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terça-feira, maio 10, 2016

ar de vidro

Tempo de produção de verdade
ou tempo de submissão
hoje a festa é sua e eu quero saber o que não sei
com os outros apenas se comigo
mal estar do milagre legislado e corrupto
tempo da pedra na água
o tempo de uma estrela
cavalgo num verde descolorido
homens de verdade não usam relógio
reinos ritos dias de festa em suspensão
meus pés no correr dessa transparência
cumprindo o milagre com seu vazio e concretude
o politeísta em mim ouve vozes particulares
o tempo que me diga o que sou
estar distraído e portanto ativo
deixei tudo busco nada e sou encontrado
cautela no tempo em que a casa chega ao término
meu comércio com as coisas é rico e incerto
tempo de compreensão limpar a poeira do mito
produto interno de vozes em jornais
noite na city escavar o subsolo
a terra envenenada o rude metro
um plano de guerra conglomerados comandam
submissão ao senhor batalha política na TV
o animal do nada onde tudo inominado
a fala interrompida pela aurora que alcança
meu espelho não tem imagem porque vi o tecido fino do mundo
entro em outros tempos e me sirvo de delícias estrangeiras
árvores nuvens morros a irrealidade
silêncio de passos desutilizados
saberás a expansão luminosa do éter e o que nele é signo
vazio que acolhe o átomo canção de noite
tempo de amanhecer um outro
o tempo que ainda não é o tempo de rosa


Afonso Lima



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