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quinta-feira, março 24, 2016

30 dias antes da vergonha

Depois de um giro pela rede, TV e rádio a sensação que se tem é de que a crise existe: falta inteligência no Brasil. É a rádio do estado praticamente dizendo que Dilma é histérica e o processo de Curitiba uma normalidade plena. É o comentarista advogado na TV mais imparcial dizendo: “olha o que esse cidadão (juiz Moro) está fazendo pelo Brasil... é fácil ser pedra, difícil é ser janela”. Então, por que jurista andou pedindo a prisão dele?

Uma rápida olhada no passado colonial nos lembraria que tem coisa que vem desde Brasília:

“Na rodada seguinte de expansão, que é o Programa Grande Carajás, ainda na ditadura... vão construir uma ponta de organização do setor, o lugar em que você pode trazer as construtoras, que vêm para o Maranhão para tocar as obras. Você tem o esquema das construtoras, das licitações pra conseguir esses contratos, e a contrapartida em termos de financiamento de campanha”. (Dória, Palmério. Honoráveis bandidos. São Paulo: geração editorial, 2009)

O que garante uma estabilidade democrática?

Entre outros fatores, a imparcialidade da lei e a publicidade dos fatos discutidos com pluralidade. Ambos parecem em falta. A operação Lava Jato só na aparência tem a ver com corrupção; parece - ainda mais depois desse ato desesperado de evitar a posse de Lula como Ministro cometendo crime - um plano de "impeachment preventivo" Lula-2018.

Imparcialidade – Alguém se lembra que Youssef foi que operou com Mr. Big ou Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-tesoureiro das campanhas do PSDB, o coletor de contribuições milionárias para os tucanos e depois – como diretor da área internacional do BB, indicado por FHC - ajudou a usar recursos públicos para as privatizações?

“Em quatro anos, entre 1996 e 2000, Mr. Big teria remetido uma montanha de dinheiro com a altitude de R$ 20 milhões (para contas de Alberto Youssef e Dario Messer, doleiros, na agência nova-iorquina do Banestado). (Ribeiro Junior. A privataria tucana. São Paulo: Geração Editorial, 2011, p. 93).

Mas a operação só foca na Petrobrás, certo e naquela fase na qual os aportes à estatal aumentaram, ou seja, depois de Lula.
Se agora o Brasil parou é porque também o PSDB ajudou sendo uma oposição intransigente. Chegaram ao cúmulo de parar qualquer votação enquanto não fosse votada a comissão de impeachment.

Ainda: “O ex-tesoureiro das campanhas do PSDB recebeu propina de Jereissati, um dos vencedores no leilão da privatização da Telebrás”. Ou: “O dinheiro público financiava a alienação das empresas públicas... a gratidão expressa-se zelosamente nas campanhas eleitorais do PSDB”.
(Ribeiro Junior. p. 65).

Um economista vem dizer que “se esse governo não cair”, “em permanecendo esse governo”... (A crise da China jamais foi lembrada como causa; que, em 2015, um em cada cinco portugueses estava abaixo da linha da pobreza). 

Então são os donos de ações que decidem se um país cai ou não num estado de exceção? A vergonha internacional de ser uma república das bananas onde a oposição não gostou e não deixou governar é desculpável porque “o mercado” ficou contente?
Até o pobre amigo Kotscho, cansado de guerra, chega a dizer que é melhor uma saída, qualquer saída. Qualquer não, amigo.

Um deputado da suposta base aliada, do PMDB-aquele, vendo cifrões já afirma: “Com tanta corrupção e crise. Se trata mais agora de defender nosso país”. É um Maluf de 30 anos.
Nosso diretor geral do golpe, digo, comissão, assegura que tudo está muito dentro da legalidade, pelo rito, etc. Ah, bom.

Até o presidente da Associação dos Magistrados Conservadores de Primeira Instância vem dizer da grandeza e bravura desse sujeito curitibano, de quanto é normal levar pito por “comprometer a segurança nacional” vazando a presidenta.
É uma vergonha que a OAB, que já foi a luz da consciência pública, pareça ter embarcado numa onda conservadora apoiando o impeachment risível.

O pior de tudo é que, se em 13 anos conseguiu-se acabar com a fome, construir casas, criar cotas, criar universidades, as togas, como se dizia na família Sarney, não são “nossas”. O PMDB como partido nacional, mesmo que fragmentado, ainda assusta por poder subitamente, tornar-se um furacão neoliberal como o governo Sartori no RS. A população opta por partidos nanicos com discurso moralizante e simplista, dada que a estrutura do ensino, estadual e municipal, ficou na mesma e o grau de informação da população é baixíssimo. Junto a isso, as Seis Famílias Irmãs mandam em 200 milhões de corações e mentes com suas verdades.

O último que elegeram com esse discurso eletrônico confiscou a poupança de todos os brasileiros e teve gente se matando.
A vida é outra nas redes, é claro. Houve, por fim:

"O Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo protocolou nesta quarta-feira, 23, uma representação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o juiz federal Sérgio Moro."

Pensando bem, com tanto massacre sobre crise e corrupção é incrível que a maior inteligência esteja nas ruas, com as pessoas dizendo: “Não vai ter golpe”.
Em 30 dias uma presidente eleita pode ser destituída por um corrupto histórico e seus aliados.


Mas quem se importa? 

Afonso Lima

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