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segunda-feira, março 11, 2013

Rumor



Quero mais elefantes
pelas ruas
E aranhas claras em folhas verdes
Olhando com mil olhos carros transitórios
Evoco sonhos de floresta
Invoco os gritos do deus novo!
A terra que tudo sustenta e respira
Novas palavras para proteger a
vida
O mundo é novo hoje e, portanto, a lei
Venha o deus Água num abraço de círculo amigo
pela cidade
desfazendo as chamas do concreto
Em diálogo de paz - e os peixes que têm o logos do tempo
Não vamos pressupor saber tudo de um mundo
indomável
Eu evoco os gatos, os dias de preguiça, o corpo vivo
Uma escuridão de silêncios com dama da noite
Chamemos a Vida, quando reina Repetição
Tudo programado, tudo para poucos
Quando o ser acinzenta (o eu se faz em contato)
tudo é sopro seco de fogo
a tristeza cobre com sua poeira fria a treva
o Pensar como espada e corte
(Ele, Irmão do Amor, filho do Ovo da Noite)
homens, mulheres com pele ferida
unhas sujas e famintos
o fracasso de uma civilização
Evoco o tempo criador
Que tudo relativiza, apaga, tempo de todos
Os anjos bárbaros com fontes de água nova
Brotem do Rumor os dedos divinos pela cidade!
Anel de flores por todos os caminhos, pétalas no lago
As ninfas sujas de lama circulam e observam
E as nuvens escuras lembram do primeiro dia
O mundo dos mortos caminha junto, salva a vida
Adormeçam os furiosos jovens, isolados
Os frutos cubram paredes de pedra
com línguas de todos os povos e pele-pensar
Um frêmito de renovação, daquilo que muda sempre
Porque todo o ser é já em si poder e potência
O parar, o amanhecer, o olhar vivo
Igualdade da terra que os acolhe
O Pensar ancestral pré-individual
que pune o insolente
Verte, borbulha, limpa de eus infinitos
Não há maior saber que o fluir na vida
Quero mais elefantes
pelas ruas

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