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terça-feira, março 14, 2017

O sapo e o poço

Os monges começam a ensinar pessoas comuns. Rapidamente, por todo o país, as pessoas começam a conhecer o que antes só os nobres e militares conheciam.
Imprime-se xilogravuras com poemas e dramas.
Agora, Bashô pensa em como criar um poema que o homem comum possa escrever.
Ele caminha no jardim e fala em voz alta sem perceber:
- A primavera chegou.
Um grupo de borboletas azuis voa até a entrada da casa.
Cria um poema de duas partes. Alguém diz o primeiro verso e outro responde com o segundo.
Atinge sucesso na corte. Mas ele sai pelo país à pé.
- O Todo na Unidade; a Unidade no Todo, nos ensinaram os antigos - ele diz. Minha poesia é apenas o que acontece num dado momento.
A montanha, o lago, a lua, o gelo, o bosque de bambu, a pedra, o riacho, o pessegueiro.
Por todo o país, seus poemas estão gravados em pedra.
Uma borboleta branca pousa sobre "O sapo e o poço".

Afonso Lima

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