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quarta-feira, abril 20, 2016

O furacão do golpe

O brasileiro está em estado de choque. Percebe que a Câmara foi engolida pelo poder econômico. As massas na rua, na frente do Congresso, nada adiantaram. A bagunça no Congresso já era evidente para quem acompanhava as comissões e CPIs. Eduardo Bolsonaro até mesmo conseguiu dizer que 1964 não existiu. Mas o país inteiro, dessa vez, estava observando. Só agora fica evidente o drama vivido pelo governo nesses meses, em que até a necessária redução do orçamento foi questionada para que se desse mais 10 milhões a congressistas novos. Em dez dias pode ser que caia uma presidente eleita sem que nada possa ser feito. (E o STF deixa Cunha coordenar tudo, sendo réu).

Mas também aprendemos coisas importantes... Eu fiquei impressionado, por exemplo, com uma conhecida culta e descolada, que diz que se o Lula foi preso, é porque deve. Eu perguntei se não estava acompanhando a avalanche de críticas. Ah, são posições, quando a coisa chega num limite...
É impressionante o domínio de uma informação absoluta. (Uma lei da ANATEL que quer reduzir o acesso à internet pode prejudicar ainda mais a participação popular).

Se muita gente de esquerda pode ser criticada porque, dentro do imediatismo de nossa cultura em que "todos tem direito ao prazer agora", teve pouca sensibilidade para perceber a enorme onda conservadora e as pressões sobre a Dilma, a classe média foi se assustando com as arbitrariedades de Moro, o show da jurista Janaína, parecendo possuída na defesa do impeachment, e por fim com o deputado Bolsonaro elogiando na votação o chefe do Departamento de Tortura de SP (aprendemos a criticar a ditadura - a rede trouxe a tortura à tona). O caso dos grampos na presidente, vazados por Moro à mídia, ficaram com cara de república bananeira.

Ficou evidente, como se diz, que é uma "operação para exterminar o PT". O que causa muita tristeza, já que começamos vendo pela primeira vez grandes empresários presos. Mas como bem disse o Ministro da Justiça, hoje o MP é uma carreira de classe média, que pode ter, como as caravanas de verde-amarelo na Paulista,  uma moralidade descontextualizada e justiceira, "bandido bom é bandido morto". E é bom lembrar que desde pequeno o menino de classe média aprende que sindicalista é safado e pobre é vagabundo. "Por que não mataram todos em 1964" era um cartaz de uma senhora boazinha na Paulista.

Nosso Congresso mostrou-se um show de horrores isolado do povo, até fascista. Nosso empresariado, vendo apenas como saída a diminuição do salário, aparece como patrocinador de uma violenta quebra institucional. O impeachment, uma chance de vingança e de acabar com a investigação que pode pegar a cúpula do PMDB. O Estado de Exceção que os negros da periferia vivem dentro do Brasil, apareceu na TV ao vivo.
Que sistema possibilitou um Congresso tão corrupto?
Como ficamos tanto tempo sem criticar a ditadura, elegendo deputados como Bolsonaro?
Que significa democracia se as oligarquias ainda dão as cartas?
Essas e outras questões surgem para perturbar - mas também para enriquecer o debate.

O presidente da Câmara funciona como um mediador de interesses. Cunha atrai os grupos econômicos com interesse em ações de governo ou matérias em tramitação no Legislativo, e canaliza dinheiro desses grupos para financiar campanhas eleitorais de parlamentares. Amarra compromissos desde as eleições – e eleições caras são fundamentais para que sejam eleitas sempre mais pessoas que tenham compromissos com financiadores poderosos.
http://cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FPolitica%2FA-quem-serve-a-reforma-politica-que-Eduardo-Cunha-tirou-do-bau-%2F4%2F32909


CAIXA 2 de FURNAS - Documentário lançado pelo blog Diário Centro do Mundo (DCM), sobre a “A Lista de Furnas”, revela o modus operandi do caixa 2 de políticos do PSDB na estatal mineira; depoimentos confirmam que 156 políticos se beneficiaram de propinas da usina; dentre os tucanos apontados na corrupção estão os presidenciáveis Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra.
A produção do DCM ganha luz em virtude do indiciamento do ex-deputado Roberto Jefferson e mais seis foram indiciados pela Delegacia Fazendária (Delfaz) por crime de corrupção ativa e lavagem de dinheiro na energética; abaixo, assista ao vídeo.

https://www.youtube.com/watch?v=13AS0HJDmWE


Os Líderes são lindos - Presidente do Conselho de Pastores do Brasil, que reúne 10 mil líderes evangélicos, e seguido por mais de 2,5 milhões de perfis em diferentes redes sociais, o pastor Silas Malafaia prepara um "ato profético", em Brasília, que deve reunir líderes de 85% da população evangélica brasileira e milhares de fiéis.
Previsto para coincidir com o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Congresso, o ato deve mobilizar caravanas de ônibus e promete revelar profecias, segundo o pastor, sobre o "fim da corrupção e da crise econômica"..
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160326_malafaia_entrevista_rs_if


- No caso brasileiro, mais importante ainda é a política de valorização do salário mínimo. Isso foi muito positivo. Quaisquer que sejam os dados, a diminuição da miséria no Brasil é um fato, pelas políticas introduzidas pelo PT. Mas é possível ainda que os 10% mais ricos tenham ampliado sua distância. Pode ser ter ao mesmo tempo uma diminuição da pobreza e um aumento da desigualdade. É um erro imaginar que o Brasil já fez o suficiente em termos de redução da pobreza.
http://www.cartacapital.com.br/economia/thomas-piketty-nao-discutir-impostos-sobre-riqueza-no-brasil-e-loucura-7525.html


"O golpe nasceu de um ménage à trois entre a escória liderada por Cunha, o ódio inoculado pela mídia na classe média e o plano de arrocho e entreguismo do PSDB... O STF, depois de se acoelhar de forma indecente na preservação do livre movimento de Cunha, poderá falar grosso com Moro, e assim encerrar a Lava Jato. A Chevron e a Shell terão o pré-sal prometido por Serra e pelo PSDB; a Globo renovará sua concessão facilmente a partir de 2018..."

http://cartamaior.com.br/?%2FEditorial%2FOs-antecedentes-da-tormenta-indicam-por-onde-recomecar-%2F35982

Governo Temer seria de instabilidade política e corte nos gastos sociaishttp://www.redebrasilatual.com.br/radio/programas/jornal-brasil-atual/2016/04/governo-temer-seria-de-instabilidade-politica-e-corte-nos-gastos-sociais

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