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quarta-feira, outubro 28, 2015

À Noite - tradução de Percy Shelley (1792 - 1822)

Veloz andar sobre as ondas qual fera
   Noite de Luar!
Fora da caverna onde esperas
Onde, o dia longo e só vês passar
Tecendo sonhos de alegria ameaçada
Que te fazem terrível e amada
   Rápido, teu voar!

Em capa cinzenta sua forma escondida
   De estrelas enfeitada
Com seus cabelos cega os olhos do dia
Coberta de beijos, não quer mais nada
Vaga sobre o mar, terra, cidade
O ópio da tua magia por toda parte
   Venha, tão desejada!

Quando acordei e acordou a manhã
   Suspirei por ti
E cai a tarde sobre verde e flor
E volta exausto o dia ao seu descanço
Um convidado que demora sem amor
   Suspirei por ti.

Tua irmã Morte veio em prantos
    Você me queria?
Teu filho, o Sono, olhos-santos
Murmurou como um inseto do dia
Pouso em teu colo? E respondi
Não penso em ti
    Não te esperaria!

A Morte virá quando tua arte morrer
    Tão, tão depressa!
O Sono, quando ela se perder
De nenhum deles bênção eu peça
A ti eu peço, Noite, vem abençoar
Suave seja o teu voar!
Vem depressa, depressa!

tradução: Afonso Lima

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