população de baixa renda aos serviços públicos e equipamentos públicos. Isso não está sendo feito pela atual administração".

***

Maioria dos alemães orientais sente que a vida era melhor no comunismo

Uol -Der Spiegel

A apologia da República Democrática Alemã está em alta, duas décadas
depois da queda do muro de Berlim. Os jovens e os mais ricos estão
entre os que desaprovam as críticas segundo as quais a Alemanha Oriental
era um "Estado ilegítimo". Numa nova pesquisa, mais da metade dos
antigos alemães orientais defende a RDA.
...

O resultado dessas pesquisas, divulgado na sexta-feira em Berlim,
revela que a glorificação da antiga Alemanha Oriental atingiu o cerne
da sociedade. Hoje, não é mais uma mera nostalgia eterna que chora a
perda da RDA. "Uma nova forma de Ostalgia (nostalgia pela antiga RDA)
se constituiu", diz o historiador Stefan Wolle. "A ânsia pelo mundo
ideal da ditadura vai muito além das antigas autoridades
governamentais." Até os jovens que quase não tiveram experiência com a
RDA a estão idealizando hoje. "O valor de sua própria história está em
jogo", diz Wolle.

As pessoas estão ignorando os defeitos da ditadura, como se as
críticas ao Estado fossem um questionamento de seu próprio passado.
"Muitos alemães orientais percebem as críticas ao sistema como um
ataque pessoal", diz o cientista político Klaus Schroeder, 59, diretor
de um instituto na Universidade Livre de Berlim que estuda o antigo
Estado comunista.

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2009/07/05/ult2682u1224.jhtm

segunda-feira, novembro 09, 2009

"Prefeito Kassab (DEM) fecha bibliotecas em São Paulo

Sob a alegação de falta de demanda, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) determinou o fechamento de quatro bibliotecas infanto-juvenis em São Paulo.

Foram desativadas uma biblioteca que ficava no Alto da Lapa (Cecília Meireles), duas na Vila Mariana (Zalina Rolim e Chácara Castelo) e a última no Tatuapé (Arnaldo de Magalhães Giácomo).

Juntas, as unidades tinham um acervo de 165 mil livros que registraram o acesso de 58.842 pessoas de janeiro à setembro de 2007".

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/prefeito-kassab-dem-fecha-bibliotecas-em-sao-paulo

Menos bibliotecas

O prefeito fechou o livro

mas a mente é sempre fogo

Sem palavras e sem freios

corta, mostra, torna vivo

o dentro


O homem odeia os livros?

torna o caminho tortuoso

nosso rosto não nos fala

voz dum mundo rouco


meu falar cria molduras
de futuro, o medo emudece
sem passado e sem olhar
o homem, só, adoece


sim, livros e pontes

sim, precisamos falar

sim somos um povo

de poetas naturais


aquilo que herdamos e somos

nos vem por invisíveis

pássaros que voam


tomar pé e chegar ao chão

biblioteca avenida

palavra puxa palavra

inventa o mundo

e lê a vida


Senhor, senhor que tem a chave

abra a lingua para a passagem

de homens por dentro de si

só há um grande enredo

da guerra, do amor e do medo

sem forma o fogo de dentro

torna-se fogo de tormento

os livros contam a passageira

contagem



Afonso Jr. Lima