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sábado, julho 30, 2016

Noite e dia

As pessoas estranham o homem
Com um buraco de bala andando pela rua
Era um tempo de espera
Sonho que forja o poeta

As pessoas estranham
A poesia atingida
pela terra perdida
mar espelhando mundo
mergulhando
algo se perdeu
canto de pranto e dentro e fora
pelo tempo refeito

as palavras acorrentadas
feitiço dos reis
multidão furiosa
o dragão matou o santo
o pânico pode matar
eles sabem o que fazer eles, te darão o céu
a rima ruma contra a onda
ouvindo a rua

nesse barco tão etéreo
alimento-me de esperança
o progresso não me assusta
porque sou lúcida infância

As pessoas estranham aquela garota
Já atingida na manhã
palavras pela vida


Afonso Lima

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