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terça-feira, julho 30, 2013

Desaparecido

Eu queria falar do vestido puído
do branco do campo
da casa oca e do tempo lutado
entre o sistema doído e o íntimo 
sufocado
Mas o que posso é o soco 
do mundo palco
pão pouco 
na casa pouca
sempre
palafita vida 
sempre
trânsito 
para talvez alguém
cidadania aflita
para verificação
cidadão corpo
estudante marginal lei em desaparição
a multidão de formigas focadas
os gritos de esperança cortados
as línguas em trabalhos de eras 
suturadas na multiplicação, rompidas 
quando irrompe o fogo em preto e branco 
procedimento puro. boi
o vidro azul que cobria denso profundo
inferno. sombra antiga
da república. um silêncio de tempo deslizando 
frio. arte incriada das gerações 
pela flor da bala rasgada. hábito de guerra 
na prateleira e monótono sumiço 
Os sonhos do corpo em desafogar-se
Do caminhante da rua em sentir-se em duração
cavaleiro pedreiro em ser andante e amar pele geral
Sem ser apócrifo seu sonho, gemido desgosto
exterminado em enfermidade longa
transitar do quase-homem para o zero-quase
invisível ser sem relação 
Eu falaria da vaga do horizonte
e do sol que irrompe
mas não. 

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