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sábado, abril 16, 2011

Anne Frank X Espigões

Ontem, estive na Biblioteca Anne Frank, no Itaim Bibi, fazendo a leitura do diário na Semana da Leitura. A biblioteca foi fundada por Monteiro Lobato. O ambiente é maravilhoso, limpo, claro, com belos jardinzinhos, uma coleção de HQs bem variada e muitos outros livros infantis. O sarau foi delicioso com bandolim, fado, poesias dos participantes, Drummond e outros... Muita gente contou que começou a ler ali quando criança.

Pois é, a Prefeitura vai vender essa área verde e uma construtora quer fazer ali espigões. Realmente o verde é maravilhoso em um dos bairros mais sofisticados da capital. Deve dar vontade de encher de concreto... Sabe como é: as construtoras “terceirizam” creches na periferia (- onde? quando? como? Ninguém sabe). Levando em conta o fiasco da saúde com as O.S.s, da Eletropaulo, das creches, da Telefônica...

Sem falar que os que utilizam os espaços (APAE, creche, CAPS, EMEI, UBS, Biblioteca, Escola...) não são realmente os mais ricos.
Meu plano é Uma Biblioteca por Bairro. Por quê? Porque as minorias não deveriam vencer sempre na democracia e, sim, está provado que os traficantes viram heróis porque dão lazer nas comunidades distantes do centro.

Isso nos leva ao próximo tema: o Diário do Comércio continua sua campanha de “eles e nós”. Uma das capas mais chocantes dos últimos tempos foi a do nosso ex-presidente, recebendo seu honoris causa em Coimbra, sendo ridicularizado com os dizeres: “O título que recebeu... assim vestido, Lula dedicou a seu vice. E, chorando, chegou ao velório...”

Lembrou-me muito o tema da eugenia que eu trabalhei nessa palestra.
Mesmo quando Dilma (ela também sai na capa com freqüência, por exemplo, com um dedo em riste na saída do teatro e uma legenda que debocha do fato de alguém ter lhe chamado de “linda”) está tentando acordo com os chineses, o que vai mudar o panorama da economia brasileira, ela ainda é criticada por falar que “todos os países têm problemas ligados aos direitos humanos”, etc.

É claro que a China se tornou um exemplo do mau-capitalismo mundial, onde trabalho semi-escravo sustenta a maior produção possível e faz girar o acúmulo infinito com custo social zero. Mas isso nos mostra também a contradição na nossa classe empresarial (ou pelo menos no que seria a sua imprensa,) a mesma que fala que nos últimos 5 anos a classe média superou a marca dos 100 milhões. Será que (todos) os empresários serão sempre “do contra”? Afinal, o que é bom para o comércio, radical ideologia ou crescimento? Será que saímos do tempo dos escravos?

Ou ainda achamos, como o eugenista Renato Kehl e os ilustres membros da Sociedade eugênica de São Paulo, que é preciso “cercear a decantada liberdade individual” para a Cura da Fealdade?

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