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sexta-feira, setembro 25, 2015

O fim da cultura

Repórter - Enquanto isso, em Atenas, os gregos estão quebrando os pratos.
(Péricles e Platão vestidos com túnicas).

Péricles
Nós vamos ter de fazer alguns cortes aqui.
Platão
O que você quer dizer?
Péricles
Platão, a economia mudou. Financiar gente para falar do mundos das ideias, francamente...
Platão
Mas e já estou tentando criar produtos novos.
Péricles
Produtos?
Platão
Produtos pedagógicos.
Péricles
?
Platão
Uma teoria sobre as cavernas.
Péricles
Ah, bom. Isso vende. Que tal... Caverna do dragão?
Platão
Não. É sobre as sombras. Pode ser que um dia alguém invente um aparelho para as pessoas ficarem olhando as sombras.
Péricles
Que bobagem, ninguém vai perder tempo com isso. Você sabe: a Grécia está passando por uma crise. O banco Europeu Transmacedônico mandou cortar tudo. Estamos criando um plano de exílio voluntário para filósofos e imigrantes.
Platão
E o Eurípides? Também vão expulsar aquela bicha bêbada?
Péricles
Só ficarão os artistas. E a polícia. Com tanto corte em saúde e educação, vamos precisar de pau e circo.
Platão
Se eu pensasse uma cidade, ia expulsar os artistas. Homero é pura pornografia.
Péricles
Nós vamos dar um jeito neles. Patrocínio.
Platão
Eu vou me matar na frente do Parlamento!
Péricles
Bem, bem. Outra opção é uma limpeza linguística, a criação de produtos mais globalizáveis. Por exemplo: A “Apologia da Coca-Cola por Sócrates”. Ou “O Banquate no Mac Donalds”. Ou “ O Agronegócio da República”.
Platão
Um dia isso tudo vai virar uma teocracia! A Marcha para o Mundo das Ideias. Um símbolo solar, cercado de doze discípulos zodiacais e capaz de ficar três dias no inferno sem se queimar! Nesse dia, os artistas não receberão nenhuma verba! E só a gente vai ter o kit gay.
Péricles
Platão, você nunca pensou em fazer stand up?

Repórter – E agora, um exemplo de como a globalização mudou as pacatas cidades do Nordeste.

Afonso Lima 

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