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quinta-feira, dezembro 04, 2014

2050

"Toda organização que não seja do indivíduo para o indivíduo é uma forma de servidão" - diz a epígrafe. 
O livro é dividido em três partes:
Visão de mundo.
Hábitos mentais.
Eliminando outras formas de pensamento.

No primeiro capítulo, muito técnico, em cada subtema foi escrito um comentário à mão:

memória - os melhores livros são os que dizem o que você já sabe
desejo - é a sua alma que está sob planejamento
linguagem - os fatos não têm importância.

Sabemos que os membros afiliados - milhares, quase um estado inteiro - eram refratários a quaisquer fatos ou dados que contrariassem suas convicções. Já foi observado que a substituição dos professores por robôs pelo governo da cidade-estado (a aliança com o Partido foi provada há tempo) foi um dos processos que mais colaboraram (ou foram mais eficazes) na limitação de conceitos indesejados. (“um intelecto seria preciso para uma revolta”).
Uma espécie de poema acompanha a sessão sobre linguagem:
Você sabe, eles são perigosos.
Você sabe, eles dominaram o Estado.
Você sabe, eles destruirão a liberdade.
Em “Eliminando outras formas de pensamento” temos itens como: Orgasmo contínuo, A razão é facilmente moldada, Sobre o departamento da contranotícia (“cada verdade deve ser abolida por uma outra de acordo com a doutrina”), Cidade dos Intelectuais: anulação (“É preciso destruiu a autoridade moral”).

O Posfácio dá exemplos de como o Conglomerado de Controle, com 75% do total, aliado à múltiplas plataformas e à repetição pode fabricar uma memória impermeável à desconstrução. 

O exemplo é dado em uma tabela, com aceitação por parte do público depois de um ano de veiculação reiterada - três vezes por dia em três programas diferentes.
70% - os empresários são o melhor governo.
84% - deixar o dinheiro parado é sempre melhor.
67% - perdedor, vc não tem autoridade suficiente.
50% - eu concordo que quem não paga impostos é inútil.

A miséria crescente necessita de uma polícia ativa”, diz um trecho do Posfácio. "O medo da lavagem cerebral do comunismo deve servir para derrotar o inimigo". 

O Apêndice comenta a história de um rapaz que matou com um machado 30 moradores de rua em 3 dias depois de ouvir um aplicativo com cenas de guerra no qual se repetia: A desigualdade é necessária para o progresso.

Afonso Lima

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