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sexta-feira, dezembro 06, 2013

Mudança


Vocês não estão entendendo Alguém vai queimar a cidade
Cortar as cabeças arejadas Dar fim nos seus filhos 
Vocês não estão entendendo O piano e o foie gras e o veuve clicquot
E o metrô choveu e já parou fatal corrupção a criança sufocada nos braços da mãe
quebrará seus vidros no próximo vendaval A cultura minguada, a facada
A pobre educação, cano sem perdão Nenhuma repressão vence a injustiça
O fogo responde à preguiça A cidade ficou sem esperança
Vocês não estão entendendo O livro escondido é a bala perdida
O branco letrado complacente, faca nos dentes O que custa a perda do amanhã
A praga primeira de negro medo as pragas porque a mente do mundo cobra
tragam o berço 
não percebem REALMENTE não sabem NA PELE que serão desligados furados reconstituídos enquanto status global classe A teclando aguardando prato tailandês o embarque o retorno do fundo de vinhos/arte a executiva sexy
Que nada pode ser abandonado nessa teia nada pode ser cortado
Sem que a própria Terra mova seu coração líquido e envie deuses da destruição
Depois não haverá julgamento, corpos empilhados
Vocês acham que podem escapar as estradas fechadas no sono punhal
O ódio que nasce da terra seca O pão pouco Vocês não estão entendendo
O desejo de ser do coração O vulcão do esquecido A multidão que também é do chão
A queda de Roma da Torre de Sauron a vida quando ofendida
Vocês não estão entendendo a sede fúria vampira com sangue rebelião
Vocês não estão entendendo Quanto custa o milhão Bordeaux arte arte
Pesadelo gelado pingando alimentar a escuridão cavalo chicoteado
A violência bestial do ignorado mar bravo
Queimar a cidade e seus filhos em vão Vocês não estão entendendo
A cidade  sem esperança

Afonso Lima

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