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segunda-feira, fevereiro 13, 2017

O fruto

Ela se aproximou da pequena porta verde. Ela caminhou fazendo barulho no assoalho. Estava tudo podre.
A casa, abandonada há anos, era acompanhada por essa lenda. Um ser maligno se apoderara da casa e fizera o pai ferir seus próprios filhos. Podia-se conseguir o que se queria invocando o ser nessa porta.
E ela queria muito. Queria matar o pai do seu filho.
Como ele pudera? Transar com ela atrás de um muro e depois, quando ela contou estar grávida, ter lhe dado um soco e chamado de vadia?
Por alguns minutos ela pensou estar sozinha falando para o nada.
Então, a porta abriu.
Ela viu apenas um espelho sujo, no qual uma aranha de longas patas correu, escondendo-se.
A luz da lua caía sobre o chão empoeirado do porão, ela pode ver seu rosto.
- Vingança. Eu quero vingança - ela disse.
A porta bateu, gritou involuntariamente.
No espelho, por uma fração de segundo, um bebê com o rosto estranhamente adulto e pés que pareciam garras.

Afonso Lima

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