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sexta-feira, maio 15, 2015

casa

[a claridade chama - já é hora - a forma e o fora]
mãe, mora desde menina - embaixo do céu, na pedra - os filhos lhe seguem na sina
[vem musa, deitar na lama - nada é real só o olhar - só a pele inflama]
um mais antigo lhe joga pedra - em cima, outro tenta roubar-lhe a filha - tudo muda, menos a cegueira  
[eu me dispo de tudo e agora joão - o turbilhão do rio escuro - para que o hábito não turve a visão]
fingir, pesquisar, torcer a poesia - pra mulher que dorme no chão vazia sala - se tem enchente todo dia
[navegador navegado pelo fato - as mãos sujas do opaco poeta - sonhando sem vergonha a cidade]
o senhor de chicote na mão - que ontem não ganhava seu pão - vive em cada coração
banho quente, o homem fala - que sempre viveu na rua - no país senzala, o soneto
[a maior e bela arte - a terra, o tempo, o combate]

Afonso Lima

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